Quem é quem na temporada 2021 da F1: AlphaTauri

A AlphaTauri vai viver uma situação única no grid em 2021: o time se tornará o último a fazer a transição do túnel de vento de escala de 50% para o de 60%, tamanho máximo previsto no regulamento. E não foi nem algo que estava na pauta das prioridades da equipe. A mudança acabou sendo um subproduto das limitações de uso do túnel de vento.

Isso porque a Red Bull, que também é dona da AlphaTauri, terminou o campeonato em segundo e, por isso, só pode usar o túnel de vento até 92.5% do que era previsto nas regras até o final passado. E a AlphaTauri, sétima colocada, pode usar as simulações por 105% do tempo. Por conta disso, agora as duas equipes podem dividir o mesmo equipamento, em Milton Keynes.

É importante salientar que o túnel de vento usado pela AlphaTauri já era na Inglaterra, em Bicester, então a mudança não gera problemas logísticos para o time, que é baseado em Faenza, na Itália. Um fator complicador, na verdade, é que o carro de 2021 foi concebido com os dados do túnel de vento de 50% e será desenvolvido com o de 60%, mas é melhor fazer essa mudança agora, com pelo menos o regulamento estável, do que lidar com uma série de variantes novas de uma vez em 2022.

“Com as mudanças no regulamento de aerodinâmica visando reduzir o downforce, nós tivemos de fazer várias alterações no assoalho, difusor e na parte traseira e dutos de freio, o que exigiu muito trabalho para otimizar o carro com essas mudanças. Mas o trabalho de desenvolvimento do nosso carro para 2021 vai além disso, e também compreende mudanças em quase todas as superfícies aerodinâmicas e também do encaixe das peças do carro, que estão escondidas, para tentar compensar as alterações que tiveram de ser feitas por conta das regras”

Jody Egginton, diretor-técnico

Mas por que a AlphaTauri parecia não se importar em usar um túnel de vento menor? Mesmo um salto de 10% já aumenta os custos de produção das peças, porque elas têm de ser maiores e aguentar forças mais intensas também. Por outro lado, quanto maior a ‘maquete’, mais detalhada ela pode ser. Então a tendência é que a aerodinâmica dos carros de Pierre Gasly e do estreante Yuki Tsunoda seja mais refinada – especialmente para 2022.

E o foco é mesmo entender essa mudança e se preparar para o novo regulamento. Isso explica, inclusive, porque eles não quiseram usar toda a traseira da Red Bull de 2020, algo que eles, como clientes, tinham direito de fazer sem gastar as fichas de desenvolvimento – como a Aston Martin fará com as peças da Mercedes – mas escolheram não arriscar colocar elementos novos no carro porque querem jogar todos os recursos para o modelo do ano que vem o mais rápido possível e focar em desenvolver o que eles já conhecem sobre seu próprio modelo. Nesse sentido, o ideal seria conseguir tirar mais do carro em classificação, ponto em que a AlphaTauri ficou devendo em relação aos rivais diretos em 2020 em um ano em que margens mínimas fizeram muita diferença entre o terceiro e o sétimo lugares na luta entre os construtores.

Para sair da lanterna deste grupo, a Alpha Tauri tem uma dupla muito interessante. Pierre Gasly provou que saiu mais forte da traumática experiência de ir para um time grande e ser dispensado no meio do ano (ainda mais sabendo que, mesmo andando bem, não está nos planos da Red Bull), com performances fortes especialmente aos domingos, ao lado do estreante que gera mais empolgação do ponto de vista técnico. A guinada que a carreira de Yuki Tsunoda deu com o japonês dentro do sistema muitas vezes cruel de Marko e a capacidade de aprendizagem que ele demonstrou nos últimos dois anos são motivos suficientes para ficar de olho no piloto de apenas 20 anos. O time está acostumado a lidar com estreantes e terá ainda uma forcinha da Honda que, sabendo que este será seu último ano na F1, adiantou o motor que estava programado para estrear só em 2022.

No lançamento, inclusive, o chefe da Honda na F1, Toyoharu Tanabe, afirmou que os dados dos bancos de provas estavam alinhados ao que os japoneses esperavam de seu motor para esta temporada, e só resta comprovar isso na pista. 

Esperamos que a curva de aprendizado de Tsunoda seja bastante íngreme, então ele deve ser capaz de alcançar um bom desempenho muito rapidamente. Claro que ele terá algumas batidas, isso faz parte do desenvolvimento, mas o que é muito extraordinário é o controle do carro que ele tem, sua força nas frenagens e sua velocidade em curvas rápidas.

Franz Tost, chefe da AlphaTauri

São todas boas notícias, mas ainda assim a tarefa do time que tem o menor orçamento entre todas do meio do pelotão é difícil. Qualquer coisa além de repetir o sétimo posto de 2020 já seria um resultado e tanto.

2 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Moreira disse:

    Estou curioso para ver o que o Tsunoda vai fazer e como a equipa se vai portar, se vai continuar no mesmo patamar ou se vai evoluir.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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    1. Marcelo Dutra disse:

      Julianne já fazia muito tempo que eu não via seu blog ou comentava, seu trabalho é sempre excelente.

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