Corridas e análises

Mais um thriller

LAT Images

O resultado do GP da Arábia Saudita está mantido mesmo depois que os comissários puniram Max Verstappen com o acréscimo de 10s em seu tempo total, considerando o líder do campeonato o culpado por um dos cinco lances em que o holandês se encontrou com Lewis Hamilton durante o GP da Arábia Saudita. O incidente aconteceu quando Hamilton bateu na traseira de Verstappen, sem saber que o holandês estava cedendo a liderança por conta de uma disputa anterior, e os dois rivais vão chegar na última etapa do campeonato, em Abu Dhabi, já no próximo domingo, empatados, com o piloto da Red Bull na frente por ter vencido mais provas.

E esse lance foi apenas uma das confusões que marcaram a estreia da Fórmula 1 em uma pista veloz e com muros próximos na Arábia Saudita. Ver os rivais em uma das disputas mais apertadas da história da categoria se encontrando na pista tem sido a norma nesta temporada e, como quase sempre acontece, são lances cheios de polêmica.

Em Jeddah, foram cinco.

“Essa corrida foi insana”, definiu Hamilton, vencedor das três últimas provas. “Foram vários golpes dados ao longo da prova, foi tão difícil me manter focado. Foi difícil. Mas gostaria de pensar que mantive a calma na pista. Não gostaria de pensar que fui muito agressivo ou desrespeitoso na pista.”

A corrida começou morna, com Hamilton mantendo a ponta, seu companheiro Valtteri Bottas logo atrás, e Max Verstappen em terceiro, aparentando não ter ritmo para ameaçar as Mercedes. O jogo começou a virar quando Mick Schumacher bateu, trazendo primeiro um Safety Car na pista, e depois uma bandeira vermelha. Como a Mercedes tinha parado ambos os carros, era Verstappen quem tinha assumido a ponta.

A relargada foi o primeiro encontro dos dois: Hamilton saiu melhor e tentou passar por dentro, mas Verstappen se defendeu saindo da pista e cruzando o caminho do inglês, que tirou o pé e foi ultrapassado por Esteban Ocon. Após uma batida no meio do pelotão, outra bandeira vermelha foi dada.

LIGHTS OUT PT. III

Ocon, Hamilton and Verstappen squeeze at Turn 1!

Verstappen gets through and past Ocon, Hamilton drops to third#SaudiArabianGP #F1 pic.twitter.com/nEvWarlTno— Formula 1 (@F1) December 5, 2021

Em um momento inusitado, o diretor de prova, Michael Masi, muito pressionado neste final de semana devido à aprovação de uma pista que ficou pronta em cima da hora para a estreia, ofereceu à Red Bull aceitar que Verstappen devolvesse as posições a Hamilton e a Ocon ao invés de passar o lance para os comissários. E a equipe aceitou. Max disse que não ficou surpreso com a postura da direção de prova.

Foi então que o segundo encontro entre Hamilton e Verstappen aconteceu: Max pulou muito bem do terceiro lugar, e os três primeiros acabaram emparelhados na primeira curva, com Hamilton no meio. E o holandês retomou a ponta.

LAP 38/50

MAX AND LEWIS COLLIDE!

Verstappen is instructed to give the place to Hamilton, but they make contact #SaudiArabianGP #F1 pic.twitter.com/QnRaWoaYzP— Formula 1 (@F1) December 5, 2021

O terceiro capítulo aconteceria na volta 37, quando Hamilton tentou passar por fora na primeira curva, Verstappen passou reto, e manteve a liderança. O holandês foi instruído pela direção de prova a ceder a posição, e diminuiu a velocidade na reta. Sem ter sido avisado pela equipe da inversão, Hamilton acabou enchendo a traseira do rival. Foi este o lance investigado após a prova, enquanto Verstappen foi punido também pela escapada anterior, ou seja, ele teve 15s acrescidos a seu tempo final.

“Eu não sabia se ele estava indo para a direita ou para a esquerda. Eu não sabia que diabos estava acontecendo. E daí ele freou forte e eu bati na traseira. Foi meio perigoso”, disse Hamilton.

Essa freada relatada por Hamilton foi comprovada pelos dados de telemetria do carro de Verstappen, e foi por isso que ele foi punido. O holandês tinha sido instruído a devolver a posição “estrategicamente” quando estava na curva 22, e o fez três curvas depois, tentando fazer com que Hamilton estivesse à frente no ponto de detecção da asa traseira móvel. Max disse aos comissários que estranhou que Hamilton não tinha passado-o, o inglês se defendeu dizendo que não estava entendendo o que estava acontecendo porque não sabia da ordem dada ao rival. Os comissários, então, entenderam que a batida só aconteceu porque Verstappen freou.

Mesmo com a asa dianteira danificada, Hamilton seguiu na cola do rival e o passou, no que seria seu quinto encontro do dia. Como Verstappen estava com pneus menos duráveis, desta vez, na volta 43, ele não ofereceu resistência.

Após ter sido, efetivamente, punido três vezes na mesma corrida (tendo de devolver duas posições e depois levando 5 e 10s por três lances distintos, Verstappen não concorda com o tratamento.

