Drops dos bastidores do Catar e as mil e uma noites em claro

Mecânicos da Red Bull fazendo barreira no box (Foto: Julianne Cerasoli)

O que mais se via no paddock era gente derrotada pelo jetlag + voo + cansaço por dias longos e exaustivos na pista. Quem pôde fez a divisão: uma parte da equipe fez Estados Unidos, México e Brasil, e outra vai fazer as últimas três. Mas não é em todo departamento e em toda equipe (e quando digo equipe, não são só os times que vão à pista) que isso é possível. Todos reclamavam do mesmo: chega uma hora em que não dá pra manter a mesma eficiência.

Lewis Hamilton disse que ficou algumas noites acordando às 2h da manhã, até que dormiu “como um bebê”, nas palavras dele, de sexta para sábado. Nada como o esforço de pilotar em um circuito intenso e sob calor para embalar o sono. Gasly, também, disse que acordou em um dos dias desnorteado “por uns 20 minutos”.

E as receitas anti jet lag eram variadas. Alonso por exemplo tentou até assistir a um canal de televendas (quem nunca?) para dormir. Sem muito sucesso. 

O mais curioso é que, no comando das equipes, há uma dificuldade de entender a mentalidade dos profissionais que reclamam da sucessão de provas. Andreas Seidl nos perguntava o que acontece com a geração mais jovem que não é mais como ele, que nunca se importou em perder “o nascimento de um filho ou aniversário da esposa por uma corrida porque isso aqui é a minha vida”. Há duas questões paralelas aí. Hoje se valoriza muito menos essa vida totalmente voltada ao lado profissional e a vida na F1 em época de pandemia é muito mais maçante do que anteriormente, então o próprio equilíbrio entre diversão e trabalho durante as corridas mudou. Ao mesmo tempo, o calendário foi ficando mais e mais maluco, e é isso que está colocando todo mundo no limite.

É dentro de todo esse contexto que segue sendo impressionante o alto nível em que as equipes trabalham, em que pese a exaustão que, para a turma que controla a segurança do paddock, incluiu um monte de convidado de última hora chegando na comitiva do sheik – que, é claro, não queria saber se precisava de adesivo no carro para poder entrar no circuito e coisas do tipo. Muito provavelmente, será assim daqui até o final da temporada.

Em relação ao país em si, me lembrou mais a mais conservadora Abu Dhabi do que a Disney dos sauditas, o Bahrein. Mas é difícil tirar conclusões tendo ficado restrita ao percurso hotel (em que é tudo mais liberado, desde as roupas até a venda de àlcool) e pista (na qual a única diferença era ver os locais com suas túnicas se misturando conosco). A única certeza, e isso as mulheres locais me diziam, é que na Arábia Saudita será diferente.

Mais um circuito novo pra conta

Voltando ao Catar, na Red Bull, as atenções estavam focadas, mais uma vez, à asa traseira (desta vez, a deles, não a da Mercedes, ainda que aquela briga continue). Algo no formato da asa está fazendo com que a área de alta pressão aerodinâmica influencie na de baixa (atrás, quando ela está fechada), e isso está “afrouxando” todo o mecanismo do DRS. Tanto, que minutos antes da classificação, os mecânicos estavam lixando a fibra de carbono da lâmina superior, mudando um pouco seu formato, algo que eu nunca tinha visto nos boxes.

As cenas contrastavam com a tranquilidade do box da Mercedes, em mais uma virada no campeonato das reviravoltas. A troca do motor do Brasil coroada pela recuperação de Hamilton foi um golpe e tanto. 

Um golpe em uma briga que virou MMA, nas palavras de Wolff, e que vem colocando muita pressão em cima da FIA, uma entidade, em teoria, regulatória, mas que sempre escorregou por ser muito política, e cuja chefia prefere ver a Red Bull campeã, mas que também tem aliados da Mercedes. Não por acaso, as decisões estão se arrastando mais do que o normal. 

No meio de tudo isso, Michael Masi andava em um ritmo ainda mais acelerado que o normal no paddock, tentando fugir de todo mundo. Ele estava bronzeado, vindo de Jedá, onde foi fazer uma vistoria. E voltou dizendo aos quatro cantos que, em duas semanas, estaremos por lá. Não que tudo vá estar pronto. Mas, seja como for, teremos o GP da Arábia Saudita.

5 comentários Adicione o seu

  1. Ernesto Areias disse:

    Max, na frente da linha amarela na largada Antigamente isso dava drive thru

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    1. A linha amarela é só para guiar os pilotos, o que vale é a branca

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  2. Alfredo Aguiar disse:

    Pô os caras que fazem a logística desses campeonatos devem ter estudado com algum político brasileiro as técnicas de como ser ineficiente ao máximo. Corre na Europa, aí vem pros Estados Unidos e faz uma corrida, aí volta pra Europa, então volta pro Canadá….

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    1. Rodrigo disse:

      A Ju já fez um post explicando o calendário. Ele não é feito para que se percorra as menores distâncias e sim para que se atenda as necessidades dos organizadores, além do fato de que essa rodada tripla foi influenciada totalmente pela Pandemia; Interlagos precisaria vir depois do México porque o Brasil restringia o acesso de quem vinha do Reino Unido, por exemplo.

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  3. Paulo disse:

    Poisé, nestes campeonatos com muitas reviravoltas, a Red Bull deve estar se sentido ligeiramente prejudicada no todo… A batida marota do Hamilton no Verstappen em Silverstone, o azar do pneu furado no Azerbaijão e o deslize de Bottas na Hungria provavelmente vão fazer muita diferença.

    Ao fazer uma conta, mesmo adicionado a batida dos dois em Monza, uma diferença de 10 pontos (25-15), considerando que Hamilton faria um 3º no Azerbaijão (não teria relargada para ele errar o comando no volante), Verstappen provavelmente seria campeão ou muito mais próximo disso.

    Tomara que nada de “sujo” aconteça nas últimas corridas, pois geralmente são elas que marcam para o público o resultado do campeonato (todo mundo lembra da vitória do Massa no Brasil em 2008, mas esquece do quanto que ele errou no começo do campeonato)

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