GP da Alemanha: voltas mais rápidas vs pneus

 

PilotoTempoDiferençaVoltaPneu
Hamilton1:34.30259Médio novo (8)
Webber1:34.4680.16660Médio novo (4)
Vettel1:34.5870.28547Macio usado (7)
Massa1:34.6090.30751Macio usado (10)
Alonso1:34.6260.32460Médio novo (7)
Schumacher1:35.6281.32649Macio usado (12)
Rosberg1:36.1811.87951Macio usado (15)
Petrov1:36.1861.88450Médio novo (4)
Button1:36.2581.95633Macio usado (9)
Sutil1:36.6532.35157Médio novo (9)
Kobayashi1:36.6592.35750Médio novo (2)
Di Resta1:36.7152.41354Médio novo (3)
Perez1:37.0332.73153Médio novo (12)
Alguersuari1:37.4153.11359Médio novo (16)
Maldonado1:37.5683.26650Médio novo (15)
Buemi1:37.8633.56148Médio novo (12)
Kovalainen1:39.0504.74854Médio novo (4)
Heidfeld1:39.4525.1507Macio usado (7)
Barrichello1:39.6795.3779Macio usado (9)
D’Ambrosio1:39.7875.48557Médio novo (8)
Glock1:39.9825.68057Médio novo (7)
Chandhok1:40.4356.13356Médio novo (5)
Ricciardo1:40.4896.18757Médio novo (8)
Liuzzi1:40.6836.38128Macio usado (8)

*entre parênteses, quantas voltas o pneu tinha quando o piloto fez o melhor tempo

O fato das voltas mais rápidas dos pilotos do meio do pelotão terem sido feitas já com muitas voltas no pneu médio mostra claramente as diferentes abordagens em termos de estratégia: enquanto maximizar o resultado para os times grandes significa extrair o máximo de performance de cada jogo de pneus, para os médios, o mais eficiente é tirar o máximo de durabilidade.

Isso acontece porque a diferença de rendimento de Red Bull, McLaren e Ferrari – unida à já pré-disposição de tirar tudo do carro desde o início justamente para este fim – faz com que seus pilotos consigam, em condições normais, fazer sua primeira parada já voltando fora do tráfego. No máximo, voltam com um, dois carros mais lentos à frente.

É um luxo do qual o meio do pelotão não goza. Assim, o melhor é tentar esticar ao máximo todos os stints e “rezar” para que os pneus aguentem no último stint. Uma primeira parada antecipada fatalmente tirará o piloto dos pontos, como perceberam Maldonado e Perez na Alemanha. Nessa situação, não dá para tirar tudo do carro, porque isso significa tirar tudo do pneu. E todo esse cuidado tem de andar lado a lado com as lutas de foice que sempre marcam a zona de quem tem pouco a perder.

Ferrari tinha paradas mais rápidas – até a volta final

 

PilotoEquipePitsPerda totalMédia por parada
AlonsoFerrari31’00s44020s146
VettelRed Bull31’00s77820s259
SchumacherMercedes31’00s99720s332
RosbergMercedes31’01s37020s354
HamiltonMcLaren31’01s88120s627
WebberRed Bull31’02s06320s687
MassaFerrari31’02s43220s810
SutilForce India241s71820s859
ButtonMcLaren120s95220s952
PetrovRenault242s02121s010
KobayashiSauber242s14921s074
MaldonadoWilliams242s65821s329
AlguersuariToro Rosso242s75121s375
KovalainenLotus243s26321s631
GlockVirgin243s50421s752
LiuzziHispania122s04822s048
D’AmbrosioVirgin244s35022s175
Di RestaForce India246s21123s105
RicciardoHispania246s37223s186
BuemiToro Rosso248s25524s127
PerezSauber248s89224s446
ChandhokLotus31’16s66825s556
BarrichelloWilliams 
HeidfeldRenault 

Duas tendências observadas em Silverstone se mantiveram: a clara melhora da performance da Ferrari nos pit stops – de acordo com a equipe, devido à substituição de equipamentos – e a consistência impressionante da Mercedes, que fez seis paradas basicamente no mesmo tempo.

É claro que o que fica é a posição perdida por Massa nos boxes – até ali, sua média era de 20s2, sendo que o 1s7 jogados fora na última parada foi suficiente para Vettel ultrapassá-lo – mas não deixa de ser um cenário mais animador em relação à primeira parte da temporada, quando a Scuderia era consistentemente a mais lenta das quatro.

É interessante notar também uma evolução das nanicas. Lotus, Virgin e Hispania costumavam brigar para ver quem tinha as paradas mais lentas e agora, ao menos neste quesito, se misturam às médias.

 

Placar de posição de chegada entre companheiros

 

Vettel9 x 1Webber
Hamilton7 x 3Button
Alonso7 x 3Massa
Schumacher4 x 6Rosberg
Heidfeld5 x 5Petrov
Barrichello8 x 2Maldonado
Sutil6 x 4Di Resta
Kobayashi5 x 4Perez
Buemi6 x 4Alguersuari
Kovalainen1 x 0Chandhok
Ricciardo1 x 1Liuzzi
Glock5 x 5d’Ambrosio

Na décima prova do ano, finalmente Mark Webber tira o zero do placar contra Sebastian Vettel – mas temos de nos perguntar se isso aconteceria se fosse o alemão quem estivesse a seu lado na primeira linha, após mais uma largada abaixo da crítica.

Porém, é inegável que é um resultado que vem amadurecendo. Webber já não é mais o piloto que levava um banho do companheiro nas classificações, se livrou dos problemas mecânicos que marcaram sua primeira parte de temporada e vinha chegando cada vez mais próximo do alemão, curiosamente à medida que o carro da Red Bull perdia performance em relação aos rivais.

Outro que vem melhorando claramente nas últimas provas é Adrian Sutil que, embora ainda, volta e meia, leve tempo do companheiro novato, tem sido correto nas corridas e – o mais importante para uma equipe média como a Force India – trazido os pontos para casa, enquanto Di Resta se transformou, a partir de Mônaco, em um íma de confusão durante as provas.

As vítimas do verão de 14ºC e Vettel fora da 1ª fila após mais de 10 meses

Com o asfalto frio, os “suspeitos” de sempre tiveram dificuldade. Button, Schumacher, Massa e até Di Resta se juntou à turma. Todos saíram da classificação meio sem entender a diferença em relação aos companheiros. Mas a manchete do dia foi Hamilton tirando Vettel da primeira fila. Assim, depois de quase um ano, desde o GP da Itália, em Monza, Vettel terá carros a sua frente quando largar amanhã, para uma corrida que promete ser nos moldes daquela épica batalha pela sobreviência de 2007.

Com o asfalto frio aumentando ainda mais a diferença entre ambos os compostos ao dificultar o aquecimento, a grande dúvida era arriscar ou não ficar no Q1 ao não usar os pneus macios. Como as nanicas, especialmente Kovalainen, começaram a ultrapassar os médios com o pneu mais mole, forçaram Williams, Force India e afins a fazerem o mesmo. Assim, como Massa foi 0s9 mais lento que Alonso em sua tentativa com os médios, também teve de sair com os macios e foi o único das três melhores equipes a fazê-lo. Porém, tomando-se a performance do espanhol em conta, é animador para a Ferrari que, com 14ºC de temperatura ambiente e 22ºC na pista, ao menos um carro vermelho tenha virado no mesmo décimo de Red Bull e McLaren.

Andando a meio segundo de Perez, Kobayashi sobrou depois de apenas três voltas marcadas em uma pista na qual a Sauber esperava andar bem, mas já percebeu ontem mesmo que havia algo de Nurburgring que não se encaixava com o carro. Ao menos tem jogos novos de macios para surpreender na corrida. Quem teve melhores notícias foi Ricciardo. O australiano vem tendo uma adaptação difícil, mas desta vez conseguiu ficar bem próximo de Liuzzi.

Massa abriu os trabalhos no Q2 com o mesmo jogo de pneus macios do Q1. Alonso deu uma bela fritada em sua segunda tentativa e, como Hamilton descobriu na Malásia, pode sofrer se tiver que usar o mesmo jogo na corrida – e a única chance de isso não acontecer é se chover.

Adotando a estratégia que vem funcionando nas últimas provas, a Toro Rosso optou por fazer apenas uma tentativa, no final do Q2 . Podem não ter estourado os cronômetros, mas guaradam um jogo de macios para amanhã. Maldonado adotou a mesma tática. No entanto, mesmo sendo quase meio segundo mais rápido que Barrichello – que não usou o Kers –, não conseguiu ganhar posições.

O tempo de Maldonado e as boas parciais da Force Inida fizeram a Renault sair da toca. Com as Mercedes também na pista, tiveram que lutar para se garantir no Q3. No final, Sutil fez com que sobrassem três vagas para quatro pilotos. Pior para Heidfeld. Schumacher, mesmo sendo 0s8 mais lento que Rosberg, passou raspando.

As Mercedes e Sutil, mais interessados em se defender dos pilotos que ficaram no Q2 do que nas seis primeiras posições da prova, priorizaram a economia de pneus e fizeram apenas uma tentativa.

Depois de andar a um, dois décimos de diferença dos rivais por todo o final de semana, Webber e Vettel colocam cerca de meio segundo na concorrência na primeira tentativa no Q3. Mas o jogo não estava terminado. Pelo menos não para Hamilton, que tirou o alemão da primeira fila pela primeira vez em 14 oportunidades. Com Alonso a quatro décimos da briga e sabendo que Ferrari e McLaren tendem a crescer na corrida – e ingleses ainda mais em condições de molhado – a briga promete.

Placar entre companheiros na classificação

 

Vettel7 x 3Webber
Hamilton7 x 3Button
Alonso10 x 0Massa
Schumacher1 x 9Rosberg
Heidfeld3 x 7Petrov
Barrichello4 x 6Maldonado
Sutil3 x 7Di Resta
Kobayashi4 x 5Perez
Buemi8 x 2Alguersuari
Kovalainen1 x 0Chandhok
Ricciardo0 x 2Liuzzi
Glock7 x 3d’Ambrosio

Diferenças hoje

Webber x Vettel: 0s137
Hamilton x Button: 1s154
Alonso x Massa: 0s468
Rosberg x Schumacher: 1s219
Petrov x Heidfeld: 0s230
Maldonado x Barrichello: 0s592
Di Resta x Sutil: 0s751
Perez x Kobayashi: 0s491
Buemi x Alguersuari: 0s152
Kovalainen x Chandhok: 0s823
Glock x D’Ambrosio: 0s241
Liuzzi x Ricciardo: 0s025

Red Bull parece manter a ponta em Nurburgring

A tabela final de tempos mostra uma história, mas o fato é que as equipes se preocupam mais na sexta-feira em avaliar a durabilidade dos dois compostos e, consequentemente, é o ritmo de corrida que é observado – e é impossível de ver em uma volta lançada.

Os times usaram os pneus macios mais do que o normal porque a expectativa é de que teremos uma corrida similar à de Silverstone ou mais molhada. Ou seja, não se espera que o pneu médio dure muito. Ainda assim, a Ferrari mais rápida (Alonso) conseguiu igualar as marcas da Red Bull mais veloz (Webber) nos long runs com pneus médios, andando entre 1min33 alto e 1min34 baixo, o que é particularmente um bom sinal para os italianos, tendo em vista que a temperatura da pista não passou dos 25ºC por todo o dia.

Com Alonso fazendo constantes entradas nos boxes para treinar largadas, ficou difícil comparar seus tempos aos de Webber com pneus macios e tanque cheio. No embate com Vettel (cujo stint mais longo foi de oito voltas, como do espanhol), as marcas ficaram bem próximas, sugerindo equilíbrio. Ambos andaram em 1min37.

O destaque do trieno foi o stint de 13 voltas de Webber, que impressiona pela regularidade, ainda que a sequência de Massa, embora mais curta, não deixe muito a desejar. Como sabemos que não há 1s de diferença entre os carros, principalmente em situação de corrida, os tempos sugerem que a Red Bull fez sua simulação com menos gasolina. Agora, qual a diferença real de ritmo, não dá para saber.

Voltando à classificação da tabela, é bom lembrar que Alonso teve uma saída com pouco combustível bastante acidentada, com escapadas de pista e tráfego. Tanto, que na volta combinada, ficou a apenas 31 milésimos de Webber. Contudo, o espanhol disse que, pela pista e condições climáticas, espera ficar mais longe da Red Bull em classificação – não mais de três décimos. De fato, o carro de Webber e Vettel parece mais ‘no chão’ em Nurburgring.

Mesmo que Hamilton tenha ficado atrás das Mercedes nos treinos, os long runs do inglês mostram a McLaren bem mais próxima de Red Bull e Ferrari. Aliás, a aposta no paddock hoje era de que os prateados não estariam tão atrás quanto parecem. Especialmente se chover, por motivos que já discutimos aqui, entram de vez na briga.

Volta combinada

(leva em consideração os três melhores setores de cada piloto)

PilotoCarrroVolta combinadaDif.Dif. p/ melhor
1Mark WebberRed Bull-Renault1’31.6460.065
2Fernando AlonsoFerrari1’31.6770.0310.202
3Sebastian VettelRed Bull-Renault1’32.0840.4380.000
4Felipe MassaFerrari1’32.1640.5180.190
5Michael SchumacherMercedes1’32.3110.6650.100
6Nico RosbergMercedes1’32.5470.9010.010
7Lewis HamiltonMcLaren-Mercedes1’32.7241.0780.000
8Nick HeidfeldRenault1’32.9541.3080.144
9Vitaly PetrovRenault1’32.9781.3320.160
10Adrian SutilForce India-Mercedes1’33.0361.3900.175
11Jenson ButtonMcLaren-Mercedes1’33.2251.5790.000
12Paul di RestaForce India-Mercedes1’33.2681.6220.031
13Sergio PerezSauber-Ferrari1’34.0792.4330.034
14Kamui KobayashiSauber-Ferrari1’34.2912.6450.200
15Rubens BarrichelloWilliams-Cosworth1’34.3442.6980.000
16Jaime AlguersuariToro Rosso-Ferrari1’34.3652.7190.122
17Pastor MaldonadoWilliams-Cosworth1’34.9403.2940.056
18Heikki KovalainenLotus-Renault1’35.7534.1070.000
19Timo GlockVirgin-Cosworth1’36.6805.0340.260
20Karun ChandhokLotus-Renault1’37.1455.4990.103
21Jerome d’AmbrosioVirgin-Cosworth1’37.2595.6130.054
22Vitantonio LiuzziHRT-Cosworth1’38.1126.4660.033
23Daniel RicciardoHRT-Cosworth1’39.6578.0111.080

Expectativas, acerto e retrospecto em Nurburgring

A F-1 retorna a Nurburgring depois de dois anos, resultado do revezamento que a Alemanha tem feito em suas pistas. Relativamente parecida com Silverstone, em que a aerodinâmica novamente é importante nas curvas de raio longo – ainda que de velocidade menor que no traçado britânico – trata-se de um bom indicativo do quanto as mudanças na relação de forças entre as equipes observadas na última etapa são resultado direto da bangunça nas regras.

Agora, com mais estabilidade, veremos se a McLaren realmente ficou para trás, o quanto a Ferrari evoluiu de verdade e onde a Red Bull se coloca nisso tudo. No meio do pelotão, a Williams e a Renault são duas que ficaram devendo em Silverstone e terão outra oportunidade de mostrar serviço.

Outra questão que deve preocupar os engenheiros neste final de semana é o clima imprevisível de Nurburgring. Cravada em uma área florestal, a região tem clima no melhor estilo Spa e não é incomum que caia um temporal e, voltas depois, os pilotos já começarem a apostar nos slicks. Quem não se lembra da loucura de 2007?

Falando naquele ano, os protagonistas de brigas na pista e fora dela são dois dos que possuem melhor retrospecto em Nurburgring: Alonso tem duas vitórias e só chegou atrás dos seis primeiros quando teve carros abaixo da média (2001 e 2009), enquanto Massa não saiu do pódio desde que chegou à Ferrari. Ninguém supera, é claro, o dono da casa, Schumacher, com cinco vitórias e oito pódios.

Vettel só correu uma vez em Nurburgring – e foi logo segundo, atrás de Webber, na primeira vitória do australiano na categoria. Outro que também subiu ao lugar mais alto do pódio no circuito foi Barrichello (veja o retrospecto de todos os pilotos abaixo).

Acerto do carro

A predominância no circuito é de curvas de baixa a média velocidade. Mesmo assim, o nível de pressão aerodinâmica é similar ao de Silverstone. Ainda que os carros com maior downforce se destaquem no circuito, o primeiro setor é bastante técnico e recheado de curvas de baixa, o que faz com que a aderência mecânica prevaleça.

Outro fator é que a descarga de energia nos freios (que regarrega o Kers) é média, no nível de Barcelona. As curvas 1 e 13 são relativamente onduladas. O ajuste dos freios é fundamental para a chicane antes da última curva, enquanto a maior preocupação na hora de acertar as suspensões é com as mudanças de direção.

Em relação aos pneus, serão usados os macios e os médios, assim como em Valência. No entanto, como Nurburgring tende a gastar mais borracha, os mais duros devem funcionar melhor e os mais macios, durar menos que na prova espanhola.

Mas o grande desafio para as equipes será lidar com o clima. Nestas situações, o normal é que se trabalhe com um acerto básico para o seco e fazer as adaptações necessárias se – ou quando, o que é o mais provável –chover.

Nº de voltas60
Ativação da DRSDetecção na freada da curva 10 e ativação após a curva 11
Pé em baixo58%
Consumo de câmbiomédio
Consumo de freiosmédio
Consumo de motormédio
Nível de downforcealto
Uso de combustível2.43kg por 5km
Tempo de perda no pit20s6
2009
Pole positionMark Webber, 1:32.230
Resultado da corrida1º Mark Webber

2º Sebastian Vettel

3º Felipe Massa

Volta mais rápida1:29.468 (Michael Schumacher, Ferrari, 2004)

Retrospecto em Nurburgring (GPs da Europa e da Alemanha)

Piloto4º-6º7º-10º11º+DNF
Sebastian Vettel1
Mark Webber11111
Lewis Hamilton11
Jenson Button12312
Fernando Alonso21211
Felipe Massa13111
Michael Schumacher5321
Nico Rosberg111
Nick Heidfeld115
Vitaly Petrov
Rubens Barrichello13621
Pastor Maldonado
Adrian Sutil11
Paul di Resta
Kamui Kobayashi
Sergio Perez
Sebastien Buemi1
Jaime Alguersuari
Heikki Kovalainen2
Jarno Trulli11324
Narain Karthikeyan1
Vitantonio Liuzzi12
Timo Glock1
Jerome D’Ambrosio

Mapa das ultrapassagens desmistifica DRS e pneus

Há algumas provas, mostramos um levantamento da Mercedes que chegou à conclusão de que a zona de ultrapassagem não era o local preferido dos pilotos para realizar suas manobras. Passada metade da temporada, novos dados coletados pela equipe alemã mostram que a tendência continua.

É claro que a possibilidade do uso da DRS colabora com as ultrapassagens nas demais partes do circuito, pois permite que um piloto siga o outro com menos dificuldade que em um passado recente, mas não deixa de ser animador que a FIA tenha mais acertado do que errado em relação ao posicionamento e extensão da zona de ultrapassagem.

Houve provas em que as manobras foram banalizadas, como na Turquia, no Canadá e na China – antes da reta terminar, o trabalho estava feito e os pilotos sequer disputavam a freada. No entanto, na maioria das vezes a DRS funcionou como agente facilitador, e não decisivo.

Os pneus têm papel fundamental nisso. Mesmo em situações de diferenças mínimas de estratégia, os dados sugerem que um conjunto carro/piloto que cuida melhor do pneu consegue prevalecer.

Mesmo que, com a maior fartura de ultrapassagens, as manobras na primeira volta tenham perdido importância, o rei das largadas do ano passado, Michael Schumacher, continua a colecionar ganhos logo no início da prova. Em quatro ocasiões, ganhou de três a quatro posições e, em uma, na China, subiu cinco postos após a primeira volta. Isso, em nove provas.

Total de ultrapassagens: 623*
Carros velozes x nanicas: 175
Entre companheiros de equipe: 43
Usando o DRS: 180
Restante (ultrapassagens “normais”): 225
*não inclui ultrapassagens na primeira volta ou por resultado de problemas no carro

Vale lembrar que este número de ultrapassagens “normais”, excluindo quando as nove mais bem colocadas equipes pegam as Hispania, Lotus e Virgin, as lutas entre companheiros (que são deixadas de lado devido à dificuldade em se detectar ordens de equipe) e efetuadas na zona de ultrapassagem, já está perto do total da temporada de 2009 (244).

Corridas com mais ultrapassagens

Canadá: 136
Turquia: 123
China: 97

Até aqui, nenhuma surpresa, uma vez que são três circuitos que tradicionalmente promovem mais ultrapassagens – prova de que o traçado influi mais do que qualquer medida mirabolante.

Corridas com menos ultrapassagens

Mônaco: 22
Grã-Bretanha: 29
Austrália: 30

Famosa pela dificuldade em gerar ultrapassagens, Valência teve 44 manobras, o dobro de Mônaco, sendo 16 na primeira zona de ultrapassagem e seis na segunda – 22, ou metade, do total. Aí podemos dizer que a DRS teve papel fundamental, porque as três que entram na lista da maior escassez de manobras também são as que tiveram as zonas menos eficazes.

Com pouco consumo de pneus e zona de DRS pouco efetiva, a corrida de Mônaco teve o menor número de ultrapassagens

DRS

Menos de um terço, ou 29% das ultrapassagens foram feitas nas zonas de ultrapassagem e em quatro corridas elas superaram a média: China (33% ou 31 ultrapassagens), Turquia (41%/50), Barcelona (35%/29) e Valência (50%/22). As provas em que a DRS menos funcionou foram Mônaco (2), Austrália (5) e Grã-Bretanha (6).

Pneus

Os dados mais interessantes são a respeito do impacto dos pneus Pirelli. Contando apenas aquelas 225 manobras “normais”, cerca de 55% foram feitas quando a diferença entre “idades” de pneus era de menos de cinco voltas e 45% quando a discrepância era maior.

Os números são parecidos quando avaliadas as ultrapassagens com DRS: 52% quando a diferença de uso dos pneus era de até cinco voltas e 45% nos casos em que os compostos eram mais de cinco voltas mais velhos.

O circuito em que os pneus tiveram mais impacto foi Barcelona – não coincidentemente, um dos mais difíceis para se ultrapassar – e as corridas com períodos de chuva (Canadá e Grã-Bretanha) foram as menos influenciadas pelos Pirelli, até porque os intermediários parecem durar bastante e conviver bem com um asfalto meio molhado, meio seco.

O que os pneus certamente influenciaram foi o número de pitstops:

Total de pitstops: 560 (incluindo punições)
Drive though/stop and go: 11/4
Corridas com maior número de paradas: Turquia (82), Espanha (77) e Canadá (76)
Corridas com menor número de paradas: Mônaco (43), Austrália (46) e Silverstone (54)

A McLaren perdeu terreno, de novo

A parceria hamilton-Button tem rendido boas brigas, valiosos pontos para o mundial de construtores e ótimos spots. Mas será que atrapalha o ritmo de desenvolvimento do carro?

Quando Button chegou à McLaren para fazer dupla com Hamilton, uma das questões levantadas era qual o impacto que dois estilos de pilotagem tão diferentes teriam no desenvolvimento do carro. Os que defendiam a união dos então únicos representantes britânicos do grid diziam que, se havia uma equipe que poderia dar conta do recado, seria a McLaren. Agora, observando que, pelo segundo ano em sucessão, o time parece perdido com seus upgrades, é de se imaginar se os críticos teriam razão.

É difícil precisar qual a valia do piloto no desenvolvimento do carro. Em tempos de testes reduzidíssimos – e quantidade de jogos de pneus restrita nos finais de semana de corrida – ele tem pouco tempo dentro do carro para dar seu aval às novidades. À primeira vista, portanto, os mais experientes e de reconhecida informação técnica precisa não teriam mais lugar. No entanto, vemos Trulli, Barrichello e Schumacher na ativa, sendo elogiados pelos chefes justamente por isso – e, ao que parece, Newey não quer nem saber em ficar sem Webber, mesmo que ele “insista” em não se comportar devidamente como segundo piloto. A justificativa é de que eles ajudam a nortear o time, são capazes de dizer quais caminhos não tomar – e isso economiza tempo.

Nem Hamilton, nem Button são famosos por isso. Na verdade, o último carro dominante (ou que pelo menos se revezava nesse “cargo” com a Ferrari) da McLaren, que se desenvolveu bem do começo ao final do ano, foi o de 2008 que, por sua vez, representava a continuidade de um bem guiado projeto de 2007, quando o time também tinha seu piloto de reconhecida informação técnica. E outra: será que Jenson e Lewis dão o mesmo feedback?

Há uma aparente falta de direcionamento técnico na McLaren desde o GP do Canadá, quando a equipe começou a introduzir peças que logo eram retiradas do carro. Isso tem se tornado mais comum em tempos de restrição de testes e pode revelar outro problema: falta de correlação entre dados do túnel de vento e da pista.

A Ferrari viveu isso no início do ano e a própria McLaren teve de passar por uma recalibragem em seu túnel de vento em 2009. Não seria de se espantar que encontrassem o mesmo problema novamente. Mas o que intriga é que não podemos esquecer do salto que este mesmo carro, neste mesmo túnel de vento, deu dos testes de pré-temporada para a primeira prova. Mas também não se pode ignorar que, no ano passado, McLaren e Hamilton chegaram a liderar o campeonato na primeira metade do ano e um fenômeno semelhante aconteceu exatamente neste mesmo ponto da temporada.

A McLaren já demonstrou que sabe se reerguer: quem não se lembra do horror que era o carro com que Hamilton ganhou suas corridas no início de 2009?

Outro aprendizado dos tempos sem testes é que a melhoria da performance por meio do trabalho com acerto de um mesmo pacote pode ser até maior do que a introdução de novas peças. A Hispania, por exemplo, não tinha upgrades em seu carro e, mesmo assim, melhorou 4% em relação aos líderes da primeira à última classificação em 2010. A Mercedes, a partir da metade da temporada, parou de colocar novidades no carro e se também aproximou dos líderes.

Então por que todo mundo continua trazendo upgrades? Não dá para saber qual o limite dos ganhos com o acerto, portanto é preciso um equilíbrio entre continuísmo e melhorias. E é nesse campo que a Red Bull tem acertado em cheio: depois de construir uma ótima base em 2009, quando houve a última grande mudança de regras, foi evoluindo seus conceitos, sem nunca ter recomeçado do zero. O RB7 é uma evolução do RB6 que, por sua vez, nasceu do RB5.

O mesmo não pode ser dito dos MP4-24/25/26. Até pela própria dinâmica de divisão de equipes de trabalho em Woking – a cada ano, o time de um projetista é o responsável, algo que parece ter sido abandonado de vez com a saída de Pat Fry ano passado – os projetos pouco dialogam.

