F1 Vitória do carro e do piloto em Monza - Julianne Cerasoli Skip to content

Vitória do carro e do piloto no GP da Itália

O GP da Itália será mais uma daquelas corridas que a McLaren vai olhar no final do campeonato e vai pensar ‘deixamos escapar uns pontos ali’. Seja pela disputa entre seus pilotos na primeira volta, que acabaram fazendo com que a dobradinha no grid se tornasse um primeiro e terceiro lugares logo na quarta curva, seja pela granulação nos pneus dianteiros, que fizeram com que Oscar Piastri parasse no box enquanto liderava, deixando a porta aberta para a Ferrari e Charles Leclerc vencerem em Monza.

Depois de dominarem em uma pista que casava bem com as características do carro, a McLaren demonstrou que mais uma vez melhorou seu carro quando levou as atualizações que estrearam em Zandvoort para outro território, em que o mais importante é ter o mínimo de arrasto possível, estabilidade nas freadas e boa tração. E Lando Norris ficou com a pole, com Oscar Piastri em segundo, George Russell em terceiro e Charles Leclerc em quarto. Max Verstappen largaria só em sétimo, sofrendo com as saídas de frente de sua Red Bull na classificação.

Norris perde a liderança (mais uma vez)

Norris tem bom tempo de reação, mas sua segunda fase da largada não foi perfeita, o que é sempre amplificado em Monza pela possibilidade de quem vem atrás pegar o vácuo. Ele logo tomou uma posição mais defensiva por dentro, enquanto Piastri fez a primeira parte da chicane por fora e acabou bloqueando o caminho de Russell, que freou tarde demais, tocou no australiano, danificou sua asa, e saiu da briga.

Na segunda chicane, Oscar passou Lando, que se desequilibrou, teve uma saída lenta, e permitiu a ultrapassagem de Leclerc.

Isso seria crucial porque qualquer tranquilidade que a McLaren poderia vir a ter para fazer seu ritmo tinha ido embora. Essa tranquilidade seria importante para cuidar dos pneus e tentar fazer apenas uma parada.

Desgaste de pneus aumentou com novo asfalto

Com o reasfaltamento da pista de Monza, os pneus estavam se desgastando muito mais do que o normal, gerando um dilema para as equipes. Sabe-se que o tempo de perda de pitstop em Monza é um dos maiores da temporada, mas ao mesmo tempo não é uma pista travada, em que dá para segurar um carro muito mais rápido. 

Então a decisão de fazer uma ou duas paradas tinha a ver com o quão lento você teria que ser parar preservar os pneus. E isso tem a ver com as características do seu carro. Toda desequilibrada e largando na quarta fila, a Red Bull já começou a prova com o pneu duro sabendo que teria que fazer duas paradas. Se o carro tinha um comportamento melhor, tudo dependeria muito do tipo de corrida que o piloto teria, lembrando que ninguém tinha experimentado o pneu duro, que era a grande incógnita. Por quê? Só há dois jogos por final de semana, e era muito provável que os dois fossem bem úteis.

Sabe-se que atacar muito nas primeiras voltas é o fator número 1 para matar seus pneus, especialmente quando a limitação é a granulação, ou graining. Isso tem a ver com o calor excessivo no pneu logo de cara. E uma boa maneira de fazer isso é seguir um carro de perto.

Norris tinha que ficar colado em Leclerc. Afinal, só assim teria a chance de um undercut, de parar antes e retornar a posição. Foi isso que ele fez, e foi isso que ele conseguiu ao parar na volta 14.

McLaren volta a ter o 1-2, mas Norris acaba com os pneus

A McLaren tinha voltado ao primeiro e segundo lugares, embora essa não fosse a realidade na pista até que Sainz, que já indicava que faria uma parada, fosse aos boxes, e que as Red Bull, que largaram com pneu duro, também trocassem seus pneus nas voltas 22 e 23.

Essa parada antecipada para quem estava com o composto mais duro e, em teoria, mais resistente, chamou a atenção das demais equipes. Os dois pilotos sofreram muito com graining, e colocaram outro jogo de duros, decretando que fariam duas paradas. Seria impossível, então, levar o composto branco até o final?

Para a Red Bull, sim. Algo que já ouvimos tantas vezes desde o final do ano passado voltou a ser o tema para eles: uma desconexão entre a dianteira e a traseira do carro, algo que vem piorando a cada tentativa de encontrar uma solução.

Ferrari tinha carro para fazer uma parada

Na Ferrari, Leclerc tinha razão quando ficou irritado com a decisão do time de chamá-lo aos boxes logo depois dele levar o undercut de Norris. Afinal, se ele tivesse continuado na pista, suas chances de fazer uma parada aumentariam.

