O novo-velho Vettel

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Ele rege o hino no pódio e até canta em italiano no rádio. Nem parece que faz menos de um ano que Sebastian Vettel foi confirmado como novo piloto da Ferrari. Mais do que isso, nem parece que o piloto era questionado há menos de um ano.

Em 2014, a inegável queda de rendimento do alemão, que levou 12 a 7 em classificações de Daniel Ricciardo, e 11 a 3 em corridas, era explicada por quem trabalhava com ele – e pelo próprio – por uma série de questões. Desde o descontentamento com os motores turbo híbridos e um relaxamento natural de quem venceu tanto e viu, logo de cara, que não teria chances de título, até questões puramente técnicas. “A falta de aderência seria a resposta mais simples [para as dificuldades], mas o que sinto falta é de poder posicionar o carro do jeito que eu quero na entrada da curva”, explicou na época.

Isso tinha a ver diretamente com os ‘vícios’ que ele criou nos anos de tetracampeonato, que explico melhor aqui, mas também pode ser relacionado com a resposta ruim do motor Renault turbo.

Na Ferrari, Vettel encontrou uma unidade de potência mais responsiva e certamente trabalhou duro para readaptar o estilo agressivo à nova tecnologia. Afinal, o alemão é detalhista e, por exemplo, tem passado horas treinando largadas no software que a equipe leva aos GPs, nos quais os dados das condições daquele final de semana de pista já estão inseridos. ‘Nerd’ por natureza e discípulo de Schumacher, considerado o maior trabalhador que a F-1 já viu, ele não ficaria parado.

Mas a Scuderia também tem sua parcela de ‘culpa’ pela volta por cima de Vettel. Os carros vermelhos já vinham com uma tendência de ter a traseira mais presa nos últimos anos – e é justamente este o comportamento predileto do alemão. E, ao longo da temporada, as atualizações têm trabalhado bastante neste sentido.

A última delas que chamou a atenção foi usada em Cingapura: um assoalho com nove buracos próximos ao pneu traseiro, visando evitar que a turbulência que vem dos pneus tire a pressão aerodinâmica do difusor. Com isso, a traseira fica mais estável e também permite que o carro tenha mais rake (abaixando a dianteira, outro ponto fundamental dos carros de Newey). Tudo isso, além de melhorar a performance geral, também dá mais confiança ao estilo de pilotagem de Vettel. E nos faz imaginar que frutos este casamento ainda pode dar agora que o alemão começará a dar seus pitacos no próximo carro. Haja cantoria.

23 comentários sobre “O novo-velho Vettel

  1. Sua análise está esplêndida, Julianne. Vettel teve um surpreendente e incompreensível mau ano em 2014, mas TODOS os pilotos, sem exceção, têm altos e baixos em suas carreiras, afinal são humanos. O que conta é que perdeu com dignidade para Ricciardo. O desafio de recuperar sua velha forma numa Ferrari que estava em escombros foi um lance de audácia que começa a lhe render gordos dividendos e perspectivas brilhantes, ainda mais se considerarmos sua juventude. Vettel poderia parar hoje e já ser classificado entre os grandes da História da F 1. Com a estrada que ainda tem pela frente, certamente escreverá muitas e muitas páginas de notáveis performances e números.

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  2. 2016 ele veem forte com esse novo carro da ferrari, q vai mudar muita coisa segundo li por ali nos estrangeiros, e o motor em 2016 num será desenvolvido ao longo do ano, se a ferrari acertar a mão no motor de cara e o carro for o q prometem a ferrari vem forte. E ai ele vai cantar e levantar o dedinho mas vezes e a disputa será boa com lewis.

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  3. Acho que a Ferrari compreendeu que para fazer o “Fettel” produzir-bem, eles terão de conceber um carro que a traseira fique “pregada” para que justamente (como foi eficientemente explicada pela digníssima-Julianne) o Sebastian possa contornar as curvas o mais rápido possível. Este era o estilo que fazia toda a diferença na época da Red Bull e que o Newey tão bem compeendeu e explorou. Se o projeto da Ferrari der tudo certo (como tudo indica) pra 2016, espero eu que tenhamos grandes-duelos pelas poles com o futuro W07 do Rosberg & Hamilton, como também uma disputa palmo-a-palmo pelo título! Assim espero!