Na F-1, nada costuma ser preto no branco. Mas, tendo em vista os sinais – que já vimos ano passado – destas últimas três provas, parece haver algo que não está funcionando no processo de desenvolvimento na McLaren. Uma pitada de falta de continuidade ali, uma dificuldade em obter a correlação túnel de vento-pista aqui, dois pilotos de estilos muito diferentes acolá. Os prateados têm muito trabalho pela frente.

Desempenho de Vettel é comparável ao bi de Alonso?

Vettel superou vários recordes de Alonso, como de mais jovem a fazer pole e vitória
Alonso (05/06)Vettel (10/11*)
Vitórias14/36 (38,88%)11/28 (39,28%)
Poles12/36 (33,33%)17/28 (44,73%)
Conversão pole/vitória8/12 (66,66%)8/17 (47,05%)
Vitórias abaixo da pole6/14 (42,85%)3/11 (27,27%)
Voltas mais rápidas7/364/28

*após nove etapas

Fernando Alonso tinha 23 anos quando aquela temporada que o coroaria campeão do mundo começou. O espanhol iniciava seu quarto ano como titular na F-1, já havia ganhado uma corrida, feito pole position, mas nunca tinha tido um carro vencedor nas mãos. Mostrando uma maturidade incomum, pensando muitas vezes mais no campeonato que na vitória imediata, soube lucrar quando sua Renault caiu de rendimento em relação à rápida – e frágil – McLaren de Kimi Raikkonen e foi campeão com sobras.

Cinco anos depois, um outro jovem talento, Sebastian Vettel, teria chance parecida. Aos 22 no início de 2010, teve a oportunidade de guiar o melhor carro do grid também em sua quarta temporada, ainda que não completa. Como a Red Bull já superara os rivais desde meados do ano anterior, possuía uma pequena coleção de cinco vitórias no bolso e sabia o que era andar na frente.

Seu caminho rumo ao primeiro título, no entanto, não foi tão simples quanto de Alonso. Fez nada menos que 10 pole positions, mas sofreu com quebras, errou bastante. Conseguiu se recuperar a tempo de confirmar o favoritismo, vencendo três das últimas quatro provas de forma incontestável para se tornar o mais jovem campeão do mundo da história.

O domínio, tanto da Renault de Alonso, quanto da Red Bull de Vettel, continuaria nos anos seguintes – e os jovens campeões exerceriam seu domínio de maneira absoluta ao defenderem seus títulos. Ao final de nove etapas, tinham números idênticos: seis vitórias e três segundos lugares.

A comparação entre os dois cabe em vários sentidos e conta com apenas uma diferença marcante – Vettel tem desempenho melhor aos sábados (levando em consideração que estamos trabalhando com dois regulamentos distintos, a valia disso é ainda maior) e Alonso, aos domingos em voltas mais rápidas e as chamadas “drives through the field”. Até mesmo seus companheiros – Giancarlo Fisichella e Mark Webber, respectivamente – guardam semelhanças: bons pilotos, muito mais experientes, mas que nunca tiveram o brilho dos jovens rivais.

Trata-se de dois pilotos que deram sinais, desde cedo, de que teriam condições de dominar o esporte e que aproveitaram – e aproveitam – ao máximo os benefícios de contar com um carrão nas mãos.

Silverstone mostrou calcanhar-de-Aquiles de Vettel

Ultrapassar não é o forte de Vettel, que já passou uma corrida inteira vendo a traseira de uma Ferrari

Ninguém duvida que Vettel sabe acelerar e é impecável em controlar o ritmo, ler a corrida e fazer, com precisão, o que precisa para ganhar. Porém, nas (poucas) vezes em que teve de correr atrás do prejuízo, mostrou uma dificuldade em ultrapassar que já não é novidade.

É claro que uma das possibilidades para explicar isso está no misterioso Kers da Red Bull, cuja potência seria menor em relação aos rivais. Porém, não dá para ignorar algo que não é de hoje. Observando as voltas em que o alemão pressiona algum rival, é possível notar que seu comportamento ao volante pouco ajuda.

Comparando com seus costumeiros colegas das listas dos três melhores pilotos em atualidade, enquanto Hamilton é o homem que assume os riscos e mergulha em qualquer mísero espaço que lhe dão, Alonso vai estudando o rival e planejando calmamente suas manobras que, quando executadas, são geralmente letais.

Vettel, por sua vez, nem aproveita os espaços com a bravura de Hamilton, nem é cirúrgico como Alonso. Prefere ficar dançando com seu carro, geralmente mais rápido que os demais, de um lado a outro. Assim, acaba se aproximando nos locais errados e nunca fica em posição real de ataque.

Foi o que aconteceu no GP da Grã-Bretanha. Vettel não era extremamente mais rápido que Hamilton quando grudou na traseira do inglês. A diferença entre os dois nas voltas anteriores se manteve nos três décimos e é claro que não é simples ultrapassar em Silverstone com tal diferença de rendimento. No entanto, à medida que as voltas iam passando, ficava claro que o Red Bull estava desgastando menos seus pneus, a exemplo do que acontecera no segundo stint, e o alemão parecia ter mais ação, principalmente após sair da zona mais lenta do circuito.

O problema é que Vettel não conseguia se aproximar o suficiente na zona de uso da asa traseira, então teria que fazer a manobra em outro lugar. Chegava mais próximo na antiga reta, mas esperava ficar grudado demais em Hamilton para fazer a manobra – e tirava o pé. E não dá para dizer que era um lugar impossível de se passar, uma vez que o próprio Lewis tinha feito um traçado diferente na Woodcote para frear corajosamente no molhado na Copse e superar Alonso.

Na sétima volta preso pelo inglês e sem, em momento algum, colocar de lado, foi chamado aos boxes. O stint de apenas nove voltas comprometeu o restante de sua prova, pois teve de fazer 16 voltas com o mesmo pneu no final da corrida.

As mesmas cenas já tinham sido vistas no GP da Espanha, quando Vettel ficou 19 voltas preso atrás de Alonso, sem em nenhum momento colocar seu carro de lado. Cinco voltas depois de passar o espanhol por meio de um pitstop antecipado, já tinha mais de 5s de vantagem em relação ao piloto da Ferrari, ou seja, era mais rápido com sobras.

Vettel saiu da pole em 12 de suas 16 vitórias, incluindo a primeira, em Monza

Ano passado, já havia sido levantada a questão da falta do chamado racecraft na pilotagem do alemão. Andar no meio do pelotão não parece ser o forte de Vettel, que nunca venceu uma corrida sequer fazendo ultrapassagens – e, em 2010, por duas vezes que tentou terminou com o carro avariado, contra Webber na Turquia e Button em Spa. Em outras situações, como em Cingapura, manteve-se perto de Alonso a corrida toda, mas em nenhum momento esboçou uma manobra.

Os números de Vettel e seus 24 anos recém-completados são, sim, impressionantes. Mas também salta aos olhos o dado de que, das 16 vitórias do alemão, 12 foram saindo da pole position. Das quatro que sobram, em duas oportunidades assumiu a primeira posição já na largada. Em Abu Dhabi-2009 contou com o abandono de Hamilton e na Espanha-2011, passou Alonso nos boxes. Seja na pista, seja nos números, tudo indica que Vettel, perfeccionista que só ele, sabe exatamente que matéria estudar em casa.

Carro da McLaren só funciona no chove, não molha

Jenson Button se classificou a 1s4 da pole e Lewis Hamilton, a 2s. Seus stints naquela manhã de sábado de GP da Grã-Bretanha mostravam um abismo em relação à Ferrari e à Red Bull. No final das contas, o quarto posto de Hamilton, ainda mais economizando combustível, foi um lucro para um time que deveria almejar o quinto e sexto lugares, bem atrás de seus rivais. Mas houve uma particularidade que ajudou a dupla de Woking: o chove, não molha. Com ele, em determinado momento da corrida, Lewis e Jenson eram os mais rápidos da pista.

Não é novidade que a McLaren usa bem os pneus intermediários com o piso um pouco molhado e os slick em uma pista que está secando. E isso é algo que o MP4-25 herdou do carro do ano passado, vide a vitória de Button na Austrália, a dobradinha na China e o que poderia ser outro 1-2 na Bélgica, não fosse a afobação de Vettel.

Foi o mesmo que aconteceu também no GP do Canadá deste ano, única corrida na chuva até aqui em 2011. A maior parte do progresso de Button foi obtida quando a pista estava no limite entre os pneus intermediários super aquecerem e os slicks perderem temperatura. Nestas condições, em 10 voltas, Jenson ultrapassou sete carros em Montreal.

Em Silverstone, enquanto Hamilton progredia aos trancos e barrancos, com saídas de pista e um carro difícil de controlar, Button perdia 22s8 em relação a Vettel nas 10 primeiras voltas! Com a pista secando, a diferença caiu para 12s3 apenas cinco voltas depois, no momento em que Jenson ultrapassou Massa e Hamilton passou por Alonso, cujo carro havia sido superior por todo o final de semana. Ou seja, as McLaren entrariam na corrida quando todos colocaram o slick e a pista não estava 100% seca. Naquela situação, a dupla era de 1s5 a 2s mais rápida até que as Red Bull.

Mas toda essa facilidade para colocar o pneu na temperatura ideal em um asfalto frio teria seu preço à medida que a pista ia secando. Na volta 21, Alonso começou a andar meio segundo mais rápido que Hamilton e passou o inglês três voltas depois. Lewis não demorou para ir aos boxes: tinha cozinhado seus pneus.

A essa altura, Button também perdia dois décimos por volta para Massa e seguiu para os boxes duas voltas depois do companheiro. A distância em relação ao líder, que havia sido de quase 23s e caíra para 12s em cinco voltas, já começara a subir novamente.

É difícil prever qual seria o ritmo de Hamilton no final sem o problema do combustível – que é, por si só, indicativo do quanto que a McLaren teve de arriscar para andar no ritmo dos ponteiros – mas certamente Webber não lhe daria vida fácil na luta pelo pódio.

Um quarto lugar, um décimo à frente de Massa, mesmo com o fator clima jogando a favor, um atraso inexplicável na última parada do brasileiro e uma grande apresentação de Hamilton, já deve ter acendido o sinal amarelo em Woking. Ainda mais alarmante é o dado de que o único McLaren que cruzou a linha de chegada ainda perdeu 30s em 23 voltas para a outra Ferrari – justamente a partir do momento em que formou-se um trilho propriamente dito. E não dá para jogar toda a culpa no difusor. Desde a classificação do GP do Canadá, os prateados já não conseguem acompanhar Red Bull e Ferrari. Frequentemente sem ter sucesso na implementação de suas novidades no carro, ficaram para trás no desenvolvimento. E esse é outro repeteco de 2010.

GP da Grã-Bretanha por ingleses, brasileiros e espanhóis: “Logo hoje que sua fotinho está no capacete dele!”


Depois de destacar a visita à “casa espiritual” do esporte a motor britânico, Martin Brundle toca no assunto que está na boca de todos antes da largada do GP da Grã-Bretanha: que pneu usar na chuva? “É o pior pesadelo de um piloto. Você quer uma pista totalmente molhada ou seca”, testemunha David Coulthard, na BBC. “Esse pneu intermediário vai virar um slick em três ou quatro voltas”, prevê Marc Gené, na espanhola La Sexta. “A expectativa de três paradas agora muda”, raciocina Luciano Burti, na Globo, enquanto Coulthard aposta em quatro pits na corrida. Claramente, as novas cabines de imprensa, que conferem visão bem limitada da pista, desvirtuaram alguns dos comentários. A verdade é que ninguém tinha noção do quão molhada estava a pista.

No final das contas, havia água o suficiente para que os intermediários funcionassem bem e a estratégia fosse mantida – ainda que alguns comentaristas insistissem na possibilidade de quatro paradas até o final.

Vettel toma a ponta e provoca reações distintas. “Webber contemplou a ultrapassagem”, define o narrador Luiz Roberto. “Deu a sensação de que deixou passar”, concorda o espanhol Antonio Lobato. “Ele está em vias de renovar o contrato e parece que não quis arriscar”, identifica Reginaldo Leme. O comentarista diz que não gostou do comportamento de Massa na largada. “Sem ser atrapalhado por ninguém, perdeu velocidade.”

Brundle custa um pouco para perceber a inversão na primeira fila da Red Bull. Estava mais preocupado com Button. “Parece que tem problema de equilíbrio”, acredita Coulthard. “Foi fácil para Massa e ainda mais para Hamilton passá-lo”, completa o narrador, sobre o que é definida por Burti como “uma briga dura, mas bonita, entre Massa e Button”. A dupla britânica comenta como os carros devem estar dificeis de controlar, devido à falta de tempo de pista na sexta-feira.

Na La Sexta, notam que “todos os pilotos do lado direito largaram melhor”, algo que seria comentado pelo pole Webber ao final da prova. Os espanhóis começam a se preocupar com a fuga de Vettel à frente – desde o início acreditam na vitória de Alonso. “Esses três ou quatro segundos que Vettel tem em relação a Webber e Webber com Alonso são importantes porque, ainda que se equivocaram com os pneus e perdam tempo nos pits, voltam na frente”, diz Gené, para logo dar sua pitada de torcida. “É impossível que Vettel não destrua os pneus nesse ritmo.” Enquanto isso, Pedro de la Rosa torce para que seque rápido. “Aí teremos corrida.”

O repórter Ted Kravitz intervém na BBC para informar que “se eles usarem o pneu intermediário até a volta 10, é boa notícia para a estratégia.” Logo após Burti destacar que os ponteiros estavam esperando “alguém dar a cara a tapa”, Schumacher perde o bico em uma disputa com Kobayashi. “Ele atropelou o Kobayashi”, define Luiz Roberto. Coulthard ri do ex-rival. “Ele não esperava que Kobayashi voltasse à trajetória, mas era perfeitamente normal que o fizesse. Totalmente culpa dele.” Brundle concorda, mas acredita que não haverá punições devido às condições de pista. Para Lobato, contudo, “não tem o que investigar”.

Culpado ou muito culpado, a colisão significa que o alemão calça os slick. “Muito arriscado”, De la Rosa e Gené concordam. Mas o heptacampeão volta como o homem mais rápido da pista e todos seguem. Na Red Bull, Webber para primeiro – “não é que queiram beneficiar Mark, mas querem proteger Vettel de Fernando”, explica Gené – e, na Ferrari, Alonso – “Massa teve de esperar e está sem aderência alguma”, observa Brundle. Pelo menos na Globo ficam felizes com o tempo de parada do brasileiro. “Até que enfim a Ferrari trabalha melhor com o Massa.”

Na BBC, discutem porque Button gastou mais pneu na primeira fase da corrida, sendo que é o piloto mais suave do grid, o quanto que ele gosta deste tipo de condições e como sua ultrapassagem em cima de Massa com suas “habilidades supremas” lembrava Mansell passando Piquet por fora em 1987. É na Globo que surgem os elogios a Hamilton. “É nessas condições que ele aparece, largando de intermediários e indo bem de slick na pista ainda escorregadia”, destaca Reginaldo no momento em que o inglês ultrapassava Alonso.

Os espanhóis não puderam dizer muito sobre a cena. Afinal, estavam nos comerciais. Na volta, Lobato avisa: “tenho uma notícia boa e outra ruim. A ruim é que as Ferrari não têm temperatura no pneu e foram ultrapassadas pelas McLaren. A boa é que Webber está encostando em Vettel, que é o mais lento dos seis primeiros… agora Vettel faz volta mais rápida. Então tenho duas notícias ruins.”

Os ingleses finalmente se empolgam com Lewis. “É o tipo de bravura que esperamos dele”, afirma Coulthard. “Não acredito que ele parou o carro”, responde Brundle. “Eu fiquei pisando no freio aqui.”

http://youtu.be/GArPy97bmlA

Poucas voltas depois, são as Ferrari os carros mais rápidos da pista. “A corrida está virando de cabeça para baixo”, define Brundle. De la Rosa explica. “A McLaren ganhou a corrida do Canadá porque consegue aquecer o pneu com a pista um pouco molhada. A boa notícia é que, secando a pista, os carros com dificuldade de aquecimento vão economizar mais pneu.”

Dito e feito, as Ferrari vão para cima. Ainda que Burti não acredite muito. “Não acho que a diferença da Red Bull para Hamilton e Alonso seja real. Acho que os dois estão atacando enquanto Webber e Vettel economizam pneus.”

Alonso agora era o homem mais rápido da pista e Hamilton logo percebeu que isso era real. “Ele foi para cima de Hamilton porque é o mais rápido hoje. Alonso is on fire!”, exclama Brundle, enquanto os espanhóis, mais uma vez nos comerciais, perdem a manobra. Pelo menos desta vez, era o banco Santander, com o próprio Alonso como protagonista, que preenchia a tela. Na volta, Lobato se empolga. “Tem corrida pela frente e Fernando é o mais rápido!”

O narrador adotou um tom conformista quando a Red Bull fez uma parada um pouco lenta para Webber. “Tudo sempre acontece com ele. Agora que já erraram com Webber, tudo vai ser perfeito… não tão perfeito, não tão perfeito, não tão perfeito! Fernando à frente. Impressionante!” O erro animou a todos. “Desculpe Red Bull, mas isso é ótimo para a corrida!”, se diverte Brundle ao ver os carros da equipe anglo-austríaca em terceiro e quarto lugares. “Logo hoje que sua fotinho está no capacete você vai cometer um erro desse!”, brinca Luiz Roberto.

A briga agora seria entre Vettel e Hamilton, o “protetor inesperado” de Alonso, para os espanhóis. “É crucial para as chances da Red Bull que Vettel passe Hamilton, porque ele está perdendo um segundo para Alonso”, observa Coulthtard. “Mas Vettel também é um segundo mais lento. Está indo para as mãos do espanhol”, comenta Brundle. “Posso ouvir Eddie Jordan dizendo no paddock: ‘eu disse que era o dia dele’.”

Para os espanhóis, se Vettel fosse tão mais rápido, teria passado com facilidade. “Mesmo sem Hamilton à frente, o ritmo dele não seria muito melhor. Se tivesse o mesmo ritmo de Alonso, já teria passado”, observa Gené. “Olho para a tela e não acredito em ver Alonso em primeiro, seu ritmo e Hamilton como aliado”, afirma De la Rosa. Para os ingleses, Vettel não consegue passar porque “se aproxima no setor mais lento e fica em posição de ataque onde ainda está molhado.”

Ted Kravitz opina que a ajuda de Hamilton foi um presente para a Ferrari. Coulthard não concorda. “Isso não é um presente. Eles chegaram à liderança por mérito.”

Quando Button abandona, o ex-piloto escocês ri da informação errada dada pelo rádio, de que o pneu dianteiro esquerdo não havia entrado. “É a direita, Jenson. Ele não sabe onde está a direita e a esquerda”, aproveita para brincar com seu amigo.

Quando Vettel faz seu terceiro pit stop, para tentar – e conseguir – o undercut em Hamilton, o trio brasileiro se confundiu algumas vezes. Primeiro, viram Alonso onde estava Massa, logo à frente do alemão. Depois, calcularam que o piloto da Red Bull poderia voltar à ponta quando o espanhol fizesse sua parada – ainda que estivesse cerca de 34s à frente.

Não deram muita atenção para a estranha decisão da Ferrari em deixar Massa se arrastando na pista. “Ele tem que entrar. Está muito lento! Será que é uma estratégia para segurar Webber?”, questiona Coulthard. “Isso não afetaria a corrida de Alonso. É como se eles pensassem: ‘a corrida de Alonso está ok? Manda o outro entrar’”, emenda Brundle.

Hamilton recebe “a última mensagem que o piloto quer ouvir”, segundo Coulthard: tem de economizar combustível. “Será que a McLaren foi mais competitiva do que esperava e, por isso, faltou combustível?”, pergunta o escocês.

Logo depois, a Red Bull aparece no rádio alertando Webber de que este poderia ser um blefe. “Parece pôquer! Foi aberta uma nova página no livro de desculpas de pilotos: ‘estava blefando’”, se diverte Brundle. Mas De la Rosa não gosta. “A McLaren não faz esse tipo de coisa.”

Realmente, nada de blefe para Hamilton, que perde a posição para Webber. Enquanto isso, os brasileiros enchiam Alonso de elogios. “Ele tem feito corridas excepcionais, mas essa é impressionante”, afirma Reginaldo. “Na opinião de muitos, é o melhor do grid.” Reginaldo lembra que o asturiano chegaria a 27 vitórias. “Me lembro de quando Stewart fez essa marca; ele era considerado imbatível.”

O comentarista reclama que não mostraram a última parada de Barrichello, enquanto Antonio Lobato quer ver Alonso na frente.

Mas a corrida ainda guardaria muita emoção para as voltas finais. Massa perseguindo Hamilton – aquele que é “metade homem, metade peixe” para os ingleses – e Webber colocando pressão em Vettel. “Daqui a pouco vamos ouvir Vettel no rádio perguntando: ‘o que está acontecendo? Por que ele está aqui?’”, Brundle aposta. “Não há ordens de equipe na Red Bull”, Coulthard corrige, ecoando os dizeres de Luiz Roberto na Globo, ainda que Burti saliente: “Vocês lembram o que aconteceu da última vez que deixaram esses dois disputarem posição…”

A Red Bull certamente lembra e, na última volta, a transmissão mostra a mensagem para que Webber fique onde está. Lobato, que estava achando graça da briga que acreditava ser “teatral”, afirma que “era para Vettel ser terceiro, mas a Red Bull cuidou a tempo do problema.” Na Globo, se surpreendem com “a primeira ordem de equipe” do time anglo-austríaco.

Na disputa de Hamilton e Massa, enquanto o trio da Globo vê o brasileiro “agressivo”, os ingleses observam “a grande pilotagem defensiva de Lewis.”

Já os espanhóis não dão muita bola. Comemoram “a maior derrota que Vettel sofreu no ano”. Para Lobato, “não é que Alonso tenha guiado melhor nesta corrida, porque tem feito coisa inverossímeis no ano todo, mas estava saindo de mãos abanando, mesmo lutando com toda a sua alma.” Para De la Rosa, não se deve creditar a vitória ao erro da Red Bull. “Ajudou, mas ele tinha ritmo para passar na pista.”

Alonso poderia ter ganho sem o erro da Red Bull?

Após a largada fulminante, parecia que Vettel controlaria o ritmo novamente

Sem muito tempo para andar com a pista seca para testar a durabilidade dos pneus e com a promessa de uma chove-para bem britânico, até que o GP da Grã-Bretanha acabou sendo bem simples para os estrategistas.

Em teoria, a expectativa era de uma prova semelhante ao GP da Espanha em termos de uso de pneus. Como se trata de uma pista com muitas curvas de alta, assim como Barcelona, esperava-se que os macios acabassem muito rapidamente, e que, com pouco menos de 40 das 52 voltas completadas, seria inevitável apelar para o pneu duro que, em Silverstone, era pelo menos um segundo mais lento.

A chuva sob medida logo antes da prova – e que parou quando os carros largaram – eliminou a necessidade de usar os dois compostos. No entanto, ainda ficava aberta a questão da durabilidade: será que, com parte do traçado seco, os pneus intermediários aguentariam tempo suficiente para que só fossem utilizados os três jogos de macios até o final da prova?

Foi justamente o que aconteceu. No momento em que alguns pilotos, como Jenson Button, já pensavam em arriscar colocar os slicks, Michael Schumacher tem de trocar o bico do carro e faz a aposta, na nona volta. Sai do box já marcando setores roxos (indicando que era o mais rápido da pista) e ganhando, logo na primeira volta, 1s5 em relação aos demais. Assim, nenhum dos ponteiros teve que se aventurar.

Na volta 13, todos os ponteiros já tinham parado. Isso significa que o período com o pneu intermediário era praticamente o mesmo que o previsto para os pneus duros para o final. Assim, era possível terminar a corrida só com os macios.

Boa notícia para a Ferrari, ainda que, na classificação, seus pilotos tenham ficado a um e dois décimos atrás de Webber com o composto duro – e melhorado o mesmo 1s que a Red Bull ganhou com o macio – indicando que também cresceram nesse sentido.

Mas isso não pôde ser testado na corrida. O que ficou claro foi que a famosa tendência dos ferraristas de cuidar melhor dos pneus finalmente pagou seus dividendos. Alonso conseguiu fazer, digamos, o undercut ao avesso sobre Webber – algo que Button também tentou, mas abandonou antes de sabermos se funcionaria.

O espanhol tinha sido ultrapassado no início do segundo stint por Hamilton, que forçou demais os pneus e teve de parar muito antes – duas voltas antes de Webber e três de Alonso. Com isso, perdeu, também na pista, a posição para o piloto da Ferrari, que, por sua vez, começou a chegar num ritmo de quatro décimos por volta em relação ao australiano.

A reação da Red Bull foi parar, para que Webber conseguisse abrir vantagem com os pneus novos, enquanto Alonso se arrastaria com os velhos. No entanto, o espanhol ainda tinha muito o que tirar dos pneus, fez 1min35s5 – simplesmente dois segundos abaixo da volta anterior – e superou-o, mesmo parando uma volta depois. Assim como em Valência, conseguiu poupar os pneus para um último suspiro antes da parada, superando o rendimento do pneu novo. Porém, no caso de Silverstone, o fez usando o mesmo composto do rival. O undercut “tradicional” deu certo para Hamilton.

Esses dois segundos (1s5 em relação ao líder) que Alonso tirou na última volta antes de entrar nos boxes também foram essenciais para que pudesse capitalizar no erro com Vettel e chegar à ponta.

Será que Alonso ganharia sem o erro da Red Bull?

O caso do alemão, inclusive, é interessante. Como mostramos na corrida passada, abrindo uma vantagem na ponta de cerca de 5s ao final do primeiro stint, o líder do campeonato podia se dar ao luxo de esperar os rivais pararem, copiar a estratégia e perder um pouco inicialmente, mas sempre conseguia se recuperar no final, pois seus pneus estavam menos gastos – pelas voltas a menos e a possibilidade de controlar o ritmo sozinho na ponta.

Em Silverstone, percebemos que a diferença que parecia ter para os outros em relação ao desgaste dos pneus tem muito mais a ver com sua situação de corrida do que sua forma de conduzir. Quando foi obrigado a forçar, andando colado em outro carro, não só não foi capaz de ultrapassar um Hamilton com um carro pior e três voltas a mais no pneu, como desgastou seus Pirelli. O tempo perdido atrás do inglês e a necessidade de antecipar o pit – tanto pelos pneus, quanto pelo undercut bem sucedido – foi fundamental para que Alonso escapasse na frente.

No entanto, é possível dizer que o espanhol não precisaria do erro da Red Bull para vencer. No momento em que foi para a ponta, Alonso era um segundo mais rápido que os rivais, mesmo antes de Vettel começar a ser freado por Hamilton.

