Lutas entre companheiros: gangorra na Red Bull

Uma das grandes surpresas deste início de temporada na verdade é mais uma questão de costume. Depois de dois anos equilibrados dentro da Red Bull, com vantagem para Vettel, o alemão simplesmente trucidou Webber na temporada passada. Confiança com o título, apoio da equipe? Pode ser, mas as primeiras corridas deste ano indicaram que a diferença teve muito da excelente adaptação do piloto ao sistema de escapamento soprado do RB7 e sua capacidade de usar isso com perfeição em uma volta lançada. E já sabemos como os Pirelli abençoam quem larga na ponta.

O ano de 2012 começou com Webber fazendo 3 a 0 no companheiro. E sabemos que isso também não é a regra. Enquanto isso, Vettel sofria com os pneus mais macios, chegando até a classificar com os médios. Finalmente com o carro do jeito que queria após Newey fazer uma pequena modificação no direcionamento dos gases do escapamento, fez a pole, a 0s215 do companheiro. Se isto novamente será ou não a regra depende tanto do desempenho da Red Bull daqui em diante, quanto da performance de Webber em classificações. Afinal, andar no meio do pelotão com um dos carros tradicionalmente mais lentos de reta não é moleza. Para nenhum dos dois.

2012VettelWebber
Classificação13
Diferença média em classif.+0s076 
Corrida (completadas)22
Abandonos00
Voltas à frente18047
2011  
Classificação40
Diferença média em classif.-0.593 
Corrida (abandonos)4 (0)0 (0)

Lutas entre companheiros: equilíbrio na McLaren (pelo menos em corrida)

O atual vice-campeão do mundo não faz uma pole desde a primeira metade de 2009. E sabe que não precisa disso para superar Lewis Hamilton, algo que vimos acontecer diversas vezes nos dois últimos anos – obviamente, com mais força em 2011, quando o campeão de 2008 pela primeira vez somou menos pontos que um companheiro. Os números de classificação de Button em relação a Hamilton são parecidos com aqueles que levam lavadas dos colegas de box, mas isso não acontece na McLaren, equipe na qual os resultados de provas tendem a ser equilibrados.

Vimos o mesmo neste início: vantagem de Button na Austrália e na China, e de Hamilton na Malásia e no Bahrein. Isso, até que ambos fossem atrapalhados por péssimos trabalhos de pit. No momento, são eles que estão fazendo a dupla marcar menos pontos do que deveria, e não qualquer briga interna. Whitmarsh pode bradar aos quatro cantos que, se o campeonato for decidido por quem melhor ultrapassa, eles estão muito bem servidos. Mas, com um carro bem nascido em mãos, eles só precisarão se preocupar com isso se tiverem de continuar remando no pelotão depois de cada parada nos boxes.

2012ButtonHamilton
Classificação04
Diferença média em classif.+0.264 
Corrida (completadas)21
Abandonos1 (quebra)0
Voltas à frente15570
2011  
Classificação13
Diferença média em classif.+0.260 
Corrida (abandonos)1 (0)3 (0)

Lutas entre companheiros: abismo na Ferrari

Os dois inícios de ano da dupla Alonso e Massa na Ferrari viram o espanhol não conseguindo transformar em resultados suas classificações melhores. Tanto em 2010, quanto em 2011, Massa teve resultados melhores nas corridas, por vezes se aproveitando de erros, por outras por puro mérito. Mas justamente desde o GP da China de 2011 o vice-campeão de 2008 não consegue chegar à frente do companheiro em uma corrida, marca incrível para quem tem em seu currículo 11 vitórias na carreira.

Passar 13 voltas à frente, apenas por uma questão de estratégia diferente, e chegar apenas alguns segundos atrás, como na última prova, não pode servir como consolo. Afinal, se ficou claro nestes mais de 40 GPs ao lado de Alonso que Massa não tem bala na agulha para superar o espanhol com consistência, levar mais de meio segundo na classificação e somar menos de 5% dos pontos do companheiro após 4 etapas certamente também não está nos planos de alguém que não tem contrato para 2013.

2012AlonsoMassa
Classificação40
Diferença média em classif.-0.534
Corrida (completadas)30
Abandonos01 (acidente)
Voltas à frente20213
2011  
Classificação40
Diferença média em classif.-0.335
Corrida (abandonos)2 (0)2 (0)

Lutas entre companheiros: Mercedes e Lotus

Fica difícil compreender o que está acontecendo dentro da Mercedes, uma vez que Schumacher simplesmente não teve uma corrida limpa sequer até aqui, enquanto Rosberg só não sofreu com a queda brusca de rendimento devido aos pneus ou com uma má largada, que o prendeu no tráfego, em uma delas – e a venceu.

O que ficou claro é que, depois do heptacampeão ter saído na frente na briga interna, as melhorias na resposta do carro às freadas parecem ter ajudado Rosberg que, assim como Vettel, passou a aparentar estar bem mais à vontade. Agora só falta Schumacher ter um fim de semana tranquilo para mostrar o quanto da diferença que vimos nos últimos dois anos – e que vinha caindo no final da temporada passada – ainda existe.

A história é de certa forma parecida na Lotus. O real impacto da incrível readaptação de Raikkonen à F-1 – nem tanto por seu ritmo, uma vez que sempre esteve na ativa em nível bastante competitivo, mas sim pelo seu racecraft (ou as noções necessárias para disputar posições), que poderia muito bem estar enferrujado após dois anos no rali – fica deturpado pelo início montanha-russa de Grosjean. Além disso, o próprio finlandês ainda não teve um final de semana 100% tranquilo, sem erros na classificação ou na estratégia.

Fica a impressão, porém, que ao mesmo tempo em que Kimi não perdeu nada de sua velocidade, os dois anos de “geladeira” fizeram bem a Grosjean. Deve perder o duelo interno, mas não levar a lavada que sofreu de Alonso ao entrar na Renault na fogueira no meio de 2009, com o péssimo R29 em mãos.

Schumacher x Rosberg

2012SchumacherRosberg
Classificação22
Diferença média em classif.+0.056
Corrida (completadas)11
Abandonos2 (quebras)0
Voltas à frente4590
2011  
Classificação04
Diferença média em classif.+0.672
Corrida (abandonos)2 (1)1 (2)

Raikkonen x Grosjean

2012RaikkonenGrosjean
Classificação22
Diferença média em classif.+0.406
Corrida (completadas)11
Abandonos02 (acidentes)
Voltas à frente7839

Lutas entre companheiros no meio do pelotão

Provavelmente a grande surpresa dentre os duelos entre companheiros de equipe seja a lavada de Di Resta em Hulkenberg. O que tinha tudo para ser um dos combates mais apertados até nos faz pensar o que Sutil, que começou o ano pior, mas estava dominando Di Resta no final de 2011, estaria fazendo.

Na classificação, a briga até que é apertada no cronômetro, ainda que o escocês consiga largar à frente. Nas corridas, contudo, Di Resta tem conseguido progredir, enquanto Hulkenberg não sai do lugar. Falta de experiência com os Pirelli, decisões estratégicas ruins? Ainda não dá para crucificar o alemão, que também demorou para pegar a mão em 2010, seu ano de estreia. Mas perder de um piloto com o mesmo tempo de categoria não faz bem ao currículo de ninguém.

É provável que Hulkenberg e Di Resta estejam lutando apenas por uma vaga na Force India ano que vem, assim como ocorre na Williams. Bruno Senna tem a chance de ganhar de Pastor Maldonado na consistência, e tem demonstrado a capacidade de fazê-lo. Se nas classificações, à exceção da última, o venezuelano tem sido rápido demais para o brasileiro, nas corridas Bruno já viu que pode superá-lo se livrar-se dos erros nas largadas e primeiras voltas.

Usar o racecraft para superar o companheiro vem sendo a receita de Vergne. Mesmo levando 4 a 0 e média de mais de 0s6 de Ricciardo em classificações, o francês parece se encontrar durante as corridas, tendo passado 194 voltas na frente do impetuoso colega de Toro Rosso. No entanto, a história recente mostra que ir bem apenas nas corridas não convence Helmut Marko de que um jovem talento pode vir a ser campeão pela Red Bull. E, mesmo que ainda seja cedo, a aproximação da aposentadoria de Webber faz com que a paciência não esteja em alta. No momento, nenhum dos dois está fazendo muito mais do que Buemi e Alguersuari fariam.

Na Sauber, a tendência da parte final do ano passado – que ficou escondida quando olhávamos a pontuação, já que o desempenho da equipe caiu ladeira abaixo na última metade da temporada – segue a mesma no início de 2012: ainda que em um duelo equilibrado, Perez vem batendo Kobayashi, escolhendo e executando melhor suas estratégias. Enquanto o mexicano é cotado para uma vaga na Ferrari, o japonês segue sendo aquele piloto que agrada mais aos espectadores do que aos chefes de equipe.

Di Resta x Hulkenberg

2012Di RestaHulkenberg
Classificação31
Diferença média em classif.+0.009
Corrida (completadas)30
Abandonos01
Voltas à frente15514
2011*  
Classificação31
Diferença média em classif.-0.953
Corrida (abandonos)2 (1)1 (0)

*em comparação com Sutil

Maldonado x Senna

2012MaldonadoSenna
Classificação31
Diferença média em classif.-0.135
Corrida (completadas)01
Abandonos32
Voltas à frente8899
2011*  
Classificação13
Diferença média em classif.+0.247
Corrida (abandonos)0 (2)2 (2)

*em comparação com Barrichello

Kobayashi x Perez

2012KobayashiPerez
Classificação22
Diferença média em classif.-0.104
Corrida (completadas)21
Abandonos10
Voltas à frente64153
2011  
Classificação21
Diferença média em classif.-0.452
Corrida (abandonos)2 (0)1 (1)

Ricciardo x Vergne

2012RicciardoVergne
Classificação40
Diferença média em classif.-0.644
Corrida (completadas)13
Abandonos00
Voltas à frente32194

Nanicas evoluem e Caterham começa a incomodar

Seria o desempenho de Trulli ano passado fraco demais ou Petrov realmente vem fazendo um bom trabalho para a Caterham? O russo pode estar devendo para Kovalainen em classificações, mas tem sido mais veloz nas corridas. O mesmo não se pode dizer da Marussia, que tem neste ano um duelo menos intenso do que em 2011: Pic não tem conseguido andar no ritmo de Glock, ao contrário das primeiras provas de D’Ambrosio. Já na HRT, Karthikeyan nunca teve um companheiro com desempenho tão próximo ao seu – e ainda assim levou quase meio segundo em média nas classificações até aqui.

Mas o que interessa em relação às nanicas nem são tanto os duelos internos. É marcante a evolução destas equipes, muito embora isso fique eclipsado para o público em geral, tamanha a disputa na ponta.

Nas quatro provas até aqui, apenas na Malásia houve queda em relação ao melhor tempo do Q1, sendo que a evolução mostra uma HRT mais próxima da Marussia. Mas quem mais cresceu foi a Caterham, que já pode começar a sonhar em entrar no Q2 em condições normais, sem contar com erros ou problemas mecânicos nos rivais.

Um problema para Kovalainen e Petrov poderia ser o fato do grid estar bem mais apertado do que ano passado. Afinal, o melhor tempo do Q1 era difícil para boa parte do pelotão igualar em 2011, ao passo que neste ano temos visto três ou quatro décimos separando os 11, 12 primeiros com frequência. Mas a distância em relação ao rival mais próximo – na maioria das vezes, a Toro Rosso – caiu ainda mais que a diferença para o primeiro colocado: chegando, no máximo a 1% do tempo. No Bahrein, inclusive, Kovalainen conseguiu se colocar no Q2, superando Schumacher e Vergne.

Nas corridas, também já há uma melhora. Por enquanto, a Caterham não lidera o campeonato das “novatas” justamente porque abandonou com ambos os carros na prova com mais DNFs até aqui, na Austrália. Fora isso, tivemos ao menos um carro de cada uma destas equipes cruzando a linha de chegada em todos os GPs, levando no máximo 2 voltas – em 2011, a Marussia chegou a levar 4 no início do ano e a HRT, 3. Na China, por exemplo, todos foram ultrapassados pelo líder apenas uma vez, algo que não acontecera em 2011.

Assim, se há uma séria candidata a permanecer na F-1 é a Caterham, enquanto Marussia e HRT, mesmo melhorando, ainda têm um longo caminho a percorrer. Afinal, quando o máximo permitido na classificação é um tempo 7% pior que o melhor do Q1, o que dizer de um time que, em seu terceiro ano de vida, ficou a 6,5% até do rival mais próximo fora as “novatas” na Austrália?

Porcentagem em relação ao melhor tempo do Q1

Porcentagem em relação ao rival mais próximo entre não estreantes em 2010

Kovalainen vs Petrov

Posições de Chegada

2012KovalainenPetrov
Classificação40
Diferença média em classif.-0.446
Corrida (completadas)03
Abandonos11
Voltas à frente48150
2011*  
Classificação40
Diferença média em classif.-0.387
Corrida (abandonos)1 (1)1 (1)

*em comparação com Trulli

Glock vs Pic

Posições de Chegada

2012GlockPic
Classificação31
Diferença média em classif.-0.327
Corrida (completadas)30
Abandonos01
Voltas à frente15432
2011*  
Classificação22
Diferença média em classif.+0.146
Corrida (abandonos)0 (1)2 (1)

*em comparação com D’Ambrosio

De la Rosa vs Karthikeyan 

Posições de Chegada

2012De la RosaKarthikeyan
Classificação40
Diferença média em classif.-0.477
Corrida (completadas)30
Abandonos00
Voltas à frente10558

Ultrapassagens em números: 4 GPs superam cinco das últimas 10 temporadas completas

Se 2011 já foi um ano absolutamente recordista em termos de ultrapassagens, a temporada atual deu mostras nestas quatro primeiras provas que há como melhorar os números do ano passado. O equilíbrio entre as equipes e a possibilidade ainda maior de variar as estratégias, com a adoção por parte da Pirelli de compostos mais próximos em termos de rendimento, resultou em um aumento em relação à já espetacular média do ano passado: enquanto a temporada de 2011 fechou com 60,63 ultrapassagens por GP em média, as etapas iniciais deste ano tiveram 70 por prova.

