F1 2026: Carros e estilos de pilotagem - Julianne Cerasoli Skip to content

Tudo sobre a F1 2026: O que muda nos carros e estilo de pilotagem

O objetivo da FIA era ter ao mesmo tempo carros mais ágeis e avançar na diminuição da turbulência, mas sem depender tanto do efeito-solo.

Então o carro de 2026 ainda produz muito da sua pressão aerodinâmica no assoalho, mas não depende mais de andar quase grudado no solo para funcionar. Isso muda o estilo de pilotagem requerido para tirar o máximo do equipamento.

A mudança do motor tem reverberações importantes no carro, com a necessidade da implantação do modo reta, com asas dianteira e traseira diminuindo o arrasto para compensar a perda de velocidade decorrente da diminuição da potência vinda da bateria. 

Dimensões e Peso

  • Largura: Reduzida de 2m para 1,9m.
  • Entre-eixos: Encurtado de 3,6m para 3,4m, o que dá mais agilidade especialmente nas curvas lentas, mas também exige mais do trabalho das suspensões para controlar os movimentos nas freadas e reacelerações. E também há implicações para o centro de gravidade do carro: tudo fica mais apertado..
  • Peso: A meta é reduzir 32kg e chegar ao peso mínimo de 768kg, incluindo os 82kg que têm que ser reservados para o piloto, capacete, macacão, etc. (quem estiver abaixo disso, tem lastros adicionados junto ao cockpit, para que não seja uma vantagem). Lembrando que as equipes buscam sempre ficarem abaixo do peso mínimo para poderem jogar com lastros para ajudar no equilíbrio do carro.
  • Rodas e Pneus: Os pneus de 18 polegadas continuam, mas a largura diminuiu, reduzindo o arrasto e o spray em pista molhada, o que também é ajudado pelo fato de os carros andarem mais altos agora que não dependem tanto do efeito-solo.

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Aerodinâmica Ativa (modo reta e modo curva)

O que conhecemos como DRS vai acontecer também na asa dianteira e, mais importante, vai mudar de função, não tendo mais nada a ver com o auxílio às ultrapassagens. E é por isso que também muda de nome.

  • Modo Reta: As abas se abrem tanto na frente quanto atrás para minimizar a resistência ao ar e ajudar na velocidade. 
  • Modo Curva: As abas se fecham para gerar pressão aerodinâmica máxima. É a configuração normal.

A princípio, todos os pilotos poderão usar o modo reta em todas as voltas, em áreas pré-determinadas pela FIA. No entanto, o diretor de prova pode suspender seu uso no caso de chuva, falta de visibilidade ou ventos laterais que possam tornar sua ativação perigosa.

Isso porque o Modo Reta, embora não deixe de ser um DRS, drag reduction system (ou sistema de redução de arrasto), não foi criado para facilitar ultrapassagens, mas sim para viabilizar o motor

Sem o torque constante do MGU-H e dependendo exclusivamente do MGU-K, que ainda por cima tem que responder por 50% da potência, o carro de 2026 não teria força para romper a barreira do ar nas retas se as asas estivessem em configuração de curva. 

Esse modo reta, de baixo arrasto, é a muleta necessária para que o carro não pare de acelerar a 280 km/h.

É fundamental que as equipes tenham sistemas de ativação confiáveis para as duas asas, pois a diferença de pressão aerodinâmica é grande e quebras afetam muito o equilíbrio do carro.

Os sistemas, contudo, são intertravados. Se um falhar, o outro não pode ativar. O piloto não escolhe o ângulo da frente e de trás separadamente; o sistema garante que a proporção de downforce entre os eixos seja mantida para evitar que o carro mude de comportamento no meio da reta.

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O que muda no estilo de pilotagem

O regulamento do efeito-solo, principalmente à medida que os carros foram evoluindo mais e mais, favorecia um estilo de pilotagem mais “quadrado”, em que o piloto solta o freio de uma vez e vira o carro de maneira mais violenta.

Quando o piloto tentava usar o chamado trail braking, soltando-o gradualmente, a altura da traseira em relação ao solo variava mais, diminuindo a eficácia do assoalho. É por isso que pilotos com essa característica perdiam muito em curvas de alta velocidade.

Tanto o efeito-solo menor quanto o encurtamento do entre-eixos vão deixar de punir tanto pilotos que viram ainda soltando o freio.

Suspensões mais macias também vão ajudar pilotos com o feeling, algo importante principalmente pelo comportamento diferente que o carro tem quando está recuperando energia nas freadas.

A aerodinâmica ativa também pode ajudar a corrigir as saídas de frente, o terror da enorme maioria dos pilotos e que foram a marca do regulamento anterior.

Mesmo que o carro de 2026 gere menos pressão aerodinâmica e fique naturalmente mais “solto” por conta disso, o piloto volta a ter um carro que se comporta de forma linear. Você freia, o carro inclina, as asas compensam e o carro aponta para a tangente.

Pilotos estudiosos saem ganhando

O estilo de pilotagem não muda só na técnica de freada. Como o piloto tem muito mais comandos à disposição, ele tem que gerenciar várias coisas ao mesmo tempo.

Além do modo reta, ele terá a ajuda do engenheiro de pista para determinar qual o melhor modo de motor, e terá à disposição o botão de boost para ter mais energia, e o modo ultrapassagem quando passar nas zonas de detecção a menos de 1s do carro que vier à frente.

A pegadinha é que ele só vai ter essa energia extra se tiver recarregado sua bateria. Para isso, vai usar o botão de recharge.

A pilotagem se torna muito mais estratégica e mental. O piloto “instintivo” (que só acelera) vai perder para o piloto “computador” (que planeja a energia da volta pensando em onde pode economizar para ter energia suficiente para atacar).

Diferenças mais visíveis nos carros

Há uma tentativa de fechar alguns dos caminhos encontrados pelas equipes para jogar ar sujo para a lateral do carro (outwash), o que gera turbulência e atrapalha as ultrapassagens. 

Esse é o pensamento por trás de muitas das mudanças visualmente diferentes. A asa dianteira é bem mais curta e tem menos elementos. 

As laterais também perderam as “grades” e as asas traseiras terão três elementos ao invés de dois, mas sem as beam wings e também sem endplates.

Aquela aleta por cima dos pneus dianteiros também desaparece.

Outra novidade são luzes nas laterais dos carros ou nos retrovisores. Elas não são setas, servem para ajudar na visibilidade dos carros em situações de chuva.

Elas foram colocadas ali para ficarem no campo de visão dos pilotos.

A falta de visibilidade é o que tem impedido a F1 de correr com pista molhada mesmo quando não está chovendo muito, e os carros menores, menos próximos do solo e este dispositivo devem ajudar neste sentido.

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