Antes da parada, o líder do campeonato tinha 5s8 de vantagem para o piloto da Ferrari. Como ambos pararam juntos, muito provavelmente, caso o trabalho da Red Bull tivesse sido bom, voltariam mais ou menos com a mesma diferença.

Depois de ficar travado por Hamilton por nove voltas, Vettel foi para os pits. É impossível saber qual seria seu ritmo nesse momento da prova, quando perdeu 10s3 para Alonso, mas o 1min33 que o espanhol fez logo antes de sua parada – em contraste ao 1min35 de Vettel com pneus novos na mesma volta – sugere que ele teria tirado aqueles 5s8 de diferença no terceiro stint e estaria pelo menos colado no alemão. Se não conseguisse ultrapassar por meio do undercut (parando uma volta antes), tinha a possibilidade de real de fazê-lo na pista. Isso até porque, depois da terceira parada, com ambos com pista livre, Alonso continuou sendo de 0s5 a 1s mais rápido. E Vettel, pressionado por Webber, não estava exatamente passeando na pista.

Mais feitos para Alonso – e três corridas nos pontos largando em 18º para Alguersuari

Fernando Alonso igualou em Silverstone uma marca que a F-1 do anos 1970 acreditava ser absoluta: as 27 vitórias do tricampeão Jackie Stewart. Foi um recorde que permaneceu intacto por 14 anos, de 1973 até 1987, quando Alain Prost alcançou o escocês. A partir daí, Nigel Mansell, Ayrton Senna e Michael Schumacher passaram do número, mas a conquista de Alonso o coloca em quinto lugar na lista dos maiores vencedores da história da categoria.

O espanhol está a quatro vitórias de igualar Mansell e a 14 de Senna, os próximos da lista. O que é muito improvável é que chegue nas 91 de Schumacher… O alemão, inclusive, é o único que alcançou as 27 vitórias mais novo que o asturiano de 29 anos.

Alonso também igualou Senna neste final de semana em um quesito, de voltas mais rápidas, ao conquistar sua 19º, mas com um ano a menos de carreira que o brasileiro.

Outro espanhol que mostrou serviço em Silverstone foi Jaime Alguersuari. O catalão marcou pontos pela terceira vez em sequência, um recorde pessoal. Porém, o mais impressionante é que, nestas três vezes, largou em 18º. Assim, o piloto da Toro Rosso é o único a pontuar por três vezes consecutivas depois de ser eliminado no Q1, desde que este sistema foi adotado, em 2006.

Alguersuari não foi o único jovem que foi bem no circuito britânico. Sergio Perez conquistou seu melhor resultado na curta carreira, de sete GPs, na F-1.

No primeiro final de semana desde o GP de Cingapura, em setembro do ano passado, em que não fez a pole ou venceu, Sebastian Vettel continuou somando números para sua coleção de recordes. O alemão ainda está a 10 GPs de igualar o recorde impressionante de 24 corridas sem largar de qualquer posição que não seja na primeira fila de Senna. Se conseguir essa façanha, também se tornará o quarto piloto a não sair atrás das duas primeiras colocações por toda uma tempordada, sendo os outros Damon Hill, Prost e, é claro, Senna.

Depois das sequências de Alonso e Hamilton caírem no Canadá, agora foi a vez de Jenson Button interromper a série de dez corridas terminando nos pontos. Isso, logo correndo em casa, onde tem uma “maldição” semelhante à de Rubens Barrichello e Mark Webber. Nunca subiu ao pódio, e ficou de fora justamente no dia em que completava 200 GPs na F-1.

Com o abandono de Button, agora apenas os dois pilotos da Red Bull completaram todas as voltas das nove corridas disputadas até aqui. E, para causar mais desespero em seus rivais, todas as vezes que não venceram, chegaram em segundo e terceiro lugares, sempre com Vettel à frente (veja no quadro comparativo como o alemão não foi superado em nenhuma prova por seu companheiro no ano).

Com essa consistência, Vettel igualou o início fulminante justamente de Alonso nas nove primeiras provas de 2006. Veja os resultados:

VET: 1 1 2 1 1 1 2 1 2
ALO: 1 2 1 2 2 1 1 1 1

Como já lembramos por aqui, aquele campeonato ficou aberto até a última etapa, com o crescimento de Schumacher na segunda metade da temporada. Para a história se repetir – lembrando que hoje a diferença entre o primeiro e o segundo lugares é proporcionalmente maior – é preciso que um rival desponte entre os quatro que perseguem o alemão.

Mas a Alemanha não é só feita de sucesso na F-1. Dois conterrâneos de Vettel “concorrem” por uma marca nada agradável: a de mais pontos feitos até a primeira vitória. É claro que a fartura atual de pontos ajuda, mas a comparação entre Nick Heidfeld (259) e Nico Rosberg (257,5) é válida. Porém, convenhamos, o piloto da Mercedes, com 26 anos recém completados e a carreira em ascensão, tem mais bala na agulha para se livrar desta incômoda marca.

Da Alemanha para a Austrália, a estreia de Daniel Ricciardo fez com que o país tivesse dois representantes no grid pela primeira vez desde o GP local de 1977, quando Alan Jones e Vern Schuppan largaram. Curiosamente, tanto o novo recruta da Hispania quanto Mark Webber são funcionários, na prática, da mesma empresa.

GP da Grã-Bretanha: voltas mais rápidas vs pneus

PilotoTempoDiferençaVoltaPneu
Alonso1:34.90841Macio usado (2)
Massa1:35.4740.56649Macio usado (8)
Vettel1:35.5650.65738Macio usado (2)
Webber1:35.6650.75749Macio usado (9)
Hamilton1:36.1801.27239Macio usado (2)
Petrov1:36.3081.40040Macio novo (2)
Perez1:36.6561.74835Macio novo (3)
Barrichello1:36.7331.82538Macio novo (7)
Sutil1:36.7441.83642Macio usado (2)
Button1:36.9822.07431Macio usado (5)
Schumacher1:37.034212634Macio novo (3)
Maldonado1:37.0362.12841Macio usado (6)
Rosberg1:37.0732.16532Macio usado (2)
Heidfeld1:37.1172.20937Macio novo (7)
Alguersuari1:37.1602.25238Macio novo (7)
Di Resta1:37.9363.02848Duro novo (18)
Glock1:39.8114.90349Macio usado (19)
Buemi1:40.2245.31624Macio novo (13)
Liuzzi1:40.5245.61640Macio novo (9)
D’Ambrosio1:40.5605.65230Macio usado (2)
Kobayashi1:40.7035.79523Macio usado (3)
Ricciardo1:40.9106.00230Macio usado (2)
Trulli1:55.49120.5839Inters novos (9)
Kovalainen2:10.40435.4962Inters novos (2)

*entre parênteses, quantas voltas o pneu tinha quando o piloto fez o melhor tempo

Se alguém tinha dúvidas da valia em se guardar um jogo de pneus na classificação, aí está a prova: observe como a maioria dos pilotos que fez seu último stint com o composto novo obteve sua melhor volta mais tempo depois do pit. A questão não é que o pneu novo seja mais rápido, mas ele dura voltas valiosas a mais, que permitem uma maior flexibilidade na estratégia.

Por outro lado, quem estava com pneus usados fez seu melhor tempo na segunda volta do pneu – a não ser aqueles que, como Massa e Webber, lutaram por posição até o final e tiveram que levar o último jogo ao limite.

É lógico que aí também entra a questão de poupar os pneus, pois os pilotos não forçam o ritmo como se estivessem em voltas de classificação o tempo todo com esses Pirelli, a não ser, justamente, que estejam tentando ultrapassar um adversário.

Impressionante foi o ritmo de Alonso nos últimos dois stints, a partir do momento que alcançou a liderança. O espanhol, que já vinha sendo o homem mais rápido da pista em diversos momentos na prova, não fez apenas a melhor volta da corrida com mais me meio segundo de margem, mas sim manteve este ritmo forte por uma sequência considerável de voltas, chegando a ser 1s5 mais rápido que os rivais em determinados momentos.

E, caso alguém esteja se perguntando, Di Resta foi o único piloto a usar pneus duros na corrida. E, pela confusão que se tornou seu último pit, já que o rádio o chamou, mas os mecânicos esperavam Sutil – e os pneus de um carro não podem ser colocados em outro – provavelmente foi um engano.

Ferrari vê uma luz também nas paradas de boxes

PilotoEquipePitsPerda totalMédia por parada
MassaFerrari31’11s32623s775
HamiltonMcLaren31’12s50524s168
ButtonMcLaren31’12s64924s216
AlguersuariToro Rosso248s81424s407
WebberRed Bull31’13s24824s416
PetrovRenault249s05224s526
RosbergMercedes249s12124s560
HeidfeldRenault249s15024s575
AlonsoFerrari31’14s01424s671
MaldonadoWilliams31’14s37924s793
BarrichelloWilliams249s81524s902
GlockVirgin250s37525s186
BuemiToro Rosso250s89925s444
PerezSauber251s00525s502
SutilForce India31’17s05425s684
LiuzziHispania252s14826s074
RicciardoHispania252s81426s407
VettelRed Bull31’19s51326s504
D’AmbrosioVirgin254s17027s085
SchumacherMercedes21’26s64428s881
KobayashiSauber259s99929s999
Di RestaForce India31’43s37434s458
TrulliLotus
KovalainenLotus

A Ferrari não mostrou apenas sinais de melhora dentro da pista: pela primeira vez no ano, um piloto da Scuderia teve a melhor média de tempo de perda nos pitstops. A honraria ficou com Felipe Massa. Mas ainda não dá para os italianos comemorarem: Fernando Alonso teve apenas a nona melhor marca e perdeu quase 3 segundos a mais que o brasileiro.

Em termos de consistência, a melhor equipe foi a McLaren, um relógio de paradas em 24s1 e 24s2. Sobrou rapidez e faltou atenção do responsável por liberar Jenson Button, que não percebeu a falha no dianteiro direito e causou o abandono do inglês.

Destaque também para a consistência da Renault e da Wiliams, ainda que falte alguns décimos para a equipe de Barrichello se dizer feliz com suas paradas.

O erro da Red Bull acabou não apenas fazendo Vettel a mudar completamente sua abordagem em relação à corrida, mas também colocou o líder do campeonato atrás da Hispania – pelo menos nesse quesito!

A Ferrari virou a melhor num passe de mágica?

Fernando Alonso pode falar aos quatro cantos que venceu as Red Bull por 20s em um território inóspito para a Ferrari, bradar que tinha um ritmo muito melhor. E é verdade. Mas houve três fatores que ajudaram o resultado – e que nos fazem ter de esperar pelo menos até a Alemanha para descobrir se esse 150º Italia chegou pra valer.

Obviamente, o erro da Red Bull no segundo pitstop de Vettel foi fundamental para a corrida do alemão, que desgastou seus pneus – como esperado, foi só ficar preso no meio do pelotão para toda sua ‘magia’ em manter os Pirelli rendendo bem acabar – atrás de Hamilton, teve de antecipar seu pitstop e acabou ficando tempo demais com o último jogo de pneus macios. Esse é o primeiro fator.

Em segundo lugar, a chuva antes da prova foi uma mão na roda para a Ferrari, pois eliminou a necessidade de usar os pneus duros, que vêm sendo, desde o ano passado, o grande tormento da Scuderia. Com eles, Alonso caiu da liderança para tomar uma volta há dois meses. Se tivessem superado totalmente os problemas com a borracha mais dura, seria quase um milagre.

Mas não pudemos descobrir isso, sequer nos treinos de sexta-feira, atrapalhados pela chuva. É óbvio que as novidades que a Scuderia trouxe para Silverstone – como tem sido de praxe, enquanto a Ferrari consegue colocar o que desenvolve no túnel de vento no carro, a McLaren teve que dar um passo atrás – melhoraram a pressão aerodinâmica do carro e isso interfere diretamente no rendimento com compostos mais duros, pois gera mais carga e favorece o aquecimento. Mas teriam os problemas sido solucionados completamente? É uma pergunta que vai ter de esperar ainda além da Alemanha, já que a Pirelli anunciou que não levará os duros nem para Nurburgring, nem para a Hungria.

O terceiro fator é o mais incerto de todos. Sem o tal difusor soprado nas freadas, de acordo com Felipe Massa, o carro perdeu de quatro a seis décimos por volta e “é impossível que os outros tenham perdido muito mais que isso”, opinou o brasileiro após o GP. Pelo tamanho da briga que a Red Bull comprou nesse final de semana, talvez Felipe esteja errado. Como tudo caminha para voltarmos à configuração de Valência, logo teremos esta parte da resposta.

Mas também não dá para ignorar que a Ferrari vem chegando nas últimas três provas. Poderia ter vencido em Mônaco e no Canadá, assim como lutou de igual para igual com a Red Bull em Valência. E com o difusor soprando à vontade. Faltava aquele imprevisto de corrida que faria Vettel gastar mais pneu e ficar em desvantagem. E ele chegou em Silverstone.

Porém, que ninguém diga que teremos uma repetição de 2010. Não são mais 47 pontos de diferença entre o líder e Alonso, e sim, 92. E a Red Bull, que até usou de ordens de equipe na corrida de hoje, parou de jogar pontos ao vento.

Placar de posições de chegada entre companheiros – e primeira ordem de equipe clara do ano

 

Vettel9 x 0Webber
Hamilton6 x 3Button
Alonso6 x 3Massa
Schumacher4 x 5Rosberg
Heidfeld5 x 4Petrov
Barrichello8 x 1Maldonado
Sutil5 x 4Di Resta
Kobayashi4 x 4Perez
Buemi6 x 3Alguersuari
Kovalainen2 x 7Trulli
Ricciardo0 x 1Liuzzi
Glock4 x 5d’Ambrosio

E não é que a única ordem de equipe clara que vimos nesse primeiro ano de liberação, de fato, foi daquela que mais chiou contra a prática no ano passado? E, seja para qual tabela que queira olhar, a do campeonato ou esta comparação, é difícil encontrar uma justificativa plausível. No entanto, trabalhar levando em consideração apenas seus interesses é um direito adquirido pelos times e não há muito a dizer do ponto de vista legal.

No entanto, como era de se esperar, nenhuma regra vai apagar a má impressão que um “Fernando is faster then you” ou um “mantain the gap”, como Webber ouviu, segundo ele, por quatro ou cinco vezes no GP da Grã-Bretanha – mesmo palco do já histórico “nada mal para um segundo piloto”– , deixa nos torcedores. Junto dela, vem o descrédito de tudo o que for feito em relação ao australiano a partir de agora.

É esse o custo com o qual a Red Bull vai ter de arcar agora. Talvez consigam colocar panos quentes e nunca mais se falará nisso. Mas Christian Horner nunca mais poderá encher os pulmões para falar sobre a esportividade imaculada de sua equipe. Quem disse que as ordens de equipe não seriam mais punidas?

Red Bull na frente, mas ter a Ferrari a pouco mais de um décimo certamente não estava nos planos

As mesmas três caras do top 3 do ano passado em Silverstone

Por um lado, mesmo depois de toda a polêmica dos escapamentos, a Red Bull se manteve na frente. Mas é bem verdade que ter a Ferrari a pouco mais de um décimo de distância, ainda mais em um circuito de curvas de alta, praticamente feito para o RB7, com certeza não estava nos planos. E a McLaren, mais uma vez perdida com as novidades que trouxe para Silverstone – acabou indo para a classificação sem nenhuma delas – ficou definitivamente, ao menos aos sábados, para trás. Mas não tanto quanto a Renault que, como se esperava, foi a mais prejudicada pelas mudanças.

O começo de treino foi momevimentado pela chuva. Nessas condições, é melhor manter-se na pista com os pneus duros, fazendo o máximo de voltas possível. Quem não fez a lição de casa foi a Toro Rosso, que ficou para trás com seus dois pilotos, possibilitando que Heikki Kovalainen passasse para o Q2 pela Lotus. Ao menos Alguersuari conseuguiu ficar à frente do companheiro apenas pela segunda vez na temporada, continuando em sua tendência de reação no campeonato.

Alguns pilotos chegaram a andar de intermediários, mas a pista já estava para os slick quando começou o Q2. Colocando os macios logo de cara, pilotos de equipes médias começaram a pipocar no primeiro lugar. Curiosamente, vários criados no automobilismo britânico e que já correram várias vezes em Silverstone no “chove, não molha” e sabem os segredos de um circuito plano, em que a água não escoa, pularam na frente.

Os grandes apareceram para acabar com a festa e novamente Ferrari e Red Bull dominaram, com os “codjuvantes” de cada time à frente. Mudanças de regulamento e o trabalho do final de semana atrapalhado pela chuva ajudaram Kobayashi, Di Resta e Maldonado a tirar as Renault e Schumacher do Q3. Para quem esperava que os motores Mercedes aproveitassem a teórica vantagem que têm com as novas regras, tivemos um motor de cada para as caras menos usuais dentro dos 10 melhores.

No Q3, mais uma vez a chuva atrapalhou quem não aproveitou bem o início do treino. Os mais prejudicados foram Massa e Hamilton mas, curiosamente, o inglês ficou a quatro décimos de Button, enquanto o brasileiro foi seis décimos mais lento que Alonso. No entanto, como a vantagem de Red Bull e Ferrari para o restante foi grande, Felipe conseguiu ficar apenas uma posição atrás do companheiro, enquanto Lewis foi o 10º, enquanto Jenson se classificou em quinto!

Mesmo se não chover, a corrida de amanhã promete ser interessante. Afinal, tendo andado apenas por um treino livre no seco, ninguém sabe exatamente quantas voltas os pneus vão durar. Como bônus, podemos ter uma garoa ou outra, só para confundir os estrategistas.

Disputas entre companheiros em classificação

Vettel7 x 2Webber
Hamilton6 x 3Button
Alonso9 x 0Massa
Schumacher1 x 8Rosberg
Heidfeld3 x 6Petrov
Barrichello4 x 5Maldonado
Sutil2 x 7Di Resta
Kobayashi4 x 4Perez
Buemi7 x 2Alguersuari
Kovalainen8 x 1Trulli
Ricciardo0 x 1Liuzzi
Glock6 x 3d’Ambrosio

Diferenças hoje

Vettel x Webber: 0s032
Hamilton x Button: 0s478
Alonso x Massa: 0s608
Rosberg x Schumacher: 0s361
Petrov x Heidfeld: 0s071
Maldonado x Barrichello: 0s531
Di Resta x Sutil: 0s048
Kobayashi x Perez: 0s235
Buemi x Alguersuari: 0s504
Trulli x Kovalainen: 1s533
Glock x D’Ambrosio: 0s951
Liuzzi x Ricciardo: 0s575

Motores, difusores e tempestades em copo d´água

Com um treino livre chuvoso, que trouxe mais perguntas do que respostas, o que mais movimentou a sexta-feira na Inglaterra foi a discussão entre Martin Whitmarsh e Christian Horner na coletiva dos chefes de equipe da FIA. Motivo: a FIA permitiu que o motor Renault, que equipa a Red Bull de Horner, usasse 50% dos gases do escapamento quando o piloto tirar o pé do acelerador, o que vai justamente contra as restrições que começariam justamente neste final de semana, que previam um fluxo de apenas 10%.

Horner se defendeu, dizendo que era uma particularidade do motor Renault e que os rivais, especialmente a Mercedes da McLaren de Whitmarsh, também tinham seus modos de manter a pressão aerodinâmica nas freadas, por meio do overrun.

Para o chefe de Hamilton e Button, os dois fatores não se comparam e a Red Bull terá uma grande vantagem com sua permissão especial. Para Horner e a FIA, aparentemente não é o caso. A entidade teria voltado atrás no caso da Renault porque a Mercedes provou que seu overrun não era ilegal e, com isso, seriam os alemães que teriam vantagem.
O fato é que, por mais que o desenvolvimento de grande parte dos motores esteja congelado e a potência seja parecida entre eles, as unidades em si têm suas particularidades. E o efeito de correr sem o ar passando constantemente pelo escapamento é diferente para cada um.

Segundo Ross Brawn, toda a polêmica começou quando uma equipe foi à FIA denunciando o escapamento soprado como apêndice aerodinâmico móvel e ameaçando fazer um protesto. Tendo em vista que a grande maioria – em menor ou maior escala – usa o artifício, isso significaria na prática impugnar o campeonato e levar a decisão para os tribunais. Mais uma vez.

Teoricamente, era só uma questão de banir esse sopro constrante. Mas como fazer isso de maneira igualitária quando algumas equipes, especialmente Renault e Red Bull, construíram seu carro com base nesse conceito – e tiveram seus projetos aprovados pela própria FIA?

Ao menos os rivais de McLaren e Red Bull concordam em um ponto: seria melhor mexer nas regras só ao final de cada temporada – e que a FIA leve em consideração a mesma regra para todos e vá até o final com o que aprovou no inverno europeu (vide a polêmica sem sentido dos difusores duplas há dois anos).

É fácil entender porque, quando a FIA decidiu mexer em uma parte tão delicada das regras no meio da temporada, acabou colocando a mão em um vespeiro. Com sua entidade reguladora cedendo de todos os lados, a Fórmula 1 corre o risco de fazer mais uma tempestade em copo d’água.

Tudo sobre o GP da Grã-Bretanha

O final de semana de Silverstone promete ser daqueles movimentados. Todos vão perder um pouco com a mudança nas regras e talvez pouco mude na relação de forças entre as equipes, mas certamente todas elas estarão utilizando todo tempo de pista possível – e o que os raros jogos de pneus disponíveis permitirem – para avaliar o comportamento dos carros sem o auxílio do efeito aerodinâmico dos gases do escapamento por todo o tempo. Isso afeta principalmente as freadas e curvas, e deve desestabilizar bastante os carros.

Silverstone costuma mostrar a verdade sobre quem é quem, não mascara deficiências como as últimas três provas. Tanto, que foi uma dobradinha da Red Bull em 2009, o que só não se repetiu ano passado por um afoito Vettel, que teve um pneu furado ao dividir a Stowe com Hamilton na largada. Só voltou para a corrida e marcou pontos graças a um Safety Car.

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Aos que gostam dos números, vale lembrar que o GP da Grã-Bretanha não repete vencedor desde 2003. E Vettel já levou a sua, em 2009.

Não é um circuito em que é fácil ultrapassar. Mas principalmente a sequência de curvas de alta, que agora está no segundo setor, garante perseguições emocionantes. A asa traseira móvel estará na parte nova do circuito, com as curvas mais travadas, e deve ser efetiva, sem tornar as manobras simples demais.

As asas prometem fazer mais diferença na classificação, quando poderão, de acordo com previsão da Mercedes, ser utilizadas por 57% da volta. Naturalmente, o carro que estiver mais no chão nas saídas de curva levará vantagem.

O acerto para o traçado tem alguns desafios. A prioridade geralmente é dada para as curvas de alta. No entanto, a parte mais sinuosa, que agora está no primeiro setor, não pode ser totalmente deixada de lado.

Outro grande desafio é em relação ao vento, muito presente no terreno plano daquele que já foi um aeroporto na Segunda Guerra Mundial. Prever com precisão para onde e com que intensidade ele estará soprando no domingo garante uma sétima marcha na medida certa.

Nº de voltas52
Ativação da DRSDetecção na entrada da Village (curva 3) e ativação antes da reta Wellington (entre as curvas 5 e 6 – Brooklands)
Pé em baixo64,00%
Consumo de câmbiomuito baixo
Consumo de freiosbaixo
Consumo de motorbaixo
Nível de downforcemédio
Uso de combustível2.36kg/volta, faz diferença de 0s07/volta
Tempo de perda no pit19s1
2010
Pole positionSebastian Vettel, 1min29s615
Resultado da corrida1º Mark Webber
2º Lewis Hamilton
3º Nico Rosberg
Volta mais rápidaFernando Alonso, 1min30s874

Retrospecto em Silverstone

Piloto4º-6º7º-10º11º+DNF
Sebastian Vettel111
Mark Webber1122
Lewis Hamilton1111
Jenson Button5222
Fernando Alonso12131
Felipe Massa332
Michael Schumacher331315
Nico Rosberg1121
Nick Heidfeld14141
Vitaly Petrov1
Rubens Barrichello1233513
Pastor Maldonado
Adrian Sutil112
Paul di Resta
Kamui Kobayashi1
Sergio Perez
Sebastien Buemi11
Jaime Alguersuari1
Heikki Kovalainen1111
Jarno Trulli3425
Narain Karthikeyan1
Vitantonio Liuzzi3
Timo Glock12
Jerome D’Ambrosio

A estreia de Ricciardo na Hispania dá várias dicas

Ricciardo vai ter de entrar retrancado na Hispania

A princípio, é de se estranhar que o novo garoto prodígio da Red Bull, Daniel Ricciardo, faça sua estréia na F-1 neste final de semana pela Hispania. Afinal, o australiano teria tudo para ser queimado logo de cara, entrando no meio da temporada no pior carro do grid – ainda por cima, o anúncio da equipe na sexta-feira não deixou claro se o piloto estará em todas as etapas ou dividirá o carro com seus companheiros, o que seria ainda pior para sua adaptação.

Porém, a manobra da Red Bull para colocar Ricciardo na Red Bull revela muitas coisas. Parece haver uma certa urgência para definir quem será o companheiro de Sebastian Vettel quando Mark Webber se aposentar. Parece, também, que não há certeza de que Sebastien Buemi ou Jaime Alguersuari estejam prontos para ocupar este papel.

Neste caso, o andamento normal seria sacar um dos pilotos da Toro Rosso e promover a estreia do jovem de 22 anos. A julgar pelo desempenho de ambos nas seis primeiras etapas, a opção era clara por Alguersuari, superado constantemente pelo companheiro em classificações – reconhecidamente, seu ponto fraco – e também nas corridas – o espanhol não se acertava com os pneus Pirelli.

No entanto, Alguersuari virou o jogo nas últimas duas etapas, alcançando por duas vezes sua melhor posição de chegada na carreira e chegando aos mesmos 8 pontos de Buemi. Talvez até por contrato, não poderia ser sacado agora.

A urgência de testar Ricciardo e o bom trabalho agora dos dois pilotos da Toro Rosso explicam a ida do australiano – que vem, aliás, de um mercado estratégico para a Red Bull, muito mais influente que o suíço, de Buemi, ou mesmo o espanhol, de Alguersuari – para a fraca Hispania. Classificar-se à frente ou ao menos perto de Liuzzi e se manter longe de problemas nas corridas – como, aliás, D’Ambrosio tem feito na Virgin de maneira até surpreendente – já será uma vitória.

Outro fato curioso a ser observado é que Ricciardo vem da World Series, e não da GP2, que se tornou nos últimos seis anos referência para a consolidação de jovens talentos e candidatos à F-1. E parte desta urgência provavelmente vem do fato do piloto não estar dominando a temporada como se esperava. Em seu segundo ano na categoria – foi vice na estreia – ocupa a sexta colocação no campeonato

A Red Bull vem, aliás, pulando a GP2 como categoria de acesso já há algum tempo. O próprio Vettel veio direto da World Series e da F-3 Europeia, enquanto Alguersuari foi promovido após ser campeão da F-3 Inglesa.

