Quem é quem na temporada 2021 da F1: Mercedes

A Mercedes parou o desenvolvimento do carro de 2020 cedo não porque queria focar totalmente no novo projeto de 2022 (cujo desenvolvimento aerodinâmico estava congelado até janeiro de 2021), mas para se adaptar às mudanças de 2021 e, mais importante, aos novos procedimentos que terá de adotar a partir deste ano. Isso porque há três fatores que têm potencial para ameaçar com um domínio que já dura sete anos.

O primeiro deles, obviamente, são as novas regras de 2022 em si, uma vez que pouca coisa poderá ser continuada no carro (na unidade de potência, a história é diferente, mas nesse quesito a vantagem da Mercedes hoje é bem menor do que já foi). Porém, seria de se imaginar que uma organização que vem funcionando tão bem, sempre evoluindo mesmo com mudanças (ainda que bem menores) de regulamento não teria tanto com o que se preocupar.

 Com a venda de parte das ações da equipe, a Mercedes agora está dividida em três partes de 33% entre a própria montadora, Toto Wolff e a empresa INEOS.

Mas há outros dois fatores que, a médio prazo, têm potencial para ameaçar a Mercedes: o sistema de handicap de desenvolvimento aerodinâmico, que faz com que os times mais bem colocados no campeonato tenham direito a menos horas no túnel de vento e simulações com CFD. Para a Mercedes, isso significa 6h de túnel de vento a menos que a Red Bull de janeiro ao final de junho (quando o sistema é resetado mas, como espera-se que a Mercedes continue na frente, a desvantagem deve continuar no mesmo nível). Não é uma diferença grande mas, como a Ferrari foi a sexta colocada ano passado, a Scuderia terá 30 horas a mais que a Mercedes neste mesmo período, importante para o desenvolvimento do carro de 2022. E a diferença de tempo permitido entre as equipes melhores e piores aumenta ano que vem.

Junte-se a isso as adaptações que uma organização do tamanho da Mercedes terá de fazer para se adequar ao teto orçamentário, e dá para entender por que este é um período bastante desafiador para a equipe. Eles precisam que tudo seja muito mais eficiente:

‘’Trabalhamos nisso ao longo de 2020 e continuamos para ter certeza de que, em primeiro lugar, entendemos o que o regulamento dizia e, em segundo lugar, conseguimos ver todas as oportunidades desse conjunto de regras porque todo regulamento traz oportunidades, e uma vez que você vê exatamente o que elas dizem, pode adaptar nossa operação para que possamos aproveitar ao máximo e estarmos prontos para o desafio desta nova era da Fórmula 1.’’ James Allison, diretor-técnico da Mercedes

Mas seria o suficiente para derrubar uma cultura vencedora com a estabelecida em Brackley e Brixworth? Uma forma simples de entender o sucesso da Mercedes é observar o que Lewis Hamilton diz sobre a diferença que sentiu ao trocar a McLaren pelo time alemão. O inglês costuma dizer que passou a sentir-se ouvido. Passou de ser tratado como um aprendiz que precisava ser guiado como alguém que estava ali para colaborar para que a equipe progredisse. 

O segredo da Mercedes é fazer com que todos se sintam como Lewis Hamilton.

Com uma administração sem a cultura de caçar culpados quando algo não funciona e de incentivar ideias sem que se fique preso a hierarquias, a equipe tem se mantido na vanguarda das inovações em várias áreas, conseguindo ganhos (como, por exemplo, com o motor em 2020, que ganhou pelo menos 15cv) que os rivais julgavam não serem mais possíveis. E não há motivos para acreditar que 2021 seja, de qualquer forma, diferente disso.

Entender a cultura da Mercedes também é compreender que, para eles, sair de 2021 com mais dois campeonatos é só parte do objetivo. A ideia é sempre evoluir, mesmo quando estão ganhando de lavada. É corrigir falhas de procedimento como aquelas que levaram a jogar vitórias fora na Itália e em Sakhir, ou controlar ainda melhor o superaquecimento dos pneus de forma a não sofrer, também, quando a aderência vai embora, como na classificação na Turquia ou nas primeiras voltas em Portugal.

Mesmo se a equipe nunca mais passar exatamente por essas situações, o aprendizado com cada uma delas é mais um tijolo colocado para solidificar seu domínio. Essa é a mentalidade da Mercedes e é por isso que a reação às falhas (e aos desafios) é sua grande marca.

2 comentários Adicione o seu

  1. A Mercedes vai ter dificuldades em se adaptar aos novos orçamentos qua a F1 impõe, seria quase como mudar de uma cobertura da Vieira Souto para um quarto e sala da rua Tonelero . A grande maioria das equipes nos lançamentos dos carros para 2021 só mostram um layout da pintura, todos os detalhes das novas máquinas só nos testes oficiais.

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  2. Paulo Moreira disse:

    Num ano sem grandes mudanças em termos mecânicos, penso que a Mercedes vai continuar a dominar, principalmente através de Lewis Hamilton, porque o Bottas não lhe vai fazer sombra.

    Cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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