Drops do GP de Sakhir da despedida de Grosjean à ascensão de Russell

“Fiquei decepcionado que vocês não me recepcionaram com um arco de fogo”, brincava Romain Grosjean, de volta ao paddock na quinta-feira, quatro dias depois do terrível acidente do GP do Bahrein. Ele tinha algumas missões por lá. Queria, obviamente, encontrar o médico e o piloto do carro médico que ajudaram no seu resgate, assim como o bombeiro que veio correndo do outro lado da pista  e que conseguiu abrir um buraco no fogo para que o Dr. Ian Roberts pudesse ver onde ele estava.

Mas havia outras missões, pelo que ele disse, dadas pelo grupo de psicólogos que o acompanha há 8 anos: ir no cockpit da Haas, tentando se colocar mentalmente no lugar onde achou por alguns segundos que morreria. Disse não ter sentido nada de estranho. 

A segunda era contar o maior número de vezes possível e com a maior quantidade de detalhes possível tudo o que sentiu e tudo por que passou naqueles 28s e logo depois de emergir das chamas. Essa é a recomendação para que ele já comece o tratamento para o estresse pós-traumático. Ele achava importante correr em Abu Dhabi e pelo menos cruzar a linha de chegada, mesmo lá no fundo do grid com a Haas, ao invés de ter as cenas de horror do Bahrein como suas últimas lembranças da carreira na F1. 

Isso porque a mente de pilotos de corrida não funciona como qualquer outra. Quanto pior o acidente, mais rápido eles querem voltar para provar que não perderam aquela pitada de insanidade imprescindível para fazerem o que fazem da vida. Mas ele entendeu que não fazia sentido correr o risco de agravar a situação das suas mãos, talvez até para sempre, só para se arrastar no fundo do grid mais uma vez com a Haas.

Outro nome do final de semana foi George Russell. O clima era como quando Hamilton estreou, Leclerc foi para a Ferrari, Verstappen apareceu no meio da temporada na Red Bul: um cara de quem se espera muito tendo a chance de andar no melhor carro do grid. A Mercedes garantiu que a abordagem foi a mais pragmática possível: se Bottas estivesse fora, Russell seria colocado frente a frente com Hamilton. O importante era dar a ele essa experiência.

E ele também sabia que estava sendo observado. Em nenhuma entrevista, em nenhum rádio, houve qualquer deslumbre. Ele agiu como se pertencesse desde sempre à equipe. Ou tentou, pelo menos, entre uma pergunta e outra de “onde fica isso”? George tem aquele ar que fica entre o determinado e o convencido que muitas vezes faz a gente esquecer que ele só tem 22 anos.

E Hamilton, volta?

Mas, enquanto trabalhava para deixar o pupilo o mais confortável possível – algo difícil para alguém um pouco grande demais para o carro – o time também focava em tentar a liberação de Hamilton que, ao que tudo indica, pegou covid em Dubai. Pelo que sei dos procedimentos bastante rígidos dentro dos quais Abu Dhabi aceitou receber a F1, Hamilton só corre por lá se as regras não valerem para ele.

Em teoria, todos têm esta segunda-feira para voar para Abu Dhabi, usando apenas voos fretados ou jatinhos. E só é permitido voar apresentando ou quatro testes negativos em sequência ou tendo estado no Bahrein dentro da bolha da Fórmula 1 por pelo menos sete dias (obviamente, sem apresentar testes positivos). O que a Mercedes tenta é que Hamilton entre com um teste negativo e mais para o fim da semana. Ou seja, com regras que só valem para um heptacampeão do mundo.

5 comentários Adicione o seu

  1. Robson Coimbra disse:

    O cara que vive propagandeando igualdade, direitos iguais para todos, agora vai mostrar que é da boca para fora ?

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  2. Paulo Moreira disse:

    O Sérgio Pérez que me desculpe mas eu estava mesmo a torcer pela vitória do Russell. Estava tudo a correr às mil maravilhas para o jovem britânico, que nem parecia que se estava a estrear na equipa em Grandes Prémios. Ainda assim mostrou todo o seu valor, durante a corrida e em todas as sessões de treinos.
    O que dizer sobre o Bottas? Teve mais uma corrida para esquecer. Não foi capaz de bater o Russell e ficou provado que não tem estofo de campeão.
    Sérgio Pérez teve a tão esperada vitória. Espero que sirva para conseguir um lugar na Red Bull no próximo ano porque o mexicano tem valor e merece continuar na F1.

    Cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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  3. Ericson disse:

    Gente, dificil foi ver a torcida da globo pelo Pietro: “a clasificaçao dele será em vigésimo, mais mexeu em componentes do carro e vai largar em último”. O menino é fraco, perdeu ate pras williams. Quanto ao Peres, dez anos uma vitoria, ja tendo andado em tudo quanto é equipe, demais pra f1, só pelo patrocínio mesmo. Agora oo Bottas, meu Deus …

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  4. Hermes leandro disse:

    Ola Ju , torci muito para o Jorjao da Massa , porem nao emxerguei tudo isso que todos os comentaristas estao querendo afirmar que aconteceu nao .
    O treino de sexta serve mais para ajustes , sabado ele vinha sendo dominado por uma margem confortavel , conseguindo praticamente igualar a diferenca somente na ultima tentativa , no domingo fez uma boa largada andou 40 voltas na ponta abrindo 3s de vantagem , Bottas parou algumas voltas depois , razao pela qual a diferenca subiu para 8s , porem qdo entrou o Safety Car essa diferenca ja estava em 4s e caindo volta apos volta , dai em diante nao ha mais parametros pois a equipe colocou pneus errados no carro 77 , portanto acho puro sensacionalismo essa ideia de que Russel jantou o finlandes que toda midia esta vendendo ao publico

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    1. Por um lado, eu concordo, Hermes. No sábado o Bottas não fez uma boa classificação e ficou com a pole. E sabemos o quanto andar “de cara para o vento” faz diferença e ajuda na conservação dos pneus na corrida. O que o Bottas explicou, e falo disso no post de estratégia que sai hoje, é que ele estava planejando atacar só no final porque tinha visto, na sexta, que o ritmo dele com os duros era muito melhor. E até por isso ele resolveu ficar algumas voltas a mais na pista para ter pneus mais novos no fim. Ficamos sem saber como essa história acabaria.
      Talvez essa empolgação de parte da imprensa seja desconhecimento da carreira do Russell. Ainda assim, gostei de ver que, mesmo quando as coisas deram errado (duas vezes), ele não deixou se abater. Pensando em tudo o que aconteceu com ele nos últimos dois anos, foi um sinal de uma mentalidade muito forte.
      Claro que todo mundo quer ver o Lewis bem e livre do vírus, mas seria interessante ter a chance de ver Russell de novo neste fim de semana, numa pista bem mais técnica do que Sakhir, só com quatro curvas na prática.

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