Foi daqueles finais de semana em que Kimi Antonelli foi o piloto mais rápido na média, mas George Russell foi cirúrgico nos momentos mais importantes para garantir sua primeira vitória desde a etapa de abertura da temporada, na Austrália.
E uma coisa teve, de certa forma, relação com a outra. O tempo de volta veio naturalmente para Antonelli, com seu estilo agressivo nas entradas de curva, que acabam jogando mais ênfase nos pneus dianteiros e dão um descanso para os traseiros, algo importante com o calor de mais de 50ºC no asfalto do Red Bull Ring.
Russell teve que aprender a fazer o mesmo na primeira curva para ter qualquer chance de evitar escorregar nas duas últimas curvas, de alta, e conseguiu chegar lá ao longo da classificação. Sentindo a pressão do companheiro, Antonelli tentou tirar algo a mais e estava um décimo mais lento quando os dois encontraram uma bandeira amarela gerada por Max Verstappen, que bateu quando as asas da Red Bull fecharam de maneira dessincronizada. Russell só tirou o pé, Antonelli abortou a volta, e essa foi a diferença entre um provável segundo lugar no grid para ele e um quarto.
Entre os dois pilotos da Mercedes, estavam as duas Ferrari, que em momento algum tinham mostrado ritmo para ameaçar os líderes do campeonato desta vez, limitados pela falta de potência do motor. Com três retas e menos zonas de frenagem forte que Barcelona, sempre seria uma pista que iria expor mais claramente como o ICE ferrarista, mesmo levemente atualizado, ainda está muito atrás de Red Bull e Mercedes.
A falta de potência rapidamente se uniu a outro problema quando as luzes se apagaram e Russell manteve a ponta, deixando a confusão para trás: Charles Leclerc não sentia aderência dos pneus traseiros e logo foi perdendo posições, enquanto Lewis Hamilton teve que forçar demais o ritmo para se manter à frente de Max Verstappen, sendo chamado aos boxes bem cedo, na volta 16. A Ferrari colocou seus dois pilotos em uma estratégia de três paradas, sendo que eles não tinham velocidade de reta para ultrapassar, e saiu da disputa pelo pódio.
Max vs. Lewis from the air! ⚔️
— Formula 1 (@F1) June 30, 2026
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Antonelli quase se complicou também. Com as temperaturas dos freios diferentes entre um lado e o outro, ele demorou para conseguir se encontrar na prova, saiu várias vezes da pista, e só entrou nos eixos mesmo depois da primeira parada nos boxes, na volta 24.
Ele tinha conseguido fazer seus pneus médios sobreviverem mais do que os rivais diretos, que a essa altura já eram Russell e Verstappen. O líder tinha parado na volta 19, justamente para se defender da parada do holandês na volta anterior, que por sua vez estava com Antonelli chegando em sua cola. Max estava a 5s de Russell antes dos primeiros pit stops. Antonelli, a 6s.
Não era uma corrida para tentar abrir o máximo possível. Os motores já são mais forçados na altitude do Red Bull Ring e fazia muito calor. Era preciso abrir o que fosse necessário e administrar. Russell fez isso. Mas agora seu companheiro tinha construído uma vantagem no número de voltas do pneu, e faria isso novamente se não conseguisse passar Verstappen. Ou seja, a vitória não estava nada assegurada.
Mas o que Verstappen estava fazendo ali? Foi a primeira vez que o tetracampeão sentia que tinha aderência suficiente para forçar sua Red Bull, com muitas novidades aerodinâmicas e mecânicas, que ajudaram o comportamento e também a, finalmente, tirar todo o peso extra que o carro vinha carregando.
Antonelli dificulta a vida de Verstappen
Verstappen, porém, estava em uma posição difícil. Ele e a equipe teriam que julgar bem como seria o segundo stint e por quanto tempo ficariam na pista pensando em chegar na melhor condição possível no final da prova.
Se estendessem demais o stint, voltariam longe demais de Russell. Se parassem cedo demais, ficariam sem pneu para atacar. E para se defender de Antonelli.
O italiano tinha perdido bastante ao estender seu stint: voltou 9s atrás de Verstappen com pneus 6 voltas mais novos. Nas voltas seguintes, o holandês foi tirando, pouco a pouco, a vantagem de Russell, até chegar a perigosos 1s3 e o britânico parar na volta 43 para evitar um undercut.
Mas os pneus de Verstappen também estavam pedindo para serem trocados e o ritmo dele não é bom nas voltas seguintes, enquanto Antonelli ia usando a diferença de voltas a seu favor e se aproximava da briga novamente: quando Verstappen para, seis voltas depois de Russell, o líder do campeonato já tinha tirado mais de 7s da Red Bull.
Antonelli ainda ficou na pista por mais duas voltas, ou seja, teria borracha um pouco mais nova no final.
Com 20 voltas para a bandeirada, Russell tinha 12s de vantagem para Verstappen e 18s para Antonelli, com pneus seis voltas mais velhos que o primeiro, e oito que o segundo.
Era uma questão de controlar o ritmo e torcer para que Antonelli chegasse em Verstappen antes que Verstappen chegasse nele.
E foi isso o que aconteceu: Verstappen e Antonelli cruzaram a linha de chegada separados por 0s3, com Russell vencendo 1s6 à frente dos dois.
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A corrida fora do top 3
Com a tática de três paradas, Hamilton acabou sendo superado também por Oscar Piastri, quarto com a McLaren. Hadjar, Norris, Leclerc, Lawson e Lindblad completaram o top 10.
Gabriel Bortoleto teve uma corrida irretocável e solitária, ganhando a posição de Pierre Gasly na largada, sendo passado e dando o troco em cima de Esteban Ocon sem grandes dramas, e depois podendo fazer seu ritmo. Ele estava a 7s de Lindblad até os dois começarem a pegar muito trânsito, algo encorajador para uma Audi que sofreu muito com o déficit de potência do motor em uma pista “power hungry”. Foi a terceira vez seguida que o brasileiro terminou em 11º.


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