GP da Austrália para brasileiros, britânicos e espanhóis: “Azul do cenário deu sorte”

Motor Racing - Formula One World Championship - Australian Grand Prix - Race Day - Melbourne, Australia

Para o bem e para o mal, a Globo roubou a cena com a as novidades em sua transmissão. Se a tentativa era falar para um público que não está acostumado a assistir à Fórmula 1, os números da audiência pelo menos dão um bom indicativo. Mas confesso que minha curiosidade sobre as transmissões do GP da Austrália era outra: como o narrador Antonio Lobato e companhia iriam lidar com a ausência de Fernando Alonso no grid.

Mas o narrador da Antena 3 respondeu essa dúvida antes mesmo da largada. “Vamos ficar atentos principalmente a um nome, de Carlos Sainz, um espanhol, que vai largar no sétimo lugar. Vamos ver como se comporta Carlos, que se comportou de maneira muito segura e séria por todo o final de semana.”

Não demoraria muito para Lobato ter seu primeiro momento de tensão com o estreante espanhol. Na largada, o pole Hamilton dispara e uma confusão no meio do pelotão envolve o piloto da Toro Rosso. “Carlos está logo atrás de Kimi , já vai para cima…ui, acho que se tocou com Kimi. E um Lotus já está no muro. Vamos ver os danos no carro de Carlos”, diz o narrador. “Kimi parece que ficou parado e por isso há um efeito dominó e Carlos toca nele e, mesmo assim, ele continua parado”, vê De la Rosa, suspeitando de alguma falha técnica.

O incidente é visto por outro ponto de vista na Globo. “Felipe Nasr chegou a tocar na Ferrari que ficou, de Kimi, mas conseguiu a sexta posição. Vamos ver se não vai ter investigação porque é ele que faz o Maldonado girar e também tocou com o Raikkonen”, Galvão Bueno se preocupa. “Se tiver algum problema será por causa do Maldonado porque o Raikkonen estava voltando para a pista”, justifica Reginaldo Leme, mas Luciano Burti não crê em punição para Nasr. “Ficou claro que felipe não tinha para onde ir, então não teve culpa.”

Martin Brundle, da Sky Sports, vê culpa, mas não de Nasr. “As duas Ferrari estavam indo uma contra a outra. Muita coisa boba acontecendo na primeira curva. Raikkonen poderia ter ficado mais à esquerda para se preservar depois de ter sido tocado por Vettel. E Nasr não tinha para onde ir. Tenho a impressão que Kimi vai querer conversar com Sebastian sobre essa primeira curva”, opinou.

Confusões à parte, o acidente acabou sequer sendo investigado e apenas Maldonado abandonou. Grosjean, com problemas técnicos, também ficou pelo caminho logo de cara. Porém, como o grid tinha 15 carros por uma sequência atípica de eventos antes da largada, isso significava que a temporada começaria com uma corrida entre 13 carros. “Não sei até que ponto foi acerto, até que ponto foi erro essa nova unidade de potência”, começa a divagar Galvão. E Brundle não entende o que está acontecendo. “É o tipo de coisa que eu esperava ano passado, quando a unidade de potência era nova. Mas agora é que virou uma carnificina.”

Na relargada, “Nasr pega Sainz dormindo”, como narra David Croft. “Nasr pega Sainz dormindo. Depois de ser uma estrela da classificação para mim, Nasr já pulou para quinto.” A ultrapassagem faz Galvão se empolgar e Reginaldo, se preocupar. “Um início de corrida absolutamente espetacular para o estreante brasileiro”, diz o narrador, enquanto o comentarista salienta que “falam para ele não ser tão afoito quanto na GP2, mas com ele não tem dessa, ele confia no estilo dele.”

Os espanhóis mantêm com Sainz o padrão que usam com Alonso. Se algo deu errado, provavelmente o piloto tem um problema. “Está claro que ele não tinha velocidade na relargada, ele deve ter errado em algum mapa de motor ou o KERS não funcionou. Mas já recuperou”, avalia De la Rosa.