Isso significa que, computando apenas as manobras executadas no seco, a temporada teve, em quatro provas, mais que o número total de ultrapassagens de 5 dos últimos 10 anos! Em números absolutos, apenas 2010 e 2011 tiveram mais trocas de posição do que nas quatro primeiras provas desta temporada.

É curioso perceber que isso ocorre mesmo com a perda de valor da DRS. Primeiro, porque a FIA está disposta, neste segundo ano do dispositivo, a diminuir as zonas de ultrapassagem que funcionaram “bem até demais” em 2011. E segundo porque um dos resultados da alta competitividade que temos visto são os trenzinhos durante as provas, que fazem com que vários pilotos ativem a asa traseira móvel ao mesmo tempo, anulando seu efeito.

Fica a questão até se é válido continuar usando este artifício para melhorar o número de ultrapassagens, uma vez que ele está longe de ser um problema no momento, e a DRS parece ser bem menos decisiva que os próprios pneus para este fim. Se o Kers tem seu futuro garantido na categoria pelo regulamento que entra em vigor em 2014 – e até ganhará em importância, surgindo como grande contribuição da F-1 aos carros de rua – a asa móvel vem perdendo espaço. A questão que fica é qual sua valia para um piloto se aproximar do outro com mais rapidez, já que ela acaba diminuindo o prejuízo pela turbulência.

O abandono do equipamento, porém, ainda traria outra ajuda à FIA: com a inovação da Mercedes, usando a DRS para ativar um sistema de dutos que estola a asa dianteira, os rivais estão tendo de abrir o cofre para desenvolver suas engenhocas particulares, em mais um tiro no pé na tentativa da categoria diminuir os custos. Não seria melhor acabar logo com a brincadeira?

Enquanto continuamos com todo o arsenal pró-ultrapassagens a todo vapor, confira as estatísticas deste início de temporada:

Ultrapassagens em 2012

Ultrapassagens por pista

Ultrapassagens nos últimos 10 anos

Ultrapassagens por piloto

Semana da F-1 via twitter: “folga” e futebol

Alguma desculpa?

Precisando de uma trilha sonora para ler o post? A @redbullracing divide a playlist que toca sempre em alto e bom som em sua garagem enquanto os mecânicos trabalham nos carros. Fora dele, @AussieGrit dividiu uma bela imagem de um ciclista paraolímpico. “Outro herói desconhecido. Apenas lidando com as coisas”. O australiano esteve em uma sessão de fotos nessa semana para a Playboy britânica, assim como a dupla da @TheFifthDriver, para o Santander. @LewisHamilton, aliás, reapareceu no twitter pela primeira vez desde o GP da China, só para dizer que está “ansioso para Barcelona”. Depois de sofrer com tantos erros nos pits, é melhor não abrir muito a boca mesmo.

Foi @JensonButton quem tratou de nos dar as notícias: trabalho no simulador, evento para patrocinadores em meio a banheiros (?), expectativa para um triathlon em Cannes. E um pedido: #believeinmclaren. “Eu acredito!”

Mas o destaque da semana vai para a incrivelmente bem produzida matéria da BBC sobre o procedimento de largada, com @BSenna, que o piloto divulgou em seu twitter nesta semana. Vale muito a pena conferir!

Na @insideferrari, a semana foi para negar boatos. O último, de que James Key, ex-Sauber, estaria nos planos da equipe. O chefe de comunicação @lcolajanni, no entanto, deixou a pergunta no ar ao ser questionado pelo jornalista espanhol @AS_MFranco se Key era a salvação ferrarista. Depois de simplesmente escrever “não” em três línguas, completou: “sua pergunta foi se ele era a salvação, não a contratação.”

O twitter ferrarista também se animou para desejar feliz aniversário a @Felipe1Massa, que completou 31 anos dia 25 de abril – assim como Jean Eric-Vergne, que fez 22. O brasileiro, contudo, andou sumido do twitter nesta semana. Quem não parou com a brincadeira foi seu companheiro. @alo_oficial mostrou seu “escritório” no circuito, a “máquina da verdade”, ou exame de bioimpedância, por que passa após treinos e provas para acompanhar as respostas físicas ao esforço e dividindo alguns dados curiosos: “temperaturas; ambiente 33ºC, pista 46ºC, corpo 39ºC, máximo dos pneus 126ºC, freios na primeira curva 870ºC”. Ainda deu tempo para torcer pelo Real Madrid e dar uma ironizada na decisão dos comissários de não punir ninguém no Bahrein. “Acho que vocês vão se divertir nas próximas corridas! Pode-se defender como quiser e ultrapassar por fora da pista. Curtam!” E dá-lhe avião, até para seu bonequinho #Tomita.

Depois de explicar a decisão dos comissários em seu vídeo blog, @nico_rosberg só apareceu uma vez, para comemorar a vitória de seu Bayern de Munique na Champions. Festa para alguns, lamento para outros. @PedrodelaRosa1 viu seu Barcelona perder duas vezes nos cinco dias que esteve no Bahrein. “Increíble”, exclamou. Seu companheiro @narainracing voltou para a Índia após a corrida, mas antes postou fotos da calmaria do fim do grid. Nada que incomode Bernie, contudo.

A @HRTF1Team justificou sua ausência dos testes em Mugello para focar-se na mudança de sua base para a Caja Magica, em Madri. Pelas fotos, parece que há mesmo algum trabalho pela frente.

@SChecoPerez apareceu apresentando seu treinador, enquanto @danielricciardo quase deu uma de vidente no sábado no Bahrein. Disse que iria “fazer chover” na classificação. Foi sexto. E choveu no deserto, mas no dia seguinte. Mesmo com a decepção na corrida, o australiano ficou feliz em voltar para casa – “e botar a máquina de lavar para funcionar”, com uma mala de sete semanas para arrumar. Já no movimento twitter da @Lotus_F1Team após o duplo pódio barenita, muitos fãs perguntando se a equipe pode manter o ritmo em Barcelona. E a resposta, bem no estilo de sua estrela: “let’s wait and see.”

GP do Bahrein por brasileiros, espanhóis e britânicos: “É de coçar a cabeça”

A largada do GP do Bahrein se aproxima e ninguém sabe ao certo em quem apostar. Na Globo, “a McLaren vem mostrando força e talvez o fato do Rosberg ter feito uma volta para economizar pneu tenha levado a Mercedes à terceira fila”, acredita Galvão Bueno. Na Antena 3, da Espanha, “o bom para Alonso é que, se alguém ganhar, que seja Vettel.” Na Sky, os britânicos não se arriscam e analisam como os pneus andam influindo nos resultados. “O bom desta temporada é que os pilotos têm de ser perfeitos, senão caem uma ou duas filas no grid”, teoriza Brundle.

Ninguém aposta na Ferrari. “O carro é desequilibrado, então vai ser difícil para Felipe Massa. Já Williams é mais forte em corrida e Schumacher vai dar show”, prevê Luciano Burti.

Antes dos carros partirem, os espanhóis já pedem uma punição a Bruno Senna, que se posicionou no grid bem adiante de sua marca. Nada acontece e os semáforos se apagam. Vettel pula na frente. “Boa largada de Vettel e Hamilton. Olha o Grosjean! E Button sob pressão. Largada brilhante de Fernando Alonso. Maldonado e Senna largaram bem e Ricciardo está perdendo posições”, o narrador britânico David Croft tenta seguir toda a ação. “Massa ganhou cinco posições e Bruno Senna foi na dele. Raikkonen foi outro que pulou muitíssimo bem”, observa Galvão, para quem Felipe “larga muito melhor que Alonso”. O narrador Antonio Lobato só tem olhos para seu conterrâneo de Oviedo. “Fernando larga muito bem. Cuidado, que todos estão muito perto! Cuidado com Grosjean, que é um companheiro de batalha muito complicado.”

Após a ótima largada, Massa ultrapassa Raikkonen. “Que batalhador! Que grande manobra do brasileiro”, vibra Lobato. “Não foi uma manobra das mais limpas, mas ele certamente se deu bem”, diz Brundle. “Massa está guiando como um homem possesso.” Galvão também se anima. “Massa vai fazendo uma grande prova. Já tinha passado Rosberg e agora o Raikkonen. Vai fazendo uma grande prova.”

O finlandês, no entanto, devolveria a manobra algumas voltas depois. “Não é normal ver uma ultrapassagem ali”, exclama Brundle. “Isso demonstra que os pneus da Ferrari acabaram”, completa Galvão.

Os espanhóis estão focados em Alonso, esperando que ele ataque Grosjean, e se surpreendem quando o francês passa Webber com certa facilidade. “As Lotus têm ritmo”, aponta o comentarista Marc Gené. “Parece que os pneus deles estão durando mais”, opina Lobato, algo que, para Brundle tem a ver com o pneu não usado na classificação para Kimi e com a tocada de Romain, que “está evitando o giro em falso nas saídas das curvas, usando sua experiência de GP2”. Mas Gené segue maravilhado. “Grosjean e Raikkonen são os únicos nos ritmo de Vettel, enquanto McLaren e Ferrari estão sofrendo muita degradação.” O comentarista chega a falar em quatro paradas.

Nos primeiros pits, a McLaren erra com Hamilton, que sai do pitlane brigando com Rosberg. O inglês supera o alemão, que cobre o lado direito e não dá espaço. Lewis passa por fora da pista mesmo. “Era um Hamilton irritado depois de perder 9s no pit e eles não ia levantar o pé. Incrível que ele tenha conseguido ter tração para passar. Maluco, mas efetivo”, diz Brundle, que não toma partido a respeito de alguma irregularidade. Aliás, acredita que, se houver, foi por parte do piloto da McLaren, que ultrapassou “com as quatro rodas fora, isso é certeza, mas quero ver de novo.”

Para Galvão, qualquer punição miraria Rosberg. “Hamilton mostra que está muito afim e por isso é líder do campeonato. Vai ter investigação porque Nico se moveu demais.” Já os espanhóis demoram um pouco para notar a briga, mais focados em Button e Alonso, que estão um pouco à frente, também lutando por posição. “A mudança de traçado foi criminosa”, diz Lobato, enquanto Gené se impressiona com Hamilton. “Ele não tirou o pé. Como é valente esse Hamilton.” Mas logo volta a seu foco. “O importante é Alonso passar as duas McLaren, porque elas não têm ritmo.”

Di Resta chega a liderar a corrida, por uma volta, mas não é mostrado pela televisão, em meio a tantas batalhas. Para Reginaldo Leme, uma atitude política. “É um revide de Bernie Ecclestone pela Force India não ter participado de uma das sessões de treinos livres.” E lá vai Galvão explicar os problemas internos do Bahrein como uma “disputa entre etnias, não importa dizer o nome. Mas não aconteceu nada até agora”, completa, referindo-se à presença da F-1 no país. E também logo volta a seu foco. “Não é consolo para ninguém, mas a corrida do Massa é bem melhor que a do Alonso.”

Burti chama a atenção para a estratégia de Raikkonen ser diferente de Vettel – o finlandês está com pneus macios e se aproxima rapidamente. “Raikkonen está muito mais rápido de macios que Grosjean de médios”, também observa Brundle.

Os comissários optam por decidir sobre o caso Hamilton X Rosberg depois da corrida, para a revolta de Galvão. “Essas coisas incomodam na F-1. Não tem motivo para investigar depois da prova. É político. A decisão é política porque a Mercedes é a única grande montadora a seguir na F-1, fornecer motores, é importante.”

Para os espanhóis, no entanto, a situação realmente é discutível. “Rosberg fez uma mudança de posição, o que é permitido, mas forçou Hamilton para fora”, Gené primeiramente dá a entender que vê ganho de causa para o inglês, mas, depois de ouvir reclamação do alemão de que o piloto da McLaren o ultrapassara por fora da pista, entende que a questão é mais complexa. “Rosberg não deu opção, mas acho que não puniria nenhum dos dois.”

David Croft vê Rosberg preso pela Ferrari de Massa. “A largada custou caro para ele.” E Gené imagina o quanto a má classificação prejudicou Kimi.” Surpreendente como ele se classificou mal. Se estivesse mais à frente, já teria chegado na cola de Vettel.”

Espanhóis e britânicos querem que a Lotus dê ordens para Grosjean abrir passagem para quem “realmente tem chance de ganhar”. De acordo com Croft, Kimi também pensava assim. “Se vocês estiverem ouvindo nosso canal do pit, ouviram ele dizendo: ‘vocês têm de me deixar passar’. Quanto isso custou? Ele certamente perdeu tempo.”

Um novo erro no pit de Hamilton chama a atenção de todos. “Ele vai ficar revoltado. Vai dizer que não quer parar mais”, brinca Gené. “A McLaren está a fim de jogar a corrida do Hamilton fora mesmo”, diz Reginaldo Leme. “A McLaren chegou num ponto em que eles realmente vão ter de olhar esses pits”, endossa Croft.

A disputa entre Rosberg e Hamilton quase se repete, mas agora com Alonso, que prefere recuar. “Agora não acho que foi o Rosberg que colocou o Alonso para fora”, vê Galvão. “Muito agressivo o Rosberg. Acho que ele pensa: ‘tenho o direito de ir até o canto e deixo espaço pelo lado de dentro”, diz Brundle, mas Croft acredita que isso não é certo. “As regras dizem que você tem que dar espaço de um carro.” Para os espanhóis, “isso não pode acontecer! Jogou ele para fora! O movimento de Rosberg é algo para se rever, ele já fez algo parecido com Hamilton”, Lobato fica indignado. “Ele muda de trajetória quando o outro já o fez. Por isso eles se veem obrigados a sair da pista”, concorda Gené.