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  4. O ano de 2014 foi um exceção. Acredito que ano que vem teremos uma disputa de verdade entre Ferrari e Mercedes. E os muitos que duvidaram do talento de Vettel estão mordendo a língua esse ano. Levando-se em conta todos os aspectos que formam um piloto dentro e fora da pista eu considero Lewis e Sebastian os melhores.

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    1. Sabe, o que realmente me marcou em 2014 em relação ao Vettel foi a forma serena como ele conseguiu lidar com a constante desvantagem em relação ao excelente Ricciardo. Ele nunca desmereceu, nem tentou diminuir as conquistas do companheiro de time em 2014, tampouco maculou sua equipe, admitiu sua própria limitação na ocasião, e sempre foi muito gentil e educado com a imprensa (segundo um jornalista brasileiro que acompanha o mundial). É bom ver um jovem tão sóbrio e maduro, já sacramentado antes mesmo dos trinta anos. E chamado pelo próprio Hamilton de “lenda”, pode-se sim esperar que desse rapaz ainda vem muito mais. Não dá pra não admirar Sebastian Vettel.

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  5. Post perfeito, nem tem muito o que comentar.
    Depois que o Vettel ganhou em Monza de Toro Rosso na chuva, achei que tinha algo de especial. Mesmo que no ano do primeiro campeonato tenha cometido alguns erros, acho melhor um piloto que erra tentando vencer do que aquele que fica esperando os outros errarem ou quebrarem(por isso tenho grandes esperanças no Verstapen). Todo campeão merece respeito e o que dizer de um tetracampeão. E depois deste domínio da Mercedes, percebemos que o carro da RedBull, não era tão dominante quanto diziam. Digo que o conjunto RedBull-Vettel é que fazia a diferença. E apesar de fã do Vettel, espero grandes duelos dele com o Hamilton em breve. E quem sabe até o Alonso entre na disputa.

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  6. Excelente análise e vamos aguardar pra confirmar as previsões de que os anos vindouros serão ainda melhores, para ele, Vettel, e Ferrari.

    Abs

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  7. Realmente, Vettel devia essas grandes perfomances em um carro não excepcional como eram os carros da RedBull, mas na Ferrari calou a todos os invejosos que diziam que ele só ganhou seus títulos por conta do gênio Adrian Newey e faziam questão de esquecer sua vitória de STR em Monza.
    No ano de 2014 a esse monte de fatores, somaria o contrato de produtividade que o liberaria para assinar com a Ferrari sem que houvesse multa rescisória, não acho impossível que ele tivesse forçado barra para isso acontecer, já tava perdendo pro Ricciardo mesmo, por que não fazer?
    Julliane, em post seu sobre estilos de pilotagem, me lembro de ter lido que o Raikkonen gosta de uma frente mais presa ao chão em relação a traseira, o estilo do Vettel estaria atrapalhando o Finlandês ou seria possível a Ferrari construir um carro que atendesse aos dois sem perder velocidade? desculpe a minha ignorância técnica nesse ponto, mas fiquei com essa dúvida.
    Um grande abraço a todos do Blog.

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    1. É importante salientar que aumentar a pressão aerodinâmica na traseira é fundamental para o carro ser mais rápido, então isso ajuda a equipe. O carro fica mais previsível e isso, apesar de casar melhor com o estilo de Vettel, é positivo para ambos.

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  8. Tenho que confessar que via no Vettel um cara competente que, com um carro voador foi lá e ganhou tudo, tipo Button em 2009, apesar de isso não ser tão fácil como parece. Rubinho e Rosberg que o digam…
    Mas a corrida em Monza na chuva e, pra mim o melhor, que foi o Multi 21. Ele chegando no Webber, mesmo contra ordem de equipe, botando de lado, mudando o traçado. Naquele dia, Vettel ganhou muitos pontos comigo (método CPAP). Fiquei pensando…. Esse moleque faz parte do time, esse é fera.
    Ano que vem tem tudo para andar na frente, uma vez que a Scuderia não para nunca. Só que ele vai encontrar uma ‘pedreira’ pela frente chamado Lewis Hamilton. Vou esperar que ele vá com tudo pra cima em nome do espetáculo. Vencer já é outra coisa….