Nasr, fazendo um “carrerón”, como destaca o comentarista espanhol, começa a chamar a atenção. “Que trabalho bom que Nasr vem fazendo! Ele tem dois grandes pilotos e com bons carros atrás, mas está mantendo-os controlados. Certamente a Sauber está se aproveitando da melhora do motor Ferrari”, observa Brundle. “Ele está na frente só do Ricciardo, aquele que ganhou corrida sem estar de Mercedes ano passado e dominou o Vettel”, contextualiza Galvão. O outro grande piloto citado é ‘apenas’ Kimi Raikkonen e Nasr é quinto. Sorte de principiante? “Se a Sauber conseguir um top 7 nessa corrida seria ótimo para eles”, crê Croft.

Top 7 é pouco para a Globo, que agradece permissão dada por Ecclestone para dividir a tela e mostrar a família de Nasr reunida em Brasília. “Olha a vibração! Parecia um gol”, se empolga Galvão com o replay da reação da família na ultrapassagem. Mas o convidado Raul Boesel contextualiza: “Surpresa é o rendimento da Sauber. Eles deram um carro bom para o Nasr mostrando seu talento. Evolução incrível do ano passado para esse ano.” Para De la Rosa, contudo, o brasileiro “está freando os demais, os líderes estão indo embora. E Carlos tem mais ritmo.”

A imagem corta de repente para uma Force India se recuperando do que aparenta ser uma rodada. É Sergio Perez. “Não ficou na McLaren por causa disso, porque erra muito”, se apressa Galvão. “Há um pedaço de carro na pista, será que vem da McLaren de Button? Os dois estavam perto demais talvez”, supõe Croft. E o replay mostra que o narrador britânico está certo. “Acho que Jenson deveria ter dado mais espaço. Acho que ele não viu que Perez estava lá”, avalia Brundle, mesma opinião de De la Rosa e Burti. O brasileiro, inclusive, acha errada a postura da McLaren, que havia pedido pouco tempo antes para o inglês defender a posição. “Eu discordo da equipe McLaren porque ele mal andaram na pré-temporada e nem estão nos pontos. Nesse ponto, o mais importante é terem voltas.”

Raikkonen é o primeiro dos ponteiros a parar, em tática que causa estranhamento. “Com Raikkonen entrando agora, pode ser uma estratégia de duas paradas e pode não ser uma boa ideia”, Brundle dizia enquanto o finlandês tinha uma parada desastrosa. “E agora qualquer estratégia está acabada. É algo que vai custar caro, porque a ideia era dar a ele pista livre para ele passar Ricciardo.” Burti, por sua vez, demonstra alívio pelo pit stop lento da Ferrari. “O problema de Raikkonen é bom para o Felipe porque ele era o mais rápido de todos.”

Algumas voltas depois, é a vez de Massa parar, tentando se defender da outra Ferrari, de Vettel. Os comentaristas acham, à primeira vista, que é uma boa ideia. “Vettel está tentando fazer voltas rápidas, mas Massa, com pneus novos, deve voar. É pedir muito ele conseguir passar”, crê Brundle. “A não ser que ele perca tempo atrás de Ricciardo. Ele não pode se dar ao luxo de ficar atrás”, emenda Croft.

Burti começa a se preocupar quando vê a velocidade do alemão, cujo ritmo estava sendo atrapalhado pela Williams, algo que havia chamado a atenção de De la Rosa voltas antes – “Massa está fazendo um grande favor para os Mercedes, porque o único rival em ritmo de corrida é a Ferrari.” Estava claro que Vettel voltaria de sua parada à frente, mas Galvão esperou até o último minuto para constatar que “faltou um pouquinho” para Massa segurar o terceiro lugar.

Motor Racing - Formula One World Championship - Australian Grand Prix - Race Day - Melbourne, AustraliaAs transmissões tinham que focar nas brigas da Ferrari com a única Williams e nas boas estreias. Sobre a disputa da ponta, havia pouco a dizer. “Vocês estão falando da evolução da Ferrari, mas o que impressiona é o que a Mercedes está fazendo”, Raul Boesel dá uma de ‘do contra’ novamente. O domínio é tanto que Lobato pergunta: “Não parece que estamos assistindo a 20ª prova de 2014?”

Não exatamente pois, em Melbourne, Rosberg não foi uma ameaça. “Rosberg até consegue chegar a pouco menos de dois segundos, mas daí Hamilton responde. Essa tem sido a história da corrida”, resume Croft. E assim seria até o final, mesmo que os ingleses tenham tentado criar expectativas com a promessa de Nico melhorar quando a temperatura da pista diminuísse, com o cair da tarde, o que não se confirmou.