Os ânimos se acalmam e é Massa quem vem se aproximando de Alonso em “de longe, sua melhor corrida do ano”, como destaca Brundle, que diz: “Fernando, Felipe is faster than you. Poderíamos ouvir algo do tipo”. E Croft emenda. “Agora é permitido.” E logo as atenções se voltam para Di Resta e a luta pela ponta. Os espanhóis também não dão muita atenção, só avisam: “não descartemos que Massa pode passar porque está com pneus macios. Esses pneus duros não estão funcionando para Alonso.”

A questão é mais séria na Globo. “Gostaria bastante de ouvir: ‘Alonso, Massa está mais rápido do que você’. Eles estão com estratégias diferentes, assim como aconteceu na China e pediram para o Felipe deixar passar. Única diferença é que na China Alonso faria 3 paradas e Massa duas. Agora eles têm pneus diferentes. Tem que vir a ordem, mas não vai. Todo mundo sabe que não tem comando.”

Para Reginaldo, “uma justificativa é que Alonso está na frente no campeonato, mas é só o começo. Se bem que na Alemanha em 2010 estava no meio.” Nada de ordem e o narrador não se conforma. “O piloto está tentando se levantar e eles fazem isso.”

Todos se agitam quando Alonso segue no vácuo de Kobayashi até o japonês ir aos boxes. E desvia repentinamente quando percebe o erro. “Estranhíssima a manobra de Fernando. Que perto do muro”, exclama Lobato. “Acho que ele pensou que Kobayashi estava tentando escapar do vácuo”, acredita Gené. Para Galvão, Alonso seguiu o japonês para sair do vácuo de Massa, enquanto Brundle classifica o espanhol de louco. “É um risco que não vale a pena, a não ser que ele não pensasse que Koba iria parar.” Croft raciocina. “Estava cedo para Alonso parar, então isso não é uma possibilidade.”

O narrador lembra que “ninguém venceu aqui largando fora dos quatro primeiros, mas um homem chegou no pódio largando em 22º: Kimi Raikkonen.” O finlandês se aproximava rapidamente em Vettel. “A Lotus teria de parar antes para ultrapassar”, avisa Gené, mesma linha de Brundle. Mas Croft acha que a ultrapassagem será na pista. “Parece uma questão de tempo.”

Na Globo, fica a decepção com suas apostas iniciais. “É de coçar a cabeça mesmo, Ross Brawn, o desempenho é da água para o vinho. Assim como a Sauber, que decepcionou hoje”, diz Reginaldo. “E a McLaren teve desempenho pálido”, completa Galvão. Brundle concorda. “Mesmo sem os problemas dos pits, Hamilton estaria em quinto, longe da vitória. Ninguém preveria que a McLaren estaria a 40s do líder.”

Croft avisa que Raikkonen precisa passar rápido. “temos visto que os pneus perdem temperatura depois que o piloto se aproxima e, se não passar logo, o pneu não se recupera”. Dos boxes, o repórter Ted Kravitz avisa que antecipar a parada não está nos planos da Lotus. “É pelo que aconteceu na China. Eles querer ter certeza de que terminam a corrida.”

Na única chance que teve, Kimi “escolheu o lado errado”, para Gené, que chega a acreditar que os primeiros a fazerem seu terceiro pit teriam de parar de novo, mas logo recua. Os espanhóis fazem as contas do campeonato e lembram que Alonso colocou o GP do Bahrein como “o último de sofrimento”. E Gené observa que “os três primeiros do campeonato estão em 7º, 8º e 9º.”

Na Antena 3, as últimas voltas são marcadas pela empolgação. Após abandono de Button – desistência esta antidesportiva, para Galvão, pois as equipes “usam a estratégia de parar nas últimas voltas para poder trocar componentes sem punição” –, problemas com o escapamento de Rosberg e o ritmo ruim de Di Resta fazem os espanhóis sonharem com um quinto lugar para Alonso. Enquanto os três primeiros cruzam a linha de chegada, Lobato não se aguenta. “Mostrem, por favor, o que está acontecendo lá atrás!” Devido à “falta de velocidade de reta da Ferrari”, Alonso chega a 0s2 da Force India. “É um bom resultado de Fernando no mundial. E se Raikkonen conseguir se classificar melhor…” Gené é interrompido pelo rádio do segundo colocado e se diverte. “Ele fala como se tivesse terminado em 10º.”

Na Globo, também se interessam pela personalidade do finlandês. “Como será que vai ser a reação do Kimi no pódio?”, pergunta Galvão. “A única vez que o vi sorrindo foi quando foi campeão”, lembra Burti, que logo é recordado pelo narrador sobre a festa daquela noite em 2007. “Aí ele sorriu bastante.”

E lá se vão contas de último pódio e vitória da Lotus. Os britânicos não se rendem à tentação de unir a história desta Lotus àquela de Colin Chapman. Ou quase. “É uma equipe diferente, claro, mas é ótimo ver esse nome no pódio”, diz Croft.

Impressionados com os carros pretos e dourados, quase se esquecem de Vettel. “Semana passada, não colocou o carro no Q3, e agora vence. A última vez que isso tinha acontecido foi no Brasil em 2009, e ele venceu logo em seguida”, lembra Croft. “É um bom garoto. Se der carro para ele, vem bem. Quase virou o Zettel, de zebra, mas voltou a ser o Vettel”, Galvão encerra os trabalhos.

Estratégia no GP do Bahrein e a vantagem dos pneus novos de Raikkonen e Di Resta

Tempo perdido atrás do companheiro pode ter custado a vitória a Kimi

“O grid está tão apertado que os pilotos podem fazer estratégias diferentes e acabar a quatro, cinco segundos um do outro.” O diagnóstico de Sebastian Vettel não poderia ser mais preciso. A luta pela vitória no GP do Bahrein, entre um piloto que largou na pole e outro em 11º, acabou sendo decidida em dois momentos: nos 3s que Raikkonen perdeu lutando com Massa no início da prova – tendo, inclusive, danos em sua asa dianteira – e na relutância da equipe em ordenar que Grosjean cedesse a posição ao finlandês, ao final de seu segundo stint.

O que permitiu ao finlandês que disputasse com o alemão foi sua estratégia de classificação. Os engenheiros calculam que cada jogo de pneus novos equivale a uma vantagem de 8s ao longo de um stint. A degradação é de 0s3 por volta e as três voltas dadas em classificação (sendo duas mais lentas) representam uma perda de performance de 0s7/volta em relação a um jogo novo.

Outra vantagem de se largar com pneus novos é poder estender o primeiro stint. Isso minimiza bastante a possibilidade de pegar o tráfego de quem fará uma parada a menos – Raikkonen, por exemplo, não teve de ultrapassar Kobayashi e Di Resta, pois eles pararam antes que o piloto da Lotus os alcançasse. É mais economia de tempo.

Raikkonen teve toda essa vantagem em relação a Vettel em três de seus quatro jogos de pneus. O finlandês guardou na classificação dois jogos de macios e dois de médios, fazendo a prova inteira com pneus novos. Para conquistar a pole, Vettel usou cinco de seus seis jogos, guardando apenas um médio, que seria crucial para a vitória.

No entanto, dado que aquele que guarda pneus muito provavelmente o fez em detrimento da classificação e está largando mais atrás, essa vantagem se materializar na corrida depende muito de como o piloto lida com o tráfego. E nesse quesito Raikkonen deu um show. É claro que sofrer a ultrapassagem de Massa nas primeiras voltas não estava nos planos, mais daí em diante o finlandês foi perfeito.

Ganhou quatro posições na largada, passou Alonso e Button na pista no primeiro stint; superou Hamilton devido aos péssimos pits do inglês; se livrou de Webber logo que voltou da primeira parada e foi à caça de Grosjean. Mas o tempo perdido atrás do companheiro, que estava com médios usados naquele momento, foi crucial na aproximação de Raikkonen em relação a Vettel. Ao menos três segundos foram para o lixo na briga interna, algo que fez com que o finlandês só chegasse no alemão nas 6 voltas finais de seu terceiro stint. E este seria o último no qual teria a vantagem do pneu novo, pois Vettel usou seu único jogo zerado na parte final, em decisão acertada da Red Bull.

Na verdade, a estratégia de Raikkonen teve dois outros pequenos erros: no Q2, o finlandês teria a clara possibilidade de ficar entre os 10 caso fizesse sua única tentativa no final da sessão, quando a pista melhorou consideravelmente – e Kimi ficou em 11º por 129 milésimos. E, quando lutava com Vettel, talvez parar uma volta antes do líder, na volta 38, quando estava a 1s do alemão, o colocaria na ponta. Provavelmente assombrada pela brusca queda de rendimento no final do GP da China, quando Raikkonen caiu de 2º para 14º em questão de três voltas, a Lotus decidiu não arriscar um stint longo demais no final. No final das contas, apesar da performance vigorosa de Kimi na pista, a atuação conservadora do pitwall foi decisiva.

Estratégia e sorte para Di Resta

Di Resta foi, pela primeira vez na carreira, o britânico mais bem posicionado em uma corrida

Uma das histórias mais intrigantes do final de semana foi a escalada de Di Resta, que não participou, junto de sua equipe, da segunda sessão de treinos livres, justamente a mais importante para determinar o ritmo de corrida e as estratégias, até o sexto lugar na corrida. E, de quebra, com a arriscada tática de duas paradas.

Antes da prova, havia quem previsse até quatro pits para a prova, mas as temperaturas bem mais baixas no domingo e a melhora da pista diminuíram o nível de desgaste, uma vez que a queda de performance vem ocorrendo não pelo gasto em si do pneu, mas pelo que a Pirelli chama de degradação termal.

A estratégia começou na classificação, quando Di Resta não saiu dos boxes no Q3. Com isso, ganhou a possibilidade de ter só pneus novos para a corrida – dois macios e um médio. A corrida não começou bem: ao contrário do que era de se esperar, mesmo com pneus novos Di Resta perdeu duas posições na largada. Teve de imprimir um ritmo mais forte a partir dali, o que o obrigou a antecipar sua parada em 5 voltas em relação ao que seria ideal. Esse foi um segundo agente complicador da tarde do piloto da Force India, pois antecipou todas suas paradas e fez com que seu último stint fosse longo demais, deixando-o exposto no final.

Mas o escocês lidou bem com o tráfego enquanto tentava poupar seus pneus, com os quais fez stints de 14, 19 e 24 voltas, sendo a dupla ultrapassagem sobre Maldonado e Perez seu ponto alto na prova. Mas é lógico que isso acabou lhe custando tempo, pois um piloto na tática de duas paradas, ainda que enfrente menos tráfego que aquele que opta por três, cruza com carros lentos justamente em suas primeiras voltas após a parada. Di Resta ficou por seis giros preso atrás de Maldonado e chegou a reclamar via rádio da agressividade dos movimentos de defesa do venezuelano.

O escocês teve sorte com o abandono de Button e a falta de velocidade de reta da Ferrari, pois Alonso veio 1s5/volta mais rápido nos últimos giros, mas não conseguiu se aproximar o suficiente para atacar e cruzou a linha de chegada a 0s2. Por outro lado, o tempo perdido com a Williams foi fundamental para a perda da posição com Rosberg, que tinha problemas no escapamento no final e diminuiu bastante o ritmo, superando Di Resta por apenas 2s.

De qualquer forma, Di Resta provou que é possível largar entre os 10 com pneus suficientes para não ter de recorrer a usados durante as corridas. Se ele fez isso com uma Force India, carro 0s8/volta mais lento que os ponteiros segundo cálculos da equipe, não é de se estranhar que algum grande, até pelo próprio exemplo de Kimi, faça o mesmo nas próximas provas.

Números de Sakhir: início de campeonato é o mais disputado desde a década de 1980

Em 2010, havia uma curiosa “maldição” com quem se tornasse líder da tabela: em momento algum o vencedor de uma prova e o primeiro no mundial eram os mesmos, até que Sebastian Vettel quebrou a escrita em Abu Dhabi – e não saiu mais da ponta. No ano seguinte, apesar das disputadas corridas, até mesmo os pódios se limitaram a cinco pilotos a partir da terceira prova.

Por isso o atual cenário tem ecos dos últimos dois anos. Nas pistas, várias disputas por posição. No campeonato, um nível de imprevisibilidade que faz até com que a aposta para a próxima corrida seja na base do chute. Prova disso são os números destas quatro primeiras provas.

A temporada teve quatro líderes diferentes, de equipes distintas. E todos eles tiveram corridas ruins após assumirem a liderança, a exemplo do que costumava acontecer em 2010 – Button não marcou pontos na Malásia, Alonso foi nono na China, Hamilton foi oitavo no Bahrein.

O ano, também, viu vencedores diferentes – Button, Alonso, Rosberg e Vettel. A última vez que quatro pilotos diferentes venceram as quatro primeiras provas foi em 2003, com David Coulthard, Kimi Raikkonen, Giancarlo Fisichella e Michael Schumacher.

Porém, Coulthard e Raikkonen eram companheiros naquela época, fazendo com que tenhamos de voltar a 1983 para relembrar a última vez em que quatro pilotos de equipes diferentes venceram as provas iniciais: Nelson Piquet na Brabham, John Watson na McLaren, Alain Prost na Renault e Patrick Tambay na Ferrari. De quebra, aquela temporada teve um quinto vencedor na corrida seguinte: Keke Rosberg, pela Williams. Quem poderia completar o quinteto de 2012 em Barcelona?

