GP de Mônaco por brasileiros, espanhóis e britânicos: “A corrida foi jogada no lixo”

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“Acabou de começar, ainda que seja difícil de acreditar, o GP de Mônaco”, anuncia Josep Merlos na Movistar espanhola, quando é dada a largada sob Safety Car devido à chuva. E não demoram para iniciarem as especulações sobre quanto tempo vai demorar para os carros realmente acelerarem. “Vai demorar para secar porque não há muito ar circulando devido às construções e o guard rail, além de haver muita umidade perto da praia e de que a drenagem aqui não é muito boa”, avalia o comentarista Pedro de la Rosa. Luciano Burti, na Globo, e Martin Brundle, na Sky Sports britânica, alertam para o risco de aquaplanagem.

Mas logo o comentarista inglês se irrita e pede o início da prova ainda na terceira volta. “O que estamos esperando? O Natal?”, questiona. De la Rosa se convence do mesmo apenas no sexto giro. “O único que diria que não está na hora de largar é Ricciardo, que poderia seguir com SC até a bandeirada porque está na frente.”

Os acidentes de Jolyon Palmer e Kimi Raikkonen pouco depois da largada justificam a demora. Na Globo, Burti arrisca dizer o que houve com o inglês logo na primeira imagem. “Ele aquaplanou porque dá para ver que a batida foi antes da freada. Talvez seja a faixa de pedestre.” O brasileiro acerta.

Outro ‘vidente’ é Brundle que, pouco antes de Raikkonen escapar, diz que “você precisa ter cuidado para não travar os pneus dianteiros e ter uma escapada esbaraçosa.”

Logo nas primeiras voltas com bandeira verde, Ricciardo escapa na frente. “Hamilton não tem que colocar o intermediário sabendo que está perdendo tanto tempo atrás de Rosberg?”, questiona Merlos. “Eu não faria porque tem de ver onde ele vai voltar. Não pode ficar no tráfego”, responde o comentarista espanhol Joan Villadelprat.

Já Brundle tem outra solução. “Acho que a equipe vai falar para o Rosberg sair da frente”, diz ainda na volta 13. O comentarista acha que o líder do campeonato está pilotando com cautela “porque não quer acabar no muro como Palmer e Raikkonen”.

Cinco giros depois, o narrador brasileiro Luis Roberto aparece com outra teoria: “Vale esperar um pouquinho para colocar o pneu de pista seca direto?”. Mas é rechaçado por Burti. “Se fosse um circuito normal, sim. Mas não em Mônaco porque demora muito para secar e sempre vai ter um ponto molhado e, se você escorregar, não tem área de escape. É muro.”

Lewis-Hamilton-and-Nicor-Rosberg-2016-Monaco-Grand-PrixNão demora para a Mercedes ‘ouvir’ Brundle e Rosberg abre para Hamilton. “Pode ter certeza que teve uma baita conversa da equipe. Daí terem demorado umas 10 voltas para resolver”, diz Burti. “Ou Rosberg cometeu um erro ou – mais provavelmente – ele deixou passar. Eles tinham que fazer isso. Não sei se ele está sem confiança ou sem freio, mas não tinha o que pensar, estavam perdendo a corrida”, observa Brundle.

Já De la Rosa está mais interessado em saber o que há de errado com Rosberg. “Ele deve ter um problema. Poderia ser aquecimento de pneus, mas não acredito.” Enquanto isso, Merlos vibra: “bendita seja a chuva, estamos vendo muito mais ultrapassagens que o normal em Mônaco. Mais uma vez Ecclestone tem razão”, afirma, referindo-se à antiga ideia do dirigente de ‘regar’ as pistas.