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    1. Bravo! Seus comentários são sempre em “four wheel drift”, em “powerslide”, Petrolhead Power!

      Um dia espero ver a repetição desse duelo épico! MAS NA FÓRMULA 1, de preferência na mesma condição: NA PISTA MOLHADA, onde ambos – Lewis e SebVet – nesse atual grid são mestres inigualáveis na pura arte de pilotar (menção honrosa para Button, pelo “serviço de meteorologia” que traz dentro de si, como um sexto sentido, para perceber as mudanças climáticas e agir em função delas, vide sua épica performance e vitória no Canadá em 2011, depois de relargar em 20º e último lugar).

      No duelo mostrado no link acima, Hamilton viria ganhar aquela corrida (etapa de Lausitz) e o campeonato de Fórmula 3 Euroseries, naquele ano de 2005. Vídeos desse épico duelo já foram postados aqui no Blog, primeiramente pelo Lúcio Dantas e depois pelo Roberto Tramarim. Agora, por oportuno, volto a repostá-lo, pois é um dos mais ansiosamente aguardados confrontos diretos entre os astros do atual grid.

      Observem que mesmo ainda na F 3, Hamilton e Vettel já esbanjavam um talento diferenciado. Observem a luta duríssima que ambos travaram com ABSOLUTA SEGURANÇA e RESPEITO MÚTUO IMENSO, APESAR DE MILIMÉTRICO, NA FRONTEIRA DO IMPOSSÍVEL, como só OS RAROS são capazes. Aquele embate – que decisivamente não foi para FAINT HEARTS – já mostrava o surgimento de dois pilotos que estão desde agora entre os maiores da História da F 1, analisando-se sem saudosismos, mas também com carinho e consideração pelos grandes ases do Passado. IMPOSSÍVEL comparar pilotos de épocas e carros diferentes, só se pode prestar reconhecimento, respeito e admiração por todos eles, por todos os grandes da História. E quem realmente ama o esporte não pode proceder de modo diferente.

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      1. Aucam,
        Que bom ter alguém com o seu nível que aprecia meus comentários.
        Você acertou no alvo. É isso que quero ver. Seb e Lewis (que venham outros) se duelando, mas com Lewis levando a melhor.
        O problema é que eu me identifico com esse lado do Lewis. Aquela coisa de perder jamais. Chegar em segundo com cara de bebê chorão no pódio. É embaçado ultrapassar Lewis. O cara joga em cima, encosta roda, ‘alarga’ curva, muda traçado. Aí eu gosto!

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      2. Apreciamos o automobilismo na essência caro Aucam! Como é bela uma disputa limpa e real, sem asas móveis para atrapalhar, apenas no braço e na coragem…devido a toda sua sofisticação a F-1 atual perdeu muito de sua espontaneidade e plasticidade, podemos ver como esses carros de configuração mais simples e grip mecânico aguçado possibilitam saídas mais contantes do traçado, enfim, a categoria mor do automobilismo mundial deveria fazer uma revisão competitiva, uma mea culpa sobre os artificialismos atuais. Como é agradável ver uma disputa verdadeira! Como é agradável ver um motor de GP3 berrando, oops, ou seria GP2, kkkkk. A disputa acirrada e verdadeira, aliada ao berro da máquina, são colírio e música para nossos olhos e ouvidos!!!😉

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      3. Concordo, amigo Wagner. A F1 está precisando:

        – recuperar muitos elementos de suas raízes;

        – acabar com “comichatos” que distribuem punições a torto e a direito, muitas vezes por meros incidentes de corrida;

        – espelhar mais a realidade;

        – ter regulamentos técnicos menos estapafúrdios e um pouco mais estáveis;

        – criar condições para não desperdiçar tão facilmente novos talentos que surgem;

        – em consequência, ficar menos complicada, mais fácil de entender, e ter uma trilha sonora mais vibrante e emocionante, que mostre em todas as nuances e cores o Efeito de Doppler avultando rapidamente e esvaindo-se cadenciadamente no mergulho rumo ao horizonte, em cada ascensão ou redução de marcha.