“Naquele lance da volta 37, nós dois saímos da pista e eu levo a punição. Aquela anterior também… não sei, houve decisões estranhas hoje. Não estou chocado, nem surpreso. Só quero seguir adiante e vou tentar fazer um bom trabalho novamente em Abu Dhabi.”

7 comentários em “Mais um thriller”

  1. Aonde o Verstappen estava com a cabeça em Jeddah? O holandês sentiu mesmo a pressão contra Hamilton.

    Outra coisa: que corrida vergonhosa sob todos os aspectos. Comece com uma pista liberada a toque de caixa, passando pela imperícia e omissão da FIA, principalmente na figura do Michael Masi, que claramente perdeu o controle na disputa entre a Mercedes e a RedBull.

    Tenho muito medo que esse campeonato termine com uma batida entre Verstappen e Hamilton.

  2. Pista perigosa.
    Vendo pelas cameras onboard, várias curvas cegas. O piloto de pé embaixo não sabe o que está na frente.
    Fora as demoradas e polêmicas punições. Ou é ou não é. A demora nas punições não trás credibilidade ao Mais e os fiscais.
    Além da chatice dos limites de pista.
    Torcer para que o título seja decidido na pista, e não fora dela.

  3. Acho q para evitar q a decisão termine vergonhosamente como em 89, 90 e 94, a FIA deveria dizer a Verstappen que se ele provocar um acidente com Hamilton na última corrida, ele será automaticamente desclassificado do campeonato como aconteceu com Schumacher em 1997.

  4. O mimado Max Verstapen foi colocado na F1 aos 17 anos. Desde então vem sendo mimado por chefes de equipe, figuras hediondas como aquele austríaco destruidor de carreiras e, lamentavelmente, pela imprensa. São tantos preconceitos contra seu principal opositor!!! Me resta apenas torcer contra um cara que é bom piloto mas acha que pode tudo contra todos. Figura lamentável!

  5. Para vencer um gênio como MAX VERSTAPPEN não é preciso apenas ter uma MERCEDES. É preciso sobretudo TUTANO!!! E ser sobretudo um LEWIS HAMILTON!!! E tutano HAMILTON tem de sobra!!! HAMILTON é como aquelas palmeiras que nas borrascas VERGAM mas NÃO QUEBRAM!!! Aos 36 anos, com 7 títulos, 103 vitórias 103 poles e um montão de recordes variados, ele ainda encontra força e motivação para lutar como se fosse um iniciante contra um jovem lobo sedento, de outra geração bem mais nova. Bem poucos conseguem isso!!! HAMILTON é daqueles IMPRESCINDÍVEIS, definidos por BERTOLD BRECHT: os que lutam a vida inteira.
    JULIANNE, às vezes fico pasmo com comentários (não em seu blog) de haters de um ou de outro, que deveriam estar curtindo intensamente momentos históricos da Fórmula 1, mas, ao contrário, ficam desmerecendo um e outro. A Fórmula 1 hoje está cada vez mais longínqua daquela era romântica de altruísmos, como o de um PETER COLLINS em favor de FANGIO, por exemplo.

    Eu aprecio intensamente as principais características COMUNS de HAMILTON e MAX: agressividade, ímpeto, destreza absoluta, inteiro domínio da máquina até mesmo contra as Leis da Física, ousadia, audácia, precisão cirúrgica nas manobras e MAXIMUM ATTACK, conforme a filosofia imortalizada por MARKKU ALEN no Rally. Como amante de longa data do Automobilismo, nunca apreciei pilotos cozinheiros de galos em banho maria. Fórmula 1 é 100 metros rasos!!!

    JULIANNE, eu fui o seu primeiro leitor a postar aqui que MAX VERSTAPPEN seria um dos grandes da História, isso quando ele ainda estava no kart e ninguém falava dele (não consigo encontrar a postagem com a mudança do lay out do blog). No entanto, dito isso, de apesar de ele apresentar em doses superlativas as características que aprecio numa “tocada”, TAMBÉM NÃO POSSO DEIXAR DE CONSTATAR QUE ELE VEM EXCEDENDO OS LIMITES DA ESPORTIVIDADE EM SUAS ATUAÇÕES NESTE ANO, NUM VERDADEIRO VALE TUDO!!! Ora, não é assim que a banda toca!!! Como sempre defendi e exaltei MAX, me permito a crítica.
    E os comissários? Ora, os comissários. . . ora bolas!!! Não há um padrão de avaliação ou ou as regras estão com muitas lacunas!!!

    Para finalizar, concordo inteiramente com as opiniões e argumentos dos comentaristas WESLEY, ALEXANDRE e com a sugestão do DENNIS, apoiada pelo PIETRO. Eu quero ver a DECISÃO feita de maneira LIMPA, sem batidas duvidosas ou não.

  6. Acho que é da opinião de todos que o Max Verstappen é um grande piloto, simplesmente está a ser mal aconselhado, tanto pelo pai, como pelo Helmut Marko.
    Aquela travagem em plena reta, que fez o Hamilton bater na traseira do seu carro, é do mais sujo que há. A juntar a isso, queixasse constantemente que é vitima tanto da direção de corrida, como dos comissários, ou dos adversários.
    No meios disto tudo, espero, tal como já escreveram os anteriores comentadores, que a próxima corrida seja decidida na pista e sem confusões.

    cumprimentos

    visitem: https://estrelasf1.blogspot.com/

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