Corridas e análises

Análise do GP de Mônaco

Faltava menos de 10 minutos para a largada do GP de Mônaco quando estávamos posicionados entre os dois carros da Mercedes, onde Toto Wolff cumprimentava efusivamente os convidados de Lewis Hamilton. Quando os pingos tímidos começaram a aumentar, Toto passou a comemorar com as celebridades, enquanto seus pilotos voltavam aos carros após respeitarem o hino, tensos. George Russell foi em direção ao carro 44 discutir com Hamilton e com o chefe de estratégia, James Vowles, o que fazer. De uma hora para a outra, Toto fechou o semblante e pediu que James viesse explicar qual era a discussão. Eles queriam largar com o pneu certo e Russell já apostava nos intermediários.

George Russell discute estratégia com James Vowles e Lewis Hamilton sob o olhar atento de Toto Wolff
Foto: Julianne Cerasoli

Saímos do grid cerca de 5 minutos antes do horário marcado para a volta de apresentação. O asfalto estava umedecido, mas tinha parado de chover. O procedimento de largada, no entanto, estava prestes a ser adiado. Logo, Russell, Hamilton, e mais ninguém teria sequer a escolha do pneu. A FIA viu que uma pancada forte de chuva se aproximava e optou por esperar. E a água veio com força.

Largada demorou por chuva e queda de energia

Não foram mais de 20 minutos de chuva forte, mas a falta de energia nas placas de sinalização do circuito fez com que o GP de Mônaco tivesse de esperar mais de uma hora para começar. A prova teria início com pista molhada, mas já sem chuva pelo caminho. Ou seja, seria vencida por quem ficasse longe dos muros e entendesse o momento certo de trocar os pneus.

Acabou sendo quase isso. Carlos Sainz ficou longe do muro e escolheu o momento certo de parar. Só não contava que perderia mais de 3s atrás da Williams de Latifi, retardatário, no retorno de sua única parada.

E este seria o terceiro golpe que a Ferrari sofreria na corrida.

A Scuderia era a favorita para vencer em Mônaco após fechar a primeira fila, com Charles Leclerc em primeiro e Sainz em segundo. O carro tem boa tração e é ágil nas curvas mais lentas e ambos os pilotos estavam à vontade nas ruas do Principado. Sem ter que comprometer o acerto para conservar pneus ou andar bem de reta, Sainz nem parecia o mesmo de corridas anteriores.

Por segurança, a largada foi lançada, com pneus de chuva. Mas a espera foi tão longa para o reestabelecimento da energia que já não havia tanta água assim na pista, e os pilotos do fim do pelotão logo colocaram os intermediários.

Intermediários ou direto para o slick?

Pelas primeiras voltas, não houve muita diferença entre os dois pneus, mas quando Pierre Gasly começou a abrir caminho no meio do pelotão em plena Mônaco, e a diferença entre os quatro primeiros e Lando Norris aumentou a ponto de haver um espaço para parar e voltar sem trânsito, a Red Bull não pensou duas vezes e chamou Perez, que estava em terceiro, para colocar intermediários.

A Ferrari tinha Leclerc 8s à frente de Perez e Sainz a 3s, então chamou primeiro o espanhol, que disse querer ficar na pista e ir direto para os pneus de seco. Essa também era a leitura de Leclerc, mas o monegasco decidiu confiar na equipe e parou. O problema é que o chamado da Ferrari veio com uma volta de atraso: Perez foi 7s mais rápido que as Ferrari logo de cara e, quando Charles saiu dos boxes, tinha perdido a posição para o mexicano.

Não se entendendo com a frente do carro neste fim de semana em Mônaco, Verstappen vinha em quarto e parou junto com Leclerc, na volta 18, também para colocar um jogo de intermediários. Neste momento, as Red Bull eram muito mais rápidas que Leclerc nas primeiras voltas com o pneu intermediário, o que fez Verstappen se aproximar de Leclerc.

Como Sainz perdeu a liderança da prova

Enquanto isso, Sainz ia vendo sua vantagem diminuir rapidamente, à medida que a pista ia secando. Seria uma questão de esperar alguém do meio do pelotão arriscar colocar o pneu de pista seca e fazer o mesmo.

Isso aconteceu na volta 20, quando Ricciardo parou, e Sainz o seguiu no giro seguinte, voltando em segundo mas sabendo que Perez teria que parar de novo para trocar os intermediários para os pneus de seco. 

O que Sainz não sabia é que sairia atrás de Nicholas Latifi, o que o fez perder muito tempo justamente na sua volta de saída do box. Para efeito de comparação, Ricciardo, com um carro mais lento, fez 1min28 em sua outlap. Sainz fez 1min34 preso por Latifi. Isso foi o suficiente para que Perez parasse e voltasse menos de 1s à frente da Ferrari.

Isso não seria a única coisa que deu errado para a Scuderia neste momento da prova. A equipe calculou que seria possível chamar ambos os pilotos para a parada na mesma volta. Porém, Sainz estava tão lento com seus pneus de chuva que Leclerc encostou nele. A Ferrari tentou cancelar o chamado para Leclerc entrar nos pits, mas era tarde demais. Tendo de esperar o companheiro, ele perdeu tempo e foi superado por Verstappen, que parou, como Perez, na volta seguinte para se livrar do pneu intermediário.

Com todos com os pneus duros para ir até o final, a corrida tinha Perez na liderança, Sainz a 1s do líder, Verstappen e Leclerc. Mais atrás, dava para ver que a leitura do espanhol era a acertada, com Russell superando Norris na estratégia, e Bottas entrando nos pontos.

Tudo isso tinha acontecido em 25 voltas. Até que Mick Schumacher estampou o muro e causou  uma bandeira vermelha.

Um segundo GP de Mônaco, com pista seca

Carlos Sainz à frente de Max Verstappen e Charles Leclerc no GP de Mônaco de 2022

Na relargada, já se sabia que a prova acabaria pelo tempo total de 3h. Sabendo que teriam bem menos que as 50 voltas para fazer, algumas equipes optaram pelo pneu médio. Não seria um composto fácil porque muitos tiveram graining neste composto na sexta-feira, então seria necessário ir colocando temperatura nele aos poucos.

Na briga pela vitória, a Red Bull optou pelos médios e a Ferrari, pelos duros. Sainz pressionou Perez nas primeiras voltas após a relargada de forma que ele não conseguiu fazer a melhor preparação para seus compostos médios, o que fez o mexicano sofrer nas últimas voltas.

Mas Mônaco é Mônaco e mesmo que Sainz estivesse mais rápido, ele nunca conseguiu colocar de lado e Sergio Perez se tornou vencedor de um dos GPs de maior prestígio da F1. A Ferrari saiu pelo segundo final de semana seguido lamentando mais uma chance perdida. Com Sainz e também com Leclerc, que adicionou mais um capítulo a seu drama pessoal em casa). E Verstappen saiu no lucro mesmo em terceiro lugar, aumentando sua vantagem na tabela do campeonato de seis para nove pontos. Nada mal para quem estava 46 pontos atrás há quatro provas.

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