De acordo com Felipe Nasr, em entrevista recente ao TotalRace, a categoria está se tornando mais interessante que a GP2 por oferecer praticamente o mesmo nível de experiência e ser muito mais barata:

“Ano que vem, eles terão o motor V8 no carro, de 550 cavalos. Vão aumentar a quantidade de pressão aerodinâmica e adotar o sistema da asa traseira móvel. Sem contar os custos. Na GP2, estamos falando de dois milhões, dois milhões e meio de euros [equivalente a R$ 4,5 mi a 5,6 mi] se você quer andar em uma equipe de ponta. É muita grana para uma categoria em que você já está chegando à F-1. Na World Series, o valor gira em torno de 800, 900 mil euros [R$ 1,8 milhão a 2 milhões]. A diferença é muito grande. Claro que não é o mesmo carro, mas o importante é ter a experiência de correr onde a F-1 está”.

Até hoje, a Vettel falta um pouco de race craft, ou seja, as noções de correr no meio do pelotão, e a Alguersuari, tirar tudo do carro em uma volta. Difícil saber se é essa queima de etapas que fez a diferença – ainda que a “deficiência” do alemão esteja sendo facilmente mascarada pelas poles que consegue somar. De qualquer maneira, teremos em Ricciardo outro exemplo a observar a partir de Silverstone.

Silverstone é a hora da verdade no campeonato

Agora vamos ver se parte do segredo do RB7 está no escapamento

Com Sebastian Vettel abrindo 77 pontos para Mark Webber e Jenson Button, todos os olhos estarão voltados para o GP da Grã-Bretanha, no próximo final de semana. Isso, por dois motivos: saber realmente o quanto os rivais melhoraram em relação à Red Bull e em que medida as alterações nas regras, que entram em vigor agora, afetarão o time do atual líder do mundial.

Silverstone é o primeiro circuito em que a aerodinâmica predomina desde Barcelona. E é a aerodinâmica a principal vantagem da Red Bull. Portanto, o GP britânico dará a medida exata de quem fez melhor a lição de casa de maio para cá. Vale lembrar que foi no GP da Espanha que Lewis Hamilton lutou até as últimas voltas com Vettel pela vitória e deu a impressão de que a McLaren despontava como grande a rival do alemão. O desempenho dos prateados deixou a desejar em Valência e no Canadá – ao menos no seco – e não está claro se eles voltarão a incomodar no traçado inglês.

Além disso, as últimas etapas, em circuitos nos quais a parte mecânica do carro prevaleceu, mostraram um crescimento da Ferrari, que tem de ser confirmado nas curvas de alta velocidade.

Outro fator que facilitou para a Scuderia nas últimas provas foi o uso dos compostos de pneus mais macios. Agora, outra prova de fogo para Fernando Alonso e Felipe Massa será voltar aos pneus duros, com os quais ambos têm tido dificuldades. Na verdade, um fator tem a ver com o outro: um carro que gera mais carga aerodinâmica automaticamente coloca mais temperatura nos pneus. Portanto, tiraremos a prova em Silverstone se a Ferrari efetivamente melhorou ou se viverá de lampejos com os pneus macios e circuitos específicos até o final da temporada.

Mas o assunto que estará na boca de todos será as mudanças no regulamento. Na verdade, a FIA foi avisada por uma equipe – não se sabe qual – que os demais estavam fora das regras e teve de agir para evitar um campeonato indo parar nos tribunais.

Praticamente todos os times – uns em menor medida que outros – estavam usando os gases do escapamento para gerar (ela novamente!) pressão aerodinâmica. Até aí, tudo bem. O problema é que os fabricantes de motores começaram a trabalhar para que esse fluxo de ar no escapamento continuasse mesmo quando os pilotos não estavam com o pé no acelerador. Já que usar o propulsor como artifício aerodinâmico é irregular, baniram a ideia e, a partir do ano que vem, todos os escapamentos terão que ser direcionados para cima, e não mais por baixo do carro.

Como muitos acreditam que a proibição afeta mais a Red Bull que os rivais, a medida soou como mais política que técnica. Mas essa é uma resposta – mais uma – que só teremos em Silverstone.

Coluna publicada no jornal Correio Popular, dia 02.07.2011

Quantos motores foram utilizados até agora

AUSMALCHITURESPMONCANEUR
1Vettel11223333
2Webber11223333
3Hamilton12233333
4Button12233333
5Alonso12233344
6Massa12234444
7Schuamcher11233333
8Rosberg11233333
9Heidfeld11223333
10Petrov11223333
11Barrichello11223344
12Maldonado11223344
14Sutil11123333
15Di Resta11223333
16Kobayashi12233344
17Perez1223334
17De la Rosa4 
18Buemi12233344
19Alguersuari12233344
20Kovalainen11223344
21Trulli11223333
22Karthikeyan11233344
23Liuzzi11233344
24Glock1, 22233344
25D’Ambrosio12233344

Ninguém substituiu os motores do GP do Canadá para o da Europa, depois de que vários trocaram os propulsores para esta sequência de dois circuitos que forçam bastante as unidades.

Para saber mais sobre como funciona a tabela e a regra dos motores, clique aqui.

GP da Europa nas TVs espanhola, inglesa e brasileira: “mais uma vez, o dedo que tanto temem”

As transmissões do GP da Europa nas TVs inglesa, espanhola e brasileira não poderiam começar mais diferentes – e não poderiam dar dicas maiores de como são pautadas. Na BBC, David Coulthard traz a informação de que, com base nos treinos de sexta-feira, parar duas vezes é 7s mais rápido que três, mas a temperatura de pista pode mudar isso. Na La Sexta, Antonio Lobato observa o aumento de público nas arquibancadas em relação ao ano passado. E, na Globo, o assunto são as mudanças no regulamento. “O momento da decisão tem toda cara de medida política”, aponta Reginaldo Leme.

Todos acreditam que a McLaren será a grande rival da Red Bull e que Lewis Hamilton vai para cima – Martin Brundle inclusive opina que o time inglês poderia ter ganho as últimas três provas, mas na largada é Felipe Massa quem salta como um foguete. “Foi excepcional, mas o Webber fechou a porta e os pilotos da Ferrari se respeitaram”, sintetiza Galvão Bueno. “Ele sempre larga melhor que o Alonso”, arremata Reginaldo. “Outra tremenda largada de Massa e Vettel fazendo exatamente o que precisa”, vê Brundle. “Mas o vencedor foi Alonso e as duas McLaren ficaram para trás”, completa Couthard. “Alonso não consegue acertar as largadas, mas, sendo uma velha raposa como é, se recuperou”, pondera o narrador inglês. Os espanhóis veem Massa “muito agressivo” e creditam a largada ao lado limpo da pista. “Incrível Alonso, ele sabia que tinha que passar Massa de qualquer jeito”, acredita Pedro de la Rosa, enquanto Marc Gené vê Webber prejudicando Massa – “foi muito conservador.”


Outro foco de atenção na largada é Hamilton. Para Galvão, o inglês “pensou umas três vezes na largada. Acho que já gastou toda aquela história de pensar duas vezes.” Enquanto isso, na BBC, Coulthard diz que “se Massa fosse Hamilton, teria passado Webber”.

“Vamos ver o que a Ferrari consegue fazer em relação à Red Bull”, Brundle não acredita muito na Scuderia. “É uma lástima que Webber esteja logo atrás de Vettel, porque assim eles podem se proteger”, observa De la Rosa. “Ou segue o ritmo, ou saia da frente”, Lobato manda um recado para o australiano.

Todos se surpreendem com a dificuldade dos pilotos em ultrapassar usando a asa traseira móvel, mas De la Rosa vê uma vantagem para Alonso. “Andando na zona, ele ganha 0s5 por volta em relação a Vettel.” Os espanhóis estão esperançosos porque “o ritmo da Red Bull não é de outra galáxia”.

Na Globo, acreditam que o pace mais lento da McLaren é porque iriam a duas paradas – veem os pilotos da Ferrari no limite para acompanhar o ritmo. “Foram dois erros que mostram que eles estão pegando o carro pelo pescoço.” Na BBC, é a Red Bull quem está preocupada com os pneus deWebber. “Ele está gastando mais que Alonso, era o que Horner temia, porque a Ferrari é melhor com os pneus”, informa o repórter Ted Kravitz. “Quando eu era piloto, tinha dois que não queria ter me perseguindo, Senna e Schumacher. Se estivesse no grid agora, seria Alonso… e provavelmente Kobayashi”, Brundle confidencia. Tanto os ingleses, quanto os espanhóis veem o piloto da Ferrari mais rápido que o australiano. “Tem corrida pela frente e tudo pode acontecer, porque o carro mais rápido é o de Fernando”, anuncia Lobato.

Gené explica o dilema da Ferrari: “se parar uma volta antes, ganha a posição e fica com pneus mais velhos no final, senão espera um pouco e não ultrapassa agora.” A segunda possibilidade é a opção da Scuderia. A McLaren tenta o contrário para passar Massa, como observa De la Rosa – “posso dizer que a parada não estava programada”, afirma o piloto de testes da equipe. Apesar da comemoração de Galvão e Reginaldo pelo bom tempo de pitstop do brasileiro – “até que enfim!”, exclama o comentarista, o undercut funciona e Hamilton volta à frente. O narrador não entende. “Aconteceu o que eu temia, o Massa voltou atrás. Foi alguma coisa que a transmissão não deve ter mostrado.”

O replay mostra um toque de Schumacher com Petrov. Coulthard acha que, além de bater no russo, o alemão ainda cruzou a linha branca ao sair do box. E Luciano Burti pergunta. “Ele vai parar ou não no final do ano? É uma coisa atrás da outra que não dá certo para ele”. Mais adiante na corrida, quando o heptacampeão aparece fazendo bela manobra sobre Maldonado, Coulthard ri. “Sempre quando aparece esses replays do Michael fico esperando o toque.”

Narrador e comentaristas brasileiros veem Karthikeyan atrapalhando Webber – na verdade, era Liuzzi. Logo lembram do acidente de Massa no Canadá. “O carro é muito ruim e ele também. É um obstáculo móvel.”

Brundle e Coulthard estavam falando de outro assunto quando Alonso passou Webber. “Ele veio do nada.” Para o escocês, foi porque “o vácuo é muito grande, já que, devido à DRS, eles batem no limitador na classificação”. Galvão exalta que, “mesmo com a asa, ainda tem que ser bom para acertar a freada. Eu disse que ele tinha aberto a temporada de caça!” e lembra do ditado espanhol – no hay dos sin tres, ou seja, na terceira tentativa, as coisas acontecem, remetendo-se às corridas de Mônaco e do Canadá. Lobato vai à loucura. “Magic Alonso ao ataque! E há ainda alguns que perguntam porque o chamamos assim…”

http://youtu.be/OWwGwO9Ep3s

O narrador vê seu conterrâneo “indo para cima de Vettel, que se defende desesperadamente. Estamos na cabine imaginando que é possível ganhar.” Brundle faz a mesma pergunta na BBC: “será que a Ferrari pode vencer?” e Coulthard logo lembra que o time de Maranello estava infeliz com os pneus médios na sexta-feira – “e Vettel sabe disso”.

A segunda rodada de pitstops colocou um balde de água fria. Webber recuperou a posição e o tom na La Sexta é de resignação. “É a história da sua vida. Sempre tem que dar 120%, continuar lutando, enfrentando adversidades”, filosofa Lobato. “A Red Bull foi muito bem porque recolocaram Webber no caminho de Alonso contra Vettel”, vê De la Rosa, enquanto Brundle agora se pergunta se é o australiano quem pode lutar pela vitória.

Assim como os ingleses, os comentaristas da La Sexta destacam a todo momento a “corrida da vida” de Jaime Alguersuari. “Parece que encontrou seu acerto”, vê Brundle.

Na Globo, as atenções estão voltadas para o duelo entre Hamilton e Massa. Galvão acredita que o inglês vai a quatro paradas devido ao alto consumo de pneu e, quando recebe a ordem para andar mais devagar, afirma que “estava na cara que iam dizer isso para ele”. Os rádios do piloto da McLaren, que ora diz não poder diminuir o ritmo, ora não poder ir mais rápido, divertem ingleses e espanhóis – “sabemos que esse não é o caso. Isso é frustração por não conseguir fazer os pneus funcionarem”, aponta Coulthard.

Após a parada ruim do brasileiro, Galvão não se conforma: “Estava tudo bom demais para a Ferrari. Vai ter de compensar no braço. Felipe, que estava brigando com Hamilton pelo quarto lugar, agora tem de se contentar com brigar com Button.” Os ingleses comemoram justamente por isso – “é boa notícia para Jenson”, enquanto De la Rosa observa “mais erros nos pits de todas as equipes neste ano.”

Falando em Button, Reginaldo diz estranhar o mau rendimento da McLaren. “Credito isso ao crescimento da Ferrari”, diz Galvão. O comentarista espera que o comportamento distinto com os pneus médios agite as brigas pelas primeiras posições.

Os espanhóis, por outro lado, já estão entregues. “Alonso pode usar a última rodada de pits para parar antes e ultrapassar?” pergunta o calado Jacobo Vega. “Era uma jogada que tinham de fazer antes”, responde De La Rosa. “O problema é que o médio é mais lento”, completa Gené.

Coulthard vê qual a jogada a se tentar. “Acho que a Ferrari vai ser a última a colocar pneu médio. Eles não vão chegar muito longe parando antes se o rumor de que têm dificuldades é verdadeiro.” Logo, De la Rosa também canta a bola. “O que vai determinar a briga entre Alonso e Webber é o ritmo do pneu macio velho contra o novo médio”. Assim foi e o espanhol ganhou a disputa. “Fernando está em segundo, ainda que ninguém acredite, que pareça um sonho!”, Lobato não se contém.

Fechada a fatura, Webber se torna o foco. “Vettel consegue colocar o peso nos quatro pneus, enquanto Webber acaba com os traseiros”, explica Brundle. Para Galvão, é mais simples do que isso. “Vettel sobra e Webber não acompanha. Corre pelo paddock a conversa de que ele para no final do ano, já não tem o mesmo entusiasmo.” Pelo menos na corrida, seu problema era o câmbio. Ou não. “É combustível”, Gené crava com ares de satisfação. “Se Webber não tapa Alonso, ele teria pressionado Vettel e agora seria o alemão quem teria problemas de combustível”, raciocina Lobato.

O líder do campeonato vence mais uma e, para Galvão, a Red Bull “nem se anima mais para comemorar.” Os espanhóis veem Alonso (“a torcida teve seu prêmio, seu milagre particular”) e Alguersuari como os homens do final de semana – ainda que De la Rosa tente puxar sardinha para Vettel, mas não é levado muito a sério.

Coulthard e Brundle, por sua vez, se derretem para o alemão. “Usando a cabeça e os pneus, olhando lá para frente, sem gastar a aderência imediata”, destaca o narrador. Um recado para Hamilton? “Ele salvou o quarto lugar, é o que dá para dizer.”

O escocês defende o tipo de emoção da corrida. “Não foi uma prova para arriscar, foi disciplinada. Acho que estamos numa fase do campeonato em que as equipes têm mais informação e sabem o que fazer no domingo.”

Seja em provas emocionantes, ou naquelas mais táticas, o vencedor não é supresa. “Os rivais vão ver mais uma vez o dedo que tanto temem”, diz Coulthard. “Eles já não estão conseguindo ver que dedo ele mostra, de tão longe que está”, Brundle finaliza os trabalhos.

Alonso x Massa: classificação e corrida contam histórias diferentes

Felipe MassaFernando Alonso
Posição de largada
Tempo na classificação1min37s5351min37s454 (-0s081)
Posição de chegada
Perda em relação ao líder51s70510s891 (-40s814)
Pit stops33

Ao contrário do que aconteceu em outras etapas neste ano, Felipe Massa ficou mais perto de Fernando Alonso na classificação do que na corrida. O piloto brasileiro conseguiu, ao contrário do companheiro, melhorar na segunda tentativa no Q3 e ficou a menos de um décimo do espanhol. No entanto, à exceção do primeiro stint, seu ritmo foi bastante inferior durante a prova. Tanto, que a diferença, que era de 4s345 após as 13 primeiras voltas, se tornou mais de 40s ao final de 57.

O próprio brasileiro admitiu que não se sentiu confortável com seu segundo jogo de pneus macios, com os quais perdeu cerca de 10s em relação a Alonso.

Mais 4s495 dessa diferença devem ser creditados aos problemas que Massa teve em seu segundo pit stop. Com isso, a distância no início de seu terceiro stint, na volta 32, já era de 26s285. E subiu para 39s668 no início da sequência de voltas com o pneu médio.

Observando os stints de Massa, a impressão é de que o brasileiro passa a sofrer com a degradação antes de seu companheiro. O piloto fez sequências de 15, 16, 17 e 9 voltas, enquanto seu o espanhol optou por 14, 15, 16 e 12, o que denota uma preocupação da equipe em relação a seu desempenho com a borracha mais dura que, com essas três voltas a menos, acabou sendo igual ao de Alonso – uma vez que a diferença entre os dois só flutuou em cerca de um segundo no final do último stint.

O ponto crucial da prova dos dois foi a largada. Massa teve um início sensacional, mas parou na cautela de Webber, enquanto Alonso, do lado sujo do grid, teve uma saída mais lenta e uma ótima segunda fase, conseguido colocar-se logo atrás das Red Bull.

Outro ponto importante é o grande ritmo de corrida de Alonso, em certos momentos mais rápido até que as Red Bull. O fato de manter-se a menos de um segundo de Mark Webber por grande parte da prova denota que tinha rendimento superior ao menos que o australiano. Porém, quando ficou no mano a mano com Vettel, os dois viraram tempos idênticos. Com os pneus médios, no entanto, seus tempos caíram em relação ao alemão e o espanhol perdeu cerca de 2s para o líder nas últimas nove voltas.

É de certa forma encorajador e temerário para a Ferrari. Ainda que Alonso tenha terminado a corrida a 10s do líder, mesmo tendo levado 0s5 na classificação, esses cerca de dois décimos por volta perdidos com o pneu médio em uma pista com temperatura nas alturas mostram que os problemas com os compostos mais duros não foram totalmente superados.

Vettel x Webber: duelo mais apertado do ano

 Mark WebberSebastian Vettel
Posição de largada
Tempo na classificação1min37s1631min36s975 (-0s188)
Posição de chegada
Perda em relação ao líder27s2550 (-27s255)
Pit stops33

A diferença final pode ter sido de mais de 27s, mas, até o final do terceiro stint de Webber, era apenas de 3s911. Esse é o número que conta com maior senso de realidade a história do duelo entre os companheiros da Red Bull, o mais igualado do ano até agora. Isso porque, após sua terceira parada, o australiano foi avisado pela equipe que tinha problemas de câmbio e diminuiu o ritmo. Se seus problemas com os Pirelli apareceriam com o composto médio, não pudemos saber.

Mesmo que Webber tenha motivos para ficar animado com seu desempenho, é bem verdade que essa diferença de cerca de três segundos que manteve-se por grande parte da prova parece ter sido a escolhida para Vettel como o ritmo em que poupava os pneus ao mesmo tempo que se defendia do “undercut” de Mark. De fato, o alemão estava sempre mais inteiro ao final dos stints e parecia fazer seus pitstops mais pela estratégia do que pela necessidade – e esse tem sido seu grande segredo neste ano, saber manter os rivais com uma distância mínima que lhe permita responder às paradas sem ter que levar seus pneus ao limite.

É fato que Webber, ainda que tenha andado em ritmo semelhante, nunca ameaçou o companheiro, que apenas se viu forçado a apertar o ritmo entre as voltas 21 e 29, quando Alonso passou a ser seu perseguidor. Mas a Ferrari só conseguia trocar décimos com a Red Bull, nada mais.

É difícil dizer o que teria acontecido caso o espanhol tivesse passado em segundo lugar na primeira volta, mas esta tem sido a história deste ano até aqui: mesmo quando Vettel tem um rival nas corridas, ele já chega com os pneus comprometidos porque não largou da pole e pôde controlar seu ritmo até ali. Agora, se a Ferrari perder dois ou três décimos a menos que a Red Bull com as mudanças do regulamento – e os problemas da McLaren forem restritos a Valência – a história, não do campeonato, mas pelo menos das corridas, pode mudar.

Estratégia do GP da Europa: o medo dos médios; a importância da posição de pista vs o “undercut”

Usando as previsões baseadas nos treinos de sexta-feira, as equipes determinaram que o mais eficaz seria parar duas vezes – era oito segundos mais rápido que fazer três pit stops. No entanto, a alta temperatura da pista – quase 20ºC mais quente que nos treinos livres, quando o céu estava encoberto – e o tráfego mudaram a história da corrida e as três paradas foram a escolha certa.

Outra razão para parar três vezes era minimizar o máximo possível o tempo gasto com os pneus médios, já que ninguém sabia como eles se comportariam com 47ºC de temperatura de pista e seu rendimento era muito inferior aos macios que, por sua vez, aguentavam bem, cerca de 15 voltas. Para se ter uma ideia, segundo Felipe Massa, a diferença das Red Bull do pneu médio para o macio foi de 2s. Nas McLaren, 1s8 para um e 1s9 para outro. No caso da Ferrari, a melhora foi de 2s5.

O pitwall da Ferrari não deixou o undercut da Red Bull funcionar

Isso explica porque o time de Maranello pareceu ignorar as tentativas de “undercut”, tanto de Webber contra Alonso, quanto de Hamilton contra Massa e só não saiu ganhando em ambos os casos devido a um stint ruim e um pitstop péssimo do brasileiro: toda a corrida dos carros vermelhos foi desenhada para que eles ficassem o menor tempo possível com os pneus médios.

O “undercut” é a tentativa de ultrapassar ou de aumentar a diferença para o carro contra quem se disputa uma posição parando uma volta antes. Como o rendimento dos pneus novos é muito melhor, parar antes é praticamente garantia de voltar à frente em uma disputa apertada, como a que Alonso e Webber travaram. A tática serve para garantir posição de pista. Contudo, como vimos em Valência, quem troca de pneus mais cedo ficará exposto no último stint.

Foi o que a Ferrari imaginou ao deixar seus dois pilotos na pista por três – no caso de Alonso – e 6 – para Massa – voltas a mais que seus rivais diretos antes da última parada. O espanhol estava a 1s5 do australiano antes do piloto da Red Bull parar. Com a péssima volta de Webber depois de sair dos boxes (1min54s5 contra 1min42s5 de Alonso), estava selada a perda de posição, mesmo que a Ferrari talvez tenha esperado uma volta a mais para parar seu piloto (a in lap de Alonso foi cinco segundos pior que de Webber, mostrando que o pneu já tinha acabado).

Pode-se dizer que foi um erro da Red Bull, pois, naquele momento, estava claro que o pneu médio novo andaria pior que o macio usado. O exemplo era Kobayashi, que voltou dos pits andando cerca de 4s mais lento que os rivais mais próximos. A única possibilidade é que Webber avisara que seus pneus tinham acabado.

Sebastian Vettel, entretanto, ficou imune a tudo isso. Com uma vantagem por volta dos 3s5 para o segundo colocado, podia parar depois, perder os 2s em média do “undercut” e permanecer na frente. E a diferença que havia perdido era compensada no final no stint, quando conseguia ficar mais tempo na pista. Vettel tem ganhado as corridas, mesmo que seu carro não tenha uma vantagem de performance absoluta aos domingos, pela tranquilidade de largar na pole e conseguir abrir esses poucos – e preciosos – segundos. Assim, seus pneus sempre têm mais fôlego no final.

No caso de Massa, parecia haver uma preocupação até maior que em relação a Alonso com o rendimento com os pneus médios, pois o brasileiro atrasou bastante todos os seus pits. O normal seria Felipe ter entrado logo na volta seguinte a Hamilton na primeira parada, mas esperou três giros – o argumento de que a Ferrari deu prioridade a Alonso não cabe porque o espanhol parou duas voltas após Lewis. Talvez o time italiano considerasse que o inglês havia parado cedo demais e teria problemas depois – o que, de fato, aconteceu. A questão é que as in laps de ambas as Ferrari foram péssimas (6s pior que as Red Bull), o que indica que o pneu já tinha acabado quando a equipe decidiu mandá-los ao pit.

Assim, Massa voltou pouco menos de 6s atrás de Hamilton. Mesmo que o inglês tenha tido sérios problemas com os pneus, o brasileiro não encostou porque seu ritmo era muito ruim – entre meio e um segundo pior que Alonso por volta – e a distância se estabilizou em cinco segundos até a segunda parada de Lewis. Porém, o brasileiro perdeu 10s em relação aos líderes em seu segundo stint. Levando em consideração que seu companheiro se mantinha na briga com as Red Bull, era de se esperar que, se conseguisse obter ritmo semelhante, passaria Hamilton.

Dessa vez, como o pit da McLaren foi antecipado, Massa esperou sete voltas. A única explicação por ter demorado tanto era a expectativa de capitalizar no final com os problemas de pneus do rival, porque seu ritmo era cerca de 1s mais lento.

Os 5s a mais que Massa perdeu no trabalho dos boxes pouco ajudaram e o que eram 6s na volta da primeira parada se tornaram 14 após uma sequência ruim de voltas e um péssimo pitstop.

Com o terceiro jogo de pneus, Massa voltou a um ritmo mais condizente com o que os líderes tinham e tirou 10s em relação a Hamilton. Da mesma forma que no duelo entre Alonso e Webber, seus pneus macios estavam mais rápidos que os médios quando Hamilton fez a troca. No entanto, o brasileiro nunca chegou a ter os 21s necessários para fazer a parada e ainda voltar na frente – a diferença só chegou a 18s. Então a Ferrari apostou em deixá-lo na pista até os pneus acabarem e esperar que Hamilton tivesse problemas com os médios no final da prova, porque havia entrado cedo. Faltaram 4s para que desse certo.

Vettel continua colecionando marcas… e pontos

Sebastian Vettel chegou muito perto de alcançar um feito que, até hoje, apenas 21 pilotos conseguiram: somar pole position, vitória, volta mais rápida e liderar todas as voltas de uma mesma corrida, o chamado Grand Chelem – dos pilotos do atual grid, apenas Michael Schumacher e Fernando Alonso chegaram à façanha. Isso só não foi possível no GP da Europa porque Felipe Massa liderou uma das voltas da prova, durante uma das rodadas de pit stops.

Curiosamente, foi apenas o segundo hat trick de Vettel, sendo o outro no GP da Inglaterra de 2009. Agora, o alemão tem sete voltas mais rápidas, 22 poles e 16 vitórias. Seu décimo pódio em sequência o coloca em terceiro lugar na história – apenas (novamente) Fernando Alonso, 15 vezes seguidas entre os três melhores entre 2005 e 2006 e Michael Schumacher, 19 vezes entre 2001 e 2002, o superam no quesito.

