F1 GP da China A queda das Ferrari - Julianne Cerasoli Skip to content

A resposta de Piastri a queda das Ferrari no GP da China

O céu nublado do domingo e a falta de garantia de que as mudanças feitas entre a sprint e a classificação para proteger mais os pneus depois que todos tinham sofrido muito com os médios na corrida curta geravam um clima de incerteza antes do GP da China. 

Será a ligeira queda na temperatura da pista e o emborrachamento do asfalto novo já seriam suficientes para que fosse possível fazer uma parada? E o pneu duro, que ainda não tinha sido usado por ninguém (e era um C2, que sofreu alterações nesta temporada), como se comportaria?

Certezas havia algumas: a vitória de Lewis Hamilton no sábado tinha mostrado no sábado o valor de andar com a cara para o vento, sem a turbulência, que faz os carros escorregarem e desgastarem mais rapidamente os pneus. Cabia ao pole position Oscar Piastri, ainda mais tendo o carro mais rápido do fim de semana, manter a primeira posição para tentar descontar parte do prejuízo que levou com a escapada da semana anterior na Austrália.

Piastri se mantém de cara para o vento

Foi o que o piloto da McLaren fez, fechando a porta para George Russell, que acabou tendo de frear antes do que gostaria e perdeu a segunda posição para Lando Norris. Mais atrás, as duas Ferrari passaram Max Verstappen, e Charles Leclerc tocou na roda traseira direita de Lewis Hamilton, quebrando sua asa dianteira, mas seguindo na pista, mesmo perdendo estimados 20 a 30 pontos de aerodinâmica.

Isack Hadjar perdeu duas posições, depois de se classificar em sétimo, Pierre Gasly ganhou três, e as duas Sauber saíram da pista: Nico Hulkenberg perdeu a traseira de uma vez, danificando o assoalho, e Gabriel Bortoleto perdeu o controle quando Oliver Bearman fechou a porta na sua frente, de maneira normal.

O brasileiro logo foi aos boxes, sentindo vibrações nos pneus, e voltou em último, 31s atrás do pelotão.

Ele colocou os pneus duros, juntando-se a Liam Lawson, que se classificou em último com a Red Bull e tinha largado do pitlane depois de mudar o acerto do carro, Bearman, que era o 16º e Lance Stroll, o 14º.

Todos de olho em Stroll

Era em Stroll, o mais experiente dos quatro, em que as equipes estavam de olho: se o desempenho dele fosse consistente com o composto duro, valeria a pena segurar os pilotos na pista com o médio e fazer apenas parada, algo quase impensável com o desgaste do sábado.

No final das contas, não era só o duro que estava rendendo bem. Na ponta, a McLaren estava bem mais confortável sem o graining forte nos dianteiros visto no sábado, e pôde exercer seu ritmo. A Russell, cabia se manter em terceiro, atento ao que as Ferrari podiam fazer.

Logo ficou claro que Hamilton não tinha o ritmo da sprint. E era por mais do que a turbulência da Mercedes: sabendo que todos tentariam diminuir o graining, a Scuderia mudou o acerto e foi em um caminho que Leclerc tinha testado na pré-temporada. Funcionou para ele, mas não para o inglês, claramente mais lento.

Tanto, que Hamilton sugeriu para a equipe inverter posições para Leclerc tentar atacar Russell. Isso aconteceu só depois das primeiras paradas, iniciadas pelo próprio Hamilton e por Verstappen entre os ponteiros na volta 13.

Freios impedem disputa pela vitória

Na frente, Piastri conseguiu que Norris saísse de seu DRS depois de cinco voltas, e depois só viu a diferença aumentar, ainda que lentamente. Quando os dois pararam, nas voltas 14 e 15, ficou claro que andar na turbulência tinha custado mais caro aos pneus do inglês, mesmo que, com menos graining no domingo, ele tivesse melhorado consideravelmente seu ritmo em relação ao restante do final de semana.

Pensando nisso, ele mudaria sua estratégia na segunda parte da prova. O seguiria mais de longe para proteger os pneus, pensando em um ataque no final. Mas ficamos sem saber como isso acabaria pois, com 20 voltas para o fim, ele passou a ter problemas de freio.

Sem poder aplicar o pico de pressão no pedal, Norris foi tendo de frear cada vez mais cedo, e a distância foi aumentando até Piastri cruzar a linha de chegada para sua primeira vitória do ano com quase 10s de vantagem.

Ferrari de mal a pior

Após a inversão da Ferrari, Leclerc chegou a andar bem próximo de Russell por algumas voltas, mas perdeu contato na volta 20 e não conseguiu mais ameaçar o inglês. Via rádio, chamou a Mercedes de “um dragster de tanta tração que eles têm na saída da 12”.

Sofrendo até mesmo com os duros, Hamilton tentou algo diferente na estratégia e trocou os pneus novamente na volta 37, apostando que a borracha nova o ajudaria a recuperar terreno nas voltas finais. Foi o mesmo pensamento das Racing Bulls, que estavam no fim da zona de pontuação.

As apostas não deram certo. A degradação do pneu duro era baixa demais para fazer a segunda parada valer a pena.

Mas as coisas piorariam ainda mais para a Ferrari. Leclerc não só não conseguiu pressionar Russell, como também perdeu a posição para Verstappen no final. O holandês tinha sido terceiro na sprint, sendo passado por Piastri no final, sofrendo muito com os pneus. Por isso, começou a corrida muito cauteloso.

Com o pneu duro, começou a atacar mais, e no final estava adotando um ritmo forte. Segundo ele, a aderência aumentou muito com o carro mais leve, e ele não sabia muito bem explicar o porquê.

As Ferrari cruzariam a linha de chegada em quinto e sexto, o que já não seria um bom resultado, mas ambos seriam desclassificados – e por motivos diferentes. Leclerc estava abaixo do peso mínimo e a prancha que regula a altura do carro estava desgastada demais no caso de Hamilton. Dois indicativos das margens pequenas com que a Ferrari está trabalhando.

O ressurgimento da Haas

Quem se deu bem com a desclassificação dupla foi Esteban Ocon, que tinha ganhado uma posição na largada com Albon, depois superou Antonelli, que tinha danos no assoalho, na rodada de pit stops and viu as Racing Bulls pararem uma segunda vez.

Depois da Haas não entender a falta de ritmo da primeira corrida da temporada, eles voltaram à posição em que imaginavam estar na China, e o francês foi o quinto no final das contas, com Antonelli, Albon, Bearman, Stroll e Sainz completando o top 10. Isso porque Pierre Gasly também foi desclassificado pela Alpine estar abaixo do peso mínimo.

Bortoleto tem bom ritmo

E Gabriel Bortoleto? Correndo sem trânsito por quase toda a prova, e usando os pneus que foram os mais consistentes do domingo, ele teve um ótimo ritmo com a Sauber. Nem tanto por ter alcançado Nico Hulkenberg, que sofria com um assoalho avariado, mas por ter recuperado tempo em relação a Lawson ou até mesmo na comparação com Sainz mais à frente.

Isso quer dizer que daria para ele pontuar sem a rodada? Difícil dizer com tão pouca informação sobre o real ritmo da Sauber, com uma corrida no molhado e outra que não já começou bem para ambos os pilotos. Mas valeu pelo treino de corrida de luxo, depois da corrida desafiadora para todos os estreantes na Austrália e uma sprint em que sofreu com o desgaste de pneus.

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