Corridas e análises

Ultrapassagens em números: 4 GPs superam cinco das últimas 10 temporadas completas

Se 2011 já foi um ano absolutamente recordista em termos de ultrapassagens, a temporada atual deu mostras nestas quatro primeiras provas que há como melhorar os números do ano passado. O equilíbrio entre as equipes e a possibilidade ainda maior de variar as estratégias, com a adoção por parte da Pirelli de compostos mais próximos em termos de rendimento, resultou em um aumento em relação à já espetacular média do ano passado: enquanto a temporada de 2011 fechou com 60,63 ultrapassagens por GP em média, as etapas iniciais deste ano tiveram 70 por prova.

Isso significa que, computando apenas as manobras executadas no seco, a temporada teve, em quatro provas, mais que o número total de ultrapassagens de 5 dos últimos 10 anos! Em números absolutos, apenas 2010 e 2011 tiveram mais trocas de posição do que nas quatro primeiras provas desta temporada.

É curioso perceber que isso ocorre mesmo com a perda de valor da DRS. Primeiro, porque a FIA está disposta, neste segundo ano do dispositivo, a diminuir as zonas de ultrapassagem que funcionaram “bem até demais” em 2011. E segundo porque um dos resultados da alta competitividade que temos visto são os trenzinhos durante as provas, que fazem com que vários pilotos ativem a asa traseira móvel ao mesmo tempo, anulando seu efeito.

Fica a questão até se é válido continuar usando este artifício para melhorar o número de ultrapassagens, uma vez que ele está longe de ser um problema no momento, e a DRS parece ser bem menos decisiva que os próprios pneus para este fim. Se o Kers tem seu futuro garantido na categoria pelo regulamento que entra em vigor em 2014 – e até ganhará em importância, surgindo como grande contribuição da F-1 aos carros de rua – a asa móvel vem perdendo espaço. A questão que fica é qual sua valia para um piloto se aproximar do outro com mais rapidez, já que ela acaba diminuindo o prejuízo pela turbulência.

O abandono do equipamento, porém, ainda traria outra ajuda à FIA: com a inovação da Mercedes, usando a DRS para ativar um sistema de dutos que estola a asa dianteira, os rivais estão tendo de abrir o cofre para desenvolver suas engenhocas particulares, em mais um tiro no pé na tentativa da categoria diminuir os custos. Não seria melhor acabar logo com a brincadeira?

Enquanto continuamos com todo o arsenal pró-ultrapassagens a todo vapor, confira as estatísticas deste início de temporada:

Ultrapassagens em 2012

Ultrapassagens por pista

Ultrapassagens nos últimos 10 anos

Ultrapassagens por piloto

10 comentários em “Ultrapassagens em números: 4 GPs superam cinco das últimas 10 temporadas completas”

  1. Olá, Julianne,

    Se compararmos as corridas por volta do ano 2000, tínhamos carros mais rápidos, com maior dependência de downforce e como reflexo ninguém passava ninguém, pois era muito mais arriscado e nenhum piloto vendia fácil uma posição. Então ficava aquela história de tentar ganhar uma posição na largada ou no reabastecimento. Dava até para tirar uma soneca durante a corrida, pois nada acontecia.

    Então acredito que as ações da FIA nos últimos anos foram eficazes para o espetáculo, ao diminuir o tamanho das asas traseiras, ao eliminar os apêndices aerodinâmicos, o surgimento do Kers, o DRS e agora o pneu Pirelli.

    Na verdade a F1 ficou até mais segura, pois os pilotos sabem que não vale à pena colocar tudo à perder por causa de uma ultrapassagem sofrida. E econômica, pois as batidas entre carros também diminuiu.

    Abs.

  2. Continuo pensando que a Fórmula 1 – com seu excesso de artificialismos – tem muito o que aprender com a GP 2, na qual se vê acirrada competição e grandes ultrapassagens “no braço”, sem DRS, KERS e pneus que se esfarelam com poucas voltas e até reduzem a amplitude da pista, tamanha a trilha de detritos que ficam. Com certeza lá na GP 2 está aparecendo muito mais a habilidade dos pilotos (tem pegas sensacionais) do que cálculos, engenheiros, estratégias, ultrapassagens nos boxes e tudo o que não valoriza um campeonato que, em sua essência e até em seu nome, é “Mundial de Pilotos”. Pode haver na GP 2 equipes melhores que outras, mas é uma categoria mais justa e equilibrada. A Fórmula 1 está ficando lotérica como a chatíssima Fórmula Indy, ainda mais nos dias de hoje, quando a eletrônica controla tudo e nem deixa mais explodir motores como antigamente…Não é uma questão de saudosismo, é questão de examinar a GP 2 ATUAL e de lá retirar as boas coisas em matéria de competitividade.

    1. A explosão dos motores era realmente muito legal, principalmente pela capacidade de alterar completamente o resultado da corrida nas últimas voltas. A cara de desolação dos pilotos era demais…

      E se tivesse muita labareda, fumaça e óleo na pista, melhor ainda…

      Acho que o último carro que pegou fogo foi o Lotus / Renault com escapamento frontal do Nick Heidfeld com direito a explosão e tudo o mais. Ainda bem que ele não se feriu.