Na volta 23, apenas Ricciardo e Hamilton entre os primeiros se mantinham com os pneus de chuva. “Fico imaginando se os dois primeiros não estão pensando em ir direto para o pneu de pista seca, porque o sol está brilhando e aqui seca rápido”, diz Brundle. No final da mesma volta, contudo, Ricciardo para e Ted Kravitz acredita que “faz sentido Hamilton não parar junto”. Duas voltas dois, o repórter diz que a pista está “bastante seca” e que “faz muito sentido Hamilton ficar na pista e esperar para colocar slicks”. Brundle, por sua vez, duvida pois: “seria algo bem corajoso”.

Pouco antes disso, na volta 24, Burti também começa a acenar com a possibilidade de Hamilton não parar. “Aquilo que eu falei que era impossível, com o sol forte que saiu, começa a ficar possível daqui a algumas voltas, ainda que seja muito difícil”. E Reginaldo Leme o apoia. “Acho que é por isso que eles estão retardando a parada do Hamilton.” O narrador Luis Roberto gosta da tática. “Ele tem que arriscar mesmo. O Rosberg arrasou nas primeiras corridas, mas este é o campeonato mais longo da história da F-1.”

Na Movistar, De la Rosa custa a entender a tática. “Hamilton foi mal. Deveria ter parado antes de Ricciardo.” Mas é Merlos que pensa na alternativa de ‘pular’ os pneus intermediários. “Não parece que Hamilton está tentando aguentar para colocar os pneus de seco direto?”, questiona. “Isso seria errado porque os pneus dele vão acabar antes e isso que ele vai ganhar vai se amortizar”, crê o comentarista, que só se convence algum tempo depois. “Por que Hamilton vai fazer isso?  Porque mesmo que Ricciardo chegue, vai ser difícil sair do traçado para ultrapassar porque ainda está molhado.”

Mas qual seria a volta certa para colocar os pneus de pista seca? “Segundo a Pirelli, quando os pilotos chegam a 1min28, é o momento de trocar para o pneu de seco. É isso que estão esperando. Se der certo, é uma estratégia arriscada. A bolinha dele vai ter caído no lugar certo no cassino”, diz Merlos. “Me surpreende que ele esteja arriscando tanto porque está lutando pelo título. Porque a Pirelli pode falar o que quiser em relação ao tempo de volta, porque aqui é Mônaco e bastam duas curvas molhadas para você acabar no muro”, lembra De la Rosa.

E a segunda pergunta: qual o composto? “Estava pensando qual pneu colocar. No caso do Hamilton, eu colocaria o supermacio para ir até o final”, defende Burti. “Embora o ultramacio tenha surpreendido durante os treinos”, emenda Reginaldo. “Eu iria com o supermacio porque o ultramacio pode ter graining com essa temperatura”, diz Villadelprat.

Hamilton deixa uma pulga atrás da orelha de todos quando opta pelo ultramacio com 47 voltas para o fim. “Se eles acham que vão conseguir chegar até o final com o ultramacio, é pedir bastante”, diz o narrador britânico David Croft. “Eles devem pensar que os pneus vão aquecer mais rápido”, lembra Brundle.

resized_a85de-f6c415e0formulaA emoção não pararia por aí. Ricciardo chega aos boxes uma volta depois de Hamilton e… “os pneus não estão esperando?”, se surpreende Croft. “Será que ele entrou por que quis? Será que a equipe pediu para entrar? Ele tinha feito uma ótima volta, mas será que vai ser suficiente para voltar na frente? Acho que não. Hamilton lidera depois que Ricciardo ficou esperando por seus pneus!”. Para Merlos, “a corrida de Ricciardo foi jogada no lixo” e Reginaldo acha que “vai ter briga lá na Red Bull”, apesar de entender o lado do time. “Vou tirar um pouquinho a culpa da Red Bull porque essa decisão deve ter sido difícil. Eles devem ter decidido de última hora o supermacio, contrariando o que fez a Mercedes.”

Após o lance capital da corrida, vem a terceira questão: “os pneus do Ricciardo certamente vão até o final, mas será que os do Hamilton também vão?”, questionam Brundle e Burti quase ao mesmo tempo, enquanto De la Rosa não tem certeza de que os supermacios, escolhidos pelo australiano, também conseguem completar a prova.

