Pilotos estão finalmente liberados para ganhar músculos. E até comer

Chegou aquela época do ano em que os pilotos inundam as redes sociais para exibirem os treinos que estão fazendo para se prepararem para a pré-temporada da F-1. Além de construir a resistência necessária e a força em pontos-chave do corpo, como pescoço e core, cada um deles tem seus objetivos específicos. Mas neste ano haverá uma diferença: a neura por estar pesando o mínimo possível não será a mesma. Afinal, o regulamento agora divide o peso do piloto e do carro.

Em 2018, o peso mínimo do conjunto carro + piloto era de 734kg. Agora, o peso mínimo é 740kg, sendo que, obrigatoriamente, o peso do piloto será de pelo menos 80kg. Ou seja, se o piloto estiver abaixo disso, será colocado um lastro junto ao cockpit. Isso diminui a vantagem de pilotos mais baixos, que podiam distribuir o peso usando lastros para melhorar o equilíbrio do carro. Em equipes nas quais ambos os pilotos têm o mesmo tamanho, isso faz menos diferença, mas há casos de até 17kg de diferença entre os dois pilotos.

Principalmente por questões de segurança, o peso mínimo dos carros tem aumentado muito especialmente de 15 anos para cá, como expliquei neste post. E, especialmente quando o KERS foi introduzido (na época, muito menos potente e pelo menos quatro vezes pesado que o ERS-K de hoje), os pilotos tiveram que reduzir drasticamente seu peso, até porque foram poucos os times que decidiram usá-lo. Foi o caso da Renault, que acabou vendo Fernando Alonso desmaiar depois da quarta corrida da temporada, no Bahrein. E olha que ele não passa dos 1,70m. Seu companheiro a partir da metade daquele ano, Romain Grosjean, conta que começou a tomar gosto pela culinária naquela época.

“Estava cansado de comer sempre a mesma coisa, então comecei a ler mais sobre o assunto”, disse o francês, que hoje até tem livro de culinária e gosta de fazer bolos para os três filhos quando está em casa. Ele não pode exagerar, contudo, pois está no grupo de pilotos com 1,80m ou mais, time que tem também Max Verstappen, Charles Leclerc, Daniil Kvyat.

Passando de 1,80m estão Lance Stroll, Antonio Giovinazzi, Robert Kubica, George Russell, Nico Hulkenberg e o mais alto do grid, Alexander Albon. Ou seja, em um esporte que costumava reunir principalmente baixinhos, hoje metade do grid tem pelo menos 1,80m e grandes chances de passar dos 80kg, especialmente quando se treina para ganhar massa muscular, uma vez que músculos são mais densos que a gordura e, no jargão popular, “pesam mais”.

É lógico que ninguém quer passar dos 80kg, mas todo aquele cuidado para estar o mais magro possível ao mesmo tempo em que se está apto a competir em alto nível ficou para trás com a nova regra. Agora, eles estão livres para se condicionarem sem terem que, ao mesmo tempo, seguir uma dieta muito restritiva. Serão, com isso, atletas melhores em 2019.

Há quem possa perguntar: mas qual era a vantagem prática dos mais leves? Nos times grandes, geralmente os carros estão abaixo do peso mínimo, então o piloto que pesa mais tem menos a jogar com o lastro, mas a diferença é ínfima. É nos times médios que correm já acima do peso mínimo que a pressão sob os pilotos mais altos é mais forte, pois o peso maior na área do cockpit (central e bem baixa) é ruim para o equilíbrio do carro – e 10kg a mais podem representar até 0s4 dependendo da pista.

Os mais baixos e leves continuam tendo certa vantagem, mas ela é menor. Lewis Hamilton já avisou que pretende aparecer mais musculoso no começo da temporada, embora ele já seja relativamente pesado para a altura por ganhar massa muscular facilmente. Do outro lado do espectro, Hulkenberg, que também não tem o biótipo ‘magricelo’ de outros da turma dos 1,80m – Ocon contou que come seis ou sete ovos de manhã, um peito de frango no almoço com acompanhamentos, ainda aguenta a sobremesa e é um palito! – finalmente vai poder postar foto de comida!

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7 comentários Adicione o seu

  1. Jaiyson Oliveira disse:

    Ola, bom dia. Acompanho assiduamente as postagens do Blog e gostaria de parabenizar pelo novo layout, que é muito, muito bom mesmo. Alia a grande qualidade da escrita com um layout ainda mais belo e funcional.
    Parabens

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  2. ]Muguello[ disse:

    Ju, adorei o novo layout!

    Deu-me até fome ao ler esse post! humm… 7 ovos pela manhã… o colesterol do cara deve estar na estratosfera!!!

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  3. Abdo Maki disse:

    Parabéns Ju! Ficou excelente o layout novo. Qto ao texto, Ocon pode comer o qto quiser, o máximo que vai andar é na sexta e olhe lá.

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  4. SERGIO MAGALHAES disse:

    Oi Ju, parabéns pelo novo layout do blog. Ficou lindo. Quanto ao conteúdo, sou suspeito pra falar porque tudo que leva a sua assinatura é da mais alta qualidade e feito com a maior competência. Felicidades pra você em 2019!

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  5. Kalixtu disse:

    Parabéns pelo layout Ju ficou demais!!!! Desejo todo o sucesso do mundo pra vc em 2019 e nos brinde com seus post de muita qualidade!!!

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  6. Jose Vieira disse:

    Feliz ano novo Julianne! Fora do assunto o Binotto ganho a guerra dentro da escuderia, isso posto o Vettel fica mais fraco o nada muda para ele?

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    1. Feliz ano novo. É bom para a Ferrari e para ele. Mas o Leclerc sai fortalecido tb porque ele teve o apoio do corpo técnico.

      Curtido por 1 pessoa

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