Bernie, o chefe de equipe

A F1 finalmente chega na vida de Bernie, neste 3º capítulo do especial feito a 4 mãos com o Café com F1

Com o envolvimento no ramo automotivo, Bernie Ecclestone acabou adquirindo em 1957 a equipe Connaught. Criada em 1952, já começou a participar da Fórmula 1 no primeiro ano de vida. Depois que comprou o time, Ecclestone colocou no volante o pupilo Stuart Lewis-Evans, que acabou morrendo no fim de 1957 depois de um acidente no GP de Marrocos. Em 1958 as únicas atividades da equipe foram nas duas tentativas fracassadas de Bernie de disputar uma prova da categoria, em Mônaco e em Silverstone. Em 1959, o inglês se desfez da equipe, que nos 7 anos de vida tentou participar de 52 corridas, mas conseguiu apenas alinhar em 18, teve um pódio e 17 pontos somados no total.

O protegido de Ecclestone, Stuart Lewis-Evans, em Silverstone, 1958

O inglês passou então um período longe da Fórmula 1, até que no fim da década de 60 voltou empresariando o piloto Jochen Rindt. Em 1972 ele fincou de vez os pés na categoria ao adquirir de Ron Tauranac a equipe Brabham. O antigo dono permaneceu trabalhando no time, mas saiu no fim da temporada por insatisfação com Bernie, que tomou algumas decisões sem consultá-lo. Um dos pilotos da equipe era o brasileiro Wilson Fittipaldi. No ano seguinte um marco muito importante para a história da equipe: a promoção de Gordon Murray para “designer” chefe. Este sul-africano foi responsável por grandes inovações tecnológicas na história da Fórmula 1.

Gordon Murray é o dono de projetos como o carro-ventilador

Depois de mais de três anos sem vencer, a Brabham voltou ao ponto mais alto do pódio em 1974 com o argentino Carlos Reutemann ao volante. No outro carro da equipe estava o brasileiro José Carlos Pace. No mesmo ano, junto com Colin Chapman, Teddy Mayer, Max Mosley, Ken Tyrrel e Frank Williams, criou uma associação de construtores de equipe. Era Bernie e sua visão empresarial começando a tomar conta do ambiente. E a temporada de 1975 começou com a vitória de Pace em Interlagos, circuito que foi batizado com o nome dele em 1985. Em 1976, Ecclestone substituiu os motores Cosworth pelos Alfa Romeo, mas a troca não surtiu o efeito esperado e, depois de uma soma de maus resultados, Reutemann deixou a equipe no ano seguinte. Mas Ecclestone não deixou por menos e contratou para 1978 Niki Lauda, já bicampeão da categoria. O austríaco terminou na quarta colocação do campeonato, com duas vitórias, três segundos lugares e dois terceiros.

Em 1979, grandes mudanças: primeiro a Alfa Romeo que decidiu sair no meio da temporada para investir num carro próprio e a equipe voltou para os Cosworth. Foi também a primeira temporada do brasileiro Nelson Piquet no time, nome tão importante quanto Murray e talvez Ecclestone para a fase da equipe. Em 1980, Piquet já estava disputando o título, depois de vencer três provas e, no ano seguinte, conquistou o primeiro campeonato da equipe sob o domínio de Ecclestone (em 1966 Jack Brabham foi campeão em 1967, Denny Hulme). Em 1982, nova mudança nos propulsores da equipe, com a chegada da BMW. No ano seguinte lá estava novamente Piquet conquistando outro título para equipe.

Ecclestone atraiu Lauda e lançou Piquet em seu time

Foi o ápice da Brabham e o início da queda que acabou fazendo Ecclestone vendê-la e adentrar em outros negócios. No fim da temporada de 1985, Nelson Piquet trocou o time pela a Williams, pois não chegou a um acordo financeiro com Bernie. No fim do mesmo ano, Gordon Murray deixou a parceria de tanto tempo e foi para a McLaren. No ano seguinte foi a BMW que deixou de fornecer motores. Em 1988, Ecclestone chegou ao limite, já de olho na oportunidade de negociar direitos de transmissão da categoria com a TV, vendeu o time para Joachim Luhti e assumiu o controle da FOCA, assunto do capítulo de quinta-feira deste especial.

7 comentários sobre “Bernie, o chefe de equipe

  1. Ju, falamos há um tempo atrás, sobre a possível “visão esportiva” de bernie. realmente, por ser um homem de negócios, não dá ponto sem nó! mas cá entre nós, você não concorda, que mesmo não sendo unicamente esportivo, suas decisões financeiras propiciaram um incentivo forte ao desenvolvimento esportivo/competitivo da brabham, visto que na f1, desde sempre, $ e esportividade sempre andaram juntos? fica provado, que sua capacidade de adaptação, fazendo mudanças de rota quando necessário, ajudaram a perpetuar a f1.

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    1. Se você melhorar a qualidade de um produto, mantendo o custo – e os pilotos do Bernie costumavam sair reclamando dos salários – vai fazer um bom negócio. Transformar uma equipe de F1 num investimento viável e fazê-la vencer, então é impossível que os interesses econômicos/esportivos não estejam ligados.

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      1. Ju, pensando pelo lado “positivo” sobre os “salarinhos” que você falou, apesar desta ser uma constante no capitalismo, onde o chefe sempre ganha, neste caso específico, podemos ver também que piquet (iniciando a carreira), de certa forma, beneficiou e foi beneficiado pela equipe, pois seu sucesso, abriu as portas para a willians! neste caso, ter se sujeitado ($) no começo, abriu muitas portas ($$$$$$$$), apesar de ter saído de um tio bernie patinhas, e ter ido para sr. frank patinhas willians!!! hehe!!! acredito que patrão e empregado, saíram no lucro.

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      2. Sim, mas quando ele começou ele não tinha como pedir muito. Mal comparando, é como se você chegasse numa empresa como estagiário e quisesse ganhar como chefe. Depois que foi bi, o Piquet sentiu no direito de pedir mais e o Bernie, de não dar. É o risco que qualquer um corre quando vai pedir aumento pro chefe… hehe

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