O fato é que Ricciardo não quer esperar os pneus de Hamilton acabarem e vai para cima. O inglês corta parte da chicane e fecha a porta. “É investigável, mas não acho que punível, a vantagem dele cortando a chicane”, avalia e acerta De la Rosa. Na Globo, Reginaldo também acha a atitude “averiguável”. Já Brundle diz que “como Lewis saiu da pista, Ricciardo tinha o direito de ter a pista à disposição. Parece que as Mercedes não estão conseguindo fazer seus pneus se aquecerem nesta tarde.”

Na segunda metade da prova, os britânicos acham que qualquer um dos quatro primeiros pode vencer. Isso devido ao ritmo de Sergio Perez e Sebastian Vettel com pneus macios. Mas De la Rosa observa que Hamilton é quem pode estar controlando o ritmo justamente para conseguir chegar ao final. “Há um dado importante: Hamilton está lento e isso me faz pensar que vai até o final. Tem lógica? Tem porque é Mônaco. Mas é um pneu que ninguém conhece direito, nem a Pirelli saberia dizer.”

As discussões continuam por várias voltas, mas com cerca de 20 giros para o fim todos veem que os pneus ultramacios bem cuidados por Hamilton iriam aguentar sem grandes dramas.

O mesmo não se pode dizer da dupla da Sauber. Após uma ordem de equipe não cumprida por Felipe Nasr, Marcus Ericsson resolve cuidar da situação sozinho e os dois batem na Rascasse, para desespero de Brundle. “Vocês estão brincando! A equipe não tem dinheiro, eles estão lutando no final do grid, não faz sentido nenhum! Eu demitiria os dois, mas não poderia porque os dois vêm com um saco de dinheiro.”

Os brasileiros são mais positivos com a atitude do compatriota. “Ihh rapaz! Não vai passar! Não aceitou não!”, se diverte Luis Roberto. “Ericsson enfiou o carro em um lugar em que não tinha nenhuma possibilidade. O Nasr fez o certo. Estava mais rápido, mas tenta dividir na reta. Tá tudo tão errado na Sauber que só faltava isso”, diz Reginaldo. “Não é a primeira vez que eles se tocam na Sauber. Creio que Ericsson foi muito otimista”, avalia Merlos, que aproveita mais um SC virtual para brincar. “Achava que as 500 Milhas eram em Indianápolis mas são tantas as paralisações hoje…”

Mas não havia mais tempo para mais nada e nem as gotas que caíram nas últimas voltas mudaram o resultado. “Vitória merecidíssima para Hamilton, Ricciardo chega em segundo e atenção porque o terceiro é o bravo Perez, uma grande corrida dele. E aí vem o extraordinário Fernando Alonso, com uma corridaça para ser quinto”, resume Merlos. “A Mercedes tirou a vitória do Hamilton ano passado, mas o que a Red Bull fez esse ano foi muito pior”, diz Burti, que não se conforma com a tática de Hamilton até o fim. “Esse pneu ultramacio é uma pegadinha. Ultramacio tá longe disso. Eu até apostaria dinheiro que o pneu não duraria tanto.”

Croft, por sua vez, vibra porque “Hamilton sabe que nesta tarde seu campeonato embala”. No final, Hulkenberg ainda rouba a sexta posição para aumentar a empolgação do narrador. “Agora a diferença caiu ainda mais! Pode demorar para Rosberg se recuperar deste GP de Mônaco, que certamente revitalizou Hamilton.”

5 comentários sobre “GP de Mônaco por brasileiros, espanhóis e britânicos: “A corrida foi jogada no lixo”

  1. Esse Post das transmissões , são incriveis!!! A mesma corrida mas sendo vista de pontos diferentes por quem entende muito de F1, belo post Ju, otimo blog

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