A gente costumou ouvir que, no palco do GP da Espanha, não dá para esconder os pontos fortes e fracos de um carro. E que este é um dos motivos que fazem do Circuito da Catalunha o destino de testes predileto das equipes da Fórmula 1. E que também ajuda a explicar por que as corridas por lá não costumam ser das mais agitadas, embora alguns fatores desafiem essa máxima.
AQUI OS HORÁRIOS DO GP DA ESPANHA
Mas as últimas corridas indicam que isso ficou no passado, com a volta da adoção do traçado sem a chicane lenta na parte final. Logo no primeiro ano, foram 65 ultrapassagens. Em 2025, a prova também puxou a média para cima, chegando perto de 40 manobras. E, se seu carro não é tão bom em curva de baixa, ele não é mais tão exposto. Barcelona voltou a ser uma pista de média-alta.

O clima também pode estar ajudando, pois a prova mudou de maio para junho, e os pilotos estão tendo que enfrentar um calor bem mais intenso.

Como acertar o carro para o GP da Espanha
A pista da Catalunha tem curvas rápidas, de raio longo e médio, curvas de média velocidade, e uma reta longa. Inclusive, a distância entre a posição do pole e a primeira freada é a terceira maior do campeonato, com 612m.
A carga aerodinâmica é de média a alta, mesmo com a reta longa. Afinal, o asfalto desgasta os pneus, e essa configuração faz com que o carro fique menos arisco nas freadas. Mas a carga diminuiu agora que Barcelona perdeu seu trecho de baixa velocidade no final da volta.
Fazer a pole é importante, já que o primeiro colocado do grid venceu mais de dois terços das corridas disputadas lá. E, para fazer a pole, é imprescindível não cozinhar os pneus antes do terceiro setor, e nem deixá-los frios demais na volta de aquecimento, para evitar escorregar no primeiro setor.
Neste sentido, o céu aberto, sem nuvens, influencia muito, já que o asfalto é escuro e retém mais temperatura quando faz sol.
Ultrapassagem no GP da Espanha

Na primeira década dos anos 2000, a pior em termos de ultrapassagens na história da F1, houve GPs da Espanha (em 2005 e 2008) com apenas duas manobras. Em 2000 e 2002, foram três. Não é a toa que o palco do GP da Espanha se tornou sinônimo de corrida com poucas ultrapassagens, mas isso depende muito do desgaste de pneus.
As duas últimas provas comprovam isso, ficando acima da média das temporadas. Em 2021, foram 50 manobras. Em 2022, 48. A explicação para isso é que foram corridas em que fazer duas paradas e buscar recuperar a posição na pista foi um pouco mais eficiente do que ficar na pista e tentar se segurar.
Uma variação de alguns graus para baixo na temperatura da pista e o cenário seria diferente. A temperatura do asfalto chegou a 51.8C durante a corrida de 2022.
LEIA TAMBÉM: Como é e quanto custa curtir o GP da Espanha ao vivo
A decisão de não usar mais a chicane foi tomada com a adoção dos carros que sentiam menos o efeito da turbulência, a partir de 2022. A chicane foi colocada ali justamente para diminuir a velocidade dos carros antes da reta e permitir a aproximação para que fosse possível tentar a manobra na freada da primeira curva. E as corridas movimentadas de lá para cá apontaram que isso realmente não era mais necessário.
Qual é a melhor estratégia no GP da Espanha

O GP da Espanha tem um lado estratégico interessante. Perde-se 23s no pitstop, o que é relativamente pouco, e isso torna táticas com mais de uma parada interessantes. Fernando Alonso, com pneus que estavam se desgastando muito em 2013, ganhou o GP da Espanha saindo de terceiro e com 4 pit stops!
É claro que essa flexibilidade esbarra na dificuldade de ultrapassar, mas ela pode ser usada por carros com o rendimento muito igualado, como uma aposta. Os compostos também não costumam apresentar diferenças tão gritantes de rendimento, então é uma corrida em que podemos ver permutações com os três compostos. Isso abre ainda mais o leque do que os estrategistas podem fazer.
Mas isso geralmente não fica claro logo de cara. O jeitão mais comum do GP da Espanha é começar como uma prova em que todos estão em fila indiana economizando pneu até os espaços se abrirem. Mas também é uma prova com incidência razoável de Safety Car (e você não vai querer ter parado logo antes de um SC em Barcelona, porque será muito difícil se recuperar). Então, o jeito é esperar o momento certo para dar uma cartada e deixar para os outros a missão de reagir.
Em 2024, a estratégia vencedora foi um misto de pneus macios e médios. O duro (C1) só foi usado por quem tinha que fazer muitas voltas na parte final da corrida.
Como foi o GP da Espanha em 2025
A McLaren conquistou uma dobradinha tranquila com Oscar Piastri e Lando Norris, mas Max Verstappen foi o grande protagonista fora do pódio. Percebendo que não tinha ritmo para bater a McLaren, a Red Bull arriscou uma estratégia de três paradas para Verstappen, que chegou a liderar a prova temporariamente.
No entanto, um Safety Car causado por Kimi Antonelli no fim complicou as coisas: Verstappen colocou pneus duros novos, mas perdeu posições na relargada, irritou-se, colidiu com George Russell e recebeu uma punição de 10 segundos, caindo para décimo lugar.
Outro grande destaque foi Nico Hulkenberg, que levou a Sauber do 15º para um excelente quinto lugar, comprovando a eficácia das atualizações da equipe. Ele utilizou uma estratégia agressiva de paradas e pneus novos para superar rivais como Lewis Hamilton (6º) e Isack Hadjar (7º).
Gabriel Bortoleto teve uma corrida mais difícil, perdendo tempo no primeiro stint com pneus macios e terminando fora dos pontos, em 11º, após ser superado por Fernando Alonso e Liam Lawson nas voltas finais. Charles Leclerc completou o pódio em terceiro, aproveitando o caos final para superar Verstappen.


3 Comments
Julianne, parabéns pelos seus textos, é muita informação de qualidade!
Alguém da frente (leia-se as Mercedes, RBR, McLaren ou Ferrari) podem tentar fazer uma parada iniciando com o pneu médio e trocando para o duro?
Excelente informação como sempre muito acertiva. Muito obrigado e continue assim seu texto é muito bom parabéns.