      1. Pois é, Ricardo. Citei esse fato de os motores “abrirem o bico” para ilustrar que o imponderável – que sempre foi um fator inerente às corridas de carros – era NATURAL, e não forjado, planejado ou programado. Quando se chega a excessos de artificialismos é porque algo está errado na formulação dos regulamentos técnicos, não apenas na construção dos carros, como também no formato das corridas. Lembremo-nos de que Ecclestone já andou falando até em molhar os circuitos e abrir nas pistas faixas extras para ultrapassagens. Brincando, brincando. . .Como bem sublinhou a competente blogueira Julianne, estão se formando trenzinhos em que todo mundo abre as asas, anulando o efeito (artificial) que se pretendia. Na ATUAL GP 2 não existe o DRS e lá os trenzinhos se formam e se dissolvem na audácia e habilidade de cada piloto. Acho a GP 2 a melhor categoria de automobilismo existente no momento, pelo que oferece de equalização e competitividade, e gostaria de ver como se resolveriam esses trenzinhos compostos por pilotos do calibre de Hamilton, Vettel, Alonso, Kobayashi e Perez, por exemplo, numa hipotética prova de GP 2.

        Falando nos pneus que esfarelam, do jeito que estão deixando detritos em excesso que reduzem a amplitude da pista, que fica apenas com um trilho limpo demarcando o traçado ideal, na minha modesta opinião essa condição vai acabar impossibilitando vermos duelos disputados lado a lado, roda a roda, da magnitude que travaram, por exemplo, Gilles Villeneuve e René Arnoux em Dijon Prenois em 1979 ou a ultrapassagem antológica de Piquet em Senna na Hungria em 1986. Os pilotos agora tem a necessidade vital de não entrarem na área suja para não comprometê-los, o que pode acabar impedindo lances de maior audácia. Na GP 2 atual os pneus também acabam, mas naturalmente, como acontecia na F 1 antes, por mau uso (freadas fortes), bolhas ou ritmo muito além do limite extremo. Esse negócio de ficar cozinhando o galo em banho maria desde o início para não gastá-los não é legal. Como aficionado, não gosto de ver pilotos de talento com resultado final dependendo totalmente de estrategistas de boxe. Não acho justo. A F 1 é um campeonato de pilotos e não de endurance ou de marcas. Mal comparando, tem que ter o caráter de uma corrida de 100 metros rasos, e não de uma maratona. Os carros são o meio que os pilotos tem para exprimirem ao máximo suas habilidades e proporcionarem emoção e adrenalina – os componentes essenciais do automobilismo em geral – aos espectadores. A Fórmula 3 britânica também sempre foi muito disputada.

        Não sou contra a evolução dos carros, mas penso que a Fórmula 1 deve ter mais humildade e examinar melhor como está funcionando bem a GP 2 e, a partir daí, retirar boas coisas e aproveitar a reformulação geral que vai haver na categoria em 2014 para implementá-las. Teria que mexer até na pontuação, premiando com pontos também a pole e as voltas mais rápidas na primeira e na segunda metades da prova, com ponderações diferentes, para evitar acomodação. Mas é apenas a minha opinião e eu respeito as diferentes. E sei também que é difícil equalizar uma competição em que entram tantas variáveis. Abs.

      2. Agora até o abandono é meio simulado, como dizem que aconteceu com o Button e o Senna na última corrida, para poderem trocar a caixa de câmbio sem punições.

        Até mesmo o Vettel parece ter levado um puxão de orelha por não ter seguido a orientação da equipe numa corrida anterior.

        Enfim são as brechas da regra e cada um aproveita como pode.

        Abs.

  3. Oi Julianne,

    Excelente post, como sempre.

    É impressionante quanto tempo a F-1 perdeu com corridas ruins sendo que o segredo para as ultrapassagens estavam nos pneus, justo eles que passaram por toda aquela transformação em 98 recebendo ranhuras e que não contribuiram em nada para as ultrapassagens.

    A F-1 de hoje é outra, e apesar da reclamação de Schumacher no Bahrein, a Pirelli trouxe de volta a emoção nas corridas.

    Um abraço e parabéns pelo post.

  4. Muito bom, Ju! Muitas coisas melhoraram: tanque cheio, pneus menos duráveis e mais próximos em rendimento, a disputa agradece!

  5. essas estatisticas estão fantásticas

    seria bom comparar elas por circuito, nos ultimos anos para ver se as pistas do Tilke são tão más assim

    1. Vou fazer isso no final do ano ou mesmo na pausa de agosto com certeza, mas acredito que se clicar na tag ultrapassagens pode ver números desse tipo de anos anteriores. Posso adiantar que não dá para generalizar, há Tilkódromos ótimos, como Malásia, China e Istambul, que infelizmente saiu do calendário, e péssimos, como Abu Dhabi. Da mesma forma, pistas como Mônaco e Silverstone tradicionalmente têm poucas ultrapassagens.

      1. Julianne,
        É que Tilke desenhou Abu Dhabi especialmente para Kobayashi. . .rsrsrs

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