Outra sequência impressionante é de largadas na primeira fila: já são 13, colocando-o em quinto na história. Mas esse é um recorde dificílimo de ser batido, pois Ayrton Senna não largou em posição pior que segundo entre o GP da Alemanha de 1988 e o GP da Austrália de 1989, ou seja, por 24 provas! À frente de Vettel nesta lista ainda estão Nigel Mansell (15 entre 1986 e 1987), Alain Prost (15 em 1993) e Damon Hill (17 entre 1995 e 1996) – os dois últimos em carros de Adrian Newey.

Seguindo nos números impressionantes da temporada de Vettel, o piloto chegou a 186 pontos, o que significa que marcou mais em oito corridas em 2011 do que nas primeiras 15 de 2010. Aliás, essa pontuação só foi alcançada pelo líder do campeonato do ano passado após o GP da Itália, a 14ª etapa do ano – àquela altura, Mark Webber estava na ponta. Vettel tem ainda mais pontos que todas as equipes que estão do quinto lugar no mundial de construtuores para baixo juntas (186 x 178). Outra prova de que é o piloto da Red Bull quem está em outra dimensão é o fato de que o líder do campeoanto de 2010, após oito provas, somava os mesmos 109 pontos que Webber e Button têm agora.

Ao menos a consistência conta a favor. O alemão, junto justamente do australiano e do inglês, são agora os que têm a maior sequência nos pontos: 10 corridas.

Mas a supremacia de Vettel é incostestável. O atual campeão do mundo liderou 408 das 499 voltas do ano, ou 81.8%. O próximo da lista é Jenson Button, com 31. Na verdade, o vice é Bernd Mayländer. Ele mesmo, o piloto do Safety Car, que “liderou” 40 voltas até agora.

Pela primeira vez desde a estreia do circuito de Valência o segundo degrau do pódio não foi ocupado por Lewis Hamilton. Quem estava lá era Fernando Alonso, que conquistou um dos dois troféus que faltavam em sua estante – o outro é de Abu Dhabi, além obviamente daquele que ninguém possui ainda, da Índia. O espanhol, junto de Vitantonio Liuzzi, são os únicos a terem superado seus companheiros de equipe em todas as classificações até agora. No caso de Alonso, são 14 etapas seguidas à frente de Massa – desde que chegou à Ferrari, o asturiano superou o brasileiro em 23 das 27 classificações.

Quem também foi bem em Valência foi Jaime Alguersuari, que igualou seu melhor resultado na carreira, o oitavo lugar justamente da última prova, no Canadá.

Mas o dia não foi de recordes positivos para todos. O 17º lugar foi o pior resultado da carreira de Michael Schumacher, descontando os abandonos. O alemão já tinha batido essa marca negativa justamente no GP da Europa do ano passado, com a 15ª colocação.

Em uma pista na qual brilhou no ano passado, Kamui Kobayashi amargou sua primeira prova fora dos pontos na temporada – foi desclassificado na Austrália, mas chegou em oitavo.

Para Silverstone, resta colocar fé em uma estatística interessante. Desde 2003, o GP da Inglaterra não repete um vencedor: Barrichello, Schumacher, Montoya, Alonso, Raikkonen, Hamilton, Vettel e Webber venceram nos últimos anos. Esperança para Button ou, quem sabe, Massa. E para o campeonato.

GP da Europa: voltas mais rápidas vs pneus

PilotoTempoDiferençaVoltaPneu
Vettel1:41.852 53Médio novo (6)
Alonso1:42.3080.45649Médio novo (4)
Button1:42.3400.48857Médio novo (9)
Webber1:42.5340.68239Macio usado (11)
Massa1:42.7050.85353Médio novo (9)
Hamilton1:42.9471.09547Médio novo (6)
Maldonado1:43.1341.28247Macio usado (13)
Petrov1:43.1511.29941Macio novo (2)
Kobayashi1:43.5171.66542Macio novo (9)
Sutil1:43.5261.67453Médio novo (10)
Alguersuari1:43.5791.72753Médio novo (9)
Rosberg1:43.6491.79753Médio novo (8)
Di Resta1:43.8511.99954Médio novo (10)
Heidfeld1:43.9012.04951Médio novo (11)
Perez1:43.9492.09741Macio novo (16)
Buemi1:44.1032.25147Médio novo (2)
Barrichello1:44.1312.27955Médio novo (15)
Schumacher1:44.5782.72650Médio novo (19)
Kovalainen1:45.0553.20344Médio novo (2)
Trulli1:46.2084.35628Macio usado (10)
Glock1:46.6284.77649Médio novo (7)
D’Ambrosio1:47.1645.31251Médio novo (14)
Liuzzi1:47.4185.56637Macio usado (9)
Karthikeyan1:47.7085.85632Macio usado (3)

*entre parênteses, quantas voltas o pneu tinha quando o piloto fez o melhor tempo

É interessante notar que Webber fez sua melhor volta com os pneus macios, e muitas voltas depois de trocá-los, mostrando a deficiência em colocá-los em temperatura otimizada – isso aparece claramente em classificação e quando calça compostos mais duros.

Enquanto isso, os pilotos da Ferrari mostraram uma tendência em fazer suas melhores voltas logo de cara com os médios, o que não foi a regra entre os concorrentes – a maioria conquistou seus tempos mais rápidos com 9 a 10 voltas completadas no composto médio.

Erros de estratégia podem ser percebidos também por esta estatística, pois, se um piloto consegue sua melhor volta com pneus muito rodados, especialmente os macios, isso quer dizer que teve de andar abaixo do ritmo ótimo para poupar o pneu e economizar no número de paradas – no caso das Williams, nem isso. Claramente um equívoco em um dia em que claramente parar três vezes e, portanto, andar no ritmo mais forte possível, foi a tática campeã.

Red Bull e McLaren são as mais rápidas nos boxes

PilotoEquipePitsPerda totalMédia por parada
WebberRed Bull31:01.15120.383
HamiltonMcLaren31:01.58720.529
VettelRed Bull31:01.77820.592
ButtonMcLaren31:01.80120.603
SutilForce India31:01.99820.666
AlonsoFerrari31:02.16420.721
Di RestaForce India31:02.45420.818
BuemiToro Rosso31:02.77620.925
BarrichelloWilliams31:03.71121.237
PetrovRenault31:04.37721.459
AlguersuariToro Rosso242.49421.474
MaldonadoWilliams31:04.59621.523
RosbergMercedes31:05.49721.832
PerezSauber121.93921.939
HeidfeldRenault31:05.87121.957
GlockVirgin243.93021.965
KobayashiSauber244.03722.018
D’AmbrosioVirgin244.19322.096
TrulliLotus245.45822.279
MassaFerrari31:06.65922.219
KovalainenLotus31:06.99922.333
LiuzziHispania31:09.46023.153
SchumacherMercedes31:13.03424.344
KarthikeyanHispania31:18.76426.254

Em mais uma corrida decidida mais em estratégia e com ultrapassagens concentradas no meio do pelotão, onde os pilotos que foram a três paradas tinham que abrir, na pista, caminho em relação aos que iam a duas, o trabalho nos boxes voltou a ser fundamental.

Que o diga Felipe Massa, que claramente perdeu o quarto posto para Hamilton devido a uma combinação entre momento e execução das paradas – veremos isso com mais detalhes amanhã.

Destaque positivo para a Force India, se colocando entre as grandes na média de perda de tempo nos boxes. Trabalhos regulares de Renault, Williams e Mercedes e muito ruins de Lotus e Hispania. A Ferrari continua em franca desvantagem no quesito, importantísssimo em corridas “normais” como esta de Valência.

 

Placar de posições de chegada entre companheiros

Vettel8 x 0Webber
Hamilton5 x 3Button
Alonso5 x 3Massa
Schumacher4 x 4Rosberg
Heidfeld4 x 4Petrov
Barrichello7 x 1Maldonado
Sutil4 x 4Di Resta
Kobayashi4 x 3Perez
Buemi6 x 2Alguersuari
Kovalainen2 x 6Trulli
Karthikeyan4 x 3Liuzzi
Glock3 x 5d’Ambrosio

Hoje o assunto são os duelos entre companheiros que mostram uma tendência em classificação e outra na corrida. São dois os pilotos zerados nos sábado (Massa e Karthikeyan) e outros dois, cujo placar desfavorável é de 7 a 1 (Schumacher e Trulli), que conseguem equilibrar mais as forças no domingo – no caso do indiano e do italiano, até viram o jogo.

Mas, como de costume, cada caso é singular. As três vezes que Massa ficou à frente de Alonso foram em provas nas quais o espanhol errou – em duas oportunidades na largada – e no abandono do Canadá.  Schumacher teve dias em que foi bem melhor que Rosberg (Canadá), dias em que os dois correm juntos o tempo todo e o duelo é decidido nos detalhes (Espanha) e dias em que problemas no carro determinam o resultado (sobretudo nas primeiras provas). Ainda assim, dá para dizer que se trata de uma prova de que o desempenho de ambos é melhor aos domingos.

Já nos casos de Karthikeyan e Trulli, pode até ser uma questão de “devagar e sempre”, mas geralmente é a confiabilidade dos carros que determina quem vence o duelo interno.

Há, ainda, duas outras dinâmicas interessantes com estreantes, que historicamente têm tido mais dificuldades nos últimos anos com o sistema de classificação de “mata-mata”.

Na Williams, a briga nas classificações está apertada, tanto pelo melhor rendimento de Maldonado aos sábados, quanto pelos problemas enfrentados por Barrichello, que só admitiu ter sido batido “fair and square” em Mônaco. Nas corridas, o venezuelano ainda não completou todas as voltas de nenhum GP – quando foi classificado, estava ao menos uma volta atrás – e parece se perder durante as provas.

Na Force India, Paul Di Resta vem dando um banho em Adrian Sutil nas classificações. Nas corridas, no entanto, a maior experiência do alemão se faz valer, o que, somada a certo excesso de agressividade do escocês em alguns momentos, faz com que o placar esteja equilibrado em corridas.

 

O mapeamento pode mudar, mas o pole não

Vettel é o dono da bola

 

Por um lado, pode-se imaginar que os quatro décimos entre a primeira não-Red Bull e Vettel signifique que a proibição da modificação do mapeamento dos motores fez algum efeito no domínio do time anglo-austríaco, mas o fato desta diferença ter marcado a “mini temporada” de corridas em circuitos de rua, joga ainda mais dúvidas a respeito do que acontecerá a partir de Silverstone.

Vários pilotos de ponta tiveram que voltar à pista para uma segunda tentativa no Q1, talvez pelo tráfego. Pior para Felipe Massa, que se viu obrigado a colocar pneus macios logo de cara. Arriscando ir para a pista com os pneus médios, como na China, Webber ficou a duas posições de cair na primeira parte da classificação: foi o 16º, 0s175 à frente de Alguersuari, que sobrou em um final de semana em que perdeu uma sessão inteira de treinos na sexta-feira.

Massa voltou ao Q2 com o mesmo jogo de macios que utilizara no Q1 e voltou a ficar em pé de igualdade com os rivais. A única equipe que poderia incomodar Red Bull, McLaren, Ferrari, Mercedes e Renault seria a Force India, que rondou a 10ª colocação em todos os treinos. Mesmo com a bandeira vermelha causada por Pastor Maldonado, que poderia atrapalhar alguns pilotos, não houve surpresas. Adrian Sutil conseguiu superar Vitaly Petrov, que perdeu muito tempo no treino da manhã e fechou o top 10. O alemão ficou à frente do companheiro Paul Di Resta apenas pela segunda vez na temporada. Também, pudera: o escocês perdeu a sexta-feira inteira após Nico Hulkenberg, que usou seu carro na primeira sessão de treinos livres, bateu. Massa chegou a sair com seu segundo jogo de macios, mas não fez uma tentativa.

No Q3, Sutil provavelmente já não tinha mais pneus macios novos e optou por não fazer voltas rápidas. As Mercedes e a Renault de Heidfeld optaram por fazer apenas uma volta rápida. Mesmo quatro décimos à frente da concorrência, Vettel voltou à pista para a segunda tentativa. Mas, a exemplo de Hamilton e Alonso, não chegou a completar a volta. É melhor os dois últimos e Webber terem guarado forças para amanhã, pois pode ser uma das últimas oportunidades de roubas pontos importantes do líder do mundial.

Disputas entre companheiros na classificação

 

Vettel7 x 1Webber
Hamilton6 x 2Button
Alonso8 x 0Massa
Schumacher1 x 7Rosberg
Heidfeld3 x 5Petrov
Barrichello4 x 4Maldonado
Sutil2 x 6Di Resta
Kobayashi3 x 4Perez
Buemi7 x 1Alguersuari
Kovalainen7 x 1Trulli
Karthikeyan0 x 7Liuzzi
Glock5 x 3d’Ambrosio

Diferenças hoje

Vettel x Webber: 0s188
Hamilton x Button: 0s256
Alonso x Massa: 0s081
Schumacher x Rosberg: 0s009
Heidfeld x Petrov: 0s287
Maldonado x Barrichello: 0s156
Sutil x Di Resta: 0s388
Kobayashi x Perez: 0s132
Buemi x Alguersuari: 0s553
Trulli x Kovalainen: 0s570
Glock x D’Ambrosio: 0s182
Liuzzi x Karthikeyan: 0s779

Saiba tudo sobre a pista de Valência

Ano passado, chegou-se a Valência com a expectativa de que as longas retas e a pouca dependência aerodinâmica deixassem a Red Bull vulnerável aos rivais. No entanto, com um carro equilibrado, especialmente nas curvas rápidas do último setor, Sebastian Vettel teve uma de suas vitórias mais dominantes do ano.

A prova acabou sendo marcada pelo Safety Car causado pelo espetacular acidente de Mark Webber, que decolou após tocar-se com Heikki Kovalainen. Hamilton ultrapassou o carro de segurança, demorou a ser punido e o resto é história.

http://www.youtube.com/watch?v=CNFRUgIg3eU

O fato é que, se Valência não chega a prejudicar a Red Bull, a tendência é esconder um pouco as deficiências dos rivais. Com o bom rendimento do Canadá, a Ferrari pode confiar em sua estabilidade em freada e tração, algo fundamental no traçado espanhol, enquanto McLaren e Mercedes podem utilizar a força de seu motor nas retas do segundo setor.

Mas o que deve dar o que falar no final de semana é a proibição da mudança do mapeamento de motor entre a classificação e a corrida. Isso permitia uma configuração mais agressiva para o sábado, principalmente em relação ao uso dos gases do escapamento como “apêndice” aerodinâmico, o que será banido, por fim, em Silverstone. Acredita-se que todos os times grandes usem o artifício, mas é provável que grande parte da vantagem da Red Bull em classificações esteja relacionada a um uso mais inteligente do mecanismo.

Em Valência, os carros podem andar bem baixos, devido às poucas ondulações. O único problema em relação a isso são as zebras na última parte do circuito. Mas o maior desafio do acerto do carro é equilibrar a estabilidade nas freadas fortes com a carga aerodinâmica ideal para as retas.

Os freios e câmbio também são motivo de atenção. Valência é o segundo circuito em que mais se troca de marchas no ano – 64 vezes por volta, perdendo apenas para Cingapura (71). A questão dos freios é relacionada à temperatura: além do clima quente, os muros próximos dificultam o fluxo de ar.

Os pneus, junto das duas zonas de utilização da asa traseira móvel, prometem melhorar a péssima média de ultrapassagem do circuito: 6,3, sendo que, em 2009, não houve uma manobra sequer durante a prova. Ano passado, como o Safety Car embaralhou as posições e as estratégias, o número subiu para 15.

Vettel parece se dar bem com o circuito. Foi destaque com a Toro Rosso em 2008, quando chegou em 6º e venceu com sobras ano passado – em 2009, abandonou com uma quebra. Hamilton, por sua vez, foi segundo colocado por três vezes. Outro que tem bom retrospecto em Valência é Rubens Barrichello: dominante em 2009, o brasileiro teve seu melhor resultado do ano (4º) em 2010.

Nº de voltas56
Ativação da DRS285m após a curva 10 e 35m após a 14
Pé em baixo59%
Consumo de câmbioAlto
Consumo de freiosAlto
Consumo de motorAlto
Nível de downforceMédio/alto
Uso de combustível2.34kg por volta
Tempo de perda no pit12s7
2010
Pole positionSebastian Vettel, 1min37s587
Resultado da corrida1º Sebastian Vettel
2º Lewis Hamilton
3º Jenson Button
Volta mais rápidaJenson Button, 1min38s766


Retrospecto em circuitos de rua em 2011

PilotoMônacoAustrália Canadá
Sebastian Vettel112
Mark Webber453
Lewis Hamilton62DNF
Jenson Button361
Fernando Alonso24DNF
Felipe MassaDNF76
Michael SchumacherDNFDNF4
Nico Rosberg11DNF11
Nick Heidfeld812DNF
Vitaly PetrovDNF35
Rubens Barrichello9DNF9
Pastor MaldonadoDNFDNFDNF
Adrian Sutil79DNF
Paul di Resta121018
Kamui Kobayashi5DNF7
Sergio PerezDNSDNFDNS
Sebastien Buemi10810
Jamie AlguersuariDNF118
Heikki Kovalainen14DNFDNF
Jarno Trulli131316
Narain Karthikeyan17DNF17
Vitantonio Liuzzi16DNF13
Timo GlockDNFDNF15
Jerome D’Ambrosio151414

DNF: não completou
DNS: não largou

Retrospecto em Valência

Piloto4º-6º7º-10º11º+DNF
Sebastian Vettel111
Mark Webber111
Lewis Hamilton3
Jenson Button111
Fernando Alonso111
Felipe Massa11
Michael Schumacher1
Nico Rosberg12
Nick Heidfeld11
Vitaly Petrov1
Rubens Barrichello111
Pastor Maldonado
Adrian Sutil111
Paul di Resta
Kamui Kobayashi1
Sergio Perez
Sebastien Buemi11
Jaime Alguersuari2
Heikki Kovalainen21
Jarno Trulli12
Narain Karthikeyan
Vitantonio Liuzzi1
Timo Glock12
Jerome D’Ambrosio

Seis largadas sob SC em cinco anos. Precisa?

Em 2009, houve largada com o Safety Car na China

O GP do Canadá trouxe várias discussões à tona, mas algo que passou despercebido foi mais uma largada com Safety Car. Essa tem sido uma prática comum nos últimos anos e em nada ajuda ao espetáculo, algo inconcebível em tempos nos quais se chega ao extremo de dar uma vantagem de mais de 10km/h para que um piloto consiga superar o outro.

É interessante perceber que essa é uma invenção dos anos 1990. No GP da Espanha de 1996, esta saída foi adotada como uma “circunstância excepcional”. No ano seguinte, após o céu desabar a 20 minutos da largada do GP da Bélgica, a largada sob Safety Car foi usada novamente, por apenas três voltas.

Não há como negar que se trata de uma decisão sábia sob determinadas circunstâncias. Todos sabem o quanto os carros de hoje são sensíveis à aquaplanagem e como a baixa visibilidade é um problema e um perigo desnecessário, mas não podemos deixar de perceber uma relação importante.

Foi de 2003 para cá que as largadas sob Safety Car se tornaram mais comuns. Apenas nas últimas cinco temporadas, tivemos nada menos que seis inícios bucólicos. Não coincidentemente, justamente em 2003 foram determinadas as regras mais restritivas das condições de parc fermé, que regem o que pode ser feito nos carros entre a classificação e a corrida.

Esse parece ser o fator principal para que os carros se tornassem perigosos demais para a chuva. A decisão de sacrificar a classificação apostando em um acerto para a água é difícil e envolve vários fatores – e não seria razoável a FIA obrigar todos a levantarem as asas com base em uma previsão que pode não se concretizar.

Pior, de acordo com o testemunho do diretor técnico da Williams Sam Michael durante o GP do Canadá, há determinadas mudanças que não são permitidas sequer em bandeiras vermelhas – Barrichello queria amolecer as suspensões, e Charlie Whiting não permitiu.

O parc fermé tem seu valor. Além de diminuir o período de trabalho dos mecânicos, provoca alguns desafios interessantes do ponto de vista da engenharia. Entretanto, em tempos de tantas concessões pelo espetáculo, não seria melhor aumentar a possibilidade de mudanças entre o sábado e o domingo e evitar ao máximo um anticlímax como no Canadá?

GP do Canadá por brasileiros, ingleses e espanhóis: “Vettel mostrou que é humano”

“A cidade pode ser famosa pelos esportes de inverno. Hoje será pelos aquáticos”, Martin Brundle dá um pontapé poético para a transmissão da BBC, sem saber que ficaria por mais de 4h seguidas no ar. Também sem saber que muito provavelmente se arrependeria, Reginaldo Leme, na Globo, aposta em Hamilton. “Na chuva, é com ele mesmo.” Estamos mesmo no Canadá, pista de surpresas, que “já fez muitos chorarem”, como lembra o narrador inglês.

A corrida começa com o Safety Car, o que é apoiado por ingleses e brasileiros. “É a decisão certa, tendo em vista a quantidade de acidentes que tivemos no seco”, pondera David Coulthard. “Só estão com Safety Car porque ainda não andaram nestas condições”, completa Reginaldo. Só Brundle tem suas dúvidas. “Mas eles são os melhores pilotos do mundo. Conseguem lidar com isso.” Os espanhóis, com os desfalques importantes de Pedro de la Rosa e Marc Gené, se dividem. Para Jacobo Vega, é “bom para Alonso, porque o lado dele estava mais molhado”, mas Antonio Lobato acha que “não é um dilúvio como Fuji/07, não precisava.”

Brundle e o narrador só são ouvidos na quinta volta. ”Os carros que acreditamos estar com acerto de chuva são as McLaren, Virgin, Williams e Di Resta”, informa o repórter Ted Kravitz, enquanto Vega aposta que Hamilton vai para cima de Webber logo de cara. E acerta. “Ele deu espaço e Lewis escapou para cima dele”, é o diagnóstico de Brundle. “Às vezes falta paciência. Ele tenta ultrapassagens impossíveis”, vê Vega. “Acidente de corrida, mas culpa do Hamilton de novo. Ele não estava tão próximo”, diz Galvão Bueno que, assim como os ingleses, observa Massa preso por Alonso. “Ele tem dificuldades para manter o companheiro atrás”, diz Brundle. Para os espanhóis, no entanto, as possibilidades são outras. “Ele pode estar indo com calma pelas condições ou tendo problemas de aquecimento de pneus.”

Depois de outra tentativa frustrada de ultrapassagem, quando Schumacher o empurrou para fora da pista, uma batida com o companheiro acabou com a corrida de Hamilton. “Em três voltas, ele já bateu no Webber, forçou para cima do Schumacher onde não devia e tocou no companheiro. Ele não está em um bom momento de cabeça”, sentencia Galvão. “É um piloto fantástico. Mas o que mais me preocupa é a comparação com o Ayrton Senna. Ele acha que é perseguido porque é o melhor. Desde que o pai deixou de cuidar da carreira e ele passou a contar com a ajuda de gente que cuida de artista, parece que não está com a cabeça no lugar”. Para Reginaldo, “ele está merecendo perda de posições no grid da corrida seguinte.”

Os ingleses pegam mais leve com Lewis. “É incrível como ele continua batendo em vários pilotos”, é a primeira reação de Coulthard, que vai abaixando o tom, à medida que vê os replays e leva uma cutucada de Brundle. “Você e Mika já fizeram isso na McLaren, né?”. “É a última coisa que você quer. E ainda por cima eu não venci aquela prova, o que é pior ainda.”

A dupla considera incidente de corrida. “O problema é que JB sabia que ele estava lá, mas não deu para ver que estava do lado. Vai ser difícil eles se entenderem. Sempre achei que o amor entre os dois teria prazo de validade”, diz Brundle. Quando a corrida é paralisada, a BBC repete a batida exaustivamente, pois o narrador quer determinar o momento em que Jenson para de olhar para o espelho, enquanto Coulthard destaca o fato da mudança de linha do inglês ser exclusivamente pela tomada da curva. “Button é mais gentil, não vai reclamar, mas tem muita razão”,completa Reginaldo.

Os espanhóis classificam Hamilton de impaciente. “Ele entrou em um lugar que em que não havia espaço”, decreta Lobato. “É um piloto rapidíssimo, mas tem que ter mais paciência. Depois de tudo o que fez em Mônaco, volta a envolver-se em confusão. Acho que não é coincidência. É falta de paciência”, completa Vega.

Na Globo, insinua-se que, por Massa estar visivelmente mais rápido, a Ferrari devesse intervir. “Eles já deram uma mão uma vez”, diz Galvão. “Na situação inversa, né?”, pontua Reginaldo. “Fernando está indo com cuidado porque sabe que pode sair um Safety Car logo”, justifica Lobato.

Alguns pilotos colocam pneus intermediários e voam na pista, o que leva Brundle a estranhar que os outros não os sigam. “Com toda a experiência, Barrichello viu que tem que trocar de pneu”, destaca Galvão. Na BBC, entretanto, Ted Kravitz dá uma de homem do tempo e prevê chuva. “Há nuvens pretas, está mais frios, e Button está com os pneus errados.”

O inglês acertou em cheio. Antes do aguaceiro cair, foi Alonso quem trocou os pneus. “Agora Felipe pode se dar bem. Alguma vez tem que dar, tem que voltar a chover. Torce! Uma hora tem que dar sorte! Uma hora a sorte tinha que mudar de lado!”, as exclamações aumentam à medida que a água cai com mais intensidade e Massa continua na pista, agora em segundo. “A vantagem de Vettel nessas condições é que ele não precisa ser o primeiro a parar. Ele pode ver o que os outros fazem”, observa Coulthard.

Os espanhóis ficaram inseguros. “Parece que o pneu do momento é o intermediário, mas a expectativa é de que chova”, lembra Vega. “Alonso devia copiar Vettel”, afirma Lobato, antes do espanhol fazer sua parada. Quando a chuva cai, o narrador acredita que o Safety Car é bom para Fernando, mas logo o espanhol troca novamente de pneus.

Brundle questiona a necessidade do Safety Car, mas Coulthard acredita que é a decisão certa. “Isso é algo que a GPDA sempre pede. Não esperem alguém bater para colocar o SC quando chove.”

A chuva piora e, com a bandeira vermelha, Galvão se confunde com as regras. “Como o Kobayashi vai largar com esse pneu?” Reginaldo completa. “Ele é irresponsável, é um grande piloto, mas daqui a pouco faz alguma coisa.” Enquanto isso, na BBC, o segundo lugar era prova de que “todos os japoneses são bons na chuva. Ele vai tentar passar Vettel, com certeza.” Depois de esperar a corrida recomeçar por mais longos minutos, com direitos a histórias do passado e matérias de gaveta, o futebol ganhou na Globo.

