F1 Antonelli é mais rápido, mas não leva de novo em GP de reviravoltas em Silverstone - Julianne Cerasoli Skip to content

Antonelli é mais rápido, mas não leva de novo em GP de reviravoltas em Silverstone

Mais uma vez, Kimi Antonelli foi o mais rápido do final de semana. Mais uma vez, não foi ele quem saiu com o maior número de pontos. No GP da Grã-Bretanha, ele parecia destinado a superar Charles Leclerc na pista quando uma peça aerodinâmica que fica do lado de dentro da roda dianteira esquerda quebrou em cima de uma zebra.

E esse foi só um dos momentos surpreendentes do domingo. Primeiro, era Leclerc quem estava na frente, a essa altura da corrida, quase 20s à frente de Lewis Hamilton, que vinha sendo o piloto mais rápido da Ferrari até a classificação de Silverstone. 

Segundo, o fato da própria Ferrari ter conseguido rivalizar com a Mercedes em uma pista tão difícil do ponto de vista energético (lembrando que ela vem do motor a combustão e os italianos seguem com uma desvantagem importante em termos de potência).

E terceiro, pelas reviravoltas da própria corrida, como o furo de pneu de Russell quando ele lutava com Verstappen e Hamilton pelo terceiro lugar. Ou mais uma falha da asa traseira da Red Bull, que fez o holandês ir parar na brita com quatro voltas para o final, gerando o Safety Car que fez com que tudo isso terminasse em uma corrida sem bandeira verde na bandeirada.

Como Leclerc virou o jogo

Começando por Leclerc, que melhorou em meio segundo entre a classificação da sprint e da corrida, ao entender que sua configuração – provavelmente algo entre o diferencial e o perfil energético – estava deixando o carro mais nervoso, obrigando-o a acionar mais o freio durante as curvas. É como se ele tivesse visto o que Hamilton estava conseguindo fazer e tivesse encontrado um caminho, deixando a configuração do jeito que lhe dá confiança, replicar o outro lado da garagem. E colocou o carro no segundo lugar do grid, atrás de Antonelli, que tinha caçado Hamilton na sprint para vencer a corrida curta.

O italiano falhou na largada do GP, e as duas Ferrari o passaram. E foram abrindo até que Hamilton passou a ficar para trás. O heptacampeão tinha colocado muita asa dianteira, o que atrapalhou o equilíbrio do carro no primeiro stint. Saindo muito de frente em uma pista em que os dianteiros acabam antes que os traseiros, ele foi perdendo rendimento. 

O britânico foi ultrapassado por Antonelli na volta 11. Junte-se a isso a punição de 5s por ter mexido o carro antes das luzes vermelhas se apagarem na largada, e ele foi da disputa pela vitória pela briga pela última posição no pódio.

Quando Antonelli passou Hamilton, ele estava a 4s2 de Leclerc. Na volta 28, estava a 1s5, perto o suficiente para a Ferrari temer um undercut e chamar o monegasco para os boxes. 

Cinco voltas antes, Hamilton e Russell tinham sido chamados aos boxes não porque seus pneus tinham acabado, mas porque Max Verstappen tinha parado bem antes de todo mundo e a Ferrari julgou que seis voltas a menos no pneu duro seriam suficientes para Hamilton passá-lo de volta na pista até o final da prova. E o inglês teria que passar também Russell por conta da punição por queimar a largada, já que o piloto da Mercedes o seguia a menos de 5s e entrou junto com ele nos boxes.

Os três tiveram uma disputa de estratégias de bateria por algumas voltas até Russell ter um furo de pneu e parar novamente, na volta 34. Sofrendo em uma pista em que acreditava que poderia bater de frente com Antonelli, o britânico parecia fora da luta pelo pódio a essa altura, na volta 34.

Antonelli vinha para a vitória até que…

Já Antonelli parecia destinado a vencer. Ele construiu um offset de 10 voltas para Leclerc e, como manteve um ritmo muito bom com os médios usados, voltou a apenas 7s do líder. “A coisa não parece boa”, disse Leclerc via rádio.

De fato, em quatro voltas, a diferença era de 3s6 e ainda faltavam 12 voltas para o fim. Até que Antonelli, de uma hora para a outra, não consegue mais virar o carro. A equipe chama-o aos boxes para tentar trocar o bico e os pneus, e o problema continua. O replay mostra uma peça quebrando na frente do carro quando ele passa em uma zebra.

Foi uma bobeada da Mercedes, que poderia ter inspecionado melhor o carro na primeira parada: Antonelli tem que voltar para que eles retirem a peça, que ficou pendurada, e o carro volte a ficar minimamente guiável. Nesta confusão toda, ele sai várias vezes da pista e é punido com 5s.

Antonelli quer ficar na pista para pelo menos pontuar. Faltam cinco voltas e Leclerc lidera com 20s para Hamilton, que tinha passado com facilidade por Verstappen. O holandês era o terceiro, a 7s da segunda Ferrari, e controlava a aproximação de Russell, até que seu carro escapou e foi parar na brita.

O Safety Car deixou a Ferrari em uma posição difícil: Leclerc pararia de qualquer maneira e voltaria na frente. Hamilton perderia a posição para Russell. E eles decidiram parar o britânico mesmo assim, imaginando que o carro de Verstappen seria retirado rapidamente e haveria uma relargada.

Por uma questão de segundos, isso não aconteceu: a direção de prova optou por deixar os retardatários passarem, mas essa determinação saiu segundos depois de Leclerc cruzar a linha abrindo a penúltima volta. Como o regulamento indica que o Safety Car só pode entrar nos boxes na volta seguinte àquela em que os carros estão descontando a volta, uma corrida cheia de alternativas acabou sob bandeira amarela.

Bortoleto estava no lugar certo para aproveitar o caos

Foram algumas vezes nesta temporada que ouvi de Bortoleto que “quando temos uma corrida sem que nada dê errado, ninguém quebra”. A história não poderia ter sido mais diferente no GP da Grã-Bretanha.

Bortoleto saiu frustrado da classificação, ficando de fora do Q3 por 32 milésimos e sentindo que poderia ter tirado mais de um carro que está muito mais na sua mão depois da atualização da Áustria. Mas isso provavelmente não faria muita diferença em seu domingo.

Bortoleto teve, depois de muito trabalho dos engenheiros em Silverstone, uma largada ok, e uma primeira volta frenética, caindo para 14º, mas se recuperando, chegando ao 10º lugar na volta 5.

Ele não tinha ritmo para ir à caça das Racing Bulls – só se aproximou quando Lawson e Lindblad disputavam entre si – e também abria com facilidade das Alpine. A décima posição vinha da quebra da asa de Piastri na primeira volta, e se tornou um nono lugar com os problemas de Antonelli e um oitavo com a escapada de Verstappen. Assim, depois de nove corridas, Bortoleto tem todos os seis pontos da Audi na temporada.

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