Era o GP da Holanda, e é tão difícil ultrapassar que a posição de pista deveria prevalecer na disputa de dois carros com rendimentos similares, salvo um erro do líder. Kimi Antonelli estava na frente, não errou, e mesmo assim acabou sendo superado por Lando Norris. A explicação? A enorme diferença que o conjunto Norris-McLaren conseguiu fazer com os complicados pneus duros.
Foi algo construído ao longo do fim de semana. Norris tinha sofrido com o ritmo da McLaren na sprint, perdendo a segunda posição para Leclerc e terminando a corrida curta suando para terminar à frente de Antonelli, enquanto Russell vencia. A McLaren estava pedindo demais de seus pneus nas curvas rápidas de Zandvoort, e isso afetava a durabilidade.
Seria necessário ajustar a abordagem e foi o que Norris conseguiu fazer no domingo. Mesmo complicando sua vida ao perder a liderança na segunda das duas largadas – depois da bandeira vermelha ser acionada logo no final da primeira volta quando Max Verstappen colocou a Red Bull na linha branca em uma pista úmida pela chuva que caiu no grid e bateu forte.
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Antonelli, por sua vez, ganhou uma posição a cada largada e se colocou em uma posição diferente do que ocupou por todo o fim de semana até então: a diferença entre ele e George Russell não era grande, mas a balança estava pendendo para o lado do inglês o tempo todo. Na quinta volta da prova, contudo, Antonelli não só estava na frente, como já tinha conseguido colocar Norris entre ele e o companheiro que, para piorar sua situação, foi ultrapassado por Oscar Piastri, de pneu duro, na segunda relargada.
A primeira parte da prova indicou que o piloto da McLaren tinha feito a lição de casa após a sprint: o desgaste acelerado dos pneus não apareceu, e Antonelli não conseguiu abrir mais do que dois segundos até que os dois pararam juntos, na volta 21.
Mais atrás, Piastri estava vivendo uma situação bem diferente de seu companheiro, sem conseguir colocar o pneu duro na janela de funcionamento, lutando contra a falta de aderência por conta disso. Então, quando a Mercedes chamou Russell para os boxes na volta 17, a McLaren se viu obrigada a responder no giro seguinte para proteger a posição. Mas a parada foi ruim – como tantas outras no GP – e Piastri primeiro voltou atrás da Mercedes, e depois, vivendo a mesma situação com o segundo jogo de duros, foi passado pelas duas Ferrari.
Estratégia confusa da Ferrari
O ritmo dos carros italianos não ficou devendo para Norris e as Mercedes, mas eles não tinham algo crucial na Holanda: posição de pista, já que não conseguiram fazer os pneus funcionarem na classificação. A saída seria com a estratégia, que teria que ser dividida entre seus dois pilotos, com ritmo muito semelhante por todo o fim de semana.
Então Leclerc, que estava na frente, teria que se aproximar ao máximo de Russell para tentar o undercut, enquanto Hamilton estava fazendo o inverso, o que ficou claro quando ele foi o último dos ponteiros a fazer sua primeira parada, na volta 25, quatro giros depois de Leclerc.
Quando uma equipe faz isso, é inevitável que seus pilotos se cruzem e é importante que fique claro para eles o que cada um está fazendo. Mas não foi o que aconteceu na Scuderia. Segundo o chefe, Fred Vasseur, os engenheiros não podiam dar muita informação para não entregar o ouro para os rivais.
A confusão começa na volta 40. As duas Mercedes, sofrendo com falta de ritmo com os pneus duros, têm sua posição de pista sob intenso risco: Antonelli tem menos de um segundo de vantagem para Norris e Russell tem menos de um segundo de vantagem para Leclerc. E um está a 10 segundos do outro. Se a McLaren ou a Ferrari decidem parar seus pilotos, eles tomam a posição das Mercedes. Mas seria arriscado fazer isso porque ainda faltam 32 voltas para o final.
É um risco, contudo, que a Mercedes tem que correr, sabendo da importância de ter posição de pista na Holanda, ainda mais quando a Ferrari diz para Leclerc entrar se George não o fizer. E eles chamam os dois pilotos para os boxes.