A impressão que ficou nas entrevistas pós-prova é que, entre os primeiros, fazer uma parada era algo que estava muito mais no radar da Ferrari do que de qualquer outra equipe. E havia um bom motivo para isso. Seu carro coloca menos energia no pneu dianteiro do que a McLaren, por exemplo, então é menos propenso a sofrer graining.

E é claro que a tocada do piloto é igualmente importante. Leclerc não estava errado em querer ter esperado mais para trocar pneus, já que tinha perdido a segunda posição de qualquer maneira. Mas ele acabou voltando com pista livre, podendo dosar o ritmo naquelas primeiras voltas tão importantes do pneu.

Norris não fez isso, o que fez Piastri também acelerar, pois o australiano tinha parado duas voltas depois do inglês e sua vantagem de 3s8 para Norris tinha caído para menos de 2s rapidamente.

Nessa fase, também, faltou uma administração da McLaren. Ora, se eles têm o 1-2 e viram o graining no pneu da Red Bull, por que não instruir os pilotos a segurar o ritmo no começo do stint, até porque já tinham visto que o ritmo da Ferrari era forte, com Leclerc se colocando entre os dois sem sofrer pressão de Norris no primeiro stint?

É neste momento que Lewis Hamilton ouve via rádio os tempos de volta das McLaren e pensa ‘de jeito nenhum eles vão fazer uma parada andando tão rápidos assim’. A Ferrari deve ter pensado o mesmo.

Nem a Ferrari tinha de que uma parada daria certo

Fred Vasseur disse que eles ficavam em dúvida. Ora pediam para os pilotos forçarem mais e irem mais em direção a fazer duas paradas, ora achavam que seria possível ir para uma. Dá inclusive para ver isso no volta a volta de Leclerc.

Não demorou para os pneus de Norris sofrerem graining e o ritmo dele cair. Em 18 voltas, ele retornava aos boxes para um segundo jogo de pneus duros.

Logo depois, outros pilotos começaram a parar. Russell, as duas Red Bull, destruindo o composto duro novamente, Hamilton. Mas será que os carros mais equilibrados do dia em Monza poderiam ser velozes e ao mesmo tempo protegeriam melhor os dianteiros do graining?

Estava nas mãos dos pilotos. Piastri foi questionado se os pneus iriam até o final e disse achar que não porque “eles já estão bem mortos.”

Piastri faz a segunda parada

A McLaren chamou o australiano, algo não muito comum de se fazer quando se está na liderança, muito menos com uma vantagem de apenas 5s6. O melhor é usar o fato de estar com a cara para o vento para cuidar do pneu e esperar o movimento do rival. Leclerc, nesta altura, estava andando no mesmo ritmo e, com isso, não conseguiria um undercut. Então, se ele parasse, Oscar pararia na volta seguinte e seguiria na liderança. Caso contrário, seria uma batalha para ver quem cuidou melhor dos pneus no final.

Parando com 15 voltas para o final, lembrando que se perde muito tempo com a troca de pneus em Monza, Piastri voltou 18s5 atrás, com Sainz e mais cinco retardatários entre ele e Leclerc.

Lembra que os pneus duros estavam sofrendo graining se fossem muito forçados no começo, certo? Dito e feito novamente. Piastri até passou Sainz com facilidade, estava tirando mais de 1s por volta da vantagem de Leclerc, mas depois a diferença se estabilizou.

Uma lição: o graining pode sumir

E, pior. A análise do segundo jogo de pneus de Piastri apontou que havia uma fina camada de graining, que geralmente se limpa sozinha. A granulação é basicamente formada por pedaços de borracha que se grudam de volta no pneu. Quando eles caem novamente, o pneu fica “novo”. Por isso se fala que o pneu “passou por uma fase de graining” e tudo indica que esse era o caso. O rendimento de Piastri voltaria a melhorar e ele muito provavelmente não sofreria no final.

A McLaren vê muito potencial no australiano e esse é um ingrediente importante para que eles não tenham apostado totalmente em Norris até aqui. Não porque acham que Piastri vencerá o campeonato, mas porque não querem prejudicar seu desenvolvimento. Sua avaliação em Monza foi equivocada, ele estava bem irritado consigo mesmo depois, mas não é do tipo que comete o mesmo erro duas vezes.

No final, vitória de Leclerc, que bateu as saídas de frente do carro na classificação para superar Sainz, e depois soube gerir melhor os pneus na corrida, usando a vantagem da Ferrari de colocar menos energia no pneu dianteiro. É a segunda vitória dele em Monza, tão especial quanto a primeira, segundo o próprio.

Piastri chegou em segundo e Norris também passou Sainz para ser o terceiro. Mesmo longe de ter tido o resultado ideal, ele diminuiu em oito pontos a vantagem de Max Verstappen no campeonato. O tricampeão foi o sexto, às voltas com sua Red Bull que diz ter se tornado “um monstro”.

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