F1 Hamilton fez a sua sorte para vencer a primeira com a Ferrari - Julianne Cerasoli Skip to content

Hamilton fez a sua sorte para vencer a primeira com a Ferrari

Quando Lewis Hamilton alinhou ao lado de George Russell na primeira fila do GP da Espanha, com pneus vermelhos, a cara da corrida já estava definida: com menos a perder, já que a Mercedes também tinha Kimi Antonelli em terceiro, a Ferrari iria para o ataque.

O time italiano tinha conseguido melhorar o rendimento do carro nas curvas de média velocidade que dominam o Circuito da Catalunha, com a chegada de uma atualização que deu os resultados esperados na pista. Mas, ainda assim, não tinha sido o suficiente para Hamilton bater Russell na disputa pela pole position.

Na verdade, a Mercedes pareceu estar um passo à frente em ritmo de corrida por todo o fim de semana. E esse ritmo era muito ditado pelo comportamento dos pneus, estressados ao seu limite com o calor em Barcelona, somado ao asfalto abrasivo e à opção da Pirelli por pneus mais macios que o normal para o GP da Espanha.

A tática da Ferrari era, portanto, impedir que eles usassem esse ritmo ao roubar a posição de pista.

Primeiro ataque não funciona

A primeira chance seria na largada, mas Russell arrancou bem e Hamilton não pôde usar a vantagem da aderência extra do pneu macio. Com o líder administrando o ritmo, pensando em fazer duas paradas, Hamilton conseguiu manter contato mesmo com os pneus macios até fazer a sua primeira parada na volta 11.

Russell logo percebeu que o rival pararia três vezes, e se surpreendeu quando foi chamado aos boxes para cobrir a parada, na volta seguinte. Antonelli também parou e trouxe consigo Lando Norris, que lhe acompanhava de perto.

Todos agora estavam no composto duro, o mais complicado de todos, com tendência a escorregar. Hamilton se mantendo a 2s5 de Russell, Antonelli 2s atrás da Ferrari, Norris 3s atrás de Antonelli.

Por que a Mercedes não fez 3 paradas?

Se Russell corresse o risco de forçar seus pneus e focar em três paradas, poderia acabar em uma situação de ter que ultrapassar esses três pilotos no final da corrida. Parecia um risco bobo de se correr estando na liderança.

A Mercedes dividiria a estratégia e daria essa chance a Antonelli? Afinal, o quanto de seu ritmo estava determinado pelos dois carros à frente? E se ele conseguisse parar uma vez mais e passar todo mundo no final? Dentro do contexto do campeonato, era difícil de imaginar que a equipe lhe desse essa chance.

Hamilton não tinha que pensar em nada disso. Sim, ele tinha chegado à Espanha como o vice-líder do mundial, mas estava antes de mais nada atrás de sua primeira vitória com a Ferrari.

Na volta 27, foi ele quem se desgarrou do grupo. Colocou pneu médio, melhor para poder forçar. Era o momento de construir o máximo possível de vantagem para quem pararia uma vez a menos que ele.

Até porque a Mercedes decide não responder dessa vez. Talvez por entenderem que fazer duas paradas seria ao caminho mais curto até a vitória. Talvez para evitar que Russell parasse para cobrir Hamilton e Antonelli ficasse com o caminho livre para vencer com uma parada a menos, o que certamente não colaboraria para o clima interno da equipe.

Hammertime

Liberado para tirar o máximo do pneu, ao contrário de seus rivais diretos, Hamilton começa a voar. Foram algumas voltas virando 2s mais rápido que Russell, obrigado a parar de novo na volta 36 (novamente mais cedo do que gostaria, com 30 voltas para o final) para não perder posição de pista para Lando Norris, chamado para os boxes na volta anterior.

O cuidado da Mercedes com a disputa interna entre seus pilotos, inclusive, volta a aparecer aí, quando Russell é chamado antes de Antonelli, exigindo uma parada rápida para o italiano não perder a posição para a McLaren.

Hamilton seguia com pista livre, agora na liderança. Era o momento de construir o máximo possível de vantagem para, quem sabe, parar de novo e voltar na frente. Ou, mais realisticamente, voltar o mais perto possível para passar o trio já com pneus desgastados nas voltas finais.

Nunca saberemos como teria terminado, por Fernando Alonso estacionou sua Aston Martin com problemas e gerou um Safety Car Virtual na volta 40. Hamilton tinha acabado de passar da entrada do box, mas o VSC demorou pouco mais de uma volta, permitindo à Ferrari parar e voltar em primeiro.

Com 25 voltas para o final, Hamilton tinha 3s de vantagem na pista e cinco voltas nos pneus. Em um dia em que o desgaste de pneus falou mais alto que o rendimento em si, era uma vantagem e tanto.

O fator Antonelli

E ele ganharia um ‘brinde’ importante: Antonelli passou a pressionar Russell. Os dois começaram a disputar entre si enquanto Hamilton escapava e Norris só observava de perto. O italiano, em um fim de semana no qual seu companheiro estava acreditando que tinha se reencontrado, que tinha voltado a acertar o carro de uma maneira que fazia seu estilo de pilotagem ter um impacto positivo no carro, e com confiança renovada, provava que estava mais rápido.

Antonelli chegou a passar Russell, com asa dianteira avariada e tudo, depois de passar por cima das zebras de maneira agressiva demais. Ele já estava pendurado, inclusive, nos limites de pista. E nada o parou.

Até que o motor Mercedes simplesmente apagou, em mais um problema de confiabilidade do motor alemão.

Russell voltou ao segundo lugar, Norris subiiu para terceiro, e os dois viram de perto Hamilton realizar um sonho antigo de ver os mecânicos da Ferrari cantando o hino italiano para ele no lugar mais alto do pódio.

Estratégias diferentes

Mais atrás, Verstappen adotou uma tática semelhante à de Hamilton para bater Charles Leclerc (que largou em nono após um erro, se recuperou, mas acabou abandonando por uma quebra quase simultânea à de Antonelli) e Piastri. Hadjar se recuperou de uma largada ruim para ser sexto.

Gasly fez um overcut funcionar para roubar a posição de Liam Lawson e ser o melhor do resto, seguido pelo companheiro Franco Colapinto, que acabou recebendo uma punição e foi o décimo. Lawson e Lindblad completaram os pontos.

Era para pelo menos uma das Audis estarem nesta briga. Mas Hulkenberg teve um abandono muito azarado quando a brita ativou o botão que desliga completamente o carro. E o turbo do motor de Bortoleto não estava bem preparado na largada, fazendo com que ele terminasse a primeira volta em 17º, ainda por cima tocando-se com Ocon, o que danificou seu carro. O brasileiro terminou em 11º, com ritmo bom o suficiente para recuperar posições em cima das Williams e Haas.

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