GP de Cingapura por britânicos e brasileiros: “Hamilton é um caso de psiquiatra”

A comparação de Cingapura tem uma perda grave: minha fonte da transmissão da La Sexta não deu sinal de vida desde Monza. Espero que seja um caso de férias e não de desilusão com a atual forma da Ferrari! Feito o parênteses, resta observar como britânicos e brasileiros viram o GP em Marina Bay.

Vale de tudo para se esfriar em Cingapura

E eles começam entrando em acordo. “A palavra chave é sobreviver”, define Galvão Bueno, na Globo, enquanto Martin Brundle e David Coulthard discorrem sobre aquela prova que já é considerada “a mais difícil e longa do ano” de acordo com o narrador. “Nunca vi você tão acabado depois de uma corrida depois daquele 2008”, lembra. “Você perde até dois litros por hora e só tem um para beber. A desidratação afeta seu poder de concentração”, explica Coulthard.

A estratégia também chama a atenção. “São três paradas na frente. A chave (outra!) é conservar pneus”, sentencia Galvão, enquanto os britânicos se surpreendem com o pneu macio escolhido por Paul Di Resta, mesmo dentro do top 10.

Na largada, Brundle faz questão de salientar o bom início de Hamilton, que ficou encaixotado por Webber e foi parar atrás de… Schumacher, seu tormento de Monza. “Se já foi difícil ultrapassar lá, imagina aqui”, seca Galvão, mas o inglês não dá ouvidos e faz a primeira de suas 16 ultrapassagens na corrida com facilidade. O narrador ataca ainda Webber, que “está se especializando em largar mal e agora atrapalhou Hamilton.”

Em outra briga envolvendo a Mercedes, Massa supera Rosberg (não o Keke), mas Reginaldo Leme acredita que foi fácil demais. “Acho que ele tirou o pé para devolver a posição.”

Enquanto na Globo reinam as contas para ver se o campeonato termina ou não em Cingapura, na BBC seguem intrigados com a corrida de Di Resta. “Ele está andando no mesmo ritmo de Sutil com supermacios”, o repórter Ted Kravitz avisa na volta 9. “Os estrategistas devem estar olhando isso.”

E estavam, como a chuva de pneu macio mostrou logo na primeira parada. Antes disso, Webber ainda teve tempo de passar Alonso. “Não é comum dizermos isso, mas foi importante Mark passar porque já estava se formando um congestionamento atrás de Alonso”, se diverte Brundle. “Os pneus do Alonso terminaram antes do Felipe e os da Ferrari antes dos outros, ao contrário do que esperavam”, lembra Galvão.

Com as paradas e a preferência pelos macios, Luciano Burti identifica que “acabaram mudando a estratégia porque p pneu durou pouco.”

A mudança não importou para Felipe Massa, acertado por Hamilton na mesma curva em que o inglês bateu com Webber ano passado, como lembra Brundle. “O mesmo lugar que o prejudicou tanto ano passado. Eles quase bateram na classificação. E aí, David, Massa não estava fazendo nada errado…”, o narrador joga a bola para o comentarista. “Imagino que eles sentam tão baixo no carro que não veem a asa dianteira.”

A normalidade com que os britânicos viram o incidente – Eddie Jordan se mostrou chocado com a reação de Massa após a prova, indo tirar satisfações com Hamilton: “foi um acidente de corrida, não era para tanto” – contrasta com a reação dos brasileiros. “Pura e simplesmente errou na freada. Hoje ele é um caso de psiquiatra”, define Galvão. “Ele estava de supermacio, era uma questão de tempo passar. Tendo em vista a habilidade dele, não faz sentido”, prossegue Burti em uma discussão que teria segundo turno.

Sai a punição, pedida por Reginaldo, e Brundle acredita que a justiça foi feita, porque “não tinha o que os comissários fazerem. Ele não poderia escapar só com uma asa quebrada porque o Massa teve muito prejuízo.”

Com a informação de Ted Kravitz de que a Ferrari está preocupada com a temperatura de freios de Alonso, a conclusão de Brundle e Coulthard é de que a Scuderia fará três paradas e o restante, duas. “A impressão é de que, não importa o que eles colocam no carro, nada dá certo”, opina Brundle. “Acho que é uma combinação de coisas, dos problemas de freio que fazem com que Alonso tenha que jogar o equilíbrio de freio para frente, o que desgasta mais o pneu e também está tendo de economizar combustível”, lista o cada vez mais imprescindível repórter.

Falando em pneus, Galvão se surpreende com Vettel. “Ele anda muito mais que todo mundo e o pneu dele ainda dura mais”, identificando uma das chaves do sucesso do alemão neste ano. “Lembra-me o Ayrton Senna – sem querer fazer comparações. Ele dizia que era preciso andar em um ritmo para abrir, mas sem causar bolhas.”

Os elogios trazem de volta à tona a malhação em Hamilton. “Quantas punições ele já tomou? É ruim dizer isso, porque é um piloto extraordinário. Mas ele perde a cabeça”, acredita Galvão. Informado por Burti que o engenheiro do inglês lhe dizia que um safety Car poderia recolocá-lo na corrida, o narrador zomba. “Resta saber se não vai ser ele quem vai provocar o Safety Car.”

