F1 Verstappen venceu ou a Ferrari jogou fora a vitória de GP que coroou Antonelli? - Julianne Cerasoli Skip to content

Verstappen venceu ou a Ferrari jogou fora a vitória de GP que coroou Antonelli?

Imagine dividir a primeira curva de um GP em que é difícil ultrapassar com seus dois carros em primeiro e segundo lugares. E perder. Foi o que a Ferrari viveu na Cidade do México, na corrida que coroou Kimi Antonelli como o campeão mais jovem da história da F1.

Não foi dos finais de semana mais impressionantes do italiano de 20 anos. Mas a performance cuidadosa foi conquistada por ele pela temporada incrível que ele teve até a 19ª etapa do campeonato.

Peso do título finalmente apareceu

O próprio Antonelli admitiu que não estava “tão preciso” quanto normalmente, os efeitos de estar tão perto de conquistar o título aparecendo. E isso ficou claro quando George Russell ficou a 6 milésimos da pole mesmo com combustível para mais uma volta – ele saiu da garagem com o plano de fazer duas voltas e fez só uma. E Antonelli largou apenas em quarto, sabendo que poderia ser nono e, ainda assim, seria o campeão.

No domingo, uma história parecida: o próprio Antonelli disse que foi cuidadoso até mais na largada, mantendo-se em quarto mesmo perdendo uma posição para Max Verstappen, mas ganhando a do companheiro George Russell, que teve um problema no deployment e viu também Charles Leclerc e Verstappen passarem por ele como foguetes.

Leclerc x Hamilton, de novo

O mesmo não estava acontecendo mais à frente. Largando em terceiro, Leclerc pegou o vácuo de Russell e emparelhou com Lewis Hamilton, que tinha feito sua primeira pole pela Ferrari.

Os dois dividiram as duas primeiras curvas, e apostaram tudo na freada da quarta. Ambos saíram da pista, Leclerc foi totalmente reto, enquanto Hamilton tentou fazer o resto da curva. Resultado: o monegasco se viu em primeiro, sabendo que tinha que devolver a posição, mas sem ter como fazer isso sem cair para terceiro, pois Verstappen tinha largado como um foguete e se colocou entre as Ferrari.

O jeito, para Leclerc, era tentar abrir uma diferença superior a 5s, sabendo que a punição era uma questão de tempo.

Mais atrás, Bortoleto ganhava duas posições em uma primeira volta agressiva. Algo raro para quem sofreu o ano todo com largadas. E um alento depois de ter praticamente perdido todos os treinos livres, com problemas de motor. O brasileiro estava em 11º, logo atrás do companheiro Nico Hulkenberg.

Ninguém passa ninguém

A corrida se estabilizou com Leclerc, Verstappen, Hamilton, Antonelli, Russell, Norris (que perdeu duas posições na largada e teve que se recuperar), Lindblad, Piastri e Hulkenberg no top 10.

Depois do movimento das primeiras voltas, ninguém passava ninguém, como de costume na Cidade do México. A altitude de mais de 2200m afeta os carros de diversas maneiras. A refrigeração é muito mais difícil, então você não consegue seguir um rival de perto por muito tempo sem comprometer a unidade de potência e os freios. O vácuo não funciona tão bem. Cuidar dos pneus é difícil na turbulência.

De certa forma, o fato de Leclerc saber que teria uma punição de 5s pela frente foi até bom para Verstappen. Afinal, ele sabia que não precisava ficar colado na Ferrari – ficar menos de 5s seria o suficiente. Então seu carro não sofreu tanto.

Hamilton sofreu mais, ficando a cerca de dois segundos de Verstappen. O inglês estava furioso. Acreditava que o monegasco tinha colocado seus interesses acima dos da equipe e tinha sido punido de forma branca – pelas reclamações dele e de Max, o combinado era de que quem saísse da pista levar 10s de punição, e não 5s, mas os comissários também observaram que ele, Lewis, não fez a curva.

A ordem para Verstappen era clara: quando Leclerc entrar, você entra também. Isso parecia arriscado àquela altura por um detalhe: Max estava com os pneus médios e Charles, com os macios. Se ele conseguisse abrir os 5s e parar cedo, Max teria muitas voltas a fazer com o macio.

Então o holandês não podia deixar o monegasco escapar. A Ferrari só conseguiu os 5s de que precisava na volta 27. Charles e Max entraram na seguinte: parada de 3s7 para um 2s3 para outro, e Verstappen voltou na frente.

E foi assim que a Ferrari jogou a vitória no lixo.

Ter que marcar Leclerc tirou de Verstappen a grande vantagem de largar com os médios: a flexibilidade de esperar na pista por um Safety Car. Quem o fez foi o próprio Antonelli, mesmo com pneus macios.

Bandeira vermelha e a ‘sprint’ de 24 voltas

O italiano aguentou na pista até a volta 43. Quando saía dos boxes, a Cadillac de Valtteri Bottas teve uma falha de suspensão e foi parar na barreira de proteção, que teria que ser reparada. Àquela altura, os tempos de volta de Antonelli tinham subido tanto que ele voltaria em quarto mesmo com uma parada sob Safety Car. Mas a bandeira vermelha que se seguiu significou que, se o italiano tivesse ficado na pista, largaria na liderança.

Seria uma relargada parada. Verstappen e Leclerc na primeira fila, Hamilton e Antonelli na segunda.

Seria uma corrida sprint de 24 voltas até a bandeirada. Leclerc fritou os pneus na primeira curva e teve que se arrastar até o final com vibrações. Hamilton chegou a dividir a freada com Verstappen, mas ficou em segundo e, mesmo parecendo mais rápido, não conseguiu chegar perto o suficiente para passar, com a velocidade de reta da Red Bull se impondo.

Antonelli tinha passado Leclerc logo após a relargada, e estava em terceiro, enquanto o monegasco era pressionado por Norris.

Mais atrás, Piastri tentou passar Lindblad, mas eles se tocaram e o australiano acabou punido, na primeira das penalidades que mudariam o resultado da prova horas depois da bandeirada.

Outras duas ‘vítimas’ dos comissários foram ambas as Alpines, por infrações sob bandeira amarela. Eles tinham conseguido um top 10, com Colapinto fazendo uma das melhores corridas do ano e recebendo a bandeira como o melhor do resto.

Esse papel acabou cabendo a Liam Lawson, em ótima recuperação depois de largar do pitlane. E completaram os pontos Gabriel Bortoleto, pontuando pela primeira vez em nove etapas, Isack Hadjar (que teve um toque e uma rodada em ambas as largadas) e Ryo Hirakawa, japonês da Haas que pontuou em sua estreia na F1, resultado inesperado após a implosão dentro do box do time norte-americano.

Não foi a melhor das corridas, mas as cenas finais acabaram sendo inesquecíveis. É como se a improvável maneira como a Ferrari jogou fora uma dobradinha tivesse sido desenhada para vermos o novo campeão Kimi Antonelli sendo levantado por Lewis Hamilton e Max Verstappen.

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