Há dois meses, todos procuravam explicações para o grande rendimento de Button frente a seu companheiro de McLaren, Hamilton, cujo destino, para muitos, é entrar no hall dos grandes da F-1.
Até então, o campeão de 2008 sofria para manejar os pneus compreendendo todas as fases de uma corrida que se iniciava, pelo regulamento de 2010, com tanque cheio. Andava forte demais, o tempo todo, e pagava caro no final. Enquanto isso, seu companheiro, cuja principal característica sempre foi correr com a cabeça, se tornava líder do campeonato.

Mas Hamilton virou o jogo. Suas duas vitórias, na Turquia e ontem, foram muito mais difíceis que as de Button. Ele esteve sempre sob ou colocando pressão, sempre com alguém rápido por perto. Encontrou o equilíbrio entre andar rápido e poupar os pneus mesmo correndo grande parte da prova turca num sanduíche entre as Red Bull e vendo Alonso, outro que sabe administrar uma prova como poucos, na sua cola no Canadá. Deu-se melhor em ambas as oportunidades. Olho nele, pois um Hamilton, unindo seu enorme talento a uma recém encontrada serenidade, é osso duríssimo.
Publicado em 14.06.2010
3 Comments
vejo entre hamilton e alonso muito respeito. algo que havia entre senna e prost. o inglês mesmo já comentou que o espanhol foi o piloto mais forte que já correu contra. no canadá, vimos o respeito de ambos quando dividiram limpamente a freada do fim da reta, com alonso recolhendo. pela idade, acho que o caminho de hamilton deverá ser parecido com o de senna, chegando ao auge da técnica, por volta dos 28,29. até lá, terá batalhas duríssimas, vide a safra de alta qualidade que temos no presente.
voltando ao caso hamilton, penso em mais duas possibilidades. em relação ao arrojo destacado, como vc mesma disse, será necessário chegar aos pontos, pois se não, tornará-se um mansell melhorado. não sei se estou viajando, mas me parece, que este arrojo deliberado, mesmo fazendo parte do caráter do piloto, de certa forma, é inconscientemente incentivado pela equipe, apartir do momento que libera o piloto para acelerar, e mantém a equipe pensando a corrida.
Sim, acompanho de perto a carreira dos dois de perto e é algo que tinha percebido: eles nunca se tocaram, nunca um tirou o outro da pista. E olha que já tiveram algumas disputas fortes, como Bélgica-07, Silverstone-09, Canadá-10… Sempre muito bom de ver!