Os espanhóis ainda viveriam um drama com a parada ruim de Sainz. “A roda, por favor. Madre de diós, isso é uma eternidade. Acabaram com a corrida dele. Não acredito. Ele faz uma corrida como ele estava fazendo e isso acontece com ele”, Lobato não se conforma, mas De la Rosa tenta contextualizar. “Veja bem, temos 13 carros e um, com todo o respeito, é um McLaren”, diz, lembrando que o espanhol ainda tem grandes chances de pontuar.

Seriam 12 quando Verstappen abandona, com o motor Renault quebrado. “Se for para escolher entre motor quebrado e pit stop ruim, fico com o pit stop”, diz Lobato sobre a má sorte do companheiro de Sainz. Mas depois se arrepende: “É uma pena que Verstappen abandonou porque Carlos foi mais rápido por todo o final de semana e isso, moralmente, é muito importante para ele.”

O espanhol ganharia mais um lugar com o abandono de Raikkonen, cuja roda não foi devidamente presa no seugndo pit stop. “Para ser justo, ninguém na traseira esquerda colocou a mão no ar dizendo que estavam pronto. Foi culpa de quem liberou”, observa Brundle. DSepois da estratégia que fizeram, depois não prenderam a roda. Ele deve estar numa irritação tremenda”, crê Lobato.

As atenções se voltam novamente para Nasr, que parecia estar pressionado por Ricciardo, mas logo passa a andar mais rápido. “Me impressiona a corrida de Nasr, ele tá escapando de Ricciardo. Esperava mais da Red Bull”, avalia De la Rosa. “A Sauber de Nasr é mais rápida que a Red Bull, e a Ferrari conseguiu superar as clientes da Mercedes e, definitivamente, a Renault. Eu achava que eles iriam conseguir diminuir a diferença para a Mercedes, mas ela só aumentou”, observa Brundle. “Talvez os dois em algum momento pensaram que não estariam na pista. Que importante é para a Sauber ter uma boa corrida. Que mudança de sorte para a equipe”, completa Croft.

Quem também ensaia uma pressão é Massa e Galvão pergunta a outro convidado, Marcello Antony, se ele acredita que o brasileiro pode lutar pelo pódio e ouve que “só se Vettel tiver problema técnico”.

Nas voltas finais, é Marcelo Courrege quem aparece com o dado: Nasr, quinto, caminha para ser o melhor estreante da história do Brasil. “Eu estava me segurando para não falar ainda”, reconhece Galvão. Mas a empolgação já tomava conta da transmissão. “Felipe Nasr do Brasil! Os Felipes brasileiros em quarto e quinto é pra vibrar muito, é para ficar muito feliz e se preparar para a próxima corrida, na Malásia!”, exclama o narrador. “Azul do cenário deu sorte, tem no cenário, no carro do Nasr e do Massa.”

A Ferrari, pelo menos, estava melhorando seu motor. “Vettel está de parabéns e Ferrari mostra que é uma nova equipe. Mudou até o presidente e parece que funcionou”, lembra Reginaldo. “Para a temporada, acho que essa será a briga mais forte: entre Ferrari e Williams”, avalia Burti.

Sentiram falta de alguma menção a Alonso na transmissão espanhola? “E dou uma boa notícia: a McLaren terminou, ainda que seja preocupante a diferença com os outros”, admite Lobato. “Mas são uma grande equipe e vão reagir”, rebate De la Rosa.

A dobradinha da Mercedes é que perde espaço. “Fácil, foi fácil, Lewis. Vou dizer uma coisa que me preocupa: na primeira corrida do ano, a Mercedes tem vantagem de 34s”, diz Lobato. E De la Rosa emenda: “E fico imaginando como que eles trabalharam com mapas de motor, porque têm de se proteger, são 4 unidades de potência. O mais impressionante é eles aumentarem a diferença mesmo com um ano de desenvolvimento. O que os outros estavam fazendo?”