“Acho que o problema é ele estar perdendo para Button”, opina Burti. “Já aconteceu isso em 2007. O Hamilton se acostumou a ser o dono da casa. Quando não foi o dono da casa, com o Alonso, se complicou”, explica Galvão, ainda que os papeis pareçam meio invertidos na história. “A separação do pai, pessoas que não são do esporte cuidando da carreira dele…”, lista Burti. “O empresário fica falando para ele que é uma estrela, essa mistura com o show business não deu muito certo.”

O voo de Schumacher interrompe o papo. “Erro de julgamento”, todos concordam na Globo. “Não tenho certeza de onde Michael queria chegar com isso”, diz Brundle. “Ele precisa disso, voar no meio da noite?” Coulthard tem a resposta. “É mais seguro que as motos, em que ele teve uma lesão de pescoço.”

Voltas mais tarde, a repórter Mariana Becker avisa que Schumacher assumiu a culpa pelo acidente. Na BBC, ouvimos o alemão dizer: “ele tirou o pé quando eu me preparava para passar. Foi acidente de corrida.” Aceitando a culpa para o padrão Schumacher? “Na primeira parte da carreira, isso não era comum”, lembra Reginaldo.

O Safety Car tem Webber como ganhador, observa Brundle. “Ele está atrás de Alonso, mas de pneu novo”, ainda que Burti reconheça que “agora não tem mais muita vantagem com o SC porque eles têm de manter determinada velocidade depois do Hamilton levar vantagem em Valência.” Na verdade, os delta times foram estabelecidos como resposta à corrida de Cingapura, em 2008. A mudança gerada por Hamilton foi o fato do SC sempre sair à frente do líder.

Colocados os ‘pingos nos is’, hora da relargada. Vettel some na frente e Alonso é presa fácil para Webber. “Ele pegou Alonso cochilando”, diz Brundle. “Parece que toda vez que Alonso tem Webber atrás, é uma questão de quando vai passar”, completa Coulthard.

Galvão destaca a recuperação de Hamilton – “ele faz bobagem, bate e volta. Não desiste” – enquanto Brundle se preocupa com o duelo dos amigos Lewis e Sutil. “Isso não atrapalha? Bem, eu joguei meu grande amigo Blundell para fora da pista uma vez…” Coulthard explica ao narrador “é por isso que você nunca teve amigos de verdade.”

A informação de Vettel tentando levar pneus que terão cerca de 30 voltas até o final quer dizer a mesma coisa para britânicos e brasileiros: é o fator Button em ação. “Isso quer dizer que Button, que tem como estilo economizar pneus, está pressionando ele”, define Burti. “É a única chance que Button tem de ganhar a corrida”, explica Kravitz.

Chovem os elogios ao britânico. “Ele agora tem a confiança de um campeão, está guiando muito e foi o que mais ultrapassou até aqui”, lista Coulthard. “Para desespero de Hamilton, ele vai a segundo no campeonato”, lembra Galvão.

Os britânicos se atrapalham com a estratégia. Com a ideia fixa de duas paradas, se surpreendem até com a necessidade de Hamilton, que colocou supermacios no SC, parar uma terceira vez. Após as paradas de todos, se convencem de que era arriscado. “Assim que a McLaren parou, a Red Bull reagiu. Eles não precisam correr riscos.”

No marasmo do final da prova, em que uma infrutífera perseguição de Button virou notícia – “ambicioso, não?”, pergunta Brundle. “Já que estamos sem nada para fazer…” responde Coulthard, ambos pensando que a única forma do resultado mudar seria Vettel ter algum problema “porque ele não está se sentido pressionado, mas vale a pena tentar”, se desanima Brundle, para depois emendar. “Button foi o único que ficou entre as Red Bull. Seria interessante ver o que Hamilton poderia ter feito.”

O assunto na Globo é Barrichello e a cambaleante Williams, “a última no Mundial, porque as outras três não são equipes de F-1”, para Galvão. “Barrichello tem 19 anos de experiência e mostra velocidade, mas a equipe vai atrás de quem tem dinheiro, ainda que não possa aportar o que o Rubinho pode”, explica Reginaldo. “tomara que ele não corra com uma Hispania da vida só para completar 20 anos”, é a esperança de Galvão.

Mais uma vitória de Vettel e os narradores já não têm adjetivos. “É impressionante o que ele consegue fazer com o que tem na mão”, diz Brundle. “Lá vai ele com seu capacete fashion. É a história do conjunto carro e piloto em determinado ponto da vida. É um domínio que poucas vezes se viu, até na época do Schumacher”, afirma Galvão, que observa. “Já pula como bicampeão.”

O narrador confunde Helmut Marko com o pai de Vettel, em um ato falho curioso, como lembra Burti. “Ele é como um pai para essas crianças da Red Bull.”

Mas o piloto do dia na BBC é Paul Di Resta. “Corporativismo escocês à parte, criticamos a Force India por não ter saído à pista na classificação, mas eles apareceram quando era importante”, frisa Coulthard, que emenda. “Acho que Lewis poderia fazer alguns testes para saber onde está sua asa dianteira.”

3 comentários sobre “GP de Cingapura por britânicos e brasileiros: “Hamilton é um caso de psiquiatra”

  1. NÃO PERCO MEU TEMPO OUVINDO GALVÃO. OUÇO F1 NA BAND OU CBN…SÓ OUÇO O REGINALDO LEME, QUE COITADO, TEM QUE AGUENTAR ESSE MEGALOMANÍACO DO LADO DELE.

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  2. Julianne,

    das pessoas que conheço, você é a melhor que cobre o mundo da F1. Parabéns! É, certamente, sempre uma análise diferenciada.

    abraço.

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