Liberado por Russell, Leclerc sente que seus pneus estão em bom estado e quer ficar na pista para usar o ritmo da Ferrari, ou seja, fazer um overcut em Russell. Mas isso é o que Hamilton está fazendo (e está em posição muito melhor de conseguir executar porque já conseguiu aquelas voltas a mais na primeira parte da prova).
Estrategicamente, a corrida de Leclerc já está muito complicada com a cartada da Mercedes: ele não conseguiria o undercut, obviamente. Se parasse na volta seguinte, voltaria atrás de Russell e sem vantagem nenhuma para tentar aproveitar. Então ele quer tentar algo diferente.
Mas esse algo diferente atrapalha a estratégia de Hamilton. Isso não é comunicado expressamente para ele, Hamilton está pedindo uma inversão de posições, algo que Leclerc disse depois da prova que estaria aberto a fazer caso estivesse clara para ele qual a situação.
Foram três voltas de conversa até Leclerc ser chamado para os boxes. Nesta indecisão, Hamilton perdeu mais de 2s. Em um intervalo de cinco minutos, a Ferrari perdeu a chance de colocar um carro na frente de Russell e dificultou a vida do outro em tentar superá-lo no final da prova.
Norris vai para cima de Antonelli
Na disputa pela vitória, a McLaren novamente instruiu Norris a entrar junto com Antonelli, então ele voltou tão grudado quanto estava antes para a última parte do GP. À frente deles, Hamilton, que seguiu na sua estratégia.
Quando Antonelli chegou na Ferrari, Norris aproveitou e fez uma excelente manobra por fora na curva 1 para tomar a liderança. Era a volta 54 de 72.
First Kimi then Lewis…
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A Haas de Esteban Ocon para na beirada da pista e o VSC é acionado. Hamilton aproveita para fazer a sua segunda parada e Antonelli para também, tentando fazer algo diferente. Norris e Russell ficam na pista.
Quando a prova é reiniciada, Norris lidera com 7s de vantagem para Russell. Antonelli está 5s atrás do companheiro, perto de 1s por volta mais rápido. Atrás deles, as duas Ferrari, também com pneus novos, também bem mais rápidas.
Russell ouve, então, a ordem de equipe. A ideia é evitar que uma disputa entre as Mercedes deixasse o inglês em uma situação ainda mais vulnerável contra as Ferrari. “Kimi teria 90% de chance de passar”, explicou depois Russell.
Existe uma diferença considerável de velocidade de reta entre a Mercedes e a Ferrari. Então segurá-los seria uma tarefa menos difícil do que segurar Kimi, mesmo com a desvantagem de pneus.
Dito e feito. Russell conseguiu o terceiro lugar, que parecia pouca coisa para quem começou tão bem o fim de semana, e um feito em determinado momento da corrida. Antonelli conseguiu pontuar mais que os rivais mesmo não estando tão à vontade como em etapas anteriores, e Norris teve uma vitória maiúscula, que passou pela compreensão de como tirar o máximo do carro após a decepção da sprint e o oportunismo da ultrapassagem.
Audi pontua de novo, com Hulkenberg
Não foi uma corrida movimentada somente entre as primeiras posições. Nico Hulkenberg vinha sofrendo muito com o carro em uma volta lançada, largou em 13º, mas aproveitou as duas largadas para progredir, subindo para nono, com direito a uma desviada épica quando Bortoleto rodou no final da primeira volta.
Ele estava logo atrás de Gasly, e voltou atrás dele após as primeiras passadas, mas conseguiu a ultrapassagem na pista. A Audi, contudo, estava de olho em Tsunoda, e fez o resto da estratégia marcando o que o japonês da Racing Bulls fazia.
No final, não precisou se preocupar: com a estratégia de uma parada e usando a dificuldade de ultrapassagem em Zandvoort, Fernando Alonso conseguiu pontuar com a Aston Martin, após uma classificação ruim. O espanhol tinha largado em 18º.


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