21 comentários sobre “GP da Austrália para brasileiros, britânicos e espanhóis: “Azul do cenário deu sorte”

  1. A ideia da Globo não é de todo o mal, com um “programa” ao vivo antes dessas corridas na madruga, mas o Galvão é espaçoso demais, não deixa o Reginaldo e o Burti construir as ideias, corta os caras. Fica difícil! E tomara que esfrie esse oba-oba sobre o Nasr, tem que deixar essas estatísticas e família pra depois da corrida. O Nasr ia muito perto da grama na curva 9, eu já tava vendo ele rodando ali. Só queria ver, as estatísticas iam por água abaixo.

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    1. Galvão já chegou num estágio de egomania que prejudica as transmissões.
      Assisti a classificação inteira pelo SporTV e apenas o Q3 na Globo e a diferença é gritante. E isso porque a transmissão do SporTV também está longe de ser boa. Galvão só sabe dizer que a Mclaren está ruim, sem explicar porquê. Que Nasr é mais veloz que uma Red Bull, sem explicar porquê a Red Bull não anda.

      Ele só atrapalha as transmissões atualmente. Não deixa quem sabe falar. Não deixa ninguém falar.

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      1. É por ai. E o pessoal do Sportv também tava meio enferrujado (Sergio, Lito e Max). Sairam algumas besteiras, mas comparadas as da globo, ainda são suportáveis.

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  2. kkkkkkkk
    é de chorar. Enquanto na Espanha temos comentários de De la Rosa, na Inglaterra tem Martin Brundle, aqui temos Marcelo Antony. kkkkkkkkk

    ê grobo…

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  3. Independente de assistir pela TV ou no Streaming, eu escuto o audio da Band, mas quando vejo pela TV deixo ligado o Closed Caption para me enterar das palhaçadas.
    O melhor da noite foi quando perguntaram alguma coisa para um jogador de voley (quem terá invitado o cabra?), e o cara disse muito pompante: “Eu deixei de assistir F1 quando morreu o Senna” rararararararara (LOL). Depois só perguntaram merdas do voley, hahahahaha.

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    1. Não, você não é especial, todos viram que foi fácil, sem competição com ajuste perfeito, tocada limpa, carro perfeitamente equilibrado, quando o Ken atrás ameaçava um pouquinho Hamilton pisava e abria.

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  4. Julianne vc acha que pegou mau dentro da williams Massa dizer que o motor da mercedes é diferente do dar williams em termo de potencia e depois os chefes da williams dizer ao contrário que os motores são iguais??, eu tambem acho que é igual e a diferença está nos carros e tambem nos pilotos naturalmente.

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    1. Eu achei muito estranho o Massa dizer isso – e não duvido que tenha dito, o jornalista que fez a matéria é muito confiável. Pode ter sido de cabeça quente. Não acredito que tenha pegado bem. Se for uma reclamação da equipe, que seja feita diretamente a quem fornece, e não publicamente.

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  5. Jú, parabéns pelo post, simplesmente incrível.
    Fiquei feliz também pelo credencial e tenho uma questão.
    Para participar do credencial posso enviar as perguntas por aqui ou só pelo uol.
    Um beijo

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  6. O Martin da Skysports é o melhor narrador q já vi, e para quem nao sabe foi companheiro e foi massacrado pelo chefe Ayrton Senna. E tem orgulho de contar sempre q pode rsrs sempre tem análises impecáveis e quase nunca fica puxando a sardinha para os ingleses (pachequismo). Também sempre que pode testa os carros e os pneus… Galvao ta cade vez mais pacheco e isso incomoda até para quem torce para os pilotos do Brasil. Tudo é maquiado…fica a sensação que é tudo mentira q ela fala. So o Burti é um cara neutro. Reginaldo faz firulas para nao descordar do Galvao.

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  7. Dois detalhes interessantes no post Ju: 1º na largada, no possível toque entre Vettel e Raikkonen, me lembro rapidamente que no on board do alemão o mesmo acena com a mão esquerda para o finlandês, algo como “foi mal…” 2º sobre a diferença de 34 segundos, duas possibilidades, sendo o fator Wiilians, que com menos rítimo ocasionou essa grande diferença alemães/italianos (sendo assim, a Ferrari poderia estar mais próxima), e/ou a Mercedes poderia estar controlando o rítimo, o que seria motivo de se pensar em 2016…:-/

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