Outro quarteto de pilotos e equipes deferentes é nos donos de voltas mais rápidas, marcadas até agora por Button (Austrália), Raikkonen (Malásia), Kobayashi (China) e Vettel (Bahrein). Dado semelhante encontramos nas primeiras provas de 1987, com Nelson Piquet (Williams), Teo Fabi (Benetton), Alain Prost (McLaren) e Ayrton Senna (Lotus).

Um dado curioso é o fato das últimas três corridas terem “dobradinhas” de motores, ainda que nenhuma equipe tenha feito 1-2 até agora: Ferrari na Malásia (Alonso e Perez), Mercedes na China (Rosberg e Button) e Renault no Bahrein (Vettel e Raikkonen). Teria o motor, especialmente sua dirigibilidade, influência na maneira como os carros gastam seus pneus e, portanto, interferência no ritmo de corrida? É algo para ficarmos de olho.

Na verdade, o domínio da Renault no Bahrein foi ainda maior, fechando as quatro primeiras colocações, algo que não ocorria desde 1997, no GP de Luxemburgo, com Jacques Villeneuve (Williams-Renault), Jean Alesi (Benetton-Renault) e seus companheiros Heinz-Harald Frentzen e Gerhard Berger.

Outros sinais de equilíbrio são que oito pilotos diferentes já subiram ao pódio, um a mais que ano passado inteiro. Também é oito o número de pilotos que lideraram ao menos uma volta, mesma quantia de 2011. Di Resta e Grosjean, inclusive, estiveram na ponta pela primeira vez na carreira no GP do Bahrein.

Em um panorama como esse, toda consistência é bem-vinda. Hamilton, Webber e Alonso são os únicos a terem marcado pontos em todas as corridas até agora. Curiosamente, os dois que não venceram ainda na temporada estão na frente do espanhol.

Vettel e a volta da França

O GP do Bahrein marcou a 31ª pole e a 22ª vitória de Sebastian Vettel, em 84 GPs. Mesmo tendo como principal rival pela vitória um especialista em voltas mais rápidas, as honras ficaram com o alemão, pela décima vez na carreira. Assim, conquistou seu quarto hat-trick (depois de Grã-Bretanha 2009, Valencia 2011 e Índia 2011).

Os números também servem para somar no currículo da Red Bull, que agora tem 28 vitórias e 39 poles, sendo superada neste critério por apenas cinco times. Um deles é a Lotus (com 107 em sua história!), que conquistou, ao menos oficialmente, seu primeiro pódio duplo desde 1979 (GP da Espanha, com Carlos Reutmann e Mario Andretti). Vejo mais sentido em adiantar bastante no tempo e voltar apenas a 2006, no GP do Japão, quando Fisichella e Alonso estiveram entre os três primeiros pelo time de Enstone, então Renault.

Voltando à F-1 em 2012, Raikkonen conquistou seu primeiro pódio desde Monza, em 2009, enquanto Grosjean, uma semana após obter os primeiros pontos da carreira, levou para casa seu primeiro troféu. A última vez que ouvimos La Marseillaise pode ter sido no Japão, em 2008, graças à Renault, mas não víamos a bandeira francesa no pódio desde o GP da Bélgica de 1998, com Jean Alesi. E ainda por cima de Sauber!

Um dado curioso da temporada são os 4 quartos lugares de Webber. Esse tipo de sequência é tão rara que só aconteceu outras quatro vezes na história, com Piquet (4 x 2º em 87), Alboreto (4 x 7º em 1992), Frentzen (4 x 3º em 1997) e o próprio Webber (4 x 3º em 2011). Portanto, se o australiano quiser o recorde sozinho, terá de repetir o quarto posto na Espanha.

Mesmo não tendo uma grande corrida, a McLaren continua em sua sequência, que vem desde que Button chegou para fazer dupla com Hamilton: há 42 corridas, desde o GP da Austrália de 2010, o time marca pontos com ao menos um de seus pilotos.

Personagem do GP em frases: Kimi Raikkonen

O pódio estava amadurecendo para Kimi Raikkonen. Mas muitos imaginaram que suas chances escapariam mais uma vez por um erro estratégico da Lotus quando o finlandês não passou para a última fase da classificação no Bahrein .

Mas Kimi manteve o pé no chão. Consciente de que sua Lotus funcionaria bem no calor de Sakhir e confiante de que os pneus guardados na classificação fariam a diferença, o piloto manteve o otimismo durante todo o final de semana.

Protagonista da mais rápida readaptação à F-1 que vimos nos últimos anos, o piloto que nunca havia corrido com DRS ou os Pirelli até o GP da Austrália foi o grande personagem do final de semana. E bem no seu estilo “let’s wait and see”. Confira como foi o GP do Bahrein para Raikkonen em suas próprias palavras.

Antes mesmo de entrar na pista no Bahrein, onde não tinha um currículo dos mais brilhantes em comparação a outros circuitos – um segundo e um terceiro lugares – Raikkonen se mostrava confiante de que as altas temperaturas favoreceriam a Lotus:

“Deve estar muito quente e nosso carro não gostou do frio quando estivemos na China, então talvez o calor seja melhor para nós. A pista tem um mix de curvas e é muito divertida de se correr. Há oportunidades de ultrapassar, então veremos o que acontece. Um pódio pode ser possível, como acho que era em todas as provas até agora.”

Essas oportunidades de ultrapassar seriam fundamentais para o piloto, que superou, na pista, Massa, Alonso, Button, Webber e Grosjean para subir ao pódio. Mas esta é outra história. Primeiro, era preciso minimizar, por meio do acerto, a degradação dos pneus. Na sexta-feira, Kimi ainda não sabia ao certo qual o melhor caminho.

“A degradação é maior do que nos outros lugares em que estivemos neste ano. Vai ser um pouco complicado mas é o mesmo para todos. Claro que o pneu macio é mais rápido em uma volta, mas para a corrida não sei, temos de estudar.”

No sábado, decidiu que dar o máximo de voltas com um jogo de pneus macios faria a diferença e optou por apenas uma tentativa no Q2 – mesmo que isso custasse, como de fato ocorreu, uma vaga no Q3.

“Há duas maneiras de encarar o final de semana. Claro que é melhor se classificar mais à frente, mas espero que privilegiar a corrida nos dê um resultado melhor. Mas não sabemos se vai funcionar.”

Funcionou. O pneu novo serviu para equalizar de certa forma a vantagem que Vettel tinha por largar na ponta e escapar com tranquilidade: o alemão tinha pneus usados na classificação, mas conseguiu poupá-los por não disputar posições no início. Já o finlandês teve de remar no meio do pelotão, mas como tinha borracha nova, conseguiu alongar seu primeiro stint até a volta 11, a exemplo do líder. Assim, colocava-se praticamente em iguais condições na luta pela vitória.

É claro que o tempo perdido no início e na briga com Grosjean atrapalhou – num mundo ideal, voltaria do primeiro pit já em segundo, mas retornou em quarto – mas foi o bastante para lhe dar uma chance de vencer. Chance essa que fez com que o segundo lugar tivesse um gosto meio amargo na boca do piloto.

“Tivemos uma chance e é desapontador que não tenha conseguido, mas perdi muito tempo no início da prova e isso atrapalhou no final. Fui ultrapassado por uma Ferrari e perdi tempo para recuperar a posição. Sem essa demora no início acho que poderia ter vencido.”

Decepção à parte, Raikkonen não perdeu a chance de responder aos críticos, que haviam questionado tanto a decisão de insistir nas duas paradas na China, o que realmente o fez cair de segundo para fora da zona de pontos na ocasião, quanto a estratégia da classificação barenita.

“Na última prova, a estratégia não deu certo e algumas pessoas acharam que o que a gente fez no treino de ontem foi estúpido, mas a decisão foi certa e o pódio é a prova. Temos trabalhado duro desde o início da temporada, mas os finais de semana não estavam saindo como planejado até agora.”

Mundial de Pilotos e Construtores em gráficos

Não sabe como Vettel, de repente, apareceu na ponta? Ganhando. Pode parecer uma conclusão óbvia, mas neste início de campeonato, três dos quatro vencedores foram automaticamente alçados à primeira posição, algo decorrente das alternâncias na relação de forças a cada GP. Junto da consistência de Webber, faz de quebra com que a Red Bull tenha caminhado em uma linha bastante clara para a ponta entre os construtores.

Pontuando agora com dois pilotos, a Lotus começa a reagir e já entra no bolo da ponta, enquanto Button parece que sobe uma escada: um salto vem junto de uma prova sem pontos. Ainda é início, mas a impressão é de que o “encantador de pneus” só aparece em uma pequena margem de performance, algo que o coloca atrás dos Mr. Consistência Webber e Hamilton, este último que talvez não tivesse ritmo para conquistar seu quarto terceiro lugar, mas certamente marcaria mais pontos não fossem mais problemas de execução na McLaren.

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O lucro dos pneus zerados e a nova “posição de gala” no grid

Ano passado, a posição “da sorte” era o 18º lugar. Dele, principalmente Jaime Alguersuari – piloto que, assim como seu sucessor Jean Eric Vergne, ia muito mal nas classificações e se recuperava na corrida – saía para pontuar, ajudado pelos ao menos dois jogos de pneus macios novinhos em folha. Mark Webber, no GP da China do ano passado, conseguiu até chegar ao terceiro lugar utilizando deste expediente.

Com carros melhores do que aquela Toro Rosso, Raikkonen na Austrália e Schumacher no Bahrein – largando um pouco mais atrás devido a uma troca de câmbio – mostraram que essa é uma tarefa mais inglória neste ano. O novo “lugar de honra”, ao menos neste início de temporada, tem se mostrado o 11º lugar. Vindo dele, Sebastian Vettel chegou à quarta posição na China e Kimi Raikkonen brigou pela vitória no Bahrein.

Essa variação é explicada pela aproximação entre os compostos e as escolhas da Pirelli. Ano passado, os italianos, além de terem pneus mais diferentes entre si, levaram à maioria das provas compostos mais extremos – por exemplo, macio e duro, ao invés de macio e médio. Isso trouxe uma variação interessante que mexeu em todo o final de semana: guardar mais de um jogo de pneu macio já não é tão importante quanto ano passado, uma vez que as últimas provas têm mostrado uma preferência das equipes pelos médios.

Explicando: em 2011, os pneus macios eram os melhores para a classificação e a corrida e os médios/duros só eram usados basicamente pela obrigatoriedade do regulamento. Agora, os compostos mais duros têm papel efetivo na diminuição do número de paradas na corrida, e menos stints são feitos nos macios. Portanto, se a grande vantagem de ficar no Q1 era ter muitos jogos de macios zerados, como eles podem não ser usados na corrida, não fazem tanta diferença.

Guardar um jogo, entretanto, ainda é vantagem, pois o composto terá de ser usado obrigatoriamente em um dos stints. E é aí que entra a “magia” do 11º lugar, caso o piloto tenha um carro suficientemente rápido para não ter gasto seus três jogos na classificação – carros bons ou passam para o Q2 só com os duros ou fazem apenas uma volta rápida, com macios, no Q1 e no Q2.

Com um jogo de macios zerado, de acordo com Ross Brawn, é possível dar duas ou três voltas a mais, pelo menos. Pode parecer pouco, mas isso vai diminuir o tempo de pista com os outros jogos e permitir a adoção de um ritmo mais forte. Dependendo da pista, será a diferença entre fazer duas ou três paradas. Além disso, 11º é obviamente o mais perto que se pode chegar daqueles que têm de largar com o pneu com que fizeram sua volta rápida.

É óbvio que o melhor é largar na pole e controlar a corrida da ponta. Afinal, mesmo sem o carro mais rápido do dia, foi o tempo perdido por Raikkonen abrindo caminho que deu a chance de Vettel vencer. Por outro lado, é de se pensar o quanto da ótima corrida do finlandês não dependeu justamente dos pneus zerados. Uma dúvida que temos mais 16 etapas para responder.

Confira o placar entre companheiros após o GP do Bahrein

Abandonos

Webber 0 x 0 Vettel
Hamilton 0 x 1 Button
Alonso 0 x 1 Massa
Schumacher 2 x 0 Rosberg
Grosjean 2 x 0 Raikkonen
Di Resta 0 x 1 Hulkenberg
Perez 0 x 1 Kobayashi
Ricciardo 0 x 0 Vergne
Maldonado 3 x 2 Senna
Kovalainen 1 x 1 Petrov
Glock 0 x 1 Pic
De la Rosa 0 x 0 Karthikeyan

Como ainda não temos a possibilidade técnica de fazer o placar de corrida contabilizando os abandonos e o critério é apenas contar pontos quando ambos completam a prova, faço em separado por enquanto. O ideal é cruzar estas duas informações.

As corridas atribuladas de Grosjean e Schumacher fazem os placares distorcerem um pouco a realidade das provas até aqui. Outro dado que chama a atenção é o fato da Williams ter cruzado a linha de chegada em apenas três oportunidades, todas nos pontos.

Um olho nos tempos, outro no termômetro

Areia nos olhos da concorrência

Quando a temporada começou, a expectativa era de que o tipo de pista fosse decisivo para determinar o equilíbrio de forças a cada etapa. Porém, o que estamos vendo nesta “estranha” temporada, como classificou Button ao analisar a quinta colocação de Nico Rosberg no treino de hoje, é que a temperatura vem sendo mais determinante para os resultados que a características da pista. Em Melbourne, com um clima de ameno a quente, as McLaren reinaram. Na pista molhada e, por isso, um pouco mais fria, da Malásia, foram Ferrari e Sauber se que deram melhor. No frio chinês, com asfalto abaixo de 20ºC, a Mercedes reinou.

