Estilos de pilotagem: Lewis Hamilton

Motor Racing - Formula One Testing - Day 4 - Jerez, Spain

 

Hamilton é daqueles que freia tão dentro da curva que até com o equilibrado W05 costumava fritar os pneus e não adianta copiar: é a intimidade que ele tem com o pedal de freio que faz com que isso funcione a seu favor. Na modulação da frenagem, consegue controlar as saídas de traseira que ele mesmo provoca de forma a não perder tempo.

Parte do segredo tem a ver com sua precisão com o volante. E, quando o carro se equilibra no meio da curva, ele é rápido na reaceleração, tendo um estilo visivelmente agressivo. E, se alguma destas variáveis não funciona como planejado, Hamilton tem a seu favor uma grande sensibilidade, o que o ajuda a lidar com qualquer tipo de comportamento de carro, ainda que prefira ter saídas de traseira do que de dianteira.

Toda essa agressividade clara na tocada de Hamilton acabou fazendo com que muita gente se apressasse em decretar o fim do inglês em duas oportunidades: quando os pneus se tornaram mais sensíveis, com a chegada da Pirelli em 2011, e quando a economia de combustível se tornou mais importante, ano passado.

Mas o fato é que o estilo de Hamilton acabou funcionando bem com esses dois requisitos. A explicação que engloba ambos os aspectos é que o inglês, por induzir o carro às saídas de traseira, se sente mais à vontade com o equilíbrio de freios sendo jogado mais para os pneus traseiros do que os dianteiros. Isso é importante para a recuperação de energia, que acontece apenas neste eixo, e ao mesmo tempo protege os pneus.

Além disso, feliz em ter um carro mais nervoso na entrada da curva, ele consegue carregar mais velocidade e precisa de menos reaceleração. Com isso, na mesma tacada, economiza combustível e pneus especialmente em pistas nas quais a degradação é longitudinal, e não por força lateral (aquelas com curvas em que o carro escorrega de lado).

É por essas e outras que, antes de julgar o estilo de Hamilton como agressivo, é preciso lembrar que sua grande característica é a sensibilidade.

43 comentários sobre “Estilos de pilotagem: Lewis Hamilton

  1. O texto é longo, das semanas que antecediam a etapa decisiva de 2014, mas vale a pena ser lido.
    Will Buxton, que teve contato próximo com Rosberg e Hamilton na época de GP2, escreveu um descritivo bem legal sobre ambos.
    E nesse texto sobre Hamilton ele destaca a inteligência do piloto, apesar de muitos dizerem não ser o caso.
    Diria que é um sinônimo da sensibilidade que você destacou aqui, Julianne.
    https://willthef1journo.wordpress.com/2014/11/19/the-contenders-lewis-hamilton/

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    1. valeu por disponibilizar o link dessa matéria, Allan, um artigo espetacular que descreve o quão fenomenal é Lewis Hamilton. acaba com a ideia ou o imaginários de mentes que tentam não enxergar a verdadeira face de um dos pilotos mais sensacionais já surgidos na F1. se não me engano a corrida da GP2 que o autor do texto menciona e que mostra a capacidade de quem LH: https://www.youtube.com/watch?v=foZtaVeAJFg, é essa. sem comentários. sem esquece do ótimo artigo publicado pela Julianne. até a próxima…

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  2. Olá Ju, tudo bem? Inicialmente gostaria de parabenizá-la pelo seu blog, sempre com ótimos textos e muito explicativos.
    Além disso, também gostaria de saber se você pretende continuar essa série sobre estilos de pilotagem abordando pilotos que já se aposentaram. Acredito que Michael Schumacher é uma boa pedida rs. Muito obg e até mais!

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      1. Ansioso por saber quem é esse 4 do G 4? Ricciardo? Rosberg? Puxa, nem Hitchcock! Você é malvada, Julianne rsrsrsrsrs. . .

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  3. Adorando esses posts sobre a s características da pilotagem de cada um; última vez q li sobre isso já tem 3 ou 4 anos, numa Autosport. É a primeira vez q vejo isso em imprensa brasileira, parabéns.

    Uma dúvida neste post: é somente nos freios dianteiros q há a recuperação de energia, é isso? Fiquei em dúvida (talvez erro de minha leitura, pois bem).

    Gostaria de ler um sobre Valteri Bottas.
    Grato, e um ótimo ano para todos no Total Race.

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      1. Na realidade, a recuperação de energia não é no freio em si e tampouco, como já foi amplamente divulgado, transforma o calor dos freios em energia.

