Estratégia do GP da Bélgica e os detalhes que decidiram a prova

Se por um lado o Safety Car acabou dando a oportunidade de Sebastian Vettel colocar sua Ferrari lado a lado com Lewis Hamilton na relargada do GP da Bélgica, talvez salvou o inglês de uma situação potencialmente dramática nas últimas voltas, em um daqueles duelos cheios de variantes e detalhes que já fazem parte da história desta temporada.

Pouco antes das duas Force India se tocarem e provocarem a entrada do carro de segurança, os engenheiros da Mercedes avaliavam se Hamilton não precisaria de uma segunda parada nos boxes devido às bolhas que já ficavam evidentes mesmo com cerca de 15 voltas para o final de uma corrida que tem 44 no total.

Com o Safety Car, deixá-lo vulnerável com pneus desgastados simplesmente não era uma opção, mas isso não resolveu totalmente o problema, pois o único jogo de pneus novos era de macios, os mais duros do final de semana, algo relacionado a uma escolha de alocação relativamente conservadora. A Ferrari, por sua vez, tinha ultramacios novos e pôde apostar.

Para piorar, Hamilton selecionou um modo de motor equivocado na relargada e só mexeu de novo no volante no meio da reta, permitindo que Vettel se aproximasse ainda mais. Mas o próprio alemão admitiu que errou ao entrar na Eau Rouge colado demais e teve de tirar um pouco o pé para não bater. E foi assim, com estratégia, detalhes técnicos e reação dos pilotos que a corrida foi decidida.

No caso de Bottas, que não pôde aquecer tão bem os pneus no meio do pelotão, a escolha dos macios acabou saindo mais cara, com uma ultrapassagem dupla de Daniel Ricciardo e Kimi Raikkonen e não deixou de surpreender o fato do finlandês não ter conseguido superar o australiano.

Ricciardo estava nesta posição por uma série de motivos: a punição de Raikkonen é o mais evidente deles, mas também pela estratégia ousada da Red Bull de ir para o final de semana com apenas um jogo de pneus macios, ou seja, comprometida em fazer duas paradas. Para a equipe, o Safety Car foi mais que bem-vindo e o piloto, como tem sido de praxe, aproveitou a brecha à perfeição.

Já a Ferrari, acreditando que dificilmente estaria na pole devido à diferença que o motor Mercedes faz aos sábados, priorizou a corrida e, a fim de deixar um jogo de ultramacios guardado. E, no final das contas, Vettel ainda conseguiu ficar mais perto do que esperava de Hamilton no sábado pelo vácuo feito por Raikkonen, tática que pode ser repetida em Monza.

O fato da equipe italiana ter esse jogo de ultramacios também abria a possibilidade de undercut, mas a Mercedes contou com o trabalho importante de Bottas para se manter dentro da janela de pit de Vettel: se ele parasse, perderia tempo.

Esse jogo de xadrez promete ter mais um capítulo neste final de semana, em uma pista em que a configuração dos carros é parecida com Baku, sem a necessidade da pressão aerodinâmica do segundo setor de Spa, mas em que a classificação não é tão fundamental assim.

Um comentário sobre “Estratégia do GP da Bélgica e os detalhes que decidiram a prova

  1. Ju, Kimi tinha chances de ao menos ser P2 no sábado? Surpreendeu o fato dele não ser tão competitivo na corrida, visto que foi excelente nos treinos livres. Teve alguma explicação dele ou da Ferrari pela queda de performance no domingo?

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