Vettel salva Ferrari e Perez dá aula: as táticas de Baku

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Sem todos os Safety Cars esperados antes da prova, a estratégia do primeiro GP disputado em Baku foi ditada por como cada conjunto carro-piloto lidou com o graining, aquele acúmulo de borracha que na maioria das vezes se limpa sozinho, mas que faz muito piloto achar que os pneus acabaram.

Outro fator importante foi o calor, muito mais forte no domingo do que na sexta-feira, quando as simulações de corrida apontavam que o pneu supermacio duraria pouco menos de 20 voltas, o que apontava para o uma prova – cujo total foi de 51 – com uma parada. Sem tantos dados em relação à pista e seu tipo de evolução, isso complicou as equipes.

Claro que carros mais equilibrados e correndo fora do tráfego, como a Mercedes de Nico Rosberg, sofrem menos tanto com esse fenômeno, quanto com o desgaste em si, e puderam fazer a estratégia considerada ótima pela Pirelli de apenas uma parada, colocando os pneus macios para o segundo stint. Mas houve quem não teve escolha e foi obrigado a fazer duas paradas, assim como quem tinha ambas as opções.

Foi o caso da Ferrari, cuja estratégia foi salva por Sebastian Vettel. Os italianos estavam inclinados a cometer o mesmo erro da semana anterior, no Canadá, tanto colocando os dois pilotos na mesma tática, quanto desistindo da posição de pista para ter pneus mais novos. Mas desta vez o alemão pediu para ficar na pista e foi atendido.

Curiosamente, a Ferrari perdeu um título, com Alonso, justamente para Vettel em situação semelhante: vendo a queda de rendimento, chamou o espanhol aos boxes em Abu Dhabi em 2010 e, mesmo que o piloto tenha questionado se seria a melhor opção, fez a parada que o prendeu no tráfego. Enquanto isso, Vettel e as McLaren seguiram na pista, viram o graining limpar e conseguiram fazer o pneu durar.

Por outro lado, existe hoje uma diferença marcante em relação a 2010: o pneu supermacio tem se mostrado sempre pior que o esperado nas corridas, por sua janela de temperatura ideal ser muito estreita. Portanto, caso os pneus macios se mostrassem muito mais fortes, talvez não valesse a pena enfrentar a fase de graining.

Pensando nisso, as equipes observaram com atenção especialmente o ritmo de Hulkenberg, que tinha um ótimo carro e largara com os macios. Mas o alemão não teve uma boa primeira parte de prova, indicando que o rendimento do macio não era tão superior quanto em provas anteriores – e tirando a dúvida de quem ainda acreditava que duas paradas ainda seriam o caminho.

Isso explica por que nem Lewis Hamilton, preso no tráfego por boa parte da primeira metade de prova, optou pela tática de um pit stop, ainda que a tática do inglês tenha sido pautada também pela falta de supermacios em bom estado. Aliás, quando perguntado se preocupava-se por largar com um pneu que tinha fritado no Q2, ele respondeu, resignado: “Fritei todos os meus pneus”.

Os já famosos problemas de configuração do motor Mercedes prejudicaram a recuperação do inglês e abriram o espaço para Sergio Perez. Com o excelente ritmo demonstrado por todo o final de semana por parte da Force India, ultrapassagens bem medidas e a já tradicional economia de pneus do mexicano o colocaram no pódio.

Perguntaram-me após a prova qual o segredo de Perez. Os sete pódios conquistados foram ou em corridas que começaram com chuva e depois secaram, ou em circuitos de freadas muito fortes e reacelerações, idem – Canadá, Rússia, Bahrein, Monza, Baku. E sempre o piloto superou seus rivais na administração de pneus nestas condições, o que indica uma técnica sutil de reaceleração ao mesmo tempo eficiente em termos de velocidade e de economia de borracha.

Entre os carros que não conseguiram fazer apenas uma parada, destaque para a boa decisão da Red Bull de usar os médios, uma vez que o macio não rendia como o esperado. Foi um risco alto, pois ninguém esperava ver o composto na corrida, mas acabou dando certo. E nos faz imaginar por que a Williams não tentou o mesmo com Massa, que teve problemas com os pneus por todo o final de semana a parou várias voltas depois de Verstappen e Ricciardo, quando as informações sobre o desempenho da dupla já estavam claras.

7 comentários sobre “Vettel salva Ferrari e Perez dá aula: as táticas de Baku

  1. Pois éh Sras. & Srs.! O segredo está nestes “buracos-negros” chamados de pneus!!!! A Mercedes, além de uma poderosa Unidade-de-Potência, éh quem mais entende do funcionamento destes pneus. Afora o que aconteceu, mais uma vez, com o carro #44, o Rosberg fez uma corrida pra lá de tranqüila fazendo até mesmo a melhor volta. Eu acho que brevemente, a Ferrari terá melhor compreensão deles e brigará com as Mercedes. Afirmo isto porque não chegamos nem na metade do campeonato. Só não incluo a Red Bull porque ainda a Renault esta devendo em termos de potência para a Mercedes e Ferrari. No resto este ligeirinho-do-México éh um ponto-fora-da-curva quanto a gestão dos pneus! Esta fazendo um primoroso início de campeonato colocando até mesmo na alça de mira da Scuderia. Ele merece!

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  2. Julianne
    Esta eh a questa
    Porque a redbull optou pelos pneus mais duros e a williams nao levou nem em consideracao e seus carros foram ultrapassados pelos austriacos.
    Abs

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  3. Ju se naum me engano a mercedes pediu pra trocar os pneus de lewis do q2 pq ele dechapou o pneu q iria largar e foi aceito o pedido pela fia…se naun estiver enganado a williams ate reclamou q num seria justo essa decisão.

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    1. Eles converteram uma estratégia de duas paradas em uma porque perceberam que os pneus estavam durando mais e ficar na pista por tanto tempo representava uma perda menor de tempo do que seguir o plano inicial de dois pits. Errariam com os dois pilotos se Vettel não tivesse questionado.

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