Brundle e Coulthard enfrentam a paralisação, assim como Lobato e Vega – no entanto, o vídeo que assisti cortava o período de bandeira vermelha. Na BBC, entrevistas com Christian Horner, Lewis Hamilton, Jonhathan Neale (que garantiu que seus pilotos tiveram um “acidente de corrida”), Paul Di Resta, Sam Michael (Rubens queria mudar o acerto, mas Charlie Whiting não aprovou), Webber, Kovalainen, D’Ambrosio, James Key e Martin Whitmarsh.

Hora de discutir os lances polêmicos das poucas voltas disputadas até ali. Para Brundle, “Hamilton seria penalizado pelo acidente com Webber se não tivesse abandonado.” Coulthard defende. “É a natureza do estilo dele. É por isso que tem tantos fãs. Na maioria das vezes funciona. Mas, ao passo que Vettel não comete erro algum, Hamilton parece se envolver em confusão em cada curva que faz. É uma fase ruim.” Brundle lembra que uma em cada 10 ultrapassagens na temporada foi feita pelo inglês. “É por isso que ele se envolve em tantos problemas.”

Coulthard dá uma de conselheiro. “É frustração porque ele acha que é o melhor piloto do mundo e acha que merece mais vitórias e campeonatos. E a McLaren não está dando isso. Se fosse empresário, diria a ele: relaxe. Todos sabem que você é bom. Não force, não faça mais do que o carro pode. Deixe fluir.”

Observando o toque com Hamilton, a dupla acredita que depende da interpretação. “Pode ser uma batida evitável ou acidente de corrida.”

Algum tempo depois, começou a faltar assunto. “Está chovendo tanto que até barco consegue andar”, brinca Coulthard. E o pássaro que, para Reginaldo Leme, era são-paulino, para o ex-piloto escocês é “pássaro preto de ombros vermelhos. Será que pássaro tem ombros?”

A corrida recomeça – na Globo, só com flashes, comandados por Luis Roberto. “O público mal consegue acreditar. São carros de corrida! Eles continuam na cidade!”, diz Brundle, que logo se irrita com o Safety Car (novamente). “Vamos lá, tirem esse Safety Car daí, vamos ver o que esses pilotos podem fazer!”

Na La Sexta, inicialmente Vega e Lobato creem que a largada cuidadosa é o melhor – “todos devem estar dizendo via rádio que não dá para ver nada, até porque Hamilton não está aí” –, mas depois de algumas voltas já começam a reclamar. “Quanto mais tempo demora, menor é a chance de ter confusão para Whiting resolver”, acredita o narrador. “Estão acontecendo muitas coisas sem sentido em Montreal.”

As críticas só aumentam com os pilotos logo colocando intermediários. Mas Luis Roberto não entende. “Eles estão trocando para outro pneu de chuva, porque este está desgastado.” E, consequentemente, não percebe que Schumacher tinha pneus diferentes. “Ele está voando. É o velho Schumi!”

Outro que estava “voando” com intermediários era Button. E logo se encontrou com Alonso. “Fernando deve ter achado que tinha dado espaço e confiou que Button conseguiria parar o carro. É acidente de corrida. Você pode falar que ele estava tentando recuperar uma posição perdida, mas é isso que você tem que fazer numa corrida.” A análise na La Sexta é mais simplista. “Já estava com meio carro à frente e Button tocou nele. Que pena que o carro ficou preso.” E Luis Roberto exclama. “Olha onde o Alonso foi parar.”

Na volta 44, Vega já vê a possibilidade dos pneus de seco entrarem em ação – “vamos ver quem é o corajoso”. É Webber. “É uma decisão corajosa, mas pode fazer uma grande diferença”, diz Coulthard. “Tem gente colocando pneus de seco com este tanto de água”, Galvão está descrente. Ele e Brundle começam a pedir atenção para a corrida de Button na volta 56, logo antes do Safety Car causado pela colisão de Heidfeld e Kobayashi. “Nick tinha tanta tração na saída da curva que bateu. Parece bobo, mas é fácil de acontecer. Acontece comigo”, testemunha Brundle, que acredita que o escapamento emitindo gases o tempo todo tenha prejudicado o alemão, no que é classificado como um “acidente terrível” por Lobato – ainda que os espanhóis não o tenham visto, uma vez que estavam no comercial.

Nesse momento, a Globo já havia voltado. E Galvão destacava a “corrida histórica” de Button. “A McLaren acertou na estratégia, apostando na chuva”, destaca Burti. “Uma das melhores corridas que vi do Button, mesmo com o problema provocado por Hamilton”, lembra Reginaldo.

Massa aparece com o bico danificado. “Vinha fazendo uma grande corrida”, vê Reginaldo que, no final da prova, decretou que “a Ferrari se precipitou ao colocar o pneu slick.” Os brasileiros destacam o “gigante” Schumacher. “Olha o Schumacher, vai voltar para o pódio!” Lobato também observa a corrida do “agressivo” Schumacher e questiona. “É interessante como os pneus de seco se degradam tanto na Mercedes e os de chuva não.”

Galvão percebe que o Safety Car vai ajudar Button. Na relargada, o inglês já está na cola de Webber e Schumacher. O australiano pula uma chicane e tem que devolver a posição ao alemão. “Isso sem deixar Jenson passar… Ele consegue. Pensou rápido”, se anima Brundle. “Fez três bobagens seguidas em três voltas seguidas”, opina Galvão. “Essa corrida não terminou na briga pela vitória, nem pelo pódio”, observa Coulthard.

Não é o que veem os espanhóis. “Vettel está tranquilo. Seus rivais estão fora. Hamilton, Alonso e até Button”, diz Vega. “Acontece tudo na corrida, menos com o indestrutível Vettel. Estou vendo Button perto e era para Alonso estar com ele”, Lobato faz questão de lembrar.

Apenas na volta 66 os espanhóis percebem que Button busca vencer a prova, até porque “Vettel tem algum problema”. E Lobato repete: “era para Alonso estar aí.”

Brundle acha que, se a corrida terminar no tempo, isso salvaria a vitória de Vettel, mas logo faz as contas e vê que a prova vai até a volta 70. Galvão não se surpreenderia se, mesmo que o limite fosse ultrapassado, continuassem com a prova. “Eles andam rasgando tudo”, diz, em relação às regras. Button chega e Coulthard percebe logo na entrada da curva que o alemão errou. “Ele ainda não terminou abaixo de segundo, mas finalmente mostrou que é humano”, exclama Brundle. Para Lobato, é “um erro gravíssimo de Vettel”. Vega diz que “ele estava forçando muito”.

Massa passa Kobayashi no finalzinho e Galvão vibra. “Pelo bico! Valeu, Felipe”. Para os ingleses, isso só aconteceu com a ajuda da asa traseira móvel. Destacam as posições das equipes pequenas. “É importante para o campeonato.”

O destaque vai para Button, é claro. Menos na Espanha, em que preferem frisar como Vettel parece “bravo” com o desfecho da prova e o bom trabalho de Alguersuari, “largando do pitlane a oitavo.” “Absolutamente espetacular”, repete Galvão. “É de arrepiar.” E Reginaldo lembra. “E em uma corrida em que o companheiro de equipe dele, o Hamilton, fez tanta bobagem.”

“Com certeza é a melhor vitória da carreira de Button. Lembre que no penúltimo Safety Car estávamos questionando se ele alcançaria o pelotão. E ele ganhou a corrida!”, diz Brundle. “Que pilotagem fantástica. Parecia que tudo estava perdido.”

A matemática conta uma história, a realidade, outra

São 60 pontos de vantagem para o rival mais próximo e, ainda que Sebastian Vettel tenha sido pressionado fortemente nas últimas três provas – e cedido na última – o domínio da Red Bull não dá sinais claros de que está se esvaindo. É fácil acreditar que o campeonato está decidido, ainda que alguns exemplos recentes deem razão à esperança de que uma bela temporada não terminará com corridas que já não valem mais nada.

Depois do GP da Inglaterra de 2006, Alonso tinha 57 pontos de vantagem sobre Schumacher, levando em consideração a pontuação de hoje

Em 2006, após sete provas, Alonso ganhara quatro e fora segundo em outras três; liderava com 64 pontos, contra 49 de Schumacher. Eram 15 pontos pela “moeda” da época, e se fosse hoje, 50 pontos estariam entre eles. O espanhol ainda venceria a oitava e nona provas e aumentaria sua liderança em quatro pontos (ou 14 nos dias de hoje).

A evolução da Ferrari – junto da proibição dos amortecedores de massa da Renault – deu a chance de Michael encostar e o alemão venceu cinco das sete provas seguintes. A duas etapas para o final, o campeonato estava empatado – pelos pontos de hoje, Schumi estaria 6 pontos à frente de Alonso. Uma quebra de motor em um momento pouco oportuno e um pneu furado na prova final, ao passo que o rival conseguia uma vitória e um segundo lugar, acabaram com a chance do octa. No entanto, a questão aqui é que o heptacampeão tirou 70 pontos em sete GPs.

Três anos depois, tivemos outro começo arrasador, com Button e sua Brawn de outro planeta. Após sete etapas (seis vitórias e um terceiro lugar), o inglês tinha 37 pontos de vantagem para Vettel – nos dias se hoje, seriam 95 pontos a mais! O campeonato terminou com 9 pontos entre os dois, ou 21 pela pontuação atual. Em outras palavras, o alemão tirou 74 pontos em 10 provas, mesmo sofrendo dois abandonos, em uma Red Bull que já era rápida, mas não tinha a confiabilidade de hoje.

A alternância entre vitórias de Vettel, Webber e Barrichello deixou Button tranquilo na ponta em 2009

Este campeonato de 2009 é um exemplo um pouco mais próximo do que temos hoje, uma vez que ninguém desponta claramente como o “desafiante”. Naquele ano, ora era Webber quem obtinha os melhores resultados, ora seu companheiro e ainda Rubens Barrichello emplacou uma boa sequência. Um acabou roubando ponto do outro, e ninguém conseguiu capitalizar com a queda de Button, que não ganhou mais nenhuma prova após as sete primeiras.

É o mesmo problema que temos em 2011 – ainda que tenha perdido a corrida, Vettel aumentou sua liderança após o Canadá, porque seu rival mais próximo mudou. A outra questão é a que Schumacher enfrentou: mesmo que a Ferrari tivesse superado a Renault, Alonso continuou consistentemente nos pontos.

Sendo assim, ainda que os números da história recente apontem que é perfeitamente possível tirar esses 60 pontos nas 12 provas que restam, a constância de Vettel, em detrimento da alternância de seus rivais tornam uma virada difícil. Uma mudança de regulamento como a que se aproxima nos escapamentos pode ajudar (lembrando que ainda não está claro o quanto as McLaren serão atingidas pela revisão), mas parece igualmente necessário que um rival desponte entre os três ou quatro que perseguem o alemão. E o mais provável no momento é que ele esteja entre Button e Hamilton.

Má fase de Hamilton não é novidade para ele – e nem para Vettel

O antigo "crash kid" em ação

Navegando pelo blog do jornalista Andrew Benson, encontrei um comentário interessante. O texto do inglês falava sobre o GP do Canadá e especulava a respeito do que estaria levando Hamilton a tantos erros. “Espero que Vettel vença o campeonato. Ele torna as corridas chatas, mas ganha todas as provas por mérito, superando os outros pilotos e não tentando tirar o companheiro da corrida.”

Um dos ditados mais repetidos da história do automobilismo é que “você é tão bom quanto sua última corrida” e esse é mais um exemplo claro disso. Não é preciso voltar muito no tempo para ver o mesmo tipo de má fase por que Hamilton está passando no currículo de Vettel.

Ano passado, o alemão já tinha um carro que arrasava os demais em classificação – conquistou 10 das 19 poles possíveis, sendo que outras cinco ficaram com seu companheiro, Mark Webber – e era ao menos tão forte quanto seus oponentes em qualquer situação – à exceção de Montreal e Monza, os Red Bull foram favoritos em todas as provas. E, mesmo assim, Vettel só chegou à liderança do mundial na última corrida.

Isso aconteceu depois de uma grande recuperação nos últimos 6 GPs. Mas também é verdade que o alemão só esteve nesta posição de perseguidor devido a duas sequências ruins – as duas vitórias e um segundo lugar perdidos por problemas de confiabilidade nas primeiras etapas e uma série de erros na metade da temporada. Isso, além de bater em seu companheiro de equipe entre uma e outra má fase.

Recordemos. Saindo da pole, Vettel largou mal e tentou defender a posição a qualquer custo na Inglaterra, teve um pneu furado e só voltou para a prova e marcou pontos devido a um Safety Car. Depois, na Alemanha, saiu mal da pole novamente e acabou em terceiro. Na Hungria, levou uma penalização boba por não respeitar a distância determinada atrás do SC e jogou fora outra vitória certa. E, por fim, tirou Button da corrida em Spa após uma manobra inexplicável. Martin Whitmarsh, o mesmo que defende o estilo agressivo de Hamilton hoje, chegou a apelidá-lo de “crash kid”. Com o melhor carro e cinco provas para o final, Vettel era quarto, 31 pontos atrás do líder Hamilton e a 27 de Webber – outro que também falharia quando começou a ser sistematicamente batido pelo companheiro.

O fato é que Hamilton não está sozinho. São vários os pilotos que se atrapalham quando estão fora de sua zona de conforto, seja porque tentam guiar mais que o carro, porque levam suas frustrações para dentro do cockpit, porque querem resolver tudo de uma vez. Isso não significa que o gênio de outrora esteja fadado ao esquecimento.

O que funcionou para Vettel foi colocar-se como franco-atirador, mas é difícil saber o que está fazendo Hamilton passar do tênue limite entre o piloto ousado a afobado na hora de ultrapassar. Até porque a velocidade em si ninguém pode questionar.

Assim como o paralelo com o Vettel de meados de 2010 é válido, esta não é uma situação nova para o inglês. Hamilton jogou fora o campeonato de 2007, tendo 17 pontos a mais que Raikkonen com duas provas para o final – o equivalente hoje a cerca de 42 pontos. No ano seguinte, estampou a traseira do finlandês de forma bizarra no Canadá e, na corrida seguinte, foi 10º em uma prova na qual foi penalizado por cortar uma chicane. Recuperou-se com uma magistral vitória em Silverstone, colocando um minuto no rival mais próximo na chuva. Ano passado, perdeu a chance de disputar o título até o final com duas manobras no mínimo otimistas na Itália e em Cingapura, mas terminou a temporada por cima, com dois pódios nas últimas 3 provas. Ninguém melhor que ele para saber onde reencontrar o equilíbrio.

Quantos motores foram utilizados até agora

AUSMALCHITURESPMONCAN
1Vettel1122333
2Webber1122333
3Hamilton1223333
4Button1223333
5Alonso1223334
6Massa1223444
7Schuamcher1123333
8Rosberg1123333
9Heidfeld1122333
10Petrov1122333
11Barrichello1122334
12Maldonado1122334
14Sutil1112333
15Di Resta1122333
16Kobayashi1223334
17Perez122333
17De la Rosa4
18Buemi1223334
19Alguersuari1223334
20Kovalainen1122334
21Trulli1122333
22Karthikeyan1123334
23Liuzzi1123334
24Glock1, 2223334
25D’Ambrosio1223334

Eles deram o que falar no final da temporada passada, prometiam ser um problema ainda maior neste ano, com a expectativa de termos 20 etapas, mas os motores têm demonstrado uma durabilidade impressionante nestas sete primeiras etapas.

Apenas duas falhas foram constatadas: Timo Glock no primeiro GP do ano e Felipe Massa antes da classificação da Turquia.

As equipes não divulgam quais motores estão utilizando em cada corrida. O procedimento normal é usar uma unidade mais desgastada na sexta-feira e trocá-la no sábado – os carros não podem ser modificados da classificação para a corrida. Isso quer dizer, por exemplo, que nada impede que um motor que foi usado das provas 2 e 3 volte ao “batente” na sexta corrida do ano.

Os dados acima são da FIA, que se preocupa apenas em garantir que nenhum piloto passe o limite de 8 motores no ano. Portanto, mesmo que a tabela afirme que, por exemplo, Vettel usou o mesmo motor na Espanha, em Mônaco e no Canadá, isso só significa que ele ainda não precisou da quarta unidade, pois pode muito bem ter mesclado seus outros dois nestas provas.

O regulamento diz que as equipes podem distribuir oito motores da maneira que quiserem entre os 19 GPs do ano. Só não são permitidas trocas em condições de parc fermé (da classificação até o início da corrida) e o uso da nona unidade, ambas passíveis de perda de 10 posições no grid.

Como Button pulou de último a 1º em 30 voltas?

Foram vários os fatores que atuaram no dia de glória de Button

Das 70 voltas do GP do Canadá, apenas 38 tiveram bandeira verde. E o vencedor da prova era o último na volta 40. Como explicar isso? A combinação entre o grande ritmo com os pneus intermediários – muito provavelmente devido ao acerto com maior carga aerodinâmica escolhido pela McLaren – o recorde de seis Safety Cars – que fizeram Vettel perder cerca de 20s na ponta – e a aposta no momento correto em colocar os pneus slick garantiram uma das mais impressionantes recuperações da história.

Ainda que Button tenha visitado os boxes por seis vezes, cinco delas foram antes do quinto e penúltimo Safety Car – causado por ele mesmo, na colisão com Alonso. Naquele momento, o inglês começava uma prova de 30 voltas, a 12s do líder Vettel, com 20 carros entre os dois. Tinha pneus intermediários novos e um carro que voava nestas condições.

Em 10 voltas, ultrapassou sete carros na pista e foi beneficiado por algumas paradas nos boxes, ou seja, era nono quando, provavelmente a McLaren observou os setores roxos (de mais rápido da pista) que Webber conseguia com pneus para seco e fez sua última parada. A reação inteligente da equipe fez com que Button ganhasse mais quatro posições, pulando para quinto, a pouco menos de 20s de Vettel – a culpa da diferença não ter crescido mais nestas voltas em que o inglês lutava por posições pode ser colocada na Red Bull, que demorou para mandar o alemão para os boxes (três voltas depois do companheiro) e, com isso, perdeu 8s em relação à McLaren.

Vettel, tateando com os pneus slick, fez uma segunda volta após a parada lentíssima, o que diminuiu a diferença para a casa dos 15s. Com 15 voltas para o final, Button era de longe o homem mais rápido da pista, passara Kobayashi e chegava na briga de Webber e Schumacher.

Mas será que o inglês conseguiria tirar os 13s que agora o separavam de Vettel, tendo que ultrapassar dois carros no meio do caminho, e tendo apenas 14 voltas? Tudo leva a crer que isso só foi possível graças ao Safety Car provocado por Heidfeld na volta 57. Isso colocou o inglês grudado no australiano e no alemão e cortaria os 10s de vantagem que Vettel administrava àquela altura.

Button passaria ambos na volta 64 e começaria a tirar a diferença, que agora era de cerca de 4s para o líder Vettel, com seis voltas para o final. Na última delas, o alemão pisa no molhado e escorrega na freada, o que nos privou/salvou de ver uma corrida decidida na última reta, com a ajuda da asa traseira móvel.

Button parece ter encontrado aderência onde ninguém mais viu – e não pela primeira vez – quando a pista estava secando. Isso é fato. Mas, olhando de perto, teve tudo de seu lado: a aposta do time por um acerto que prejudicou a classificação, mas salvou seu ritmo de corrida; uma pista em que era possível ultrapassar; uma decisão estratégica perfeita e dois Safety Car sob medida.

Várias marcas caem no GP mais longo da história

Nunca um Safety Car foi tão acionado na história da F1

A vitória de Jenson Button, ultrapassando Sebastian Vettel na última volta depois de cair para o fim do pelotão durante a prova, certamente vai entrar para a história da F-1.

Mas esta não é a primeira vez que um GP do Canadá termina desta maneira. Há 20 anos, curiosamente na última vitória da Pirelli na categoria até o início deste ano, Nelson Piquet superou seu eterno rival Nigel Mansell quando a Williams do inglês perdeu rendimento na volta final e o campeão de 1992 já acenava para o público.

A última vez que houve uma troca de posição pela liderança nos momentos derradeiros da corrida havia sido em 2005, em uma também memorável corrida de recuperação de Kimi Raikkonen, que saiu de 17º para ultrapassar Giancarlo Fisichella na última volta e vencer.

Mas a última vez em que um piloto venceu após liderar apenas a última volta foi em outra ocasião: no GP do Brasil de 2003, Fisichella superou justamente Raikkonen logo antes que um acidente de Fernando Alonso encerrasse a prova. Na ocasião, uma confusão da cronometragem fez com que o finlandês subisse ao pódio como vencedor, mas depois a vitória foi dada ao italiano, que na época corria na Jordan.

Aquela prova, inclusive, detinha o recorde até ontem de maior número de Safety Cars, cinco, um a menos do que tivemos no Canadá. Em uma temporada em que a primeira interrupção ocorreu na sexta prova, já somamos oito.

Foi a décima vitória de Button, que agora está empatado com nomes como James Hunt, Ronnie Peterson, Jody Scheckter e Gerhard Berger. Nove destas conquistas foram obtidas de 2009 para cá. E três delas são pela McLaren, todas com períodos de pista seca e molhada.

Michael Schumacher esteve próximo de conquistar seu melhor resultado desde que voltou à F1. No entanto, ao ser superado por Webber e Button nas voltas finais, o alemão igualou sua melhor marca, com o quarto lugar. Mais importante, o alemão agora está em igualdade de pontos com o companheiro Nico Rosberg.

Schumacher, aliás, junto de Pedro de la Rosa, ajudou a quebrar uma marca que durava mais de 30 anos: enquanto o mais jovem campeão mundial da história comandava na frente, o alemão e o espanhol garantiam que este fosse o primeiro GP com dois pilotos acima dos 40 anos desde o GP da Itália de 1980, quando Vittorio Brambilla e Mario Andretti estavam no grid.

Quem também conquistou seu melhor resultado foi Jaime Alguersuari, com o oitavo lugar. Foram os primeiros pontos do espanhol no ano e a primeira vez que a Toro Rosso colocou ambos os carros nos pontos desde o GP da Austrália de 2009.

Falando em melhor resultado – este um pouco mais modesto – Vitantonio Liuzzi aproveitou os abandonos e os problemas de Trulli e deu a melhor posição de chegada à Hispania. Com a 13ª colocação, o time ultrapassa a Virgin no campeonato.

Outro que tem mostrado evolução em 2011 é Vitaly Petrov. Em sete corridas e sem a sombra de Robert Kubica, o russo já marcou mais pontos do que em sua temporada de estreia inteira (27 x 31).

Cena rara: é apenas o terceiro abandono de Alonso na Ferrari

O GP do Canadá pode ter sido positivo para uns, mas derrubou duas fortes marcas: Fernando Alonso era o piloto com a maior sequência nos pontos: 12, desde o GP de Monza de 2010. O espanhol só ficou fora dos 10 primeiros por quatro vezes desde que chegou à Ferrari.

Lewis Hamilton também vinha em uma boa sequência: 10 provas em sucessão nos pontos, desde o GP do Japão de 2010. É a oitava vez que Hamilton não termina uma prova em 78 largadas – apenas duas delas por quebras.

Com o abandono de ambos, apenas Button e a dupla da Red Bull completaram todas as 442 voltas até agora.

A mais de 1h15 de bandeira vermelha vez com que o GP do Canadá se tornasse a corrida mais longa da história da F1. No total, foram 4h39min537 para descobrirmos que Button venceria, saindo de sétimo no grid. Foi mais de uma hora mais longo que o igualmente chuvoso GP da Coreia no ano passado.

Para chegar nas corridas mais longas até ontem temos que voltar à década de 1950, quando a Indy 500 contava para o mundial de F1 (3h57min38s050 em 1951) e a categoria corria no velho Nurburgring (3h45min45s800 em 1954).

Sebastian Vettel, que liderou 352 das 442 voltas até agora – enquanto o companheiro Mark Webber não liderou uma sequer e ainda não andou na frente do companheiro em corridas – continua com uma das melhores arrancadas da história. No entanto, com este segundo lugar, já não pode alcançar as seis vitórias e um segundo lugar de Michael Schumacher de 1994.

Quem o alemão ultrapassou no Canadá foi Fernando Alonso, em número de poles. Com as 21 (praticamente uma para cada ano de vida), em sua terceira temporada em um carro competitivo, passa a ocupar o décimo posto no quesito na história. Caso ele conquiste todas as poles do ano – depois de sair na frente em pistas que seriam menos favoráveis, como Mônaco e Montreal, não é algo fora de questão – seria o terceiro maior detentor de primeiras posições no grid da história.

Pilotos com maior número de poles

PilotoPoles
1Michael Schumacher68
2Ayrton Senna65
3Jim Clark33
4Alain Prost33
5Nigel Mansell32
6Juan Manuel Fangio29
7Mika Hakkinen26
8Niki Lauda24
9Nelson Piquet24
10Sebastian Vettel21

Falando em poles, o GP do Canadá marcou a 100ª para a Alemanha, país que há 20 anos tinha apenas uma. Segue a lista:

PilotoPoles
M. Schumacher68
Vettel21
R. Schumacher6
Frentzen2
Heidfeld1
Hulkenberg1
Von Trips1

Melhores voltas do GP do Canadá

PilotoTempoDif.VoltaPneu
Button1:16.956 69Super macio usado
Vettel1:17.2170.26169Super macio usado
Petrov1:19.0542.09868Super macio usado
Schumacher1:19.1382.18270Super macio novo
Massa1:19.1482.19268Super macio usado
Di Resta1:19.3952.43967Super macio novo
Buemi1:19.5072.55169Super macio usado
Webber1:19.5722.61665Super macio usado
Rosberg1:20.0713.11569Super macio novo
Kobayashi1:20.2133.25770Super macio usado
Barrichello1:20.3163.36068Super macio novo
De la Rosa1:20.3693.41370Super macio usado
Alguersuari1:20.3713.41569Super macio novo
Trulli1:22.2335.27767Super macio usado
D’Ambrosio1:22.4955.53968Super macio novo
Karthikeyan1:23.1166.16066Super macio novo
Liuzzi1:23.4196.46363Super macio novo
Maldonado1:24.2657.30953Super macio novo
Glock1:24.5907.63468Super macio novo
Heidfeld1:25.1358.17955Super macio usado
Sutil1:30.17113.21547Intermediários
Alonso1:34.22317.26714Chuva
Hamilton1:37.76120.8057Chuva
Kovalainen1:38.46021.50416Chuva

A briga particular entre Button e Vettel fez com que ambos virassem quase dois segundos mais rápidos que os rivais. Schumacher, mesmo com os pneus que a Mercedes economizou na última parte da classificação, não conseguiu segurar o inglês e Webber no final da prova, enquanto o ritmo de Di Resta dá mostras do que poderia ter sido, caso o escocês não sofresse seu segundo drive through em duas provas.

