(O fim das) verdades absolutas

No final das contas, a Mercedes venceu o GP da Rússia pela quarta vez seguida e segue reinando em um circuito no qual deitou e rolou nos últimos anos. Mas foi por pontos, em mais um sinal forte de que a Ferrari não está para brincadeira em 2017.

Talvez o mais importante tenha sido a demonstração de força da Scuderia na classificação, ao fechar a primeira fila. E a boa notícia é que Kimi Raikkonen se sentiu melhor com o carro e agora parece capaz de somar os pontos importantes para o time buscar seu primeiro título de construtores desde 2008. Sabe-se que o modo de classificação do motor usado pela Mercedes é um dos pontos mais fortes do time desde a introdução dos motores V6 turbo híbridos, então uma derrota no sábado, mesmo que por margem pequena, é bastante significativa. Para se ter uma ideia, é apenas a terceira vez que os motores Mercedes são batidos em classificação desde 2014 – e a primeira em um circuito de potência.  

Na corrida, aconteceu uma tendência interessante e ao mesmo tempo difícil de explicar: com 40ºC de temperatura de pista, a Mercedes – pelo menos com Bottas, pois Hamilton esteve perdido – foi melhor com os ultramacios, enquanto a Ferrari se comportou melhor com os supermacios. Acreditava-se que o segredo da Scuderia seria tratar melhor dos compostos mais macios, especialmente no calor, mas é mais uma verdade absoluta, junto da superioridade da Mercedes em classificação, que cai por terra em 2017.

A janela de temperatura menor que nos últimos anos é diretamente relacionada a estas duas verdades, e há quem acredite que entender os compostos e suas particularidades será até mais importante que a corrida pelo desenvolvimento.

Sochi mostrou, ainda, como os pneus são importantes para o espetáculo. Quase sem degradação devido ao asfalto liso, os pilotos puderam forçar até o final e isso tem seu lado positivo, pois aumenta a chance de erros e tem feito com que os melhores se sobressaiam. Porém, ao mesmo tempo, se houve alguma ultrapassagem real na quarta etapa do campeonato, ninguém viu.

Verdades à parte, é impossível não salientar o progresso de Valtteri Bottas. Até mesmo Lewis Hamilton já identificou em Sochi que o finlandês “trabalha muito duro” e o ex-Williams já tem médias superiores no embate com o inglês que Nico Rosberg tinha, pelo menos em classificação. É claro que não se pode esperar que Valtteri supere Lewis em todas as corridas daqui em diante, até porque o inglês teve um final de semana bem atípico, em que não se encontrou com o carro em momento algum, mas a curva ascendente do finlandês nestas quatro etapas indica que o tricampeão terá mais do que Vettel com quem se preocupar.

19 comentários sobre “(O fim das) verdades absolutas

  1. Pelo retrospectivo e pelas baixas temperaturas (nem tanto quanto na China, diga-se de passagem), espera-se um domínio, ainda que não como nos anos anteriores, da Mercedes na Rússia. Não foi o que aconteceu. Diria até o que o salvou o fim-de-semana da Mercedes foi a atuação sublime de Bottas, tanto na classificação (brigando com as Ferrari, algo inesperado dado o domínio até então dos alemães aos sábados) quanto na corrida. Em relação ao finlandês, há ainda de se aguardar algumas provas para saber seu real desempenho, visto que ele sempre se encaixou bem com o circuito da Rússia.

    Mas um fato que pesa contra, a meu ver, é exatamente é o asfalto extremamente liso de Sochi, algo que se verá, se não me engano, apenas em Mônaco. Devorando pneus em asfalto mais abrasivos, não sei como a Mercedes fará para se manter na luta pelo título, ainda mais se Ferrari vier com força em classificação.

