F1 De 19º a 1º em 17 voltas: Uma performance de gala de Kimi Antonelli - Julianne Cerasoli Skip to content

De 19º a 1º em 17 voltas: Uma performance de gala de Kimi Antonelli

A performance de Kimi Antonelli no GP da Itália de 2026 entrou para o hall das maiores da história da Fórmula 1. E, se alguém quiser diminuir o feito de não só vencer depos de largar em 19º mas – ainda mais impressionante – se colocar na luta por essa vitória em apenas quinze voltas, fica o spoiler: estamos falando de corridas de carros, e as performances desse tipo que entraram na história no passado também só foram possíveis pelo encontro entre um grande equipamento e um grande ‘maestro’.

Antonelli largava em 19º porque estourou o limite de motores na temporada, ou seja, tinha uma unidade de potência novinha em folha em uma pista em que ela conta muito. Depois de ver os rivais encostarem e ainda sem atualizações importantes, a Mercedes voltaria a ter superioridade de rendimento em Monza devido às características da pista. A Ferrari ainda está muito atrás em potência, a McLaren sofreria com sua dificuldade em pistas ‘famintas’ por energia e pela relação de marchas curta, a Red Bull era a maior incógnita, mas tem sofrido muitas inconsistências.

Então, quando os carros alinharam no grid, um pódio era praticamente certo para Antonelli. As chances de vitória dependiam do quanto George Russell conseguiria abrir antes que ele chegasse.

A pole surpresa de Gasly

O inglês tinha o caminho menos livre do que gostaria: A Alpine executou o vácuo melhor do que ninguém enquanto os outros falharam na classificação e Pierre Gasly, que ja vinha fazendo boas classificações há algum tempo, fez sua primeira pole position na carreira.

A Alpine é um dos carros que largam melhor no grid, e o francês manteve a ponta, mesmo que por uma volta. Na segunda fila, os dois pilotos da Ferrari tinham mais um capítulo de sua disputa particular, com Hamilton mergulhando por dentro na primeira perna da chicane para ficar do lado de fora na segunda, colocando lado a lado, e vendo o espaço diminuir, indo para a brita e saindo momentaneamente da zona de pontuação. 

Na segunda volta, Leclerc perdeu o carro sozinho, bateu forte, e causou uma bandeira vermelha. Ela economizaria cerca de seis segundos na recuperação de Antonelli.

Pneu duro ou médio?

A interrupção era tentadora: com o pneu durando bastante e a parada custando caro na pista de Monza, o mais seguro era colocar o pneu duro e ir até o final, sem parar.

É o que a maioria do grid faz, a não ser quem estava precisando arriscar mais (Verstappen, sem muito a perder, Hamilton, sofrendo com a falta de velocidade de reta da Ferrari, as Audi, já se defendendo das largadas ruins). E quem não tinha opção (Antonelli, que tinha largado de duros). 

Eles foram com os médios, mais complicados de se levar até o final, especialmente se o piloto se metesse em muitas disputas.

E, sim, houve muitas disputas: com o limite de recarga de energia bem baixo com os limites impostos pela FIA, quem usava o modo ultrapassagem acabava ficando exposto depois, com dificuldades para se manter à frente, então voltamos a ter uma corrida com disputas iô-iô, como no começo da temporada.

Antonelli chega em Russell em 15 voltas

Na relargada, Russell pula na frente, Gasly vai perdendo posições, uma a uma, para Verstappen, Hamilton e Piastri. A Ferrari e a McLaren estão disputando e Antonelli se aproveita para passar os dois. Em 13 voltas, era o terceiro. 

Russell não só não teve tempo para escapar, como também não conseguiu: Verstappen, com os médios, foi para cima dele, e chegou a ultrapassá-lo, para delírio das arquibancadas que, na dúvida entre apoiar a Ferrari ou Kimi, pareciam ter decidido que o inimigo em comum era George.

Com isso, em duas voltas, Antonelli estava grudado nos dois. Passou Verstappen com facilidade e foi à caça do companheiro. Na volta 17, o piloto que largou em 19º passou seu companheiro e tomou a ponta.

Sim, havia uma diferença de pneus. Sim, havia uma diferença de motor. Sim, é um feito brilhante.

A preocupação da Mercedes agora é garantir a dobradinha e evitar que os dois fiquem invertendo de posição a toda hora, o que permitiria a Verstappen ficar por perto e potencialmente acabaria com os pneus menos duráveis de Antonelli, obrigando-o a parar de novo.

O pitwall tenta colocar ordem na casa: quando Russell retomou a ponta, Antonelli ouviu a ordem para não atacá-lo, a fim de que eles pudessem abrir uma distância para Verstappen. Mas eles não conseguem e o holandês segue a menos de 2s de distância.

Safety Car Virtual divide as estratégias

Até que o Safety Car Virtual é acionado na volta 28. Era o momento perfeito para quem estava com pneu médio parar, então Antonelli e Verstappen entram. A Mercedes opta por deixar Russell na pista para dividir as estratégias e os carros, protegendo-se de Verstappen (e também porque a tática de George era ir até o final de qualquer maneira).

Hamilton não para. A Ferrari teve ficar presa atrás de Tsunoda e Lawson, devido à deficiência de velocidade de reta, e arrisca ficar na pista até o final com médios. Isso acabaria custando a posição com Norris, mas provavelmente, com a parada, ele também terminaria atrás das duas McLaren.

Antonelli e Verstappen voltam em sexto e sétimo, e vão fazendo fila. Com uma parada (sob VSC) a mais, Antonelli estava de volta na cola de Russell na volta 47 de 53.

Mas, desta vez, o resultado era mais fácil de prever: a diferença de pneus entre os dois era de 25 voltas, a diferença de performance já tinha sido palpável desde a largada. E Antonelli até levou um susto saindo da pista na primeira tentativa, mas depois passou, e foi embora, para se tornar o primeiro italiano a vencer em casa em 60 anos.

A Russell, restou um segundo lugar e um semi sorriso forçado, com Verstappen em terceiro. 

Menção honrosa para Bortoleto

Com as Alpine muito bem em Monza, duas vagas nos pontos ficaram com eles: Gasly em sétimo e Colapinto, triste por um erro no começo da prova, quando era terceiro, em nono. Entre eles, Lindblad. Atrás deles, Tsunoda.

Como esperado pela equipe, a Audi pagou pela deficiência do motor em Monza, e ficou fora dos pontos. Não ajudou que as largadas foram ruins, especialmente a segunda de Bortoleto, que caiu de 11º para 18º nos primeiros metros.

Mas o brasileiro recuperou todas as posições em 10 voltas, com motor faltando potência e tudo.

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