Todos pararam para colocar pneus slick em um espaço de quatro voltas – entre a 50 e a 53 – portanto, é possível fazer uma observação razoavelmente confiável em relação ao ritmo de cada carro. O único problema é determinar quem tinha pista livre ou lutava por posição. No entanto, a abismo entre as equipes que estrearam em 2010 e as já estabelecidas é impressionante: 1s8 separa Alguersuari de Trulli, enquanto que, com ambos de pneus para chuva e carregados de combustível, Alonso foi mais de 4s mais rápido que Kovalainen.

Placar de posições de chegada entre companheiros

Vettel7 x 0Webber
Hamilton4 x 3Button
Alonso4 x 3Massa
Schumacher4 x 3Rosberg
Heidfeld3 x 4Petrov
Barrichello6 x 1Maldonado
Sutil3 x 4Di Resta
Kobayashi4 x 2Perez
Buemi6 x 1Alguersuari
Kovalainen1 x 6Trulli
Karthikeyan4 x 2Liuzzi
Glock2 x 5d’Ambrosio

Na primeira corrida com chuva, Jaime Alguersuari finalmente conseguiu sair do zero em posições de corrida contra Sebastian Buemi. O espanhol não vem se entendendo com os pneus Pirelli e teve a primeira oportunidade de provar que são os compostos de seco a fonte do problema. De qualquer maneira, é fundamental que o piloto melhore seu rendimento para se garantir frente à ameaça chamada Daniel Ricciardo.

Com isso, o único zerado do grid em posições de chegada é Mark Webber, outro que não vem tendo uma relação das mais harmoniozas com o Pirelli. Se observarmos que o australiano chegou a apenas 11s119 do companheiro mesmo após perder diversas posições na primeira volta, é de se imaginar se não poderia ter vencido a prova. No entanto, é impressionante como o piloto da Red Bull se apresenta melhor em corridas de recuperação.

Outro destaque vai para Jerome D’Ambrosio. O estreante vem batendo consistentemente o companheiro Timo Glock em corrida. No Canadá, mesmo com um drive through por um erro da equipe – estava com os pneus errados na relargada – chegou 0s330 à frente do alemão.

Disputas apertadas e promessa de corrida maluca

Canadá dá pouca margem para erro e poucas respostas

Quatro equipes tiveram seus pilotos divididos por menos de um décimo em uma disputadíssima classificação para o GP do Canadá.

O padrão de evolução das equipes grandes começa a pagar dividendos. Todos fizeram o Q1 com os pneus macios.

Na rabeira, as Virgin tiveram desempenho pior que as Hispania. Mesmo rodando em sua última tentativa, Liuzzi ficou à frente de Glock, enquanto D’Ambrosio acabou barrado na regra dos 107%. Na Lotus, por apenas quatro centésimos, Trulli finalmente saiu do zero em relação a Kovalainen. Dos médios, quem sobrou foi Jaime Alguersuari, que definitivamente não se entende com os pneus Pirelli e cometeu uma série de erros na sessão.

No início da segunda parte, a dúvida era sair com super macios direto ou colocar uma volta no bolso com macios. Com a incerteza em relação à chuva e a menor necessidade de guardar pneus, devido à promessa de água para domingo, ninguém quis arriscar.

A briga foi boa entre as médias – pouco mais de 1s separou os sete pilotos que ficaram no Q2, sendo quatro deles em dois décimos – mas ninguém ameaçou os cinco carros mais velozes. Destaque para Di Resta, colocando mais de meio segundo no companheiro em sua primeira vez em Montreal. E Maldonado, também estrante, pela terceira corrida em sequência batendo Barrichello.

De la Rosa, estreando com a asa traseira móvel e o Kers e longe de estar confortável em um cockpit preparado para Sergio Perez, raspou o muro, e ficou a apenas três décimos de Kobayashi.

No Q3, a combinação baixa dependência aerodinâmica e pneus super macios agradou a Ferrari, cujos pilotos conquistaram suas melhores posições de classificação no ano. A Mercedes, com a estretégia de apenas uma volta rápida na parte final, decepcionou, assim como a McLaren – ainda que Hamilton pareça ter tirado algum coelho da cartola. Webber, desta vez, merece uma menção honrosa: a quatro décimos de Vettel sem ter feito a terceira sessão de livres e sem Kers. Provavelmente, a presença da Ferrari na primeira fila tem a ver com isso.

Com a promessa de chuva e acidentes amanhã, talvez seja a classificação menos importante do ano. Mas ver todos muito juntos e a Red Bull colocando menos de dois décimos nos rivais mais próximos, sabendo que seu rendimento cai na corrida, abre a possibilidade real de quebra da hegemonia de Vettel.

Agora, para saber se a Ferrari realmente evoluiu, se a McLaren decaiu, e outras incógnitas, só Silverstone e suas curvas de alta para desvendar.

Disputas entre companheiros na classificação

 

Vettel6 x 1Webber
Hamilton5 x 2Button
Alonso7 x 0Massa
Schumacher1 x 6Rosberg
Heidfeld2 x 5Petrov
Barrichello3 x 4Maldonado
Sutil1 x 6Di Resta
Kobayashi1 x 0De la Rosa
Buemi6 x 1Alguersuari
Kovalainen6 x 1Trulli
Karthikeyan0 x 6Liuzzi
Glock5 x 2d’Ambrosio

Diferenças hoje

Vettel x Webber: 0s415
Hamilton x Button: 0s273
Alonso x Massa: 0s018
Schumacher x Rosberg: 0s050
Petrov x Heidfeld: 0s023
Maldonado x Barrichello: 0s318
Di Resta x Sutil: 0s535
Kobayashi x De la Rosa: 0s302
Buemi x Alguersuari: 0s393
Trulli x Kovalainen: 0s040
Glock x D’Ambrosio: 0s877
Liuzzi x Karthikeyan: 0s150

Rivais podem tirar pontos da Red Bull no Canadá

Com estratégia errada, Red Bull chegaram em quarto e quinto lugares em 2010

Assim como no ano passado, Montreal é uma grande oportunidade para os rivais tirarem pontos da Red Bull. Ainda mais para o combo McLaren e Lewis Hamilton, que faturou as últimas três poles positions e venceu duas das últimas três provas no circuito Gilles Villeneuve.

Mas a Ferrari, que esteve junto das McLaren com Alonso ano passado no Canadá, também deve incomodar, num circuito em que a eficiência aerodinâmica, calcanhar de Aquiles do 150 Italia, conta pouco, e a fatores como aderência mecânica, velocidade em reta e bom uso dos compostos mais macios de pneus jogam a favor, tanto do time italiano, quanto do inglês.

Ou seja, nem precisava da expectativa de chuva para a corrida ganhar emoção. O GP do Canadá, com o alto desgaste de pneus e propensão a ter Safety Cars, devido à proximidade das barreiras, é tradicionalmente movimentado e cheio de alternativas.

Para as equipes, a principal preocupação é com os freios. São cinco pontos de freada fortes, algumas com desaceleração de mais de 200km/h em pouco mais de 100m e, como os diâmetros e larguras dos discos são limitados por regulamento, os times chegam a mudar seus compostos para completar a corrida em segurança. Outro grande problema é o resfriamento dos freios, o que exige dutos de refrigeração diferentes.

O desgaste de pneus, combinado com o fato de termos pela primeira vez duas zonas de ultrapassagem, num circuito em que as manobras nunca foram raridade – média de 21.1 em corridas no seco e 23 no molhado, sendo que a prova de 2010 foi uma das mais movimentadas do ano com 65 ultrapassagens – prometem elevar a estratégia a um papel de protagonismo. Ao contrário de Mônaco, onde a posição na pista era mais importante, em Montreal escolher o caminho mais rápido entre a largada e a bandeirada será fundamental.

Nº de voltas70
Recorde da pista1’12.275 (Ralf Schumacher, 2004)
Velocidade máxima (2010)324.7 kph (Vitaly Petrov, Renault)
Ativação da DRSReta oposta (antes da última chicane) e reta dos boxes
Pé em baixo67%
Consumo de pneusAlto
Consumo de freiosalto
Nível de downforcemédio
Uso de combustível2.3kg por volta
Tempo de perda no pit16s
2010
Pole positionLewis Hamilton, 1min15s105
Resultado da corrida1º Lewis Hamilton

2º Jenson Button

3º Fernando Alonso

Volta mais rápidaRobert Kubica, 1min16s972


Retrospecto em circuitos de rua em 2011

PilotoMônaco Austrália
Sebastian Vettel11
Mark Webber45
Lewis Hamilton62
Jenson Button36
Fernando Alonso24
Felipe MassaDNF7
Michael SchumacherDNFDNF
Nico Rosberg11DNF
Nick Heidfeld812
Vitaly PetrovDNF3
Rubens Barrichello9DNF
Pastor MaldonadoDNFDNF
Adrian Sutil79
Paul di Resta1210
Kamui Kobayashi5DNF
Sergio PerezDNSDNF
Sebastien Buemi108
Jamie AlguersuariDNF11
Heikki Kovalainen14DNF
Jarno Trulli1313
Narain Karthikeyan17DNF
Vitantonio Liuzzi16DNF
Timo GlockDNFDNF
Jerome D’Ambrosio1514

DNF: não completou
DNS: não largou

Retrospecto no Canadá

Piloto4º-6º7º-10º11º+DNF
Sebastian Vettel11
Mark Webber2231
Lewis Hamilton21
Jenson Button11125
Fernando Alonso11114
Felipe Massa3112
Michael Schumacher74111
Nico Rosberg121
Nick Heidfeld2214
Vitaly Petrov1
Rubens Barrichello322226
Pastor Maldonado
Adrian Sutil12
Paul di Resta
Kamui Kobayashi1
Sergio Perez
Sebastien Buemi1
Jaime Alguersuari1
Heikki Kovalainen111
Jarno Trulli49
Narain Karthikeyan1
Vitantonio Liuzzi111
Timo Glock111
Jerome D’Ambrosio

A saída que todos esperam para o Bahrein

Logo que a a FIA anunciou que a F1 correria no Bahrein ainda neste ano, surgiu a possibilidade de que tudo fosse parte da tentativa de forçar uma situação para que o governo do país cancelasse a prova. Com a reação negativa da FOTA, agindo como se não tivesse sido consultada sobre o assunto, esta possibilidade ganha fortes contornos de verdade. E temos que ouvir hoje de Bernie Ecclestone que, já que os times não foram ouvidos, a categoria não pode correr lá.

As claúsulas dos contratos da FOM de Bernie não são conhecidas, mas a maneira como a F1 está lidando com a situação, que já deveria ter sido resolvida pelo cancelamento irrevogável em fevereiro, indica que, caso a decisão venha de qualquer parte que não seja da organização do evento, os barenitas não pagam nenhum tostão.

Assim, a tentativa de prorrogar ao máximo a decisão – até o sempre discreto presidente da FIA, Jean Todt, veio à público dizer que ainda se pode voltar atrás – parece visar a criação de uma situação sem volta ao governo do país.

Está se desenhando uma bola de neve: equipes infelizes, patrocinadores evitando ter sua imagem associada a uma administração ditatorial, pilotos clamando por segurança, opinião pública contrária e, provavelmente, recomendações governamentais (que, aliás, já começaram na Inglaterra, país de origem do maior contingente de profissionais ligados à categoria) para que todos fiquem em casa. Sob o risco de ter um GP esvaziado e de piorar sua imagem no cenário internacional, os barenitas cancelariam a prova. E levariam a conta.

Essa parece ser a única forma da F1 não ir ao país. E, dado que o presidente da FOTA está em uma péssima situação, pois ao mesmo tempo tem que dar voz aos insatisfeitos – tendo em vista o que o único a se manifestar até agora, Ross Brawn, reclamou, mais pelas questões logísticas e trabalhistas (leia-se, dinheiro) do que humanitárias – e defender os interesses de seu próprio time, cujos acionistas majoritários são o próprio governo do Bahrein, é de se esperar um lobby silencioso.

E que ninguém pense que, se a F1 não for ao Bahrein, será por protesto às atrocidades que o governo local vem praticando – e muito provavelmente o fará com mais intensidade até a data do GP na tentativa de abafar a oposição. Só não foi tomada uma decisão firme até agora porque ninguém quer sair perdendo.

McLaren tem a melhor média nos pits, mas é a mais desigual

 

Boxes em Mônaco foram palco de erros nas três equipes grandes

Os péssimos trabalhos de box de Mônaco tiraram da Red Bull o posto de equipe mais rápida na troca de pneus. A McLaren, que também errou com Hamilton no Principado e na Turquia, aparece com a média melhor nesses primeiros seis GPs – 23s044 contra 23s182 da equipe de Vettel e Webber. A Ferrari é mais demorada, com 23s493 de média.

AustraliaMalásiaChinaTurquiaEspanhaMônacoMédia
Vettel23.31922.40821.76420.40220.21428.53622.773
Webber24.05822.19821.88821.10020.30532.00223.591
Hamilton23.21323.25220.65924.90920.36429.21123.601
Button22.99222.45121.92421.80820.29525.45722.437
Alonso24.05523.619*21.88721.53020.48028.36723.314
Massa24.14524.88621.39623.37521.61826.61523.672

*não incluída parada para troca do bico

São vários os fatores que envolvem uma troca perfeita – e o fato de Button ter constantemente optado por fazer uma parada a menos parece ajudar na hora de se calcular as médias, pois, ao parar menos vezes, diminui-se a possibilidade de erros. Os números disponibilizados pela FIA determinam a perda total, ou seja, o piloto conta muito nestes dados. Afinal, apertar o limitador no momento exato, parar milimetricamente na marca devida e responder prontamente ao sinal para acelerar conta muito nessa hora.

Portanto, é difícil separar, até nas comparações entre companheiros, o que deve ficar na conta da equipe e o que acaba nas costas do piloto. A maior diferença interna ocorre na McLaren: a média de Button é 1s170 melhor que de Hamilton. Na Red Bull, Vettel leva 0s818 de vantagem para Webber, enquanto na Ferrari, as paradas de Alonso foram em média 0s358 mais rápidas que de Massa. De qualquer maneira, não parece real imaginar que qualquer uma delas prejudique os preciosos milhões do campeonato de construtores para beneficiar um piloto x.

O que salta aos olhos nesses resultados é a quantidade de erros. Além das já citadas falhas de Mônaco e Turquia, a McLaren deixou Hamilton na mão também na Malásia. Já a Red Bull abusou de errar em Mônaco, com ambos os pilotos. Já a Ferrari pisou na bola feio com Massa na Turquia e Alonso em Mônaco (também!), além de uma sequência de trabalhos longe do ideal com ambos os pilotos na Austrália, Massa na Malásia e na Espanha, e Alonso na China. Não é segredo que os italianos vêm sendo consistentemente lentos, mas tem mais gente que gostaria que os tempos de uma parada dos Bridgestone voltassem logo.

Final feliz para quem no imbróglio do Bahrein?

Com a confirmação da remarcação do GP do Bahrein, retomo dois trechos de posts da época em que a corrida foi adiada para explicar um pouco das questões que cercam a decisão.

A F1 está cheia de conexões com monarquias árabes “amigas” do Ocidente. Parte da equipe de GP2 do filho de Jean Todt, presidente da FIA, é de investidores do próprio Bahrein. A Williams tem negócios no Qatar, a Ferrari tem um grande patrocinador e um parque temático com seu nome nos Emirados Árabes Unidos e a McLaren – cujo chefe também é presidente da FOTA – tem 41% de suas ações nas mãos justamente do governo que anda sendo questionado por sua própria população, que protesta diariamente em busca de voz ativa e mais igualdade social. Isso sem contar o contrato que, especula-se, gira em torno dos 60 milhões de euros para que os barenitas garantam seu enfadonho circuito como palco da abertura da temporada.

Não seria a primeira vez que um GP é cancelado por problemas políticos. Isso já aconteceu durante a ditadura argentina, nos anos 1970. O passado ainda guarda algumas histórias inacreditáveis de momentos em que a política invadiu o automobilismo, como o sequestro de Juan Manuel Fangio quando este foi a Cuba para o GP de Havana. Mas nada pode ser comparado às proporções que o esporte tomou nas últimas décadas.

Correr em países de regimes autoritários também não é novidade para uma categoria que esteve na África do Sul do Apartheid (dos anos 60 aos 80), no Brasil da Ditadura Militar (anos 70 e 80), na Argentina da Guerra Suja (de 1976 até 1981), na Espanha de Franco (começo dos anos 50, e depois entre fins dos 60 até os 70), em Portugal do Salazar (fim dos anos 50), e na Hungria socialista (final dos anos 80). Hoje, além do Bahrein, Emirados Árabes Unidos, China, Malásia e Cingapura também podem entrar na lista, ao menos, das semi-democracias que gastam montanhas de dinheiro com a F1.

Curiosamente, é a segunda vez que se falou em cancelamento em bem pouco tempo. Em outubro de 2010, era a Coreia que perigava não aprontar a pista a tempo de fazer sua estreia na categoria. A lentidão das licitações governamentais e as chuvas foram as vilãs dos coreanos, que chamaram até o exército para aprontar o básico e realizar a prova. Em 2009, foi o GP da Espanha que esteve ameaçado, contudo mais por histeria devido à gripe H1N1 que qualquer fato mais concreto.

A questão é que a expansão comercial promovida por Ecclestone não enxerga muito mais que dinheiro. Não importa de onde ele vem, se o negócio se sustenta. O que interessa é explorar mercados e cobrar uma taxa inacreditavelmente alta por isso – acredita-se que cada GP seja negociado por um preço, enquanto o Canadá pagaria R$ 25 milhões por prova, a conta da Turquia chegaria a R$ 58 milhões. Não coincidentemente, os eventos de Valência e da Austrália enfrentam oposição popular, de gente que vê muito dinheiro sendo investido em algo cujo retorno não é tão claro.

Por mais que todos neguem que queiram se associar com um país de liberdades restritas, por mais que digam que só aparecem por lá uma vez por ano para correr, a F1 está envolvida até o pescoço com essa gente. A rápida dissipação dos protestos e a vitória do governo barenita é tudo por que FIA, Ecclestone e FOTA esperaram nesses mais de três meses. A realidade do país ainda não é tranquila, mas, ao que parece, nada que impeça os grandes de faturar.

Erro da McLaren na estratégia foi encarar Mônaco como um circuito qualquer

Quem leu o post comparativo das transmissões percebeu que, principalmente ingleses e espanhóis ficaram um tanto confusos quando Button fez sua terceira parada e Vettel e Alonso continuaram na pista. Afinal, ninguém esperava que os pneus macios durassem mais do que 45 voltas – a borracha do alemão já tinha 32 naquele momento e teria que aguentar mais 30.

A decisão de deixar Vettel na pista muito provavelmente foi tomada em função de Alonso. O espanhol havia parado na volta 34 e o próprio exemplo de Vettel mostrava que era possível fazer as 44 voltas restantes com o composto macio. Naquele momento, era claro que a Ferrari não voltaria aos boxes e, respeitando a lei fundamental de Mônaco, de que a posição na pista é mais importante que um carro rápido, a única reação plausível para a Red Bull seria tentar o mesmo.

Não foi esse o pensamento da McLaren, que jogou a corrida de Button fora quando colocou os pneus super macios na segunda parada do inglês. Com a obrigatoriedade de usar ambos os compostos, isso deixou o inglês de mãos atadas no final. Diferentemente das corridas até agora, em Mônaco de pouco vale ter o pneu mais rápido – isso não é garantia de ultrapassagem.

Esse, aliás, foi o erro da McLaren por todo o final de semana, como já discutimos em relação à classificação de Hamilton: enfrentar Mônaco como se fosse outra etapa qualquer do mundial. As ruas estreitas mereciam pensar de maneira diferente, como fizeram Red Bull e Ferrari.

A expectativa do time inglês era de que o pneus de Vettel durasse mais três ou quatro voltas no 69º giro. Como a prova foi interrompida logo depois, ficamos sem saber como seria o final da prova. De qualquer maneira, um fator importante para que os macios do alemão durassem tanto foi a tímida pressão que Button fez quando tinha super macios, ajudando-o a economizar borracha até o final. Naquele ponto da prova, Alonso também adotava ritmo bastante conservador, o que também o auxiliou.

Num dia em que parar menos foi mais lucrativo, ao contrário das últimas corridas, Kobayashi e Sutil marcaram pontos que as 13ª e 15ª posições do grid não permitiriam sonhar. Sutil, como de costume em Mônaco, sofreu com um toque do japonês, que causou uma quebra da asa e, logo depois, um pneu furado no guard rail. Caso contrário, seria o sexto, logo atrás do piloto da Sauber.

Foi, curiosamente, a única ultrapassagem de Kobayashi na prova, e pela qual levou uma reprimenda.

De resto, os pilotos preferiram a estratégia de duas paradas, salvo a Mercedes, que claramente tem problemas de alto consumo de pneus nesta temporada, algo que vem atrapalhando, e muito, um carro que vai bem nas classificações.

No Canadá, embora os mesmos compostos sejam utilizados, a história deve ser bastante diferente. Montreal é um circuito de maior velocidade, com grandes retas e tem um asfalto que castigou até os Bridgestone ano passado. Devemos ver os pneus super macios bem menos tempo em ação por lá.

Pneus utilizados e voltas dos pits em Mônaco

VettelSMUMN (16)SMU (72)1
AlonsoSMUMN (17)MN (34)SMU (72)2
ButtonSMUSMU (15)SMU (33)MN (48)MN (72)3
WebberSMUMN (16)MU (55)SMU (72)2
KobayashiMNSMN (34)SMU (72)1
HamiltonMNSMU (22)DT (43)MN (49)SMU (72)3
SutilMNSMU (34)SMU (68)2
HeidfeldMNSMN (33)SMU (69)SMU (72)2
BarrichelloSMNMN (32)SMU (68)SMU (72)2
BuemiMNMN (33)SMU (62)SMU (72)2
RosbergSMUMN (15)MN (33)SMU (53)SMU (72)3
Di RestaSMUSMU (20)DT (27)MN (32)SMU (72)3
TrulliSMNSMU (24)MN (46)SMU (72)2
KovalainenSMNMN (19)MN (52)SMU (72)2
D’AmbrosioMNSMN (33)MN (63)MN (72)2
LiuzziMNSMN (32)SMN (72)1
KarthikeyanSMNMN (25)SMN (33)MN (72)2
MaldonadoSMUMN (25)SMU (54)MN (72)2
PetrovSMNMN (28)1 NC
AlguersuariMNMN (29)SMN (56)2 NC
MassaSMUMN (26)1 NC
SchumacherSMUSMU (12)1 NC
GlockSMNMN (22)1 NC

MN: Macio novo
MU: Macio usado
SMN: Super macio novo
SMU: Super macio usado
DT: drive through
NC: não classificado

GP de Mônaco por brasileiros, ingleses e espanhóis: “Isto é muito maluco para mim”

Reginaldo Leme, na Globo, imagina se, depois de quebrada a marca de 10 anos do pole vencendo na Espanha, Mônaco também não pode ver uma corrida diferente, enquanto Martin Brundle, na BBC, adota um tom poético. “Pode ser apenas pouco mais de 3km, mas Mônaco é o Everest dos pilotos. Os grandes sempre reinaram aqui”. E, neste ano, não há ninguém maior que Sebastian Vettel. “Ele é o favorito, mas devemos ter ultrapassagens”, Luciano Burti prevê.

David Coulthard, não acredita que a classificação mostrou toda a verdade de quem é quem. “Mas Vettel está em grande forma.” Refere-se a Hamilton que, como é destacado na La Sexta, “vai largar com macios porque está fora de posição”, fato que passa despercebido na Globo – apenas na quinta volta Burti se dá conta da estratégia diferente. “A Fia liberou Hamilton para começar com o pneu que quisesse e ele escolheu o macio porque não tinha super macio novo”, explica Brundle.

Na largada, o narrador espanhol Antonio Lobato destaca Rosberg e Alonso – que “quase passou Button”, para o comentarista Marc Gené – e, negativamente, Webber e Schumacher. Brundle confunde as Mercedes, acha que é Michael quem largou bem, enquanto Galvão Bueno se anima com ultrapassagem do heptacampeão sobre Hamilton. “Ninguém nunca ultrapassou ali”, afirma quando aparece o replay da manobra na Loews. Ao explicar porque o inglês estava tão abaixo no grid, o narrador diz que ele “não completou volta” na classificação.

A ultrapassagem de Schumacher também anima os ingleses. “Ele passou Lewis no hairpin!”, exclama Brundle. “Isso é algo que nunca vi. Pegou Hamilton cochilando”, completa Coulthard. “Aí precisa da complacência de quem vai à frente porque não tem espaço”, Pedro de La Rosa parece que estava adivinhando. A dupla britânica percebe que ambos haviam se tocado na primeira curva, o que explica a necessidade de Schumacher trocar o bico voltas depois.

Hamilton daria o troco, também num local de ultrapassagem dos menos convencionais, na Saint Devote – Gené acabara de dizer que o único trecho que acreditava ser possível era na saída do túnel. “Aplausos. É uma curva difícil para se passar”, observa Coulthard. “Ele veio ensaiando isso, Tinha o benefício da asa. Michael não facilitou, mas respeitou o espaço de Lewis”, observa Brundle. “A asa ajudou muito. É uma coisa do temperamento do Hamilton. Ele tomou uma ultrapassagem que todo mundo ia falar, então foi pra cima de qualquer jeito”, Galvão ainda teria um prato cheio naquela manhã. “Faz tempo que eu não via uma manobra aí”, afirma Reginaldo. “Michael foi limpo”, define Lobato. “Conhecendo Michael e o que ele fez com Barrichello, foi limpo dessa vez.”

Falando no brasileiro, ele seria o próximo a ter o gostinho de superar o heptacampeão, em dificuldades com os pneus por ser, junto de Webber, um dos pilotos que mais desgasta os pneus, como é destacado pelos espanhóis. “É uma coisa especial. Já ganhou a corrida dele”, diz Galvão. “Assim como têm sido especiais os briefings. Cada hora um interrompe o outro, sempre discutindo”, emenda Reginaldo. Os estrangeiros também captam o momento. “Ele vai sorrir de orelha a orelha”, acredita Brundle. “Barrichello está descontando nesses últimos dois anos tudo por que passou na Ferrari com Michael.”

Agora é Massa quem parte para cima de Rosberg e perde um pedaço da asa dianteira. “Ele foi muito bobo. Não vai passar na subida do cassino. Por que chegar tão perto? Parece que os pilotos da Ferrari não sabem onde termina a asa”, Coulthard lembra do toque de Alonso em Hamilton na Malásia. Sem maiores problemas de performance, Felipe logo faz a manobra. “Aqui se passa muito na decisão”, diz Reginaldo sobre ultrapassagem classificada de “corajosa” pelos ingleses.

Todos se animam com o primeiro erro da Red Bull nos boxes na temporada. Burti e o repórter inglês Ted Kravitz culpam as mudanças de procedimento que a equipe teve que fazer para despistar a Ferrari. Na La Sexta, imaginam que o problema seja parar ambos os pilotos na mesma volta. “Webber está perdendo um minuto”, conta Gené. “Como o tempo passa rápido para você”, brinca De La Rosa. Foram pouco mais de 30s. “Agora virou bagunça”, diverte-se Galvão.

