Do fundo do baú: A última vitória de Lauda

O pódio do GP da Holanda de 35 anos atrás foi para ninguém botar defeito: Niki Lauda, Alain Prost e Ayrton Senna. Na época, só Lauda era campeão – tricampeão, mais precisamente – mas o título de Prost era uma questão de tempo e Senna já se firmava como uma estrela do futuro. Ah, e a pole position daquela prova foi de ninguém menos que Nelson Piquet… nada mal para um fim de semana qualquer de agosto de Zandvoort.

O mundo da F-1 chegou à Holanda cheio de especulações para o que seria um dos GPs clássicos da pista que se despediria do calendário naquele ano e só voltaria em 2020: Lauda tinha acabado de anunciar sua segunda aposentadoria, em meio a uma temporada que vinha sendo decepcionante depois do título do ano anterior. Os rumores apontavam que seria Keke Rosberg quem assumiria a vaga de Lauda na McLaren ao lado de Prost, e Nelson Piquet, descontente com a queda da Brabham, iria para o seu lugar na Williams. E tudo acabou se confirmando.

Voltando às pistas, o grid foi formado pela classificação da sexta-feira, já que choveu no sábado. Então Piquet sairia na pole, com Rosberg em segundo, Prost e Senna formando a segunda fila, Teo Fabi surpreendendo com o quinto lugar e Lauda só em décimo.

Piquet perdeu a liderança logo que foi dada a largada, já que sua Brabham ficou parada no grid. Rosberg assumiu a ponta e começou a abrir para Senna e Prost. E Lauda já tinha subido para sexto nos primeiros metros.

O austríaco seguiu progredindo e estava em quarto quando Senna teve um problema momentâneo no motor Renault de sua Lotus e viu Prost e o tricampeão o passarem. Poucas voltas depois, foi o motor Honda de Rosberg que deixou o finlandês na mão, causando seu abandono na volta 21.

Logo Lauda, que era pressionado por Senna, iniciou as paradas de box dos ponteiros. O pit stop serviu para o austríaco manter a posição em relação ao brasileiro depois que o piloto da Lotus também trocou seus pneus. Esperando mais algumas voltas para parar, Prost muito provavelmente sairia na frente dos dois, mas a McLaren errou na troca e ele foi ultrapassado pelos rivais.

Em ótimo ritmo, o francês conseguiria tirar 10s de diferença e passar Senna na volta 47. Quinze giros depois, já estava na cola do companheiro de McLaren. As últimas oito voltas foram tensas, com Lauda, então já com 36 anos, usando toda a sua experiência para não dar brechas a Prost, então com 30.

Foi assim que Niki Lauda conquistou sua 25ª vitória e última da carreira igualando Jim Clark e ficando a duas do recorde absoluto da época, de Jackie Stewart. Caberia a Prost bater esse recorde, mas isso só aconteceria cinco anos depois. O francês, inclusive, também teve o que comemorar em Zandvoort: apenas depois daquela corrida, a 11ª de 16 provas, que ele assumiu, pela primeira vez, a liderança do que seria seu primeiro campeonato. 

3 comentários Adicione o seu

  1. Harerton Dourado disse:

    O final dessa corrida foi eletrizante! E a chamada da reportagem que a Quatro Rodas publicou (veja só, quase 1 mês depois da corrida) era “Não existem amigos na reta final”. Bons tempos!!

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  2. Paulo Moreira disse:

    Belos tempos e o Senna já começava a andar lá na frente a “incomodar” os mais velhos.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  3. Nato Velloso disse:

    “com Lauda, então já com 36 anos, usando toda a sua experiência para não dar brechas a Prost, então com 30.”
    Esse trecho me impressiona como que os pilotos chegam cedo na F1 hoje em dia.

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