    No mais, corrida extremamente ruim de Hamilton, não apenas por ter chegado a 36 segundos do companheiro, mas pelo fim-de-semana errático como um todo. Nos treinos livres, toda vez que tentava forçar o ritmo, saía da pista ou travava rodas. Pelo visto, algo não solucionado para a corrida. Para ele, não deixa de ser uma preocupação, devido ao favoritismo da Mercedes em Sochi, além de ver que sua diferença em relação a Bottas (10 pontos) já é menor do que aquela em relação a Vettel (13 pontos).

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    1. Não é o melhor tipo de pista para ele. Fala-se em algum dano ao assoalho, mas a equipe não confirma. Mas o principal é que a janela de temperatura do pneu é muito pequena e ele estava passando dela, provavelmente por seu estilo de freada.

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  2. Foi a pior corrida de Hamilton depois de muito tempo, completamente apagado. Mas o que mais me impressionou nessa corrida foi o ritmo inferior da Red Bull, cerca de 1 seg mais lento por volta que os Mercedes e Ferraris. Vc poderia explicar, Julianne onde estão os problemas neste carro ? É culpa só da Renault ou Newey tb não fez nada de exepcional no carro desse ano ?

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  3. Não penso que é o “fim das verdades” …principalmente com as atualizações que estao por vir em duas semanas. O asfalto pode ter maqueado a performance de alguns hoje

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    1. As atualizações estão chegando a todo momento neste ano, Pedro, pelo menos entre Ferrari e Mercedes. Por isso não espero um novo campeonato só porque estamos chegando à Barcelona. Mas certamente o asfalto influenciou, assim como vai influenciar em outras etapas, como Baku, Áustria, Mônaco e Singapura.

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    2. Na verdade, essa coisa de a equipe trazer um “pacotão” de atualizações é muito ineficaz. Pelo menos as equipes grandes já não o fazem há um bom tempo. Isso porque as equipes ficavam obrigadas a avaliar muitas coisas ao mesmo tempo e, por causa disso, é muito mais complicado verificar quais atualizações são realmente efetivas e quais dão errado. A ideia é atualizar os carros aos poucos. Por exemplo, a Ferrari já tinha levado um novo assoalho ao Bahrein.

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  4. Belo post Julianne!
    Bottas esteve demais mesmo e é muito bom ver Kimi voltando na ser Kimi, se a corrida fosse um pouco mais longa teríamos um pega entre Vettel e Bottas.
    Me parece que esse ano, os pneus tem tido dois efeitos:
    01.quando há dois compostos diferentes na pista, ocorrem mais disputas.
    02.tem ocorrido mais disputas no fim das corridas.
    Não sei bem se estou certo, mas essa é a minha impressão.
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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  5. Ju o quanto essa parceria da Honda com a sauber, será importante no desenvolvimento da unidade de potência Japonesa? Será esse o caminho para a Honda, ou seria uma forma de garantir o motor Japonês no grid em 2018 numa eventual rescisão com a Mclaren?

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  6. #77: P1!
    Eu falei… o rapaz está chegando.
    A pressão de ocupar o lugar de Rosberg “na correria”, ale´m da expectativa e pressão por ser companheiro de Lewis pesou nas primeiras provas. Mas acho precoce dizer que ele se deu bem em Sochi só porque Lewis não se encontrou na corrida.
    Nos testes de Bahrein ele teve tempo para conhecer melhor o carro e harmonizar com a equipe.
    Tenho certeza de que veio para ficar e vai incomodar na disputa pelo caneco.
    Vamos ver.

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  7. achei que o q definiu a vitoria de bottas foi ele pular na frente na largada, acho q ali ele andou sempre de ar limpo e conservou bem os pneus no asfalto liso, mas em barcelona será interessante a disputa pela pole, Ju a ferrari tb criou um motor de mapeamento do motor para o qualy ou é o carro q esta evoluindo mais??? fiquei com a sensação q na corrida a ferrari teria um ritmo bem melhor em relação a mercedes e não vi isso ,,,achei bottas muito forte no inicio e no final sempre mantendo 1s e pouco a vantagem

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