Turistando na F-1. E no melhor país do mundo

Começou de maneira meio insólita, diante da privada do banheiro do aeroporto, cheia de botões, incluindo um com uma nota musical, que tive de apertar: era a simulação de uma descarga. Foi então que percebi que ganharia muito ao ativar todos os meus sentidos para conseguir captar as nuances de uma cultura tão rica quanto distante.

Era a primeira vez que eu pisava no Japão.

Dali em diante, começou uma sequência interminável de “como eu não pensei nisso antes?” e uma estranha sensação de estar entendendo tudo mesmo sem conseguir ler nada. É o tal user experience, algo que está deixando muita gente rica por aí ultimamente e que significa basicamente organizar as informações de forma a tornar nossas ações frente a elas intuitiva, algo que os japoneses parecem terem descoberto faz tempo. Por exemplo: para que um menu se você pode exibir os pratos na vitrine e organizá-los por números? Isso, menos no metrô de Tóquio: esse, sim, é para iniciados, mas assim que você entende a lógica… “por que não pensei nisso antes?”

Sempre que me perguntam sobre como é alguma coisa na Europa, eu começo dizendo que a Europa é grande. E isso é experiência de quem já passou noite em trem na Romênia. Aquele primeiro mundo idealizada por muitos brasileiros, em que tudo funciona, eu só vi na Escandinávia. E no Japão. A diferença é que nenhum país do norte europeu sonha em ter uma capital tão gigante como Tóquio e são ao mesmo tempo as discrepâncias culturais e tudo o que temos a aprender com eles que a torna uma das cidades mais interessantes do mundo.

Mas ir ao GP do Japão não necessariamente passa pela capital – a não ser que você desembolse uma boa grana pelo shinkansen (um trecho de Tóquio a Nagoya não sai por menos de 350 reais). Os aeroportos internacionais mais próximos a Suzuka são Nagoya e Osaka, e você ainda terá de pegar o trem ou o combo navio + taxi + trem para chegar nas proximidades do circuito.

Até para nós, que reservamos hoteis muitas vezes com mais de um ano de antecedência, é impossível encontrar vagas perto do Suzuka. No nosso caso, temos a ajuda da organização do GP, que reserva praticamente um hotel inteiro para os jornalistas em Shiroko, e de lá organiza um transfer para a pista. Para quem vai assistir à prova, ficar em Nagoya é uma opção viável porque a conexão via trem é fácil. E em alguns lugares nessa região é possível ver placas em português, tamanha a comunidade brasileira especificamente baseada nesta parte do Japão.

Andar em meio aos torcedores japoneses é uma das melhores experiências do ano. Eles capricham nas fantasias e ficam felizes em parar para mostrá-las, mesmo sem falar uma palavra em inglês. São os sorrisos, os sentidos, que se comunicam. E falando em sentidos, a comida na fanzone é divina!

E tem a pista.. Suzuka é, pelo menos para mim, a mais sensacional do campeonato. Elevações que criam curvas cegas, a sequência inicial de esses que neste ano deve ser mais mais especial, e tudo com muito pouco espaço para erro. Tanto, que nem foi possível instalar as áreas de escape asfaltadas como em Spa. Em Suzuka, errou, vai para o muro.

A pista nem precisava ser tão boa. Mas Japão é Japão.

 

RAIO-X

Preços: Gostaria de dizer que só a passagem é cara, mas infelizmente não para por aí. O GP do Japão é o mais caro do ano, comparável apenas com Austin, ainda que o ingresso não seja tão salgado: na curva Spoon, uma das que costumam concentrar mais ação no final de semana, dá para ficar por menos de 300 reais.

 

Melhor época: A pista em si recebe categorias por todo o ano e é uma atração mesmo fora de época de GP. Em termos de clima, os invernos e verões são bastante rigorosos, então as melhores épocas são a primavera e o outuno. Mesmo assim, e quem acompanha o GP do Japão há anos já percebeu, pode-se esperar um pouco de tudo. E ficar de olho nos radares para ver se não há nenhum tufão a caminho.

 

Por que vale a pena? Há todos aqueles motivos que já sabemos de antemão, do circuito espetacular e ao qual nós brasileiros nos sentimos muito próximos apesar da distância. E há todos os motivos que você só vai descobrir quando estiver lá.

16 comentários sobre “Turistando na F-1. E no melhor país do mundo

  1. Ah o Japão, que incrível cultura!
    “Pouco espaço para erro”
    Que saudade de pistas assim, as áreas de escape gigantes que a FIA impôs, acabou muito com a mágica da F1.
    Saudades de quando os pilotos que erravam acabavam no muro ou na brita.
    Abraços a todos.

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  2. Vendo suas palavras, Ju, ficou minha imaginação: qual seria o limite para o povo japonês se possuíssem um país continental para administrarem?

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  3. Juliana, parabens pela materia – alias, pela serie de materias “turistando pela f1”

    Quando vc fala que o Japao e Austin sao os mais caros do calendario e que é possivel assistir na Spoon por cerca de 300 reais, fico pensando: como seria seu “turistando” falando de Interlagos? Onde o ingresso No setor G custa quase 600 reais…

    Ja fiz a conta – um dia quero cumprir o calendario, como vc – e ate agora em minhas pesquisas nao encontrei nenhum com ingressos mais caros que SP…

    Temos a mal definida lei da meia entrada, o que me faz pensar que sempre pagamos o dobro de tudo, por aqui… mas ainda assim, um ingresso para ver a corrida em interlagos seria caro, principalmente pelo “conforto” oferecido no autodromo…

    O que me diz sobre ?

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    1. Eles são os mais caros e
      Para hoteis e comida. Lembro de fazer uma matéria sobre ingressos mais caros do ano e o Brasil estava lá pelo qui to lugar. Abu Dhabi era mais caro, mas com comodidades como shows e estacionamento.

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      1. Obrigado pela resposta!

        E a que vc acredita que se deve isso? Capacidade de público, custo maior pelo deslocamento do circo ou um contrato mal negociado? Há um último fator, mas quero acreditar que não entra na conta – a corrupção…

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      2. Os preços dos ingressos são estabelecidos pelos organizadores locais, então não tem a ver com preço de deslocamento. Não tem muito segredo, é questão de mercado: eles vão tentar cobrar o máximo possível, até porque a maioria é deficitária devido às altas taxas previstas nos contratos.

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