Guias dos circuitos

Guia do GP da Espanha

No palco GP do Espanha, não dá para esconder os pontos fortes e fracos de um carro. Este é um dos motivos que fazem do Circuito da Catalunha o destino de testes predileto das equipes da Fórmula 1. E também ajuda a explicar por que as corridas por lá não costumam ser das mais agitadas.

LAT Images/Mercedes

A prova de 2021 foi diferente e mostrou o quanto a Red Bull e Mercedes eram igualadas. Afinal, essa era a realidade.

Também é comum no GP da Espanha vermos os companheiros de equipe alinhados lado a lado no grid. Outra realidade do esporte: em uma categoria na qual cada equipe faz seu carro, as diferenças entre os equipamentos supera a diferença entre a maioria dos pilotos.

Mas qual será a verdade dessa nova geração de carros? Para ficar como referência, em 2021, era preciso que um carro fosse 1s2 mais rápido que o outro para termos uma ultrapassagem. E isso é bastante coisa.

Como acertar o carro para o GP da Espanha

A pista da Catalunha tem de tudo. Dizem, até, que é uma mistura de Silverstone com Hungaroring. Curvas rápidas, de raio longo e médio, curvas de média velocidade, um último setor menos sinuoso e uma reta longa – inclusive, a distância entre a posição do pole e a primeira freada é a terceira maior do campeonato, com 612m.

Mesmo com a longa reta, são tantas curvas que a preferência tem sido por um acerto com mais carga aerodinâmica. Até porque isso ajuda na preservação dos pneus, pois o carro vai escorregar menos.

Fazer a pole é importante, já que o primeiro colocado do grid venceu mais de dois terços das corridas disputadas lá. E, para fazer a pole, é imprescindível não cozinhar os pneus antes do terceiro setor, e nem deixá-los frios demais na volta de aquecimento, para evitar escorregar no primeiro setor.

Neste sentido, o céu aberto influencia muito, já que o asfalto é escuro e retém mais temperatura quando faz sol.

Ultrapassagem no GP da Espanha

A sequência de curvas de média e alta velocidades faz com que seja difícil seguir um rival de perto

Na primeira década dos anos 2000, a pior em termos de ultrapassagens na história da F1, houve GPs da Espanha (em 2005 e 2008) com apenas duas manobras. Em 2000 e 2002, foram três.

Com o DRS e os pneus de alta degradação, uma corrida bem ruim em termos de ultrapassagens tem mais de 15. E mesmo com as mudanças feitas no traçado, alargando o raio da curva 10, não resolveram a questão.

O grande problema em Barcelona é que há curvas rápidas de raio longo, em que o carro que vem atras sofre muito com a turbulência. E também é por isso que o palco do GP da Espanha é um grande teste para as regras de 2022, especialmente na longuíssima curva 3.

Esta curva, aliás, vem logo depois do principal ponto de ultrapassagem do circuito, no final da reta principal.

Notas de Estratégia

O GP da Espanha tem um lado estratégico interessante. Perde-se 23s no pitstop, o que é relativamente pouco, e isso torna táticas com mais de uma parada interessantes. Fernando Alonso, com pneus que estavam se desgastando muito em 2013, ganhou o GP da Espanha saindo de terceiro e com 4 pit stops!

É claro que essa flexibilidade esbarra na dificuldade de ultrapassar, mas ela pode ser usada por carros com o rendimento muito igualado, como uma aposta. Os compostos também não costumam apresentar diferenças tão gritantes de rendimento, então é uma corrida em que podemos ver permutações com os três compostos. Isso abre ainda mais o leque do que os estrategistas podem fazer.

Mas isso geralmente não fica claro logo de cara. O jeitão mais comum do GP da Espanha é começar como uma prova em que todos estão em fila indiana economizando pneu. Até porque é uma prova com incidência razoável de Safety Car (e você não vai querer ter parado logo antes de um SC em Barcelona, porque será muito difícil se recuperar. Então, o jeito é esperar o momento certo para dar uma cartada e deixar para os outros a missão de reagir.

Como foi em 2021

2021 Spanish Grand Prix, Sunday – LAT Images

Foi a Mercedes quem deu a cartada na disputa da vitória do GP da Espanha de 2021. Percebendo que a tentativa de overcut não daria a diferença de pneus suficiente para que Hamilton atacasse o líder Verstappen no final, eles chamaram o inglês aos boxes com 24 voltas para o fim. E ele usou a aderência do pneu 28 voltas mais novo para tirar 22s de vantagem e passar Verstappen com sete voltas para o fim.

Valtteri Bottas foi o terceiro, em um dia em que Sergio Perez foi agressivo no começo da prova, perdeu duas posições, e não conseguiu se recuperar. Coisas de Barcelona.

4 comentários em “Guia do GP da Espanha”

  1. Alguém da frente (leia-se as Mercedes, RBR, McLaren ou Ferrari) podem tentar fazer uma parada iniciando com o pneu médio e trocando para o duro?

  2. Excelente informação como sempre muito acertiva. Muito obrigado e continue assim seu texto é muito bom parabéns.

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