F1 O dia em que Norris foi rápido demais para vencer - Julianne Cerasoli Skip to content

O dia em que Norris foi rápido demais para vencer

Os pilotos já estavam avisando desde antes de entrarem na pista que esperavam viver um “Mônaco em alta velocidade”, com uma classificação desafiadora e decisiva, e u domingo monótono. A única chance de termos alguma ação na estreia do GP da Espanha em Madri seria se a prova fosse acidentada. Mas isso não aconteceu.

Um Safety Car Virtual, pelo abandono de Lance Stroll, saiu em um momento ruim, contudo, para Lando Norris, que vinha dominando as 14 primeiras voltas da prova, e isso provou ser decisivo.

Até porque não foi uma corrida baseada em ritmo: a posição de pista foi primordial. Não só pelo traçado, mas também porque os pneus duros aguentavam praticamente um GP inteiro, com a evolução do asfalto ao longo do fim de semana. Para completar, o pitlane longo fazia com que não valesse a pena tentar algo diferente na estratégia. Na verdade, a única tática possível era tentar aproveitar um SC ou VSC, pois muros próximos e alta velocidade costumam acabar com corrida neutralizada.

Era uma Mônaco mais rápida. Inclusive, a exemplo do Principado, a classificação foi eletrizante. A McLaren não começou bem, mas foi adequando seu carro às necessidades energéticas da pista até chegar muito forte para a classificação.

A ideia era usar a maior parte da energia no primeiro setor, algo motivado pelo fato de que o pneu estaria mais bem preparado que o dos rivais logo de cara. Foi uma abordagem diferente da Mercedes, com o mesmo motor, mas que funcionou para eles.

Bastante confiante com o carro, Lando Norris fez a pole, com Kimi Antonelli em segundo. Se alguém tinha alguma dúvida de que seria uma classificação definida pelos pilotos, foram quatro carros diferentes nas quatro primeiras colocações, com todos eles próximos uns dos outros: Max Verstappen foi o terceiro e Lewis Hamilton, em quarto.

Estes quatro pilotos protagonizaram uma largada agressiva, com Antonelli tentando passar Norris e Verstappen se defendendo de Hamilton.

Ali, ficou clara a limitação do circuito de Madri. Não há espaço para dois carros nos pontos fortes de freada, não há espaço para tentar algo diferente. Ambos tiveram que devolver as posições que ganharam por fora da pista.

Então o top 10 depois das primeiras voltas era Norris, Antonelli, Hamilton, Verstappen, Leclerc, Russell, Colapinto, Lawson, Lindblad e Piastri. E havia estratégias diferentes: Leclerc, Russell, Lawson e Piastri estavam com os pneus duros, enquanto seus companheiros estavam com pneus menos duráveis (médios ou macios). Como havia a expectativa de que o composto duro aguentaria até o final da corrida – ou muito perto disso, lembrando que, mesmo com o ritmo lento, não seria fácil ultrapassar, as equipes dividiram suas estratégias.

Hamilton logo saiu de combate, com um problema no freio. Enquanto Norris era muito mais veloz e abria 6s de vantagem em cima de Antonelli.

Sua velocidade seria sua grande rival na prova. Quando Lance Stroll ficou parado na beirada da pista e causou um VSC, o piloto da McLaren tinha passado da entrada dos boxes.

Antonelli ainda conseguiu tirar o pé e entrou nos boxes, seguido por Verstappen.

Norris só conseguiria entrar na volta seguinte, quando o VSC já tinha acabado. Sabendo que tinha deixado de economizar 12s no tempo total de corrida ao não conseguir usar o VSC, a McLaren decidiu parar de qualquer maneira, porque os pneus médios de Norris já estavam destruídos.

Para piorar, não foi uma parada boa, e Norris voltou atrás de Verstappen, em terceiro.

A Mercedes surpreendeu ao parar Russell, que estava com os pneus duros e jamais conseguiria levar os médios até o final. Ou seja, ele teria que parar duas vezes, em um circuito em que o tempo de parada era maior que a média.

A ideia da Mercedes era fazer algo diferente de Leclerc, que tinha largado com os duros e ainda teria que parar, esperando uma corrida mais maluca do que aconteceu. O próprio monegasco ficou em primeiro até parar na volta 48 de 57 esperando algo acontecer. E nada.

Até porque as estratégias divididas serviam para isso: um companheiro de equipe (o que tinha se classificado à frente) tentaria aproveitar de um SC ou VSC no início da prova. Outro, no final. E só o primeiro aconteceu.

Isso não deu certo para a McLaren porque o pole position Norris estava rápido demais para aproveitar o curto VSC. Nem com a Ferrari, que perdeu um piloto no meio do caminho.

E não havia outra saída: Norris era bem mais rápido que Antonelli e Verstappen, mas os dois pilotos estavam cuidando de seus pneus, mantendo uma diferença entre eles para cuidar da borracha evitando um graining que apareceu nos treinos, mas não nas corrida, mas não conseguia passar. E Leclerc teve que se contentar com o quarto lugar quando parou. Mesmo com dois pitstops, Russell foi o quinto, voltando na posição onde tinha largado, atrás do monegasco.

Mais atrás, Lawson tinha se complicado na largada ao perder a posição para Colapinto, mas o argentino acabou preso por Bortoleto (um dos que aguentavam na pista com pneu duro, esperando o SC que não veio) e manteve o sexto lugar. Enquanto Piastri, que tinha largado à frente de ambos, teve danos na primeira curva ao tocar Russell e foi o oitavo.

Nas posições finais do top 10, chegaram Lindblad e Hulkenberg.

O alemão acabou sendo ajudado por Bortoleto, que segurou uma fila de carros antes de parar, junto com Leclerc. Foi uma ajuda bem-vinda porque faltava ritmo para a Audi se colocar no top 10. Ainda assim, o alemão conseguiu não perder muito terreno na largada e acabou tendo a melhor tática do dia.

Na estratégia do pneu duro, por ter largado uma posição atrás de Hulkenberg, Bortoleto teve dificuldades de seguir Gasly, que o ultrapassou na largada e estava na mesma tática. Ficou esperando o SC e, quando parou, voltou em 13°. 

Vencedor novamente uma semana depois da glória em Monza, Antonelli se apressou para dizer que foi sorte, por conta do timing do VSC. E disse que queria fazer melhor na próxima etapa. Logo ele, que abriu, com o resultado, 81 pontos na liderança do campeonato.

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