        Tentando simplificar a explicação: o eixo traseiro do carro, além de estar conectado à transmissão, também está conectado a um conjunto moto/gerador elétrico (um mesmo equipamento que pode funcionar como motor elétrico e como gerador), que é chamado de MGU-K.

        Quando o piloto pisa no freio (e, portanto quer “retirar movimento das rodas”), o eixo passa a acionar o gerador elétrico, cuja energia gerada fica armazenada em baterias. O carro “cede” movimento ao gerador, ao invés de dissipá-lo completamente nos freios, na forma de calor.

        Quando o carro necessita de mais potência, sob comando do gerenciamento eletrônico o motor elétrico passa a funcionar, ajudando a “empurrar” o carro, juntamente com o motor à combustão.

        Um sistema parecido é utilizado no turbocompressor: um moto/gerador elétrico está ligado ao eixo do turbo (MGU-H). Quando o motor não está acelerando, o movimento do eixo do turbo aciona o gerador, que gera energia para ser armazenada nas baterias. Quando o acelerador é acionado, a energia das baterias vai fazer o motor elétrico funcionar a fim de movimentar o eixo do turbo. Isso é utilizado a fim de diminuir (ou eliminar) o chamado “turbo lag”, que é a demora do turbo em funcionar durante uma aceleração.

        Essa é uma tecnologia que, apesar de acrescentar custos e complexidade ao trabalho das equipes e fabricantes de motores, é fundamental, especialmente em tempos que exigem um máximo aproveitamento da energia fornecida pelo combustível do carro. Pode não parecer, mas um motor a combustào interna é uma máquina com um rendimento muito baixo. Mais de dois terços da energia fornecida pelo combustível simplesmente não chega as rodas.

        Julianne, desculpe pelo comentário com tamanho de post!

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      2. Obrigado Harerton, obrigado Julianne.

        Eu tinha uma noção totalmente equivocada sobre o sistema, agora tá tudo nos trinques!

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  4. Julianne, vou citar Bertold Brecht para definir o “Pássaro Selvagem em cativeiro” (copyright Cerasoli) que, liberto, agora voa altíssimo.
    “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis.”

    Hamilton é um desses imprescindíveis! Disputa centímetros de pista até com o bicudo Maldonado!

    Brilhantíssima sua análise, Julianne, parabéns. A tocada agressiva, oportunista e espetacular sempre empolgou (desde a F 3, passando pela GP 2) este velho (na idade e na paixão pelo automobilismo, pela F1 em particular). Considero LewIIs o melhor, o mais arrojado e agora paradoxalmente consciente e comedido piloto do grid. Hamilton é o sal que tempera a F 1 (e muitas vezes a pimenta, também). au

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    1. Julianne, apague esse latido aí no final, hahahaha, foi um bug do meu note substituto. O titular, com pouco mais de um ano de uso, deu BSOD (inacreditável) e está no estaleiro. Perdi grande parte dos meus alfarrábios cibernéticos.
      Se não for abusar, corrija também a palavra que faltou – AFICIONADO – na frase: “A tocada agressiva, oportunista e espetacular sempre empolgou (desde a F 3, passando pela GP 2) este velho AFICIONADO(na idade e na paixão pelo automobilismo, pela F1 em particular). Depois, apague esta mensagem, também. Grato.

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      1. Hahahahaha, definitivamente ela me atacou pra valer hoje, Wagner. Minha taxa de “enviólise” hahaha deve estar nas alturas, rsrsrsrs

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  5. JU,ESSE ESTILO ME LEMBRA MUITO O SCHUMACHER SENDO ASSIM PORQUE ELE SOFREU UM POUCO COM O CARRO DESENVOLVIDO PARA O SCHUMACHER ? E QUAL A DIFERENÇA ENTRE O ESTILO DOS DOIS ?

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    1. Schumacher também sempre foi duro com os freios e gostou de carros traseiros, mas seu estilo também é muito marcado pelo trabalho constante no volante durante a curva, o que fazia com que ele escorregasse lateralmente nas curvas, algo péssimo para os Pirelli.

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  6. Ju, falar em profissionalismo e imparcialidade lembra seu trabalho, as vezes acho que vc poderia ser uma técnica em radioligia, kkkk, ora, “texto raio” x;-), well done!

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  7. Essa série está muito legal! Espero ler sobre o estilo de pilotagem de outros pilotos também. Alias, seria até legal se pudéssemos ler sobre o estilo de pilotos que já não estão na categoria, como Mansell, Prost, Piquet, Senna etc
    Seria sensacional!🙂

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    1. Imagine que estou com esse arquivo “drivingslytes.doc” há pelo menos quatro meses, compilando anotações para trazer um conteúdo legal para vocês. Não é algo simples de fazer, então não posso prometer, ok?

