F1 Quando o asfalto decidiu (por duas vezes) uma corrida - Julianne Cerasoli Skip to content

Quando o asfalto decidiu (por duas vezes) uma corrida

Circuito ‘de verdade’, asfalto abrasivo, e com a pimentinha das altas temperaturas e da chuva. O GP do Bahrein ganhou ‘aditivos’ sendo realizado na Malásia por conta da guerra no Oriente Médio, mas nada que pudesse abalar o favoritismo de Max Verstappen, que venceu pela primeira vez no ano.

Red Bull dominando

A explicação para o rendimento da Red Bull – ou pelo menos de uma delas, já que Isack Hadjar saiu da corrida sem compreender por que sofreu tanto com os pneus – teve dois lados. O carro melhorou seu comportamento, mantendo o pico de performance por mais tempo ao invés de ser o “carro de papel” que Verstappen descreveu na Itália. E a rugosidade do asfalto velho de Sepang afetou o rendimento dos carros não só por conta dos pneus, mas também da aerodinâmica, causando instabilidades no assoalho.

Mas como isso ajuda a Red Bull? Eles costumam andar com a suspensão mais dura até pelas dificuldades em controlar a altura do carro, então se tornaram uma plataforma mais estável para lidar com esse desafio que as equipes não esperavam encontrar. Mercedes e McLaren foram os times que mais sofreram, enquanto a Ferrari conseguiu se encontrar ao longo do final de semana, e só não ficou com a pole, com Lewis Hamilton, pela falta de velocidade de reta.

Isso muito provavelmente também pesaria na corrida, mas não foi a disputa que vimos no GP por uma série de acontecimentos antes mesmo de a prova começar.

Pane no sistema

Com os carros no grid, um temporal chegou meia hora antes do previsto e adiou a largada. Quando os carros estavam atrás do Safety Car para avaliar as condições de pista, eles andaram tão lentos que confundiram o software da FIA, que cortou a potência dos motores. E a largada foi abortada para que os sistemas fossem atualizados.

A corrida demorou tanto para começar que a pista começou a secar. Ou pelo menos era o que parecia, pela câmera onboard do Safety Car. Mas, quando os carros da F1 começaram a passar, o cenário era diferente. Mais uma vez, o asfalto estava pregando uma peça nas equipes: a água estava ‘escondida’ e quem apostou nos pneus intermediários (nove pilotos logo que os carros saíram dos boxes, aos quais outros cinco se juntaram logo depois, trocando os pneus antes mesmo da largada) se deu bem.

Dentre eles, estavam o pole Verstappen e seu companheiro Hadjar, as duas Mercedes, Liam Lawson. Eles pularam na frente enquanto as Ferrari e Lando Norris eram passados por todo mundo. 

A recuperação de Hamilton

Lewis Hamilton foi quem mais saiu perdendo. Na volta 9, estava em 18°, sendo passado inclusive por pilotos que estavam de slicks, e a 1 minuto e 20 do líder. Seu companheiro tinha desistido dos pneus de pista seca, mas ele decidiu ficar na pista. Já que essa foi a aposta, que fosse assim até o final.

Ele e quem ainda estava com slicks torcia por um Safety Car, que apareceu bem na hora do crossover (ou seja, com a pista ficando seca o suficiente) quando Valtteri Bottas não conseguiu segurar sua Cadillac.

Hamilton é o único que não troca os pneus, e volta para a corrida nas 10 voltas seguintes à relargada, quando ganha 10 posições, ultrapassando oito pilotos.

Ele era o piloto mais rápido da pista naquele momento. Verstappen não precisava forçar tanto: depois de perder as duas primeiras posições na largada, ele passou Russell ainda com intermediários, e superou Antonelli logo que a corrida foi reiniciada. Russell também superou o italiano e, segurando-o por oito voltas, deu a tranquilidade para Verstappen abrir 5 segundos e passar a administrar pneus que ninguém sabia quanto iam durar.

Ele estava com os macios, que se deram bem no asfalto bem mais frio do domingo. A Mercedes optou pelos médios, menos estáveis. E teve quem colocou o duro para tentar ir até o final ou pelo menos aguentar o máximo na pista antes do próximo Safety Car.

Com 30 voltas, a classificação já estava voltando ao ‘normal’ após o caos inicial. Verstappen, Antonelli, Russell, Hadjar, Hamilton, Piastri, Norris, Hulkenberg e Alonso

Alonso nos pontos

O meio do pelotão tinha suas próprias histórias. Fernando Alonso foi um dos que largaram com slicks e se seguraram. Relargou em 18º, passou Perez, Albon, Stroll, Lawson e Lindblad na pista, além de Hulkeberg nos boxes. Chegou em oitavo com uma Aston Martin que se comportou muito bem nas curvas lentas do circuito.

A tarde do espanhol não poderia ser mais diferente do que a de Gabriel Bortoleto. Ele foi um dos cinco que desistiram dos slicks antes da relargada e estava saindo em nono após o SC quando julgou que a pista estava mais seca do que na realidade e se chocou com Sainz, sendo punido com 10s.

Antes de a punição sair, ele já teve que voltar aos boxes para trocar a asa dianteira. E ficou preso atrás de Albon na volta à pista. A corrida dele ainda teria um pitstop lento, sendo 5 no total, fora dos pontos.

Uma última reviravolta

As posições do pódio pareciam decididas até as 12 voltas finais, quando Albon parou com um problema de câmbio e gerou mais um Safety Car. Hamilton tinha trocado os macios por médios e estava sofrendo com a falta de velocidade de reta para passar Hadjar, mesmo com o francês rapidamente desgastando seus pneus.

Essa briga era pelo quarto lugar e se tornou uma batalha pelo pódio quando Russell teve uma quebra de motor durante o SC. Mais uma para a sua conta no ano.

Com todo mundo de pneus novos para a relargada, Hamilton superou Hadjar, que teve uma queda de potência e também foi passado por Leclerc e foi sexto. Mais atrás, Norris cometeu um erro ainda sob regime de SC, perdendo o carro quando os pilotos reduziam por conta do abandono de Russell, caiu para 11º, mas teve tempo de salvar um nono lugar, com Piastri, que ficou à frente dele por toda a prova, em sétimo.

No final das contas, sob situações difíceis, os melhores apareceram: Verstappen, Antonelli e Hamilton no pódio. E Alonso voltando a pontuar com a Aston Martin.

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