Verstappen ganhou quando 3 pilotos poderiam vencer - Julianne Cerasoli Skip to content

Verstappen levou uma corrida que três pilotos poderiam vencer (antes da desclassificação)

Não importou para o resultado final depois que as duas McLaren foram desclassificadas do GP do Qatar, mas importa para o campeonato: Max Verstappen largou melhor do que Lando Norris, que se colocou em posição defensiva, por dentro da primeira curva, onde não havia aderência. Quando freou, foi reto, caiu para terceiro e só se recuperou até a segunda posição. Verstappen ganhou sem ser ameaçado.

Ou quase isso. Os treinos livres ajudaram pouco a entender o desgaste de pneus. Os dois momentos preferidos para as simulações de corrida foram atrapalhados por uma bandeira vermelha longa e pela pista úmida.

Verstappen se viu na ponta após a largada, mas sem saber o quanto forçar os pneus, que tinham sofrido muito graining no ano anterior. E ele tinha logo atrás George Russell acelerando com a Mercedes.

Foi um primeiro stint mais tenso para a Red Bull, que acompanhava de perto o rendimento daqueles que tinham largado com o pneu duro – assim como Tsunoda e Antonelli, que largaram das últimas colocações e trocaram o pneu logo de cara.

No caso do italiano, a Mercedes não tinha certeza de que o composto poderia ir até o final quando decidiu por essa estratégia. E ele passou por uma fase de graining enquanto estava atrás de outros carros. Mas o graining foi limpando, o ritmo foi melhorando, e ele surgiria logo atrás de Russell após todas as paradas.

O britânico, por sua vez, saiu de Las Vegas acreditando que poderia ter vencido não tivesse forçado tanto o ritmo no início. No final das contas, foi ele quem acabou com seus pneus e não Verstappen.

Ritmo por ritmo, a Red Bull poderia vencer, a Mercedes poderia vencer, a McLaren poderia vencer. Seria uma corrida de execução, de colocar-se na ponta e usar o ar limpo para proteger os pneus. E quem criou essa vantagem para si foi Verstappen.

Russell estava 2s3 atrás do holandês quando parou, na volta 17. A Red Bull não respondeu. Entendeu que seria longe demais para um undercut com o pneu duro, e que sua disputa também era com a McLaren. Afinal, Norris estava a 3s de Verstappen.

Os dois continuaram na pista até que Norris parou na volta 22. O inglês não tinha conseguido se aproximar mesmo sem ninguém entre ele e o líder. Na frente na pista e tendo a vantagem de um stint menor com os pneus duros, Verstappen ali já tinha vencido a corrida.

Ele só parou na volta 25, esperando Leclerc parar também e abrir o espaço para que ele voltasse à pista sem trânsito. Com o pneu duro, foi liberado para forçar o ritmo.

Atrás dele, Russell continuava à frente de Norris, mas com pneus cinco voltas mais usados. Quando a McLaren voltou de sua parada, a diferença era de 4s7, com 27 voltas para o final.

Com 17, Norris passou Russell com facilidade. 

A essa altura, Verstappen tinha quase 5s de vantagem. E novamente Norris não conseguiu se aproximar.

Até que, com 5 voltas para o final, seu ritmo caiu vertiginosamente. As mensagens via rádio apontavam para um lift and coast bastante acentuado. Seria falta de combustível ou desgaste de prancha?

Era a segunda opção. A McLaren via nos dados que estava próxima de uma desclassificação. Com Norris e com Piastri também, que não podia diminuir tanto o ritmo porque tinha que ficar a 5s de Antonelli (que tinha que pagar uma punição por queimar a largada) e também não estava muito à frente de Leclerc.

O australiano tinha demonstrado um ritmo muito melhor, mas acabou ficando em quinto na classificação depois de ser atrapalhado por uma bandeira amarela na última tentativa. Caiu para sexto depois de ser tocado na largada por Liam Lawson, demorou 17 voltas para passar Isack Hadjar e, com tudo isso, ficou longe da disputa pelo pódio.

A desclassificação em Las Vegas, contudo, foi boa para ele, que tinha ficado a 30 pontos de Norris após a bandeirada e saiu da antepenúltima etapa 24 pontos atrás. Ainda assim, uma diferença enorme para ser tirada do seu próprio companheiro em duas corridas.

Sem as McLaren, Russell subiu para segundo e Antonelli para terceiro, tendo largado em 17º. Leclerc poderia ter se colocado nessa briga também, não fosse a classificação muito ruim da Ferrari no molhado (ele ficou em nono, Hamilton em último). Sainz largou em terceiro para terminar em quinto com a Williams, seguido por Hadjar, Hulkenberg, Hamilton, Ocon e Bearman.

Gabriel Bortoleto teve outra corrida que não durou mais de uma volta. Com os pneus duros, decidiu frear tarde pelo lado de dentro, copiando o que tinha visto em anos anteriores. Mas não havia aderência (assim como Norris e Lawson perceberam também) e ele foi lançado para cima de Lance Stroll, que abandonou.

Os comissários não costumam dar punições para lances de primeira curva, mas foi uma manobra tão otimista que o brasileiro terá que pagar cinco posições no grid do GP do Qatar.

Voltando à McLaren, eles tentaram vender que o carro só estava baixo demais por conta dos treinos livres, mas ficou claro que eles arriscaram mais que os outros. Arriscaram por quê? Porque Max Verstappen, mesmo tantos pontos atrás, ainda é uma ameaça.

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