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Análise do GP da Áustria: de onde veio o ritmo de Leclerc

O duelo apertado da classificação, decidida a favor de Max Verstappen apenas na última curva, acabou se tornando um baile de Charles Leclerc no domingo, com direito a três ultrapassagens (duas delas, bastante fáceis) em cima do rival. Entre a classificação e o GP, teve sprint na Áustria. E ela deu dicas importantes, como sempre acontece, do que estaria por vir.

Isso porque Verstappen venceu a sprint, mas saiu do carro preocupado com o desgaste de pneus nas 23 voltas que fez com o pneu médio. Ele acreditava que talvez tivesse forçado um pouco demais no começo. De qualquer maneira, já sabia que seria impossível fazer 71 voltas no domingo, largando com o carro bem mais pesado, com apenas uma parada.

O cenário era bem diferente na Ferrari. Os pilotos foram instruídos a forçar do começo ao fim, e foi isso o que Carlos Sainz fez. Talvez com um pé atrás com a equipe depois das últimas corridas, Charles Leclerc decidiu poupar seus pneus no começo, e por isso os dois acabaram tendo uma briga que liberou Verstappen para vencer. Após a sprint, Leclerc reconheceu que talvez tivesse economizado demais.

Verstappen deu logo de cara que seria uma longa tarde

Foi uma lição aprendida para o GP da Áustria. Verstappen pulou bem na ponta e chegou a abrir 1s na primeira volta, mas não demorou para Leclerc estar na sua cola. A Ferrari não era tão mais rápida, mas à medida que as voltas passavam, ficava claro como o carro vermelho era bem mais gentil com os pneus. Com a mudança da pista, que estava ‘verde’ devido à chuva da madrugada e mais fria, a tendência do sábado tinha se exacerbado no GP.

Leclerc passou Verstappen na volta 11 e o holandês logo parou, duas voltas depois, se comprometendo a fazer duas paradas. A Ferrari não respondeu porque, naquele momento, ainda acreditava na possibilidade de fazer uma parada e confiava também no rendimento, combinado com a asa de baixo downforce que dava também uma vantagem em relação à Red Bull nas retas.

No entanto, a queda de rendimento de alguns pilotos que tinham largado com os duros, como Zhou e Alonso, envolvidos em um dos grandes duelos da corrida, começou a chamar a atenção. Eles pararam nas voltas 24 e 27, indicando que os duros também estavam se degradando rápido e não aguentariam as 40 voltas ou mais que a Ferrari precisava.

Confiança total na Ferrari no GP da Áustria

Então os dois carros foram chamados nas voltas 26 e 27, para colocarem um jogo de duros. Isso fez com que eles perdessem as posições para Verstappen, o que voltaria a acontecer depois da segunda parada, nas voltas 49 e 50. Em ambas ocasiões, Leclerc passou Verstappen na pista e retomou a ponta, com a Ferrari tão confiante em seu ritmo que fez a melhor estratégia para seu carro sem se importar tanto com posição de pista.

Sainz se preparava para fazer o mesmo e ultrapassar Verstappen na volta 57 quando o motor da Ferrari estourou. É a terceira quebra em seis corridas, contando apenas as unidades de potência da Scuderia.

Isso trouxe o Safety Car Virtual à pista mas, temendo um repeteco de Silverstone caso o SC entrasse na pista, a Ferrari chamou Leclerc aos boxes para colocar um jogo de médios. Eles sabiam que, se Verstappen não entrasse, seria presa fácil com os pneus já desgastados. Se ele também trocasse os pneus, como aconteceu, Leclerc teria mantido a posição de pista e teria pneus novos para as voltas finais.

O que eles não podiam prever era que um problema mecânico começou a fazer com que o acelerador de Leclerc ficasse aberto (em até 30%) o tempo todo. Com isso, ele passou a ter dificuldades especialmente nas curvas 3 e 4, e viu Verstappen se aproximar. Mas o monegasco administrou sua vantagem e venceu pela primeira vez em três meses.

Mercedes saiu no lucro e Haas pontuou mesmo com motor falhando

O GP da Áustria teve muita ação também mais atrás. George Russell e Sergio Perez se tocaram na disputa pelo quarto lugar logo na primeira volta. Isso efetivamente acabou com a corrida do mexicano e dificultou a tarde do inglês. Russell estava com a asa danificada e passou a rodar lento. Quando a trocou, ainda teve de pagar uma punição de 5s pelo incidente, bem semelhante com o de Lando Norris do ano passado.

O ritmo fraco de Russell com a asa quebrada gerou um trenzinho de DRS, com Ocon, as duas Haas e Lewis Hamilton. O inglês demoraria 14 voltas para se livrar do trânsito. Ali, já tinha perdido 18s para o líder e, com um ritmo em média 0s4 mais lento, chegaria em terceiro com mais de 40s de desvantagem. Mesmo com tudo dando errado no começo da prova, Russell chegou em quarto. Foi um ótimo resultado para um time que teve de remendar seu único assoalho reserva disponível depois que ambos os pilotos bateram na classificação.

Alpine e McLaren empatadas após o GP da Áustria

Esteban Ocon (FRA) Alpine F1 Team A522. Austrian Grand Prix, Sunday 10th July 2022. Spielberg, Austria.

A Alpine conseguiu um ótimo quinto lugar com Ocon, rápido por todo o fim de semana e comprovando que as atualizações melhoraram bastante o carro. O time só não teve ambos pilotos nos pontos porque Fernando Alonso, mesmo largando em último, teve de fazer uma terceira parada após começar a sentir vibrações no pneu.

Isso ajudou a McLaren a colocar ambos os pilotos nos pontos em uma ótima execução da equipe no domingo. Assim, eles estão empatados com a Alpine no campeonato. Mas o piloto do dia do GP da Áustria acabou sendo o sexto colocado Mick Schumacher, que saiu da sprint irritado acreditando que tinha sido prejudicado pela equipe, que não atendeu seus pedidos para inverter as posições com Kevin Magnussen. No domingo, ele mostrou que estava realmente rápido, embora o companheiro tenha tido um problema intermitente na unidade de potência ao longo da prova.

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