        Separei para você, que sabe apreciar uma boa “música”, alguns acordes agudos dos tempos dos 10 canecos:

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      4. Aucam,
        Assim você quebra minhas pernas com essa trilha sonora.
        Vou falar uma coisa que você não vai acreditar.
        Meu toque de celular é uma Ferrari F-1 v-10 acelerando. Quando toca começa menos ruidoso, um segundo depois, já sobe o tom. É uma coisa de louco.
        Meus amigos dão risada mas concordam que é a minha cara.

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      5. Hahahahahaha, tá vendo? Acredito, sim! Meu caro Power, não é sem razão que agora só me dirijo a você chamando-o de PETROLHEAD! Aí incluída a paixão pela F 1 e o gosto por um automobilismo de ímpeto, de extrema velocidade, de grandes emoções, que constituem pilares básicos na essência do esporte. Nada de automobilismo de espera, de automobilismo de resultados, nada de cozinheiros de galos em banho-maria, e sim automobilismo épico, de performance, de superação do possível, automobilismo-epopéia! Performances ficam, números passam. Essa é a minha crença. Prefiro um abandono como o de Senna em Mônaco em 1988, do que a vitória de Prost no mesmo GP, quando o francês quase levou uma volta! A vitória de Prost FOI apenas uma entre tantas, a performance de Senna É inesquecível! Sou piquetista convicto, mas tenho enorme admiração por Ayrton também, porque, antes de tudo, ambos coloriam com emoção as corridas que disputavam: Senna com sua velocidade inata e seu “go for any gap”, e Piquet com suas ultrapassagens stealth, simplesmente CRIANDO esses “gaps”, onde e quando os adversários MENOS esperavam!

        Quanto a essa maravilhosa melodia dos V-10, é o que mais se aproxima do som agudíssimo, uma oitava acima, do MATRA V-12 do comecinho da década de 70. Como já disse tantas vezes aqui, foi o som mais exótico que já tive oportunidade de ouvir ao vivo, mas que, no Youtube, não consegue ser reproduzido, ao contrário dos V-10. Já procurei em muitos links, mas até hoje não consegui achar. Ter visto e ouvido essa orquestra de 12 cilindros em V da Matra, magistralmente regida por Chris Amon, é algo que a minha memória nunca esquecerá.

        Um abraço!

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  9. Edu Homen de Melo deve estar se remoendo por dentro. Até porque aquele sujeito sempre se convenceu de que Vettel só guiava carros do Adrian Newey. Como se o próprio Newey, absolutamente competente, não tivesse vivido à sombra da era Schumacher.

    Não tem nem caô: o piloto mais trabalhador da Fórmula-1 atual é Sebastian Vettel. A maneira absolutamente elegante de como ele admitiu que Ricciardo foi muito melhor em 2014 não se encontra em qualquer piloto.

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  10. Hehe, caro Aucam, pelo jeito não somos os únicos a apreciar o ronco das máquinas, estamos em boa companhia. Dê uma olhada entre 1.43 min e 2,00 min, kkkk, o delírio é o mesmo, kkkkk

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    1. Sim, Wagner, como muitíssimos, provavelmente Ayrton estranharia muito esse silêncio monástico dessas PU híbridas de hoje, já que até boa parte desses pilotos atuais também suspira pela volta das sinfonias que emocionavam a todos.

      Um abraço!

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      1. Pois é, Wagner, celebrar o Presente, mas guardar o Passado com carinho. No entanto, nesse aspecto da trilha sonora, também tenho saudades das “músicas” que ouvíamos. Vamos torcer para que as coisas melhorem para 2017.
        Abraços!

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      2. Vettel falou sobre uma F1 que assustava, nesse caso, esse ronco ensurdecedor era o melhor exemplo de como os espectadores ficavam maravilhados, basta ver a cara dos japoneses em Suzuca, kkkk @!@

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