Estratégia (e sinais) do GP de Abu Dhabi

Tudo bem que não havia muita coisa em jogo no GP de Abu Dhabi – a mudança mais significativa na tabela foi a Renault ter passado a Toro Rosso pelo sexto lugar, levando em consideração que Kimi Raikkonen não deve ter se importado por ter passado Daniel Ricciardo e terminado em quarto – mas a prova do último domingo evidenciou como a pista, que foi feita em uma página totalmente em branco, em uma ilha artificial, tem um projeto equivocado.

Não é a única do campeonato com problema semelhante mas, se não houver uma diferença significativa de desempenho entre os carros, é impossível sequer tentar uma ultrapassagem. Ainda mais quando não há degradação de pneus (e aí está outro equívoco da pista, que tem um asfalto que mais parece uma mesa de bilhar).

Que o diga Lewis Hamilton. Com um motor mais forte, ele conseguiu ficar boa parte da segunda metade da corrida dentro da zona de DRS de Bottas, mas perdia tanta pressão aerodinâmica no terceiro setor pela impossibilidade de seguir a outra Mercedes de perto que nunca esteve perto o bastante para atacar. Foi a mesma situação que Alonso viveu naquela clássica corrida de 2010. Ou não-corrida.

Até por conhecer bem as características de Abu Dhabi, a Ferrari correu em modo conservador apenas para assegurar que Vettel chegasse ao final e garantisse o vice-campeonato, tirando mais um elemento que tinha potencial de dar alguma emoção à prova.

Em termos de estratégia, a prova serviu para enfatizar à Pirelli a necessidade de deixar o excessivo cuidado deste ano de lado e tornar os pneus mais macios. Isso será feito e é um dos assuntos daqui até o início da próxima temporada, e nos resta ficar na torcida para que os italianos sejam realmente agressivos. Para se ter uma ideia, ano passado, a estratégia vencedora em Abu Dhabi foi de duas paradas. Neste, a degradação era tão baixa mesmo com os dois compostos mais macios sendo utilizados que a janela de pit stops era de mais de 15 voltas!

Ou seja, parou primeiro quem sentiu que estava preso no tráfego, como Fernando Alonso, que estava perto o suficiente de Felipe Massa para lhe roubar a posição com um undercut. Enquanto isso, o offset, tática oposta ao undercut e que, no começo do ano, aparentou ser o novo caminho na vitória de Sebastian Vettel na Austrália, foi tentado pelo próprio Hamilton e por Esteban Ocon, mas não funcionou.

Por fim, mesmo tendo sendo ultrapassado por Alonso, que estava mais rápido e, por isso, pôde manter a pressão por todo o primeiro stint, Felipe Massa terminou sua última corrida de cabeça erguida. Especialmente depois que se colocou de fora da disputa pela vaga na Williams em 2018, o brasileiro teve grandes performances na corrida no Brasil e especialmente no Q2 em Yas Marina e mostrou que ainda tem lenha para queimar. E deu a impressão de que os apagões que teve em algumas corridas durante as negociações na verdade não tinham muito a ver com a pilotagem em si.

4 comentários sobre “Estratégia (e sinais) do GP de Abu Dhabi

  1. Apesar de não ser uma corrida tão emocionante até gosto de Abu Dhabi.
    Circuito que me dá sono mesmo é a primeira corrida do campeonato: Australia.
    Alem de ser de madrugada aqui no Brasil, considero o circuito bem insosso.
    Mil vezes a pista de Adelaide, nos idos anos 80/90.

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  2. Talvez o maior problema seja os pneus, na F2 com maior diferença de rendimento teve boas corridas com direito a uma histórica disputa pela vitoria na segunda prova, a pista não é boa mas tem um certo exagero nas criticas alem de uma enorme desmotivação de grande parte da imprensa brasileira que com raras exceções fizeram um trabalho medíocre de cobertura a ponto do Gaga Bueno ser o menos ruim.

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  3. A Mercedes fez mesmo o que o Toto Wolff disse, usar as duas últimas corridas de 2017 como sendo as duas primeiras de 2018? Se sim, tá difícil alguém tomar o título da estrela de três pontas.

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