Por isso, não é exatamente de se estranhar que o final de semana mais quente até agora, com temperaturas do asfalto acima dos 40ºC, faça emergir uma nova/velha força. A Red Bull tem, hoje, menos pressão aerodinâmica do que em um passado recente e, consequentemente, custa um pouco mais a entrar na tal janela de funcionamento do pneu. Não raro, vimos seus pilotos lutando contra a pouca aderência nas primeiras etapas. No ritmo de corrida, no entanto, eles se mostraram fortes o suficiente para lutar por vitórias.

Mas isso não aconteceu até o momento devido ao mau desempenho nas classificações, que acabam sendo resultado da própria falta de aderência vinda de pneus que não estão trabalhando como deveriam, somada à dificuldade que a equipe vinha tendo para tirar o máximo de seu conjunto. Isso, até que chegaram no Bahrein, já com uma compreensão maior do carro e uma ajudinha externa do calor.

Ao mesmo tempo – e não é coincidência nenhuma – vimos a Mercedes de Rosberg fazendo o melhor primeiro setor e caindo no decorrer da volta lançada. Sintoma de pneus cozinhados antes da hora.

Já vimos nestes últimos dois anos que tudo isso não necessariamente quer dizer que a Red Bull vai voar e veremos outra dobradinha amanhã. Evitar o tráfego é a principal chave nas corridas da era Pirelli. E se há alguém que sabe disso, é Vettel, que vai tentar escapar na ponta para poder manejar seus pneus como nos “velhos” tempos – até porque só é mais veloz na reta que as HRT e Marussia. Porém, é claro que um carro mais adaptado às situações é meio caminho andado para ter uma corrida tranquila.

O mais interessante de tudo isso é que não são os pneus em si que fazem a diferença, mas a interação entre os carros, a pista e a borracha. É provável que, à medida que os engenheiros compreenderem melhor essa equação, as variações não sejam tão grandes, além do desenvolvimento já estar sendo pautado visando evitar esse sobe e desce. Mas, pelo menos por enquanto, vale a recomendação de ficar com um olho nos tempos – aliás, mais uma vez apertadíssimos, com 15 pilotos no mesmo segundo no Q2 – e outro no termômetro.

Semana da F-1 via twitter e o “bunker” do Bahrein

O resultado do GP da China deixou a @redbullf1spy, twitter mais debochado da Red Bull, inspirado. O primeiro alvo foi Nico Rosberg. De “ele está a 90 vitórias de igualar seu companheiro” à pergunta: qual foi o último número 1 da Britney? Hamilton também não foi poupado: quando respondia perguntas na TV chinesa em programa que contou com a presença dos seis campeões do mundo do grid, Alonso e Button conversavam. Para a Red Bull, o espanhol deveria estar perguntando ao inglês: “e você diz que ele vai lançar um álbum?”

Ainda sobre a China, a @Marussia_F1Team explicou um dado curioso: Charles Pic teve três passagens pelo pit, mas apenas duas paradas. Isso porque a equipe, ao ver que seu piloto levaria uma volta de um grupo grande de carros, o time decidiu chamá-lo para um “drive through”, fazendo-o perder tempo propositalmente para evitar um prejuízo maior ao deixar os outros passarem na pista.

Os patrocinadores da Mercedes curtiram a primeira vitória, que como o @MercedesAMGF1 lembrou, veio na 111ª corrida de @nico_rosberg e 111 anos depois da primeira da montadora, e até fizeram uma colagem com seu momento de glória.

Quem desapareceu depois da conquista foi o próprio @nico_rosberg, que se limitou a dizer que “não achava que isso ia acontecer, parecia uma corrida de 8h, a mais longa da minha vida”. Publicou seu tradicional vídeo pós-prova e depois só surgiu para incentivar seu time, o Bayern, que jogava a semifinal da Champions contra o Real Madrid.

@felipe1massa também deu uma sumida, aparecendo nesta quinta-feira andando pela pista com o engenheiro Rob Smedley, dupla que venceu por duas vezes no Bahrein. Para os ferraristas, nada de crise no país árabe: os pilotos aproveitaram para apresentar a 458 Spider.

Na pequena folga, @pauldirestaf1 e @NicoHulkenberg atacaram no críquete, em evento da indiana @clubforce. Ainda na China o alemão havia adaptado sua cama de massagem no paddock, que virou mesa de ping pong em jogo contra o fisio @Real_Flo.

Depois de reclamar do frio na China e comemorar o calor do Bahrein, a @Lotus_F1Team mostrou sua confiança no rendimento do carro sob altas temperaturas adotando a hashtag “onde está meu pódio” para esta etapa.

Sem tantas aspirações para comentar, @H_Kovalainen apareceu no twitter um pouco mais jovem. Mas já piloto – e estiloso.

Para @aussiegrit, a quase decolagem na China foi apenas uma forma de “economizar os pneus dianteiros”. Outro dos mais ativos do paddock, @alo_oficial mostrou sua frustração porque não conseguia twittar com facilidade na China. Mas não deixou de publicar fotos convivendo os com membros da Ferrari em Shangai, dando uma de turista e se divertindo com as “novas aventuras” do boneco Tomita, agora em versão “celebridade chinesa”, como na foto ao lado.

No Bahrein, onde se hospeda com o fisioterapeuta @fabrifisio e o empresário @lsgrcbd em um flat, curtiu uma de dono de casa. Fabricio, inclusive, publicou a foto mais intrigante até o momento no Bahrein: pilotos reunidos em uma sala, com se fosse um bunker, por questões de segurança, na foto que abre este post.

Despreocupado, @SChecoPerez encontrou um bom lugar para um briefing com seu engenheiro, fugindo do calor barenita. Na semana anterior, mesmo com sua corrida não tendo saído como planejado, a família não saiu de mãos abanando: seu irmão venceu em uma das divisões da Nascar.

Assim como a dupla da Williams na China, os pilotos da Red Bull fizeram caricaturas um do outro. @danielricciardo acha que @JeanEric Vergne ficou parecido. Mas o francês é mais modesto e reconhece o óbvio: “acho que devemos continuar pilotos”. E fim de papo.

GP da China por brasileiros e britânicos: “Primeira vitória da Mercedes tinha que ser com o Nico”

Lobato e companhia farão falta nos próximos minutos de leitura, eu sei. Mas foi impossível encontrar a tempo a transmissão do GP da China pela Antena 3. Por outro lado, a corrida de Xangai foi a primeira oportunidade para vermos a nova dupla da BBC em ação. Afinal, foi o GP de estreia da emissora pública do Reino Unido na temporada.

A BBC, que irá transmitir metade das provas em 2012, tem Ben Edwards, um experiente narrador de outras categorias do automobilismo, ao lado de David Couthard, agora com mais espaço sem o falante Martin Brundle como companheiro de cabine. A transmissão contou ainda com os comentários do analista técnico Gary Anderson.

Enquanto o destaque para os ingleses era a influência da temperatura de pista no desempenho da Mercedes – “pelo que ouvimos, Mercedes e Sauber trabalham melhor no frio, ao contrário de McLaren e Red Bull”, avisa Edwards – na Globo o foco é na estratégia de Felipe Massa, que larga com médios. “É de se esperar que quem está entre os 10 primeiros faça três paradas e atrás, duas”, explica Galvão Bueno. Reginaldo Leme lembra que esta é “a mesma posição de Rosberg”, que guardou um jogo de pneus macios na classificação. Mesmo assim, a dupla brasileira não acredita que o alemão segure a ponta por muito tempo. “O problema é que o duto mágico não funciona o tempo todo na corrida”, diz Galvão.

“Acredito que três seja melhor, mas podemos ver duas ou quatro paradas”, aposta Anderson. “Mas não é só questão de número de paradas, parece que há diferença entre o rendimento dos compostos para cada carro.”

Na largada, ambos os narradores destacam Rosberg e Button. “Se ele já era favorito lá de trás, imagina em terceiro”, calcula Galvão. “Esse é Button? Ele teve uma grande largada”, vibra seu companheiro inglês. “Ao contrário dos dois últimos anos, o pole segurou a ponta”, observou Coulthard, que também destaca a má largada de Vettel, assim como Galvão. “Não está costumado a largar no meio do bolo. Ele escolheu largar de macios para ganhar posições, não funcionou e agora ele acabou com a estratégia dele”. A repórter Mariana Becker intervém. “As escolhas de Vettel têm sido muito questionadas ultimamente, principalmente do escapamento, por ele ter decidido usar o mais antigo.” E Reginaldo completa. “Não estou entendendo o Vettel neste ano.” O narrador brasileiro ainda destaca seu compatriota da Ferrari. “Felipe Massa disse que quer começar o ano nessa corrida. Largou bem como sempre.” Isso, depois de ficar “internado em Maranello” desde o GP da Malásia.

Quanto a Bruno Senna, primeiramente a dupla da Globo vê Maldonado tocando em Massa na primeira curva, mas depois voltam atrás ao verem que fora o brasileiro. Para Galvão, após boas largadas, as Ferrari devem cair no pelotão. “Eles usaram os pilotos na primeira volta. Foram eles que ultrapassaram. Agora começam a sofrer com os carros.”

O foco de Coulthard é na McLaren. O escocês acredita que Button e Hamilton estejam poupando os pneus, por isso o ritmo é pior que da Mercedes. O ex-piloto ainda “comemora” o fato de Grosjean ter dado o dobro de voltas em relação ao somatório das duas primeiras corridas: “a partir de agora, é uma viagem ao desconhecido para ele.”
Webber é o primeiro a parar, logo nas voltas iniciais. “É uma aposta, ele vai para o tráfego, mas você tem de fazer algo quando está preso. Eles estão limitados pela velocidade de reta. Não me surpreenderia se Vettel fizesse o mesmo”, comenta Anderson.

Os rivais mordem a isca do australiano e Hamilton e Raikkonen saem grudados do pit. Na volta, o finlandês perde a briga com Webber. “Uma fração de segundo perdida no pit faz Kimi perder duas posições”, destaca Edwards. “Mark defendeu bem e Kimi usou o Kers estrategicamente. Dois pilotos experientes”, Coulthard gosta da disputa entre o finlandês e o australiano. “Espetacular como Webber tirou o Raikkonen do trilho”, Galvão também gosta.

O narrador não se preocupa com os tempos de volta de Massa. “É normal que o Alonso esteja mais rápido porque ele está com pneus macios. Todos os que estão à frente do Massa vão ter de parar.” Galvão só se impressiona com Perez, que permaneceu na pista um bom tempo com os option. “É bom demais esse mexicano.” Assim como o brasileiro, Coulthard se impressiona com os tempos da Mercedes. “Eles continuam rodando bem mesmo depois que os outros já pararam.”

Schumacher abandona – Coulthard vê na hora a reação do mecânico, que soca o chão quando percebe que a roda está solta – , Rosberg faz seu pit e o piloto da Sauber logo para. Massa é alçado à liderança. “Já não pode dizer que não teve o prazer de andar na frente”, diz Galvão. “Só precisa ver se não vai perder muito tempo.”

Edwards começa a perceber como a corrida está se desenhando. “Rosberg fez a melhor volta. A Mercedes é rápida com pneu macio e duro.” Coulthard ainda tem um pé atrás. “isso se eles não colocaram menos combustível no carro dele, como ano passado.” Mas o narrador continua. “Ambas as McLaren estão presas no tráfego, o que não é bom. Button ao menos está conseguindo algumas ultrapassagens, ao contrário de Hamilton, preso atrás de Massa. Vocês lembram como os dois esse encontraram várias vezes ano passado…”

O inglês supera o brasileiro, com pneus mais velhos, assim como Webber e Alonso. “Ele está pagando o tempo que ficou na pista andando muito lento. Alonso é muito bom de corrida, já está lá na frente”, observa Galvão. “Ele sempre aparece entre os primeiros de repente”, completa Reginaldo.

O comentarista brasileiro salienta a “corrida inteligente” de Rosberg: “faz as voltas rápidas no começo e depois controla.” Mas tanto ele, quanto Galvão, acreditam que a corrida está nas mãos de Button. “Nesse momento, a corrida está para Button em primeiro, depois Rosberg e Perez.” E o narrador se derrete pela Sauber. “Ano passado, na primeira corrida eles fizeram pódio e depois foi desclassificada.” Reginaldo completa: “mas foi por uma questão de peso, 1 ou 2kg, que não influenciou.” Sabemos que a história não é bem essa.

Nesse momento, todos percebem que Rosberg vai a duas paradas e Button, a três. Mas, enquanto os brasileiros apostam no inglês, seus compatriotas acham que a corrida está nas mãos do alemão. “Ele vai ter que tirar 12s a partir de agora, ou antes do Rosberg parar de novo, ou vai ter que ultrapassá-lo depois. A questão é saber se Button pode fazer isso”.

Fora da briga pela vitória, Webber levanta voo após perder o carro. “A FIA tem de olhar aquela zebra. Um piloto do tamanho dele fica com a espinha bem perto do assoalho, deve ter levado um belo impacto”, Coulthard se solidariza. “Lembrei dele em Valencia e do Christian Fittipaldi”, Galvão abre o baú, enquanto Edwards brinca. “Imagino se ele não vai virar piloto de avião.”

Jenson faz sua terceira parada, perde tempo e volta no meio do pelotão. “Os mecânicos do Button deveriam ter feito o mesmo que os do Hamilton, que estudaram os pits após a Malásia”, diz Becker. Mas não são os mesmos?

Mesmo com Button “possuído”, na definição de Reginaldo, Galvão acredita que “a corrida pode ter caído no colo do Rosberg.” Para os britânicos, o erro no pit foi apenas a pá de cal na prova do inglês. “Só se Rosberg tiver um problema.”

A parte final da corrida é animada, com muitas trocas de posição e todos andando juntos. “Parece F-Ford”, compara Coulthard , que elogia a corrida de Massa. “O jeito que ele pilota, defendendo, pode não ser o mais rápido, mas está dando certo hoje.” Os brasileiros, no entanto, se decepcionam com o ritmo do compatriota no final. “Mostrando que a Ferrari é esquisita, Massa colocou pneu zero e não consegue andar.”

