Turistando na F-1. E na casa dos tifosi

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Peguem o refrão dessa versão de ‘Can’t Take My Eyes Off You’ e substituam a letra por Fer-nan-do Aloooonso la la la la ia, Fernando Alonso. E coloquem no repeat mental. Por quatro dias. Essa é a minha primeira impressão do GP a Itália. E a primeira impressão é a que fica.

Eram outros tempos: 2011, meu primeiro GP. Na quinta, achei a musiquinha dos torcedores ferraristas engraçadas. Já no sábado, a vontade era matar o primeiro que começasse a cantar. Porque a maldita gruda, até hoje!

E pensar que foram vários os ídolos ferraristas venerados por estas arquibancadas há tantas décadas. Na verdade, os ídolos foram venerados por aqui muito antes da Ferrari existir. Monza transborda história e é um deleite até para quem não é fã de automobilismo.

O circuito é localizado dentro de um parque, o que é uma mão na roda para quem quer visitá-lo fora de época de GP. Já fiz isso e é possível entrar, inclusive, no oval antigo, sentar na ponta e ficar assistindo se houver sessão na pista. É possível, também, andar por todo o oval, ou pedalar nele: o circuito faz parte do Parque de Monza e o Parque de Monza também é o circuito.

Isso causa uma confusão digna de Itália no fim de semana de corrida, porque enquanto você tenta chegar na pista, as pessoas estão levando seu cachorro passear ou fazendo seu treino matinal. Mas todo mundo se ajeita. A localização também impede que os pilotos passem despercebidos: há apenas uma entrada para o paddock e os fãs ficam por lá esperando seus ídolos.

Para ver a corrida em si, os melhores lugares são nas chicanes, pois, acreditem, nas retas os carros passam muuuito rápido e o general admission não é dos mais fáceis: é preciso chegar cedo e até escalar árvores para ter as melhores vistas nas Lesmo, por exemplo.

Apesar da distância para Milão ser tentadora, o tráfego é sempre complicado ao redor da cidade, mas melhora no final de semana. A própria Monza, inclusive, não decepciona: não é uma Toscana, claro, mas tem um centrinho charmoso e muitas opções de restaurantes – espero o ano todo pela pizza do Al-Anbiq.

Há várias atrações por perto de Monza. Ano passado, passei um agradável dia em Bergamo, mas o melhor da região está mais ao norte, nos lagos Como, Maggiore e Garda. Um jornalista com mais de 500 GPs e incontáveis viagens nas costas me garantiu que Bellagio, no lago Como, é a cidade mais linda do mundo. Quem sou eu, comemorando apenas meu sexto aniversário na Fórmula 1 neste final de semana na F-1, para duvidar!

 

RAIO-X

Preços: Milão não é uma cidade barata e Monza se torna uma cidade bastante cara durante o GP – é difícil achar quartos por menos de 100 euros por noite. Há, quem inclusive, opte por ficar em Como, mas também não é pelo preço. E talvez o barato de ficar nas várias cidadezinhas ao redor fique caro em termos de transporte e pura falta do que fazer. Os ingressos começam em 760 para as arquibancadas e pouco menos da metade para o GA.

 

Melhor época: É uma região boa para se visitar o ano inteiro. A pista em si costuma ter um calendário recheado e a vantagem de ir fora da F1 é a maior liberdade para andar no oval antigo. No verão o clima é ótimo e no inverno dá para dar uma escapadinha fácil (com trens diretos) para os alpes na divisa com a Suíça.

 

Por que vale a pena? Tradição, fácil acesso, comida boa e opções interessantes para conhecer ao redor. No GP rola um caos mas, hey, siamo in Italia! Aposto que depois de 10 minutos de estresse você já estará gritando um Forza Ferrari sem perceber.

6 comentários sobre “Turistando na F-1. E na casa dos tifosi

  1. Tive a oportunidade de ver o GP da Itália em 2013. Me lembro muito bem de um pequeno italiano, junto de seu pai, vendo (ou quase isso) aquele tal de Alonso passar a 300 km/h na reta principal. O espanhol tinha acabado de fazer a volta mais rápida, algo como 0.1 s mais rápido que o ritmo claramente de cruzeiro de Vettel, diminuindo pra 5 s (our algo assim) a diferença. O pai, claramente um Tifosi daqueles que até hoje amaldiçoa todas as noites o Petrov, gritava junto do filho “Alooonso, Alooonso”, numa demonstração de paixão que poucas vezes vi na vida. Daquele dia em diante, mesmo tendo minhas ressalvas, passei a admirar a Ferrari, que é claramente muito maior que qualquer piloto ou outras equipes — e deixo aqui claro minha enorme admiração pela McLaren, equipe que é a mais próxima do espírito Racing, na minha opinião —, talvez até que a própria F1. Ver o GP em Monza é uma experiência que faz perceber o tamanho desta entidade chamada Ferrari.

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  2. Siamo A Italia, senza dubbio. Na lombardia tem que beber franciacorta obrigatoriamente. Chance unica de conhecer essa bebida tao maravilhosa que custa muito no brasil e nao sao das melhores por la.

    Quem ouviu ou assistiu a entrevista dos pilotos na quinta-feira deve ter percebido que ali so se respira ferrari. Todo e cada piloto teve que responder alguma pergunta sobre a importancia da da ferrari. Na hora me lembrei de como os novos overlords da F-1 farao para nao pagar mais o premio a ferrari de heritage, tradition que eles recebem so por alinhar no grid.

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  3. O GP de Monza é mesmo intrigante: seja pela corrida curta, pela velocidade, mas algo que sempre me chamou a atenção é o clima, a imagem, algo mágico, surreal. Não sei se pelo horário, mas a imagem reluzente do circuito sempre me hipnotizou, suas cores diferenciadas me parecem uma tela de cinema, uma viajem no tempo…

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