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  8. Julianne você poderia fazer matérias e reportagens e postar no youtube seria muito legal para todos os seu fans, quem sabe até entrevista com pilotos.

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    1. Julianne, encare com carinho e seriamente a excelente idéia do nosso amigo Marcelo Dutra. Sou mais um a apoiar esse pedido, posto que seria maravilhoso vê-la comentando sobre os acontecimentos e as novidades da F 1, ao menos uma vez por semana. Inclusive com entrevistas com pilotos, engenheiros e chefes de equipes, quando possível. Muitos blogueiros expõem vídeos com eles falando de viva voz sobre assuntos palpitantes e acredito que o site Totalrace tenha condições técnicas de nos proporcionar isso. Você é imprescindível.
      Marcelo, parabéns pela ótima idéia!

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      1. É uma boa ideia, de fato. Só adivinhem por que não posso trazer entrevistas? Bernie proíbe qualquer tipo de gravação dentro do paddock de quem não tem direitos de imagem…

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      2. Querida Julianne, desculpe eu estender o assunto, entendo a restrição que você informa, mas pergunto-lhe: e fora do paddock? Entrevistas também são proibidas? Entretanto, já posso imaginar que – tanto pilotos quanto engenheiros e chefes de equipes devem ser bastante inacessíveis, não? Talvez por cláusulas contratuais de patrocinadores? Ainda assim, SEM ENTREVISTAS, seria interessante vê-la – com menos limitações que a palavra escrita – falando e dissecando, “em cima do lance”, assuntos palpitantes do esporte que amamos – obviamente com a sua opinião pessoal. Tipo assim um “CREDENCIAL”, mas no site, e, se possível, respondendo perguntas selecionadas dos seus leitores, de acordo com o interesse maior da coletividade.
        Um grande abraço.

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      3. Boa aucam seria otimo, aucam esse nick é seu nome mesmo ou é seu apelido estou perguntando porque admiro muito seu comentários.

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      4. Obrigado pela sua consideração com os meus pitacos, Papa Léguas. Na verdade, meu “nick” são as iniciais do meu nome, que sempre usei para compor minha rubrica.

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      5. E se for so de audio, pode? O credencial eh muito legal, e confesso que sinto sua falta quando voce não participa.

        Por sinal… quando sera o proximo credencial? ja estou com síndrome de abstinência ao credencial!🙂

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  9. Sou suspeito para falar de Hamilton sou um torcedor desse piloto que desde 2007 tem dado muito o que falar na formula 1 tanto pelo piloto como seu jeito de ser. pilotos como Vettel, Hamilton Kimi e Alonso engrandece muito a formula 1. Julliane parabéns.

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  10. JuCera, você já percebeu que aqui, além de amantes de F-1, também possui vários, como eu, ansiosos por novos post seus?

    É muita competência. Como Marcelão disse acima, você no YouTube, só pra atender seus fãs.

    Aqui nos comentários me identifico com Aucam por defender Lewis. Eu e ele enxergamos o que o narrador insiste em definir como “cabeça fraca” como agressividade. O pior é que, quem não entende de F-1, acredita que isso é lei e fica escrevendo por aí.

    Quanto ao LewIIs (copyright), concordo que ele tem sensibilidade apurada. Basta lembrar do Nico disputando freada com ele pela primeira posição, fritando tudo e saindo da pista. Deixando claro que o limite do carro estava no #44 e, mais que aquilo já era loucura. Outra coisa que gosto de ver é o fato de LewIIs ser “espaçoso” na pista. Quando alguém está de seu lado externo, mas ainda não completou a ultrapassagem, numa saída de curva por ex. aí ele vai abrindo a curva e jogando o adversário pra fora, forçando-o a dar uma aliviada e ficando pra trás. Me identifico com isso.

    JuCera, vou dar uma dica pra você que parece perfeccionista. Na página inicial do TR, quando você coloca o mouse em “Blogs”, daí aparece o nome dos blogueiros, certo? Pois é. O seu está errado. Aparece Julianne Cesaroli.

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  11. Acho que os pilotos não são fixos quando ao estilo de pilotagem, eles podem se adaptar; veja o Felipe Massa por exemplo, que está utilizando uma técnica diferente de pilotagem em 2014 para economizar pneus;

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  12. isso é algo que sempre me intrigou .. como ele consegue.. gerenciar bem os pneus, pilotando desta forma.. eando daquela forma nas curvas. é um fora de série.. acho que ele deve muito isso aos anos e anos de kart .

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