Na Globo, há uma demora para observar diferenças entre os compostos de pneus dos líderes. Ingleses e espanhóis começam a não entender a estratégia. “Não entendo porque deixar o super macio para o último stint. Isso é Mônaco, eles precisam privilegiar a posição na pista”, diz Coulthard, enquanto De La Rosa vê duas lutas: “uma de três paradas pela vitória e outra de duas para o resto.” Lobato não gosta nada. “O problema é se sair um Safery Car na hora errada.”

Falando em duas paradas, na Globo começam as contas para determinar onde Felipe Massa terminaria, já descontando os 20 e poucos segundos da parada a menos que faria. “Voltaria entre Vettel e Button. A posição de Alonso ganha com certeza.”

Algumas voltas depois, De La Rosa raciocina melhor sobre estratégias. “Vettel e Alonso colocaram pneus macios porque querem fazer duas paradas. Se Button soubesse que Vettel colocaria os macios, também o faria”. Os ingleses acham que só quem parou a partir da volta 25 pode tentar fazer só um pit.

Os cálculos são interrompidos por outra manobra na Loews, desta vez sem final feliz, entre Hamilton e Massa, mesmo que Coulthard tivesse acabado de dizer que o brasileiro seria mais fácil de ser ultrapassado do que Schumacher. Todos acham que o inglês será penalizado. “Di Resta acabou de levar um drive through por algo parecido. Eu já passei carros aí, mas você precisa de um parceiro. É menos que 50/50%. Se você se joga, é 75% de chance que vai bater”, opina Brundle. “Foi uma ultrapassagem um tanto atrapalhada.” Gené acredita que o inglês será punido, mas afirma que, para ele, é acidente de corrida.

Galvão e Reginaldo são mais duros que os ex-pilotos. “Ele me dá a impressão de se achar superior e, quando perde, a culpa é do outro”, diz o narrador. “Parece que enganchou no Felipe e ficou tentando levar ele para fora”, completa o comentarista. “Coisa de corrida”, Burti não para de repetir. “A punição tem que sair antes do Hamilton aprontar outra”, diz Galvão que, quando vê o anúncio do drive through, já se defende. “Não falei antes porque iam dizer que sou contra ele. Mas tinha convicção de que seria punido. Ele toma atitudes antidesportivas e usa as entrevistas para botar pressão. Ele adotou uma postura antiética, acha que estão todos contra ele.”

Isso foi depois que Hamilton acusou Massa de ter batido de propósito. Coulthard achou graça. “Só falta falar que ouviu Massa dando a ré”, brinca Brundle.

Burti prefere focar na disputa pela ponta e é o primeiro, das três transmissões, a ver que Alonso quer ir até o final sem parar. “É o único jeito de Vettel perder essa corrida”, crava. “É difícil, mas não impossível.”

Até o momento, ninguém crê que Vettel possa fazer o mesmo. Quando o alemão segue na pista durante o Safety Car, De La Rosa vê um “erro importante”. E, sobre Fernando, assegura que “não termina nem de brincadeira”. Os ingleses acham que corrida está indo para as mãos de Button, mesmo com Kravitz interrompendo algumas vezes para dizer que Alonso não para mais. Enquanto isso, na Globo, Reginaldo vê que “a McLaren jogou fora chance de vitória quando Button colocou segundo jogo de pneus super macios.”

Quando Button faz a terceira parada, só na Globo estão convencidos de que Vettel e Alonso não param mais. “Agora o pneu de Vettel vai estar um caco, o de Alonso um caco um pouco melhor e o Button vai chegar”, resume Galvão.

Na BBC, não entendem porque Vettel não cobriu a parada de Button. “Será que eles estão pensando em Alonso e defendendo a segunda posição? Se ele não parar, corre o risco de ser terceiro”, Brundle não entende a jogada. “O único jeito de ele ganhar a corrida é não parar”, constata Coulthard.

É a mesma conclusão que os espanhóis têm, ainda que De La Rosa insista que é impossível. “O raciocínio da Red Bull é, vamos ficar com o pneu desgastado, mas ele vai ter que passar na pista. Enquanto a McLaren pensou em ter carro mais rápido. Agora está nas mãos de Button. Vettel e Alonso estão entrando em território desconhecido com os pneus”, afirma. “É impossível, é perigoso”, diz Gené. “A pergunta é, se Alonso conseguir fazer os pneus durarem, ganha a corrida. Vettel vai ter que parar”, acredita De La Rosa. “A Red Bull está tentando algo muito maluco para mim”, admite Brundle.

Com o gran finale se moldando, ingleses e brasileiros lembram do duelo entre Senna e Mansell em 1992, quando Ayrton segurou o ‘Leão’. Em ambas as transmissões, observam como Alonso perde para Vettel por falta de tração. “É o escapamento da Red Bull. Isso pode salvar a corrida de Vettel”, percebe Brundle.

Na volta 69, Kravitz avisa que, na McLaren, esperam que em três ou quatro voltas os pneus de Vettel acabem. Não pudemos comprovar a informação, quando a corrida é interrompida após um verdadeiro strike na piscina. “Sutil quase foi nadar”, brinca Brundle. “Isso beneficia Vettel”, se apressam os espanhóis. “Ele participou de quase todas as confusões, ele joga pesado, mas dessa vez não teve culpa”. Sim, Galvão falava de Hamilton.

A bandeira vermelha traz uma série de dúvidas para todos. Lobato e Brundle vão para o regulamento e tiram a conclusão de que o trabalho para reparar a asa traseira do carro do Hamilton é legal, mas que não se pode trocar pneus. Logo vem Ted Kravitz para salvar os ingleses. “Conversei com alguns engenheiros e eles falaram que pode até colocar carinha feliz no bico do carro. Pode fazer de tudo.” Na Globo, o casamento do Príncipe Albert fica de lado quando Galvão e Burti avistam os pneus novinhos – bom, quase – nos carros de Vettel e Alonso. “Eu fiquei olhando para o Burti e ele para mim.” Tratam do assunto como se a regra tivesse mudado. “É uma vantagem. Discordo totalmente”, diz Burti. Na La Sexta, também observam, mas com tom de resignação. “Permitiram que se trocasse. É uma grande vantagem para Vettel”, diz Gené. “Se fosse para recomeçar a corrida para ver isso, era melhor terminar como estava antes.” Para De La Rosa, “Vettel começa a ter a sorte de campeão.”

A corrida recomeça e Hamilton é protagonista novamente. “É outra penalização. A Williams precisava tanto desses pontos!”, diz Brundle. “Advinha quem estava atrás do Maldonado? Ele se envolveu em 110% dos acidentes!”, exclama Galvão. “Acho que a culpa é de Hamilton, não tinha espaço. Acabou com uma ótima corrida de Maldonado”, diz Lobato, entre risos dos comentaristas.

Não há mais tempo para muita coisa. “Todos os problemas dos outros (Safety Car e bandeira vermelha) ajudaram Vettel e Alonso”, define Brundle. “Acho que a Red Bull jogou no escuro.” Já Galvão encontra outra explicação. Burti havia dito minutos antes que, em Mônaco, a polícia não deixa andar sem sapato e camisa. “Vettel estava descalço antes da bandeira vermelha. Vai ver aqui não pode andar descalço.”

“Foi uma corridaça que poderia ser uma super corridaça. Tudo bem parar a corrida pela lesão de um piloto, mas deixar eles trocarem os pneus interferiu no resultado final”, De La Rosa resume o sentimento dos espanhóis.

Na cerimônia do pódio, é a vez dos comentaristas da BBC falarem do casório. Brundle pergunta ao morador de Mônaco Coulthard se ele foi convidado. “Surpreendentemente, dado o tamanho deste lugar, o convite se perdeu pelo correio.”

Arrancada de Vettel é uma das melhores da história

Vettel comemora com seu RB7 a vitória em Mônaco

Com 143 dos 150 pontos disponíveis no bolso, Sebastian Vettel tem um dos melhores inícios de campeonato da história da Fórmula 1. Seu feito já pode ser comparado ao que Michael Schumacher obteve em 2004 de Ferrari; Nigel Mansell, em 1992, com uma Williams também projetada por Adrian Newey; e Jim Clark, a bordo da Lotus de Colin Chapman, em 1965.

E mais, sempre que um piloto conquistou cinco vitórias nas primeiras seis provas, sagrou-se campeão ao final do ano. Veja abaixo a lista dos 10 melhores inícios de campeonato da história, já com a sétima corrida contabilizada:

PilotoAno1234567
Sebastian Vettel2011112111
Michael Schumacher19941111211
Nigel Mansell1992111112A
Jenson Button20091131111
Michael Schumacher20021311112
Jim Clark19651NL11111
Jackie Stewart196911A1112
Michael Schumacher200411111A1
Juan Manuel Fangio19541NL11411
Alberto Ascari1952NLA11111

A: abandonou
NL: não largou

Vettel ainda está longe de alcançar o feito de Schumacher em 2004: 12 vitórias e um abandono nas primeiras 13 provas. Lembrando que o campeonato que terminou com mais antecedência foi o de 2002, quando o alemão foi campeão na 11ª de 17 etapas e terminou todas as corridas no pódio. Naquele ano, o piloto da Ferrari chegou 67 pontos à frente do vice, Rubens Barrichello – o que hoje representaria 157 pontos.

Apenas um desses inícios arrasadores acabou com uma decisão apertada, na última corrida: em 1994, o campeonato foi decidido por uma batida entre o mesmo Schumacher e Damon Hill, no GP da Austrália. Com o abandono de ambos, o alemão foi campeão pela primeira vez por um ponto.

Naquele ano, o então piloto da Benetton foi desclassificado em duas corridas e suspenso por outras duas. Primeiramente, no GP da Inglaterra, levou bandeira preta por ultrapassar na volta de apresentação. No GP da Bélgica, perdeu os pontos e foi banido por outras duas provas devido ao desgaste excessivo no assoalho do carro.

Curiosamente, neste ano, é possível que, com a prometida proibição dos escapamentos soprados funcionando para a ajuda aerodinâmica, o RB7 de Vettel perca parte de sua vantagem para os rivais. Outro fator que pode ajudar os concorrentes é que, das temporadas indicadas acima, 2011, mesmo se a corrida do Bahrein não for realizada, será a mais longa.

Mônaco dá melhor resultado do ano para 5 equipes – e iguala Vettel a Hamilton e Alonso

Kobayashi e Sutil conquistaram as melhores posições de chegada do ano

Sebastian Vettel igualou Lewis Hamilton em número de vitórias (15) e Fernando Alonso em número de poles (20) neste final de semana de GP de Mônaco. A 20ª vitória da história da Red Bull – a primeira foi apenas em 2009 – também foi a segunda nas ruas do Principado.

Esses números, tanto de uma equipe, quanto de um piloto bem jovens, são resultado de uma fase incrível: Vettel já tem 11 primeiras filas e oito pódios consecutivos, enquanto a Red Bull marcou sua 7º pole em sequência.

Jenson Button teve a chance de vencer pela segunda vez – e por um time diferente – em Mônaco, mas teve que se contentar em ser o piloto que deu à McLaren sua 10.000ª volta na liderança. Até domingo, apenas a Ferrari tinha alcançado o feito. Desde o início da parceria Button e Hamiton, o time inglês marcou pontos em todas as 25 provas – Hamilton tem chegado entre os 10 primeiros nas últimas 10 provas.

Enquanto isso, seus rivais da Ferrari – que têm em Fernando Alonso o piloto com a maior sequência nos pontos em andamento, 12 corridas – obtiveram justamente com o espanhol o melhor resultado no Principado desde o segundo lugar de Michael Schumacher em 2002. O alemão venceu por 3 vezes o GP de Mônaco pela Scuderia (97, 99 e 2001).No número absoluto de vitórias, os italianos têm 9, contra 14 da McLaren.

O 65º pódio de Alonso o coloca entre os 5 que mais vezes alcançaram uma das três melhores posições da corrida. Schumacher tem 154, Prost tem 106, Senna 80 e Barrichello 68.

Mark Webber pode não estar tendo a temporada dos sonhos, mas marcou a 10ª volta mais rápida da carreira, sendo quatro neste ano. Na verdade, comparando com o ano passado, o australiano fez um ponto a mais até agora (79 contra 78). Após as primeiras seis etapas de 2010, ele liderava o campeonato, empatado com Vettel. Hoje, o alemão tem 143 pontos.

Os únicos pilotos que pontuaram em todas as provas até agora foram os cinco primeiros da tabela – Vettel, Hamilton, Webber, Button e Alonso. Kobayashi entraria nesta lista, não fosse a desclassificação da Austrália. Além destes, Heidfeld, Sutil e Buemi completaram todas as seis provas.

O japonês, inclusive, obteve sua melhor posição de chegada da carreira com o quinto lugar de Mônaco. Falando em melhores posições, a corrida de domingo marcou os resultados mais altos de Ferrari (2º), Sauber (5º), Force India (7º), Williams (9º) e Hispania (16º) na temporada.

É melhor Hamilton se acostumar

Sem o benefício do replay, o piloto sempre acha que está certo

O day after de um belíssimo GP de Mônaco bem que poderia estar focado nas alternativas que o combo Pirelli + Safety Car trouxe até para um palco mais de desfiles que de corrida, nas  atuações perfeitas de Vettel, Alonso e Button, guiando no limite pelo apertado traçado monegasco, na surpresa Kobayashi e seu melhor resultado na carreira, nos pilotos que chegaram aos pontos numa driver’s track, como Sutil, Barrichello e Buemi.

Mas todo mundo fala de Hamilton e suas verborrágicas entrevistas após a corrida. Sempre cobramos que os esportistas mostrem a cara e temos que saber que podemos não gostar do que ouviremos quando isso acontecer. Se um piloto não puder soltar os cachorros após uma corrida ruim – e a cena de Vettel fazendo sinal de “maluco” para Webber após a colisão entre os dois na Turquia ano passado vem à mente – o que mais poderá fazer?

Tudo resultado da frustração de um final de semana em que o inglês sabia que poderia bater Vettel, mas no qual tudo deu errado. Resultado da frustração de saber que, ao contrário do que imaginou em seus dois primeiros anos de carreira, mais um ano está passando e, apesar de estar guiando bem, o título parece longe.

Agora, é lidar com as consequências. É impossível não lembrar da explosão de Fernando Alonso após o GP da Europa do ano passado, quando afirmou que a corrida havia sido manipulada com a, na prática, não-punição justamente de Hamilton quando o inglês ultrapassou o Safety Car. Na época, comentou-se na Itália que a FIA teria ameaçado o espanhol, caso ele não se retratasse. Na corrida seguinte, na Inglaterra, mesmo que tenha se sentido novamente prejudicado pelos comissários, não deu um pio sequer e acatou a decisão. O mesmo deve acontecer com Lewis.

Hamilton é daqueles pilotos que jogam o carro na curva e dão duas opções ao adversário: ou você abre, ou batemos. É o estilo Senna – “quando você não aproveitar o espaço, não será mais um piloto” – uma espécie de ultrapassagem por intimidação. Sempre será, ou espetacular, ou polêmico. Depende do que o rival decidir fazer.

É claro que quem arrisca terá dias de China e dias de Mônaco. Em tempos de paranoia com segurança e de linha dura na aplicação de regras, é melhor Lewis se acostumar em dar explicações aos comissários. E, numa F-1 em que os pilotos nem são ouvidos numa questão esportiva como a história da asa traseira em Mônaco, abaixar a cabeça.

Melhores voltas no GP de Mônaco

PilotoTempoDif.VoltaPneu
Webber1:16.234 78Super macio usado
Vettel1:16.2670s03378Super macio usado
Button1:16.4630s22978Macio novo
Alonso1:16.4710s23777Super macio usado
Hamilton1:17.8471s61354Macio novo
Heidfeld1:17.8571s62377Super macio usado
Kobayashi1:18.3082s07476Super macio usado
Barrichello1:18.5842s35076Super macio usado
Alguersuari1:18.6082s37459Super macio novo
Rosberg1:18.6992s46556Super macio usado
Di Resta1:18.7242s49075Super macio usado
Buemi1:18.8322s59877Super macio usado
Sutil1:18.8722s63877Super macio usado
Maldonado1:18.9042s67062Super macio usado
Schumacher1:19.8013s56730Super macio usado
Petrov1:20.0583s82457Macio novo
Massa1:20.2023s96816Super macio usado
Kovalainen1:20.6784s44454Macio novo
Trulli1:21.2775s04366Macio novo
D’Ambrosio1:21.3915s15775Macio novo
Liuzzi1:21.5665s33274Super macio novo
Glock1:22.1025s86830Macio novo
Karthikeyan1:22.7316s49774Macio novo

Apenas Sutil, que havia feito um pit stop quatro voltas antes, não trocou os pneus na bandeira vermelha, o que fez com que os tempos despencassem. Num esforço já comum, Mark Webber apertou para fazer a melhor volta no finalzinho – o australiano sabe o quanto o companheiro Sebastian Vettel é ligado em estatísticas.

As McLaren optaram por privilegiar os super macios no início da prova, e fizeram seus melhores tempos com os macios – Button já não tinha jogos do composto mais mole quando a corrida foi interrompida, portanto usou um segundo set de macios para as últimas voltas. Hamilton não conseguiu melhorar seu tempo, mais de 1s6 pior que os três primeiros, nos momentos finais da prova.

Enquanto isso, é mais uma estatística que mostra – especialmente com Rosberg, por motivos óbvios – o quanto a Mercedes ficou devendo neste final de semana. E Glock se colocando entre as Hispania, mesmo tendo abandonado ainda no primeiro terço de prova, mostra o quanto o time de Liuzzi e Karthikeyan tem que evoluir.

Placar de posição de chegada entre companheiros

Vettel6 x 0Webber
Hamilton4 x 2Button
Alonso4 x 2Massa
Schumacher3 x 3Rosberg
Heidfeld3 x 3Petrov
Barrichello5 x 1Maldonado
Sutil3 x 3Di Resta
Kobayashi4 x 2Perez
Buemi6 x 0Alguersuari
Kovalainen1 x 5Trulli
Karthikeyan4 x 1Liuzzi
Glock2 x 4d’Ambrosio

Na última corrida, destacamos os duelos que tinham zero no placar. Hoje, vamos falar dos empates. Schumacher pode estar levando um 5 a 1 em classificação, mas em corrida consegue equilibrar o jogo. Contando apenas as provas em que ambos completaram, o placar também está empatado, em 2 a 2, com Schumi levando a melhor na Espanha e na Malásia.

Na Renault, Petrov vinha novamente superando Heidfeld, algo que também tem sido recorrente em classificações – é outro 5 a 1. Heidfeld superou o companheiro na pista, de fato, na Malásia e na Turquia.

A Force India é mais uma equipe em que as classificações têm sido mais desequilibradas que as corridas, com Paul Di Resta constantemente levando a melhor em cima de Adrian Sutil – 5 a 1, novamente. Porém, a experiência do alemão, principalmente em relação aos pneus, tem feito com que as coisas mudem um pouco aos domingos. Neste GP de Mônaco, Di Resta fez a opção errada – 3 paradas – e ainda levou um drive through por forçar para cima de Jaime Alguersuari.

 

Emoção em Mônaco prova que Pirelli é decisiva

Pneus super macios fizeram uma boa estreia

 

Austrália, em menor proporção, mas sempre agitada pelos problemas de confiabilidade. Malásia e suas tempestades. China e seu asfalto abrasivo. Turquia e seu sobe e desce. Ano após ano, as quatro primeiras etapas do mundial sempre foram algumas das mais movimentadas. Mas as provas de 2011 já haviam deixado a certeza de que o conjunto pneus Pirelli, asa traseira móvel e Kers havia transformado as corridas. Ficara a dúvida do que ele poderia fazer para Espanha e Mônaco, dois dos circuitos em que vimos os eventos mais monótonos dos últimos anos.

E, mais do que para servir para aprovar as novas regras, as duas provas mostraram que são os pneus que fazem a verdadeira diferença. Com a exceção da Turquia, em que a zona de ultrapassagem pareceu mal colocada, fazendo com que as manobras se tornassem dependentes demais da asa traseira, já era possível perceber que a diferença de rendimento dos pneus era o principal fator de ajuda para a emoção das corridas. E, se alguém tinha qualquer dúvida a respeito disso, Mônaco colocou-a por água abaixo.

Como esperado, praticamente não houve ultrapassagens com a asa. Mas o fato do único piloto que começou onde terminou ter sido Vettel mostra que até a sempre parada Mônaco – aquela mesma prova que Fernando Alonso completou quase inteira com um mesmo jogo de pneus sem maiores problemas ano passado – não ficou imune à degradação.

Na Espanha, a história foi semelhante: dificilmente vimos uma manobra entre dois pilotos que tinham vida e desgaste de pneus semelhantes.

É claro que a asa e o Kers têm um papel fundamental, de permitir que o piloto se mantenha perto do rival que persegue, mas a manobra em si só tem acontecido se circuito e pneus permitirem.

Neste GP de Mônaco, a McLaren fez de tudo para que Vettel passeasse pelas ruas do Principado, primeiro com a estratégia inexplicável de Hamilton, segundo fazendo dois stints de pneus super macios de Button. Nunca saberíamos se o inglês conseguiria passar o alemão e Alonso nas voltas finais, mas ele certamente aguentaria até o final caso tivesse calçado os macios na segunda parada. A equipe parece ter enfrentado Mônaco como as demais corridas, seguindo os princípios de guardar o máximo de pneus na classificação e de para mais para andar mais rápido na corrida.

Hoje também pudemos ver a boa relação da Sauber com os pneus pagando seus dividendos. Kobayashi largou em 13º para chegar em quinto, fazendo apenas uma parada. Só podemos imaginar o que Sergio Perez faria largando em 10º.

Falando em novatos, Pastor Maldonado foi outro que guiou bem neste final de semana, até ser abalroado por Hamilton nas voltas finais. Di Resta pagou um drive through por uma manobra afoita em Alguersuari, mas também se classificou à frente do companheiro Sutil. O alemão, aliás, tentou o mesmo que Kobayashi e acabou caindo de produção no final, mostrando o quanto o Force India maltrata os pneus em relação ao Sauber. D’Ambrosio foi a única Virgin a chegar ao final. Inclusive, dos seis carros dos times do fundão, só Glock não completou. Trata-se de uma turma de estreantes que tem dado conta do recado, mais do que Hulkenberg, Petrov e companhia no início do ano passado.

Quem não pode dizer o mesmo é Mark Webber. O único com equipamento para enfrentar um iluminado – e sortudo – Vettel fez outra corrida apagada, perdendo ritmo em relação aos três da ponta desde as primeiras voltas. Isso, somado ao fato de termos tido sete pilotos diferentes no pódio até agora – Button foi o primeiro que repetiu um terceiro lugar – fazem com que, embora as corridas tenham sido sensacionais, Vettel dispare na ponta.

A aposta da McLaren com Hamilton e outras surpresas na classificação de Mônaco

 

Sessão já prometia ser animada nos treinos

Mônaco é mesmo um lugar propenso a gerar surpresas. Mas, neste sábado, o resultado incomum não fez favor algum ao campeonato: Lewis Hamilton adotou uma estratégia no mínimo questionável no Q3 e fez com que uma pole position, que se desenhava como uma clara possibilidade, após o inglês liderar o Q1 e o Q2, se tornasse um nono lugar.

Não dá para entender porque a McLaren decidiu fazer apenas uma tentativa no final do Q3 num circuito em que problemas com o tráfego e bandeiras amarelas/vermelhas são comuns. Pensando em economizar pneus super macios em uma prova na qual isso não se desenha como tão importante – espera-se que os ponteiros façam apenas duas paradas – o time jogou a classificação no lixo. Além disso, no circuito em que ela deveria ser priorizada.

Após uma tentativa frustrada pelo tráfego de Felipe Massa, Hamilton acabou tendo uma segunda chance, com a bandeira vermelha de Perez, mas a McLaren errou novamente: no afã de fazer com que seu piloto tivesse pista livre, recolocou-o em primeiro na “fila de espera” para o reinício da sessão, mas cedo demais, o que fez com que as temperaturas de freio e pneus caíssem de forma acentuada.

A sequência de erros do time que mais bem tem aproveitado as oportunidades em termos de estratégia, somada a mais uma tarde apática de Mark Webber, deixaram o caminho livre para Sebastian Vettel fazer sua quinta pole do ano e 20ª da carreira, igualando Fernando Alonso, mas com 95 largadas a menos.

Houve várias estratégias sendo utilizadas no Q3 de Mônaco. A tentativa única de Hamilton, duas voltas rápidas para cada saída ou apenas uma, alguns reabastecendo o carro entre ambas as saídas, outros não (como a Ferrari). Salvou-se quem atacou a primeira volta lançada como se fosse a última.

Com um Q3 tão movimentado, algumas supresas – elas de novo! – ficaram esquecidas. As Renault, perdidas com os pneus super macios, tiveram péssimo rendimento e pararam no Q2. Isso abriu caminho para os novatos Perez e Maldonado, que andaram melhor que seus companheiros com frequencia durante o final de semana. O venezuelano aliás, com uma tocada bonita de ver no Principado.

http://youtu.be/pAdsC-g75AM

Outro novato que superou o companheiro – este, um especialista de Mônaco – foi Di Resta, por três milésimos!

Com o resultado de hoje, caiu mais um zero no placar entre os companheiros, o de Michael Schumacher, que não se deixou levar – disse que foi um resultado atípico pela bandeira vermelha. E, por 38 milésimos, Trulli não conseguiu fazer frente a Kovalainen. Com as Hispania fora da classificação, o italiano junta-se a Karthikeyan e Massa entre os que ainda não superaram os parceiros de time na temporada. A “seca” do piloto da Ferrari vem desde o GP da Bélgica – 11 provas – e o de Jarno, desde Abu Dhabi.

 

Disputa entre companheiros na classificação

Vettel5 x 1Webber
Hamilton4 x 2Button
Alonso6 x 0Massa
Schumacher1 x 5Rosberg
Heidfeld1 x 5Petrov
Barrichello3 x 3Maldonado
Sutil1 x 5Di Resta
Kobayashi2 x 4Perez
Buemi5 x 1Alguersuari
Kovalainen6 x 0Trulli
Karthikeyan0 x 5Liuzzi
Glock4 x 2d’Ambrosio

Diferenças hoje

Vettel x Webber: 0s463
Button x Hamilton: 1s283
Alonso x Massa: 0s394
Schumacher x Rosberg: 1s084
Petrov x Heidfeld: 0s399
Maldonado x Barrichello: 0s281
Di Resta x Sutil: 0s003
Kobayashi x Perez: 0s491
Buemi x Alguersuari: 1s462
Kovalainen x Trulli: 0s038
Glock x D’Ambrosio: 0s822