Na confusão puxada por Raikkonen, Alonso vai parar nos marbles quando tenta passar Maldonado por fora. “Foi um pouco ganancioso tentando pressionar o Maldonado. Quando acontece isso não tem como segurar”, testemunha Coulthard. “O craque também erra. Quase deu no meio do Perez”, destaca Galvão. “Mal agradecido, depois que o Perez quebrou o galho dele na Malásia”, emenda Reginaldo.

Coulthard vê na queda de Raikkonen “um clássico exemplo do pneu caindo do penhasco. É como se você esfregasse uma borracha rapidamente em um papel. Ela esquentaria e começaria a se desfazer.”

Já Galvão não se conforma com a escapada de Webber ao tentar passar o finlandês. “Alguém tem que falar para ele que aí não dá para passar.” Outro que entra na lista do narrador é Vettel. “Está sem paciência. Atacou na hora errada”. Reginaldo lembra que “isso também aconteceu na Malásia, com o Karthikeyan”. Galvão acha que a situação era diferente: “o Button também teve problema com ele.” E Reginaldo responde. “Mas admitiu o erro.”

Se admitir ou não apaga o erro, ao menos na China os britânicos viram que “a abordagem sutil de Button para as ultrapassagens funcionou muito bem.” Só não foi o bastante para superar Rosberg, cuja vitória dominante surpreendeu a todos. “O mistério dos pneus continua depois dessa vitória. No início, o segredo da F-1 era poupar tudo, motores, câmbio, era tudo muito frágil. Agora que quase não temos quebras, é hora de poupar pneu”, crava Coulthard.

Edwards lembra da primeira vitória de Keke Rosberg, há 20 anos. Galvão vai além e narra a vitória de “Keke” no GP da China de 2012, algo que era de se esperar tendo em vista todas as vezes em que foi traído pelos nomes de ambos. “E a primeira vitória da Mercedes tinha que ser com o Nico, justo porque ele andou mais do que o Schumacher nos últimos dois anos.” Coulthard concorda. “Maravilhosa pole e vitória com 20s de diferença. Nada contra o Schumacher, mas acho que é o cara certo para vencer a primeira pela Mercedes na era moderna.”

Galvão se preocupa com a saúde de Norbert Haug, “está muito emocionado”, enquanto Reginaldo vê “duas gerações completamente diferentes, Button com 10 anos a mais de F-1 que Hamilton e Rosberg.” Nem tanto, não é? Matemática à parte, a certeza é de que temos um campeonato. “Se for resolvido o problema do pneu, será Mercedes versus McLaren”, crava Galvão.

Estratégia no GP da China: os duelos de Button vs Rosberg, a queda de Kimi e a prova dos brasileiros

Ao final do GP da China, Hamilton perguntou a Rosberg se ele tinha feito alguma ultrapassagem. O alemão deu de ombros. Não fora necessário. Enquanto isso, a dupla da McLaren narrava a mão de obra que haviam tido para chegar naquele pódio. “Teve uma hora em que éramos oito na reta”, contava Button. Uma regra dos tempos de Pirelli havia sido quebrada. A grande marca das estratégias no ano passado foi o abismo que se formava por vezes até antes da primeira parada atrás dos cinco, seis primeiros, permitindo que os ponteiros fizessem três pit stops, independentemente do que os carros de Mercedes para trás escolhessem, e ainda assim fugissem do tráfego.

O fim desse abismo de performance foi o que, ao mesmo tempo em que decidiu a corrida em favor de Rosberg, provocou um dos finais mais animados dos últimos tempos.

Perdendo mais de meio segundo por volta até antes de sua parada - uma volta antes de Rosberg - Schumacher não parecia ter como reagir ao ritmo do companheiro

Fazer três paradas só é mais efetivo que duas se for possível extrair o máximo do carro o tempo todo. A necessidade de poupar pneu é menor e o ritmo na pista tem de ser ao menos cerca de 20s mais rápido. Algo difícil quando há ultrapassagens a serem feitas.

Matin Whitmarsh reconheceu que dois fatores surpreenderam a McLaren: a equipe esperava que mais pilotos fizessem três paradas, o que aliviaria o tráfego, assim como não previam que o pneu médio renderia tão bem, dois fatores que deram vantagem à estratégia de duas paradas.

Não que parar três vezes tenha sido um erro abissal. Muitas equipes o fizeram por terem usado os pneus macios logo no Q1 e reutilizado essa borracha na primeira tentativa do Q3. Como ela foi a melhor devido à queda da temperatura da pista, acabaram tendo de largar com pneus de 6 voltas, como foi o caso das McLaren, enquanto as Mercedes tinham jogos mais novos.
Ainda assim, a vitória de Button não era impossível, mesmo que bastante difícil: sem o erro do pitstop, o inglês voltaria a 14s de Rosberg com um pneu 5 voltas mais novo e a 17 voltas para o final. Os seis segundos perdidos no pitstop o fizeram voltar no meio do pelotão, algo que não teria acontecido em uma parada normal. Se já era difícil tirar os 14s, ainda mais porque o ritmo de Rosberg no último stint foi forte, a missão se tornou impossível com carros rápidos à frente.

Duas paradas no meio do pelotão: Raikkonen, Massa, Senna

Tudo isso leva à pergunta: por que a estratégia de duas paradas não funcionou tão bem para pilotos como Raikkonen, – não incluo Vettel pois, ainda que tenha perdido três posições no final, o alemão pulou de 15º na primeira volta a 5º com sua tática – Massa e Perez?

A questão não foi apenas acertar o número de paradas, mas também lidar com o desgaste dos pneus no tráfego, com o qual Rosberg não precisou se preocupar, e a divisão dos stints. Em outras palavras, se a tática de duas paradas foi a melhor para vencer, talvez não tenha sido a mais adequada para lutar no meio do pelotão.

Todos juntos no meio do pelotão

A maioria apostou no macio-médio-médio, enquanto Massa fez o contrário. Até fazia sentido ganhar o máximo de posições parando uma vez menos e tendo o melhor pneu no final, mas ultrapassar com aqueles restos de borracha provou ser uma tarefa inglória. Massa fez a última parada praticamente junto de Kobayashi, saiu 5s atrás do japonês e assim se manteve até o final. A diferença foi que o piloto da Sauber conseguiu passar Di Resta e herdou posições de Raikkonen e Perez, que caíram no final, sem pneus. Massa ficou atrás do escocês, provavelmente pela falta de velocidade de reta – só cinco carros eram piores que o do brasileiro no quesito.

Foram vários os problemas de Raikkonen, que o levaram a cair de segundo a 14º em três voltas. Talvez ainda indecisa em relação à estratégia, a Lotus parou o finlandês na volta 10 para evitar o undercut de Webber e Alonso, ainda na décima volta – lembrando que o australiano arriscou, parando na volta 6, marcando melhores voltas e atraindo os rivais. Em dia no qual as paradas na ponta ficaram de 20.0 a 20.5, os 21.4 de Kimi não ajudaram e foram decisivos para que voltasse lutando por posição com Webber.

Raikkonen pararia pela segunda vez uma volta depois de Alonso – que fez um pit a mais. Esse foi o ponto crítico da corrida do finlandês que, com mais uma parada em 21s5, voltou atrás de Massa. Hamilton, Webber e Alonso também o fizeram, mas se livraram do brasileiro rapidamente, algo que o piloto da Lotus não conseguiu fazer. Foram 12 voltas praticamente colado em seu ex-companheiro, que só foi superado quando parou. Assim, o excesso de voltas no terceiro stint (28, mais do que qualquer outro piloto) + tráfego foram decisivos para que seu pneu acabasse. O que também acredito ter influído é a pouca experiência de Raikkonen com os Pirelli. O que aconteceu com ele é a clássica “queda do precipício”, como os ingleses se referem ao momento em que a borracha acaba. Talvez pilotos com mais tempo nesses pneus tivessem previsto isso e mudado a tática.

Outro fator ficou claro em Raikkonen, Grosjean e Alonso– pelo menos! Parece que o pneu, depois de pegar os pedaços de borracha fora da trajetória, chamados “marbles”, não se recuperava por completo. Por isso o ritmo dos três caiu e manteve-se relativamente ruim após escapadas.

Prova de que erros sutis salvaram ou acabaram com corridas é Bruno Senna. O piloto vinha bem, andando no ritmo de Vettel, que estava na mesma estratégia. Porém, seus tempos de volta caíram a partir da volta 26, provavelmente antes da janela prevista pela equipe para sua parada. Após ter sido superado em apenas uma volta por dois carros, a Williams o chamou.

É um compromisso complicado, tendo em vista que pode-se escolher perder tempo no meio e ganhar no final, fazendo menos voltas no último jogo de pneus, ou o inverso. A equipe o parou na volta 29 e ele ainda assim andou bastante (27) no último jogo. Porém, diferentemente de Raikkonen, correu sozinho na partir inicial deste stint, o que ajudou a manter os pneus em melhor forma. E, no final, foi inteligente ao deixar Grosjean passar e não insistir na briga, pois sabia que o stint era longo demais. Aliás, tudo causado pelas míseras 12 voltas no pneu médio no início da prova, resultado do toque com Massa na primeira curva e do consequente desequilíbrio do carro, algo corrigido na primeira parada com um ajuste na asa dianteira.

Números de Xangai: vitória de Nico quebra tabus

por Gabriel Lima e Julianne Cerasoli

A primeira vitória de Nico Rosberg desde o título da GP2 em 2005 não apenas fez dele o quinto que mais demorou para estrear no lugar mais alto do pódio na história, em lista que tem desde um bicampeão mundial até quem venceu apenas uma vez, como quebrou a sequência do segundo quinteto mais vencedor da história: apenas Sebastian Vettel, Lewis Hamilton, Jenson Button, Fernando Alonso e Mark Webber dividiram as vitórias nos últimos 44 GPs, ficando a nove de igualar o feito de Ayrton Senna, Nelson Piquet, Nigel Mansell, Gerhard Berger e Alain Prost no final dos anos 1980.

Assim, Rosberg é o primeiro vencedor diferente desde Rubens Barrichello no GP da Itália de 2009 – curiosamente, a última vitória do time de Brackley, na época de Brawn –  e aumenta a lista para seis GPs consecutivos com vencedores diferentes.

Pilotos que demoraram para vencer pela 1ª vez
1º Mark Webber (130 corridas)
2º Rubens Barrichello (123 corridas)
3º Jarno Trulli (118 corridas)
4º Jenson Button (113 corridas)
5º Nico Rosberg (111 corridas)
6º Giancarlo Fisichella (110 corridas)
7º Mika Häkkinen (96 corridas)
8º Thierry Boutsen (95 corridas)
9º Jean Alesi (91 corridas)
10º Eddie Irvine (82 corridas)

A conquista, a primeira estreia de um vencedor desde Webber em 2009, marca ainda a primeira vez que um piloto vencedor de GPs, Keke, viu um filho repetir o feito. Damon Hill e Jacques Villeneuve também visitaram o lugar mais alto do pódio, mas perderam seus pais – Graham e Gilles – bem antes de chegar à F-1. O finlandês campeão de 1982, inclusive, também demorou para vencer a primeira – 53 provas, na quinta temporada, na qual foi campeão.

Keke em sua primeira vitória

Ter novos vencedores é uma marca do GP da China que, em nove edições, foi conquistado por oito pilotos diferentes – apenas Lewis Hamilton repetiu o feito, em 2008 e 2011. Rubens Barrichello, Fernando Alonso, Michael Schumacher, Kimi Raikkonen, Sebastian Vettel, Jenson Button e agora Nico Rosberg também escreveram seu nome na história de Xangai.

Hamilton lidera o mundial sendo o único piloto a ir ao pódio em todas as provas. Lewis divide com Webber e Alonso a escrita de ter pontuado em todas as provas até aqui. Curiosamente, o inglês foi terceiro colocado nas três etapas. Webber também parece ter gostado do quarto lugar: ainda não terminou em outra posição em 2011.

Assim, Lewis é o primeiro piloto desde Felipe Massa, no início de 2010, a liderar o campeonato sem ter vencido uma prova. Sendo alçado à ponta também após a terceira etapa, na ocasião o brasileiro havia conquistado um segundo, um terceiro e um sétimo lugares.

Mas o ano não poderia estar começando mais diferente para Massa. Com o 13º lugar (seu melhor resultado em 2012), o piloto se tornou o único fora as nanicas a não pontuar nas três primeiras etapas. O maior recorde negativo do piloto brasileiro em inícios de mundial ocorreu em 2009, quando pontuou apenas na quinta etapa. Porém, o piloto da Ferrari conquistou na ocasião um nono lugar na segunda etapa, lembrando que na época os oito primeiros pontuavam.

Falando em melhores resultados, com o oitavo lugar em Xangai, Pastor Maldonado bateu seu recorde pessoal na F-1. Antes disso, o venezuelano só havia pontuado em uma ocasião, na Bélgica em 2011, quando finalizou em 10º. A tarde chinesa também marcou a melhor chegada de Romain Grosjean, sexto, que não havia marcado pontos nas oito provas de que tinha participado.

A posição e Maldonado e o sétimo lugar de Bruno Senna levaram a Williams a pontuar com ambos os carros pela primeira vez desde o tumultuado GP da Coreia de 2010. Na ocasião, Barrichello foi sétimo e Hulkenberg, 10º. Os 10 pontos representam ainda a melhor corrida para o time de Grove desde o GP da Inglaterra em 2010, quando somaram 11 (Barrichello 5º e Hulk 10º).

Território Mercedes

A Mercedes somou a primeira pole position e vitória desde o GP da Itália de 1955. Na oportunidade, também, fechou as duas primeiras posições do grid. Curiosamente, essa foi a última corrida da montadora na F-1 antes de seu retorno em 2010.

