Max Verstappen tinha negócios pendentes com Singapura. Correndo lá desde 2015, nunca tinha vencido ou feito a pole position em uma pista considerada desafiadora pelos pilotos. Como assim, logo ele? Com a Red Bull ressurgindo após a atualização do Azerbaijão e os rivais em baixa, era chegada a hora de mudar essa história.
Pole na sprint, vitória na sprint, pole para o GP. Tudo caminhava para que a escrita fosse, definitivamente, deixada de lado. A não ser por dois poréns: suas largadas da pole na Malásia e na sprint tinham sido ruins, e todos foram para a corrida sem saber muito bem como os pneus se comportariam.
Equipes indo no escuro para a corrida noturna
Até porque todo mundo pegou a mão da sprint com o formato atual: você faz o treino livre focando mais na classificação da sprint, pois sabe que sua simulação de corrida “de luxo” vai ser a própria corrida curta.
A não ser que chova.
Não era uma chuva fácil de prever em Singapura. Em toda a semana em que estivemos por lá, foi a única que caiu, mesmo com as previsões ameaçadoras. Durou menos de 15 minutos, molhou (bastante) só parte da pista. Acabou com a simulação de corrida de todo mundo.
Então quando os pilotos alinharam para o GP, havia duas opções entre os pneus. Os macios, mais estáveis e aderentes, eram os preferidos, ainda que ninguém soubesse por quanto tempo durariam. Os médios eram a aposta de quem buscava mais flexibilidade, esperando um Safety Car ou VSC que tinha aparecido em todas as etapas até ali.
Verstappen saía na frente e tinha que ser agressivo, jogando Charles Leclerc no lado sujo para que ele não tentasse mergulhar por dentro. Com a estratégia alternativa, Lewis Hamilton seguia a dupla, com Kimi Antonelli tentando se entender com a Mercedes atualizada em quarto. E as duas McLaren, que tinham se chocado no sábado na última volta da sprint, em uma tentativa agressiva de Lando Norris, logo atrás.
So tight at the start 🫣
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Russell com a vida complicada
George Russell não estava na briga. Ele largava em 19º, com uma punição pela troca do motor depois da quebra de Sepang. E já não tinha se ajudado no sábado quando, depois de tomar a liderança na largada, rodou sozinho com a pista úmida e bateu no final da primeira volta.
Logo ficou claro que Russell – e ninguém – teria vida fácil. O efeito da turbulência dos carros era grande, mais pelo calor do que qualquer coisa (o índice de calor, que leva em consideração a temperatura e umidade, beirava os 35ºC) e, se um piloto não conseguisse a manobra em duas ou três voltas, ficava difícil avançar.
Russell terminou a primeira volta em 17º. Ficou duas voltas preso atrás de Gabriel Bortoleto, duas atrás de Alex Albon, uma atrás de Franco Colapinto, duas atrás de Arvid Lindblad, cinco atrás de Carlos Sainz, nove atrás de Ocon, sete atrás de Bearman até, na volta 29, chegar à zona de pontuação.
Pela previsão da Pirelli, a essa altura, os pilotos já teriam feito duas paradas nos boxes. Mas algumas informações já tinham ficado claras: o pneu médio não estava funcionando. O macio estava durando muito mais que o esperado, mas não para sempre. E ninguém se atreveria a colocar os duros.
Ruim para Hamilton, que viu sua estratégia alternativa ruir. Ele foi perdendo contato em relação a Verstappen e Leclerc e estava sendo pressionado por Antonelli, com Norris logo atrás. A saída foi uma arriscada parada na volta 18, quando nem a Ferrari sabia se seria possível levar o pneu macio até o final.
Até porque Hamilton forçou nas primeiras voltas: queria usar a borracha mais aderente para superar Leclerc, mas a Ferrari chamou o monegasco também cedo e ele voltou à frente. Inicialmente, parecia que Lewis era mais rápido, mas logo Charles fez a volta mais rápida da prova.
Dos ponteiros, apenas Antonelli também tinha parado, trocando os macios pelos médios. Os demais aguentavam o máximo possível para minimizar o tempo com o composto amarelo. E esperavam por um Safety Car, que não veio.
Com mais da metade da prova disputada, Verstappen liderava com 5s de vantagem para Leclerc, que tinha Hamilton na sua cola. Antonelli, Norris, Piastri, Russell (único que ainda não tinha parado, ainda com os médios), Lawson, Hulkenberg e Gasly completavam o top 10.
VSC entra e Hamilton não aproveita
Até que Lance Stroll parou sua Aston Martin e o VSC, enfim, apareceu. Seria a salvação para as Ferrari e Antonelli, que tinham parado antes de todo mundo?
Hamilton tinha pneus cinco voltas mais velhos que Antonelli, seis que Leclerc. Verstappen tinha pneus oito voltas mais novos que o monegasco. Não havia muito o que pensar: em uma pista em que você só passa com uma diferença superior a um segundo por volta, você precisa criar uma diferença de vida útil do pneu e era o momento de aproveitar.
Hamilton ouve que os dois carros vão colocar pneus macios. Mas ele quer fazer algo diferente de Leclerc e está atrás, então fica na pista. Não ficou claro se ele não conseguiu entrar no box ou se tomou a decisão, pois seu rádio não estava sendo transmitido naquele momento. O que dá para ver é que a Ferrari estava preparada para ele. Leclerc para, Antonelli também.
Agora Hamilton estava em segundo, mas com pneus bastante velhos. Faltavam 23 voltas, em Singapura, onde a perda de tempo no pitstop é alta. Era apostar em mais um SC ou VSC ou nada.
Mas nada aconteceu. Leclerc até se aproximou um pouco de Verstappen, que tinha problemas em seu rádio e não podia ser ouvido pela equipe, mas não o suficiente incomodá-lo. Enquanto Hamilton foi sendo passado por um a um. Leclerc, Antonelli (que se aproveitou quando Norris não conseguiu passar o heptacampeão e superou os dois, com pneus mais novos), Norris e até Piastri, que tinha tido um furo no pneu, na penúltima volta.
Hamilton ⚔️ Norris ⚔️ Antonelli
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Hamilton foi de um terceiro lugar garantido para um sexto, e se desculpou com a equipe.
Na luta pelos últimos lugares nos pontos, Russell não conseguiu, por pouco, se aproveitar do VSC para sua única parada. Voltou em décimo, passou Gasly, mas não superou Hulkenberg, com Lawson à frente dos dois.
Hulkenberg, aliás, pontuou duas vezes em Singapura, enquanto Gabriel Bortoleto teve um fim de semana difícil: 14º nas duas classificações – uma por questão de centésimos, outra por muito – estava com problemas em sua unidade de potência pela terceira prova seguida. E abandonou, no sábado, levando um toque de Albon e, no domingo, por uma quebra de câmbio.


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