F1 Nova F1 surpreendeu antes de dar a lógica - Julianne Cerasoli Skip to content

Nova F1 surpreendeu antes de dar a lógica

O primeiro GP da nova era da F1 começou com a dúvida se veríamos uma procissão de administração de energia e terminou com os pilotos mentalmente exaustos sentindo que tinham saído de uma longa e por vezes perigosa partida de videogame, em que os poderes especiais do boost tinham substituído sua pilotagem em si.

Enquanto isso, os fãs se dividiam entre os empolgados pelas 120 ultrapassagens, inclusive uma briga pela liderança com várias trocas de posição entre George Russell e Charles Leclerc nas 11 primeiras voltas, e quem estivesse questionando quais manobras tiveram qualquer valor.

No meio de tudo isso, a F1 sobreviveu a um duro teste. Todos sabiam que seria um risco ir logo para o Albert Park, a quarta pista mais faminta por energia de todo o campeonato, logo de cara, e já tendo percebido as deficiências dos atuais limites de recarregamento e uso da bateria. A decisão foi primeiro correr, e depois reagir ao que for necessário. 

O fim de semana da Austrália mostrou mesmo por que os fornecedores de motores estão com tanta dificuldade em falar a mesma língua na hora de definir o que mudar: cada um tem uma abordagem diferente no momento, e foi isso que gerou grande parte das manobras que vimos no domingo.

Leclerc surpreende ao complicar vida de Russell

No mais, fica a dúvida do quão perto a Ferrari está da Mercedes. A diferença foi de 0s8 na classificação, mas o time italiano reconhece que esteve longe de maximizar a administração de energia. Quando eu digo longe, falo em meio segundo pelo menos.

Na corrida, Charles Leclerc usou o turbo menor da Ferrari e contou com os problemas de bateria da Mercedes e Red Bull para pular de quarto para primeiro. E se manteve brigando com Russell até o inglês parar no primeiro Safety Car Virtual da prova, na volta 11. 

Foi uma dinâmica inesperada. Estava claro que os motores de Ferrari e Mercedes tinham regimes diferentes de administração de energia, e o carro italiano parece se comportar muito bem nas curvas também. 

Mesmo em um circuito em que o turbo menor poderia ser uma desvantagem, pela quantidade de zonas de aceleração plena, Leclerc conseguiu evitar que Russell gerisse sua energia do jeito que gostaria e se manteve disputando com ele, a ponto de Lewis Hamilton, que tinha largado em sétimo e pulado para terceiro no final da primeira volta, entrar na briga.

Ficamos sem saber o que teria acontecido. Quando o carro de Isack Hadjar, que tinha largado em terceiro em sua estreia pela Red Bull, quebrou, a Ferrari julgou que faltavam voltas demais para trocar de pneus e ir até o final. A Mercedes não tinha certeza, mas decidiu pagar para ver, e chamou Russell e Antonelli para os boxes. Sete pilotos de seis equipes diferentes tiveram a mesma leitura. Somente outros dois – Ocon e Gasly – conseguiram ir até o final sem parar novamente.

Seis voltas depois, um novo VSC foi acionado quando as Ferrari já tinham passado da entrada dos boxes. Era o carro de Valtteri Bottas que tinha ficado parado perto da entrada do pit. Quem estava logo atrás – Lindblad, Verstappen, Bearman, Bortoleto – conseguiu aproveitar para entrar. Quando Leclerc e Hamilton chegaram, o pitlane já estava fechado.

O jeito seria esperar por outro VSC ou parar com bandeira verde mesmo e tentar usar a aderência extra do pneu para tirar a diferença. Sem mais interrupções, Leclerc parou na volta 25, Hamilton foi até a 28. Eles voltaram a 15s5 e 20s segundos do líder, respectivamente.

Foi então que Russell deu sinais de que só não conseguiu se livrar de Leclerc no início da prova pela questão da bateria mesmo. Porque, mesmo com a diferença de 13 voltas no pneu, Leclerc não conseguiu se aproximar e terminou a 15s, olhando seu espelho retrovisor, com Hamilton pronto para atacar.

Mesmo assim, a Ferrari saiu da Austrália aliviada. Eles sabem o que ficou faltando na classificação, viram que podem usar a vantagem das largadas na corrida e, mesmo com “uma longa lista de coisas para melhorar”, não está tão atrás da Mercedes como previa.

Mas ninguém estava mais aliviada que a própria Mercedes. Depois de meses de especulação e brigas nos bastidores, eles estão de volta. E Russell começa o ano como franco favorito ao título, enquanto Antonelli ainda está “aprendendo do jeito difícil”, como colocou Toto Wolff, após o forte acidente do terceiro treino livre.

McLaren e Red Bull estão um passo atrás. Lando Norris terminou em quinto a 51s do líder. Tanto Andrea Stella, quanto James Vowles, explicaram que a Mercedes não passa informações de software para os clientes, então eles têm o mesmo hardware, mas estão atrás na compreensão de como tirar o máximo proveito dele.

E a Red Bull parece realmente bem na parte de utilização da energia, mas ainda descobrindo deficiências tanto do lado do motor, quanto do lado do carro. Max Verstappen teve um acidente estranho na classificação, que teve a ver com uma configuração da recuperação de energia, saiu da 20ª colocação para terminar em quinto e ser eleito o piloto do dia.

Pontos para Bortoleto na estreia da Audi

Gabriel Bortoleto conseguiu chegar em nono e pontuar na primeira corrida da Audi como equipe na F1, um resultado que talvez pudesse ter sido ainda melhor se o motor não tivesse apagado quando ele levava o carro de volta para o box depois de conseguir uma vaga no Q3.

A Audi começou o ano em uma disputa com a Racing Bulls e Haas, e Bortoleto poderia ter largado em oitavo ao invés de 10º sem o problema. Na corrida, ele perdeu uma posição para Fernando Alonso na largada, depois passou o espanhol, cometeu um erro, e foi ultrapassado por Oliver Bearman e Max Verstappen.

Quando parou no segundo VSC, perdeu também posições para Ocon e Gasly, mas conseguiu passar ambos até com facilidade. Mas não conseguia se aproximar da briga entre Bearman e Lindblad, que durou boa parte da prova. Então a Audi aproveitou um terceiro VSC para chamá-lo aos boxes.

Quase deu certo. Ele passou novamente por Ocon e Gasly e se aproximou muito de Lindblad, mas a administração de energia superior do RBPT se vez valer e o estreante segurou a oitava colocação, tornando-se o terceiro piloto mais jovem da história a pontuar na F1, após um excelente fim de semana.

Bearman aproveitou que só seis carros dos times grandes terminaram – Oscar Piastri foi traído pelo torque adicional do motor novo e bateu antes mesmo de alinhar no grid – e foi o sétimo com a Haas. E Gasly fez a estratégia de uma parada funcionar para marcar um pontinho.

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