O pódio do GP da China em 2012 foi composto pelos mesmos pilotos de 2010. Na ocasião, a dobradinha foi da McLaren com Button vencendo, Hamilton em 2º e Rosberg e 3º. Mais uma vez, portanto, o pódio foi dominado pela Mercedes, algo que não é exatamente estranho ao circuito: pilotos equipados com os motores alemães venceram em quatro dos últimos 5 GPs no país e fecharam o pódio em duas ocasiões.

Seguindo com os alemães, apesar de ser apenas o sexto vencedor de GPs pelo país, Nico Rosberg somou a vitória de número 125 da Alemanha, segundo no geral atrás apenas da Grã-Bretanha. Isso, claro, devido aos 91 triunfos de Michael Schumacher. Além de ambos, venceram Ralf Schumacher, Jochen Mass, Wolfgang von Trips e Sebastian Vettel.

O atual bicampeão do mundo, inclusive, não passou para o Q3 pela primeira vez desde o Brasil de 2009, quando marcou o 16º tempo, mas largou em 15º no grid beneficiado por uma punição a Vitantonio Liuzzi.

Outro país bem representado foi o Japão. Kobayashi se tornou o segundo piloto japonês a fazer a volta mais rápida em corrida – a primeira da Sauber como equipe independente. O primeiro foi Nakajima, em uma corrida com chuva na Austrália em 1989. Além disso, a terceira posição na largada foi o melhor resultado do piloto da Sauber, mas também fica aquém de outro compatriota, Takuma Sato, segundo no grid do GP da Europa em Nurburgring em 2004.

Curiosamente os GPs da China de 2012 e 2011 tiveram apenas um abandono e pelo mesmo problema. No GP de 2011, Alguersuari perdeu a roda de sua Toro Rosso após a primeira parada. Schumacher não chegou a ficar com três rodas, mas também teve um problema de mau encaixe na primeira troca.

Personagem do GP em frases: Nico Rosberg

Em outra novidade do blog para esta temporada, a cada segunda-feira pós GP escolherei um personagem que marcou o final de semana e contarei sua história por meio das declarações à imprensa. Neste GP da China, ninguém foi mais comentado do que Nico Rosberg. Mais do que as esperadas primeira pole e vitória – por ele na 111ª corrida da carreira e pela Mercedes, em seu terceiro ano na F-1 – seu desempenho superou todas as expectativas.

O piloto vinha de duas provas andando atrás do companheiro Michael Schumacher, cenas não exatamente comuns nos últimos dois anos, havia errado nas classificações e tido péssimo ritmo de corrida. Porém, no preview da etapa, parecia prever o que estava por vir:

“Subi ao pódio em 2010 e liderei a corrida ano passado. Gosto muito do circuito por suas curvas únicas e longas. Para mim, a China será o início da temporada, já que as primeiras corridas não saíram como planejado. A pista é muito diferente das duas primeiras, pois demanda mais dos pneus dianteiros do que traseiros.”

O alemão ganhou, inclusive, apoio do chefe, Ross Brawn. “Há diferenças em como o carro responde nas freadas, e é algo que o atrapalhou. Ele vem fritando muito os pneus. Estamos tentando melhorar isso para ele. Não acho que há qualquer problema com Nico e, quando isso se suavizar, vamos ter algo de especial vindo dele.”

Já no circuito chinês, após os treinos livres, o otimismo ficou um pouco de lado.

“Não é tão fácil porque ainda temos dificuldades nas corridas. Na classificação somos muito bons e, para tentar melhorar isso, vai demorar. Não podemos esperar chegar aqui e, de repente, ganhar a corrida. Levará semanas.”

No sábado, nada de fritadas, uma volta perfeita, com direito a 0s570 em cima de Schumacher e a tão esperada primeira pole veio. Rosberg nem precisou ir à pista uma segunda vez no Q3, e ficou esperando seus rivais na pesagem. Por enquanto, nada que estivesse fora dos planos: todos sabiam que a Mercedes voaria em classificação em um circuito como o de Xangai.

“Será ótimo ir para a corrida e largar sem ninguém à frente. É uma ótima sensação. Vamos tentar ter uma boa largada e atacar daí em diante. Temos de trabalhar duro para tentar entender e melhorar o ritmo de corrida – e temos melhorado ultimamente. Mas é muito difícil saber o quão bem iremos amanhã e se é o bastante para vencer.”

Uma largada tranquila e uma corrida em que não foi diretamente ameaçado em nenhum momento – provavelmente teria vida mais dura caso Button não perdesse muito tempo em seu último pit stop – responderam ao menos parte das dúvidas de Rosberg. Agora, ele mesmo admitiu, a questão é saber o quanto do surpreendente desempenho tem a ver com o clima e o traçado chinês.

“Claro que as condições ajudaram hoje, acho, mas mesmo assim, estamos progredindo e isso é bom de ver. Desde o início do ano temos sido rápidos na classificação, talvez menos na corrida. Agora continuamos fortes aos sábado – muito fortes, talvez até mais – e estamos melhorando na corrida, então o progresso é bom e tenho certeza de que vai continuar.”

Enquanto as próximas etapas não dão as respostas completas, é hora de celebrar. Afinal, Rosberg chegou como promessa na F-1, tendo colecionado títulos nas categorias de base, mas entrou na Williams no momento em que a equipe começou a decair.

Ficou por lá até 2009, quando deu o salto para a equipe que era a atual campeã mundial e que passava a ser controlada pela Mercedes. Logo de cara tem a notícia de que seria companheiro de Michael Schumacher, acostumado a construir os times por que passou ao seu redor. Lutou por seu espaço em dois anos nos quais o carro esteve longe daquele Brawn arrasador, resquício da defasagem financeira/técnica deixada pela saída abrupta da Honda. Conquistou os únicos pódios da Mercedes até aqui em seu retorno e agora, a primeira vitória.

“As últimas 30 voltas duraram uma eternidade. Incrível, parecia que a corrida tinha seis horas, nunca tive uma sensação assim. É um sentimento incrível, estou muito feliz. Foi algo que demorou para chegar, não apenas para mim, como também para a equipe. É muito bom ver nosso progresso, e de forma tão rápida. Não esperava ser tão veloz hoje, fiquei muito feliz com o ritmo que tivemos.”

Mundial de Pilotos e Construtores em gráficos

Após três corridas, os gráficos de pontuação dão uma ideia melhor do cenário que se desenha do que os malucos resultados das corridas. Algumas linhas consistentes começam a aparecer, como de Hamilton no Mundial de Pilotos e McLaren, Red Bull e Lotus (ainda que com pontuação mais baixa no momento) no de Construtores.

A tendência é que, ao longo da temporada, mesmo que com corridas apertadas, equipes com maior poderio técnico e pilotos com melhor conjunto se sobressaiam. Por isso este tipo de gráfico dará uma boa leitura da temporada ao longo do ano.

Separei as tabelas unindo os pilotos e equipes com pontuações mais próximas para facilitar a visualização. Clique nelas para ampliá-las.

O casamento perfeito de Mercedes e China

A cada corrida que passa parece que sabemos menos sobre essa temporada da F-1. O carro que virava presa fácil para os rivais depois de oito, nove voltas nas duas primeiras provas consegue a vitória – e com uma parada a menos que as poderosas McLaren.

Alguns fatores podem ter contribuído para essa mudança repentina, como as temperaturas mais baixas, o fato do traçado na China sobrecarregar mais os pneus dianteiros do que os traseiros, o grande terror do W03 e melhorias no acerto do carro e na sua interação com o duto passivo.

Isso porque o duto não apenas ajuda estolando a asa dianteira quando os pilotos ativam o DRS, mas também ao permitir que os carros privilegiem a geração de pressão aerodinâmica no acerto, pois têm de se preocupar menos com a resistência do ar nas retas. Ou seja, o carro também fica mais eficiente em setores de curvas e a Mercedes parece ter otimizado esse equilíbrio.

Esse casamento perfeito entre o W03 e a China deu a primeira vitória de Rosberg em sua 111ª tentativa, colocando-o próximo de nomes como Barrichello, Button e Webber, pilotos que também demoraram para estrear no lugar mais alto do pódio. Outro exemplo disso é seu pai, Keke, que venceu apenas na quarta temporada – o primeiro ano em que teve carro competitivo e no qual conquistou seu título mundial.

Que isso fique guardado como curiosidade por enquanto. Colocar Rosberg e Schumacher na luta pelo título parece prematuro. E o GP do Bahrein, se de fato acontecer, será um bom teste, pois levará o W03 a um ambiente inóspito para suas características.

Prematuro, também, seria tirar a Red Bull da jogada. Ficou óbvia a importância da equipe melhorar a classificação – quem diria! – mas um dado da corrida de hoje é um bom exemplo de como é complicado fazer previsões com um grid tão apertado: os pneus de Kimi Raikkonen acabaram a dez voltas do final; na volta seguinte, havia sido superado por quatro carros, na outra, por outro seis, e perderia ainda mais dois postos até o final da prova.
É incrível que tenhamos, após mais de 50 voltas, um pelotão tão compacto lutando por posições. E isso faz com que os detalhes (novamente eles), como estratégia, manejo dos pneus, acerto específico para cada pista, provoquem essas oscilações a cada domingo.

Confira o placar entre companheiros após o GP da China

Abandonos

Webber 0 x 0 Vettel
Hamilton 0 x 0 Button
Alonso 0 x 1 Massa
Schumacher 2 x 0 Rosberg
Grosjean 2 x 0 Raikkonen
Di Resta 0 x 1 Hulkenberg
Perez 0 x 1 Kobayashi
Ricciardo 0 x 0 Vergne
Maldonado 2 x 1 Senna
Kovalainen 1 x 1 Petrov
Glock 0 x 0 Pic
De la Rosa 0 x 0 Karthikeyan

Como ainda não temos a possibilidade técnica de fazer o placar de corrida contabilizando os abandonos e o critério é apenas contar pontos quando ambos completam a prova, faço em separado por enquanto. O ideal é cruzar estas duas informações.

Treino dos detalhes cria um cenário fascinante

Será que o vencedor saiu na foto?

É comum ouvirmos que a F-1 “se tornou” um campeonato de equipes, algo que na verdade sempre esteve em seu DNA e a diferenciou das demais categorias. E ouvimos isso com tom negativista, como se o fato dos carros serem diferentes obrigatoriamente desclassificasse o campeonato de pilotos. No entanto, é justamente isso que adiciona mais lenha na fogueira.

Ainda mais quando temos uma sessão de classificação como a de hoje: ao final do Q2, os 15 primeiros colocados estavam divididos por 592 milésimos. Entre os 10 primeiros, a diferença foi de 257 milésimos!

Não dá para dizer eram apenas 15 pilotos que estavam divididos por menos de seis décimos. O incrível dessa F-1 atual é o fato de oito carros, oito filosofias, oito orçamentos, oito estruturas dos mais variados níveis estarem separadas por seis décimos.

E é nesse ambiente que pilotos, estratégias, pequenas decisões podem fazer a diferença. E vimos isso aos montes hoje. A temperatura de pista, que foi caindo no decorrer da sessão, pegou muita gente desprevenida. Quem deixou para sair nos momentos finais se deu mal, pois a pista ficava cada vez mais fria, algo que vimos tanto nos últimos momentos do Q2, quanto do Q3.

Outro fator que influiu bastante em um resultado que colocou vários carros rápidos largando atrás foi o medo do rendimento do pneu médio, que fez com que muitos pilotos, até Button da poderosa McLaren, fossem para a pista de macios no Q1 e chegassem sem borracha nova na fase final.

Quem foi à pista no momento exato, com pneus novinhos, para fazer uma volta perfeita foi Nico Rosberg. Mas ele mesmo foi o primeiro a admitir que isso não garante nada para amanhã. Ainda que tenha fechado a primeira fila, a Mercedes não arrisca dizer o que espera da corrida devido ao ritmo de prova ruim, resultado da falta dos décimos trazidos pelo duto passivo – que só é usado junto da DRS – e um alto desgaste de pneus.

Curiosamente, quem mereceu maior atenção dos rivais nas entrevistas pós-classificação foi Kamui Kobayashi. Afinal, é o piloto que combina melhor ritmo de corrida, pouca degradação e boa posição de largada. Para Button, o japonês será o mais difícil de ser superado entre os pilotos que estão a sua frente. Já Hamilton tem suas dúvidas. Perguntado sobre a pouca degradação da Sauber, o inglês cravou: “vamos ver como fica isso agora que eles são rápidos.”

No meio da briga está Raikkonen, infeliz com o carro mesmo com a quarta posição. A Lotus pareceu sofrer mais que as rivais com as temperaturas baixas. E espera-se que esteja mais quente amanhã. Se este for o caso, não apenas o finlandês, mas todos os que ficaram pelo caminho devem vir babando para cima de quem tem track position. Nem precisa dizer que a corrida promete.

Semana da F-1 via twitter: fãs roubam a cena

Os fãs roubaram a cena no twitter de pilotos e equipes nesta semana de GP da China. Apesar do esporte ainda não ser dos mais populares no país, parece que por lá há gente suficiente para que tudo vire uma aglomeração.

Cadê o caminhão de bombeiros?

E criatividade não falta, tanto nos presentes (este para @BSenna e este para @H_Kovalainen) quanto nas recepções. @felipe1massa foi recebido como aquelas celebridades que voltam a sua cidadezinha natal depois de um grande feito. Já os fãs de @lewishamilton adotaram o estilo “passeata”. E olha que eles são muitos!

Impressionante também o número de fãs de Raikkonen esperando o finlandês na porta de um evento de patrocinadores e até os pilotos da HRT foram cercados pelos fãs.

Muitos também esperavam @alo_oficial, mas o quesito originalidade ficou com o espanhol, que publicou um vídeo de ponta cabeça de sua chegada. Aliás, o “anúncio” de que #Tomita iria para a China animou os fãs, que até fizeram um companheiro para o bonequinho, o Fermita. Já em casa, o anime japonês teve até direito a jantar de recepção.

Passado o calor da chegada, @AussieGrit reclamou do fato de, na China, ter de se locomover com motoristas, por não serem habilitados segundo a lei local. “Realmente não gosto de ser copiloto.” #shitdriver. O australiano ainda postou uma bela foto, no 100º andar, a 470m do chão.

Com pinta de popstar, @SChecoPerez foi seguido pelas câmeras nas primeiras sessões de treinos livres. E a @officalsf1team registrou 

O @WilliamsF1Team deu a tradicional volta de reconhecimento com seus pilotos e publicou algumas fotos interessantes, que passar despercebidos na TV, como a descida da curva 2. Aliás, a equipe disponibiliza um material interessante em seu canal do youtube.

Depois do trabalho, @BSenna e @pastormaldo se divertiram fazendo caricaturas um do outro, enquanto @realTimoGlock se animou logo pela manhã ao descobrir que já está inserido no mercado local.

Ming e seu chaveiro

Hamilton registrou sua presença na abertura da campanha GREAT, do governo britânico, que divulga os feitos dos esportistas britânicos. Aproveitou para medir seus 1,74m ao lado de Yao Ming. “Sim, sim, sei que tive de abaixar para fazer o Yao Ming ficar maior.”

Já na Caterham, ficamos sabendo que o tal Mission Control não é só privilégio das grandes: as nanicas também comandam sua estratégia desde a fábrica.

Últimos dias de “folga”

Três semanas se passaram depois do GP da Malásia, sendo que na última delas os pilotos se dedicaram a viajar para a China e se acostumar à diferença de fuso horário. Mas houve quem manteve a agenda lotada de sexta-feira para cá.

No final de semana, @AussieGrit, @realTimoGlock e @alo_oficial estiveram ligados na estreia na MotoGP. Mais tarde, enquanto o australiano se incomodava com a sobrancelha feita do técnico do Leeds, Neil Warnock , @JensonButton estranhava um companheiro de vestiário raspando os pelos do antebraço (?)

Detalhes à parte, via twitter, soubemos que a páscoa do inglês foi com a namorada, no Japão, em meio às flores de cerejeira. Já @alo_oficial esteve entre o trabalho no simulador (e depois mostrou a comparação entre a imagem no “brinquedo” da Ferrari e a realidade), quilômetros intermináveis na bike e futebol com os amigos, com direito a pose de boleiro.

@felipe1massa também esteve em Maranello, e aproveitou a gravação de um comercial para posar ao lado de uma Ferrari California. Já @danielricciardo aproveitou os últimos dias de folga para assar aquela carne, no melhor estilo australiano.

Nova briga técnica expõe ética particular da F-1

Além do imbróglio desnecessário do Bahrein, uma outra briga que a Lotus tentou comprar – e foi rechaçada acertadamente pela FIA – mostra bem como funciona a ética peculiar da F-1. Trata-se da polêmica técnica que mira dois carros que vêm dando o que falar nesse início de campeonato: a Mercedes e seu duto passivo, que ajuda bastante na classificação, e a Sauber e sua solução nada original, porém inspiradíssima, para as saídas do escapamento.

Começando pela Mercedes: desde o ano passado, a equipe vem trabalhando em um complicado sistema de duto frontal, uma entrada de ar que canaliza o fluxo de forma a melhorar a eficiência da asa dianteira, estolando-a. Confira como funciona neste vídeo:

Para este ano, Ross Brawn e companhia complicaram ainda mais o sistema – e potencializaram seu efeito, o que passou a incomodar os rivais (no versão usada em 2011, a vantagem era pequena demais para que alguém se animasse a copiar algo tão complexo). Agora, o duto começa na asa traseira e viaja por meio de tubos por dentro do carro para chegar à asa dianteira. Ele é ativado em conjunto com a DRS, pois, quando aberto, o flap expõe o orifício por onde o ar entra. Veja como funciona:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=2R8kwi22Pm8?rel=0&w=550&h=309]

Oficialmente, os rivais questionam a solução pois os dutos aerodinâmicos foram proibidos ao final de 2010. Mas na verdade ninguém é bobo. O que foi definido na época é que os pilotos não poderiam operar sistemas que influenciassem na aerodinâmica, a não ser a DRS, prevista por regulamento. Em outras palavras, a FIA queria acabar com a onda de piloto tirando a mão do volante para tapar buraco. E o duto da Mercedes é chamado de duto passivo justamente por não precisar do acionamento do piloto, uma vez que entra em ação automaticamente junto da DRS para copiar seu efeito de diminuir a resistência ao ar na parte dianteira durante as retas.

O sistema, portanto, é legal. Mas a reclamação não é essa, e sim o que seria uma vantagem desleal da Mercedes, por usar um sistema que será fatalmente banido ao final do ano por ser caro e complexo demais. Ou seja, no mundo da F-1, até a criatividade dos engenheiros tem prazo de validade caso seja uma ideia demasiadamente complicada de ser copiada.

Não é de se estranhar, portanto, que a bronca das equipes não seja tão grande com a Sauber que, de fato, explorou uma área nebulosa no novo regulamento ao adotou um conceito de saída de escapamento que usa os gases dos escapes para gerar pressão aerodinâmica de forma bastante eficiente.

Essas regras, como já comentei por aqui, apenas delimitaram a área do novo escapamento, fazendo-o retornar para a carenagem, mas não proibiram textualmente que eles tivessem influência aerodinâmica. Ninguém respeitou o espírito do regulamento e o próprio Charlie Whiting já admitiu que deverá mudar o texto para o ano que vem. Ou seja, novamente estamos falando de uma solução que tem os dias contados.

Mas por que não ouvimos falar de bronca dos rivais em relação à Sauber? Simplesmente porque é algo que pode ser copiado mais facilmente. A solução do C31 é direcionar os gases do escapamento para o difusor por meio do Efeito Coanda, conhecido há cerca de um século. Ele está explicado em um experimento simples no vídeo abaixo e é baseado no fato de que gases tendem a seguir o contorno da superfície sobre a qual estão fluindo, caso esta não for excessivamente curva.

O carro da Sauber tem o escapamento colocado o mais à frente que a regra permite e possui um recorte no assoalho logo à frente dos pneus, com aletas direcionais. Tudo desenhado para que os gases que saem dos escapes percorram a carenagem até chegar ao difusor. Isso cria uma zona de baixa pressão que ajuda no escoamento do ar embaixo do carro, aumentando a pressão aerodinâmica.

A Red Bull já copiou a solução e provavelmente todos o farão em breve. Apesar de ser algo mais questionável no campo do espírito das novas regras do que a engenhoca da Mercedes, na mentalidade particular da F-1, o que é objeto de protesto não é o que está mais fora do regulamento, mas aquilo que vai ser mais difícil de ser reproduzido – e sair mais caro.

Gangorra de performances marca os novos pneus

Em 2010, elas foram nove, distribuídas entre três equipes – quatro para a Red Bull, três para a McLaren e duas para a Ferrari. Do GP da Austrália de 2011 para cá, apenas três, sendo que em apenas uma ocasião por mérito total dos vencedores. O fato das dobradinhas terem se tornado mais raras mostra uma peculiaridade sobre os pneus Pirelli que ficou escancarada nestas duas primeiras etapas do ano: o resultado final não é ditado apenas pela velocidade do carro e o manejo do desgaste por parte do piloto, como também de como a prova se desenhou para cada um.

Parece óbvio que aquele com uma corrida mais tranquila chegue na frente do que, com o mesmo carro, fica preso no tráfego, mas na era dos Pirelli detalhes podem fazer diferenças incríveis, evitar que o melhor carro em determinado domingo chegue nas duas primeiras posições e até fazer com que pilotos pareçam iniciantes ao lado de seus companheiros.

É claro que só tivemos duas provas por enquanto e é difícil precisar o quanto a confusão das provas iniciais tem a ver com o fato das equipes estarem se adaptando a seus novos carros, que ainda estão longe de ser maximizados em termos de acerto, mas não podemos esquecer que os Pirelli também mudaram. Portanto, o que parecia uma lição aprendida pelas equipes em termos de como tirar o máximo destes pneus está sendo revista, com os compostos mais macios e, ao que parece, ainda mais sensíveis a mudanças de temperatura.

Cada pneu trabalha de maneira otimizada em determinada faixa de temperatura. Permanecendo abaixo ou acima dessa janela, o pneu se degrada mais rapidamente – acima dela, por superaquecimento; abaixo, por deslizamento causado pela baixa aderência. Além disso, nessas condições, o piloto não consegue imprimir um ritmo adequado.

Um dos grandes problemas do ano passado era que a diferença entre os carros de Red Bull e McLaren e a concorrência era tamanha em termos de pressão aerodinâmica que apenas eles conseguiam fazer o composto mais duro funcionar corretamente. Essa, inclusive, é uma das explicações para o fato do grid estar mais apertado neste ano, uma vez que os quatro compostos foram aproximados em termos de rendimento. É como se a Pirelli tivesse “nivelado por baixo”, facilitando a vida de quem tem menos eficiência aerodinâmica.

Mas a própria “sensibilidade” dos pneus é outro fator primordial para igualar as equipes especificamente aos domingos. Como vimos na Austrália, um bom carro, quando consegue escapar na frente, adota um ritmo forte e dificilmente será incomodado. Isso porque o piloto tem a possibilidade de manejar como bem entender seu pneu.
Não é a mesma sorte de um piloto que está no meio do pelotão ou tendo de perseguir alguém. Os novos Pirelli, ao menos com esses carros ainda um tanto “verdes”, têm se mostrado mais propensos à perda de rendimento. Logo, os pilotos reclamam de falta de aderência, param no box, andam rápido por algumas poucas voltas, pegam o tráfego novamente e voltam a reclamar, pois é difícil mantê-los em sua janela ideal quando se luta por posições.

Isso, além do fato de que permanecer uma volta na pista faz uma bela diferença, aumenta a responsabilidade dos estrategistas. Não coincidentemente, sempre que for possível parar ambos os pilotos na mesma volta (uma diferença de 8s entre eles é a margem de segurança procurada pelas equipes), ninguém deve hesitar em fazê-lo.
Por todas essas variáveis devemos sempre ficar com um pé atrás quando tentamos comparar diretamente o volta a volta de companheiros de equipe. Vimos na Malásia, por exemplo, Perez sendo repetidamente 2s mais rápido que Kobayashi, diferença que inexiste entre ambos. Se tirarmos isso do contexto, com o japonês lutando o tempo todo no meio do pelotão e o mexicano controlando seu ritmo na perseguição a Alonso, há quem possa se apressar em aposentar Koba.

Correr no tráfego não interfere apenas em determinado conjunto de voltas. Ter de antecipar paradas por conta do desgaste compromete toda a estratégia, pois o próximo jogo terá de ser usado por mais voltas do que o ideal. Por isso, além do cuidado com o pneu em si, que os pilotos mais inteligentes têm se sobressaído. Afinal, mais do que nunca, é preciso entender o preço pago por cada batalha na pista. O resultado de toda essa equação é a promessa de que a gangorra de performances se estenda por mais algum tempo.

Diferença em classificação indica briga das boas

Quando olhamos os primeiros passos do atual campeonato em comparação ao ano passado, ao menos na classificação, a história é parecida: os sete décimos da primeira prova se tornaram um na segunda, sem mostrar um padrão claro. Mas há duas variáveis interessantes entre as duas primeiras provas deste ano e de 2011: em primeiro lugar, a supremacia da McLaren não foi traduzida em duas vitórias – e existe um equilíbrio bem maior entre Button e Hamilton do que na equipe anglo-austríaca em 2012. Em segundo, há outros rivais querendo entrar na briga.

É curioso observar que as vantagens que a McLaren obteve em classificações em relação à Red Bull são semelhantes ao cenário do ano passado. Porém, a inversão entre essas duas forças não foi a única grande marca dos primeiros sábados da temporada 2012. É impressionante a evolução não apenas da Mercedes, que tem em seu duto passivo uma vantagem difícil de quantificar no momento em que ativa a DRS, como também da Lotus, que mostrou ter um carro bastante equilibrado tanto em classificação, quanto em corrida.

O quarteto ficou separado por apenas 0s242 na Malásia, circuito em teoria mais representativo da verdadeira relação de forças entre os carros pela maior influência da eficiência aerodinâmica, ainda que o calor às vezes atrapalhe os julgamentos – há carros que precisam aumentar suas entradas de ar para Sepang, como foi o caso justamente da Red Bull em 2011.

O que surpreende é a distância para a Ferrari na Malásia, ainda que Alonso tenha feito sua melhor marca sem o Kers. Mesmo com o risco de começar um projeto do zero, é difícil de se imaginar que a Scuderia esperasse tamanha diferença, lembrando que o carro que ficou a quase 1s da pole ano passado era praticamente o mesmo usado na pré-temporada pelos erros na correlação entre túnel de vento e pista, ou seja, tinha pelo menos dois meses de atraso em seu desenvolvimento na comparação com os rivais. Com Pat Fry admitindo que, em condições normais, a diferença para a ponta é de oito décimos, há certamente muito trabalho pela frente.

Na ponta, apesar de, ao contrário de Vettel ano passado, Hamilton não ter conseguido converter poles em vitórias, não há indicativos de que os sábados tenham se tornado menos importantes. Como veremos com mais profundidade amanhã, a vantagem continua com o piloto que usa a pista livre para escapar da DRS e ditar o próprio ritmo, e o inglês não conseguiu fazer isso na Austrália após uma má largada e na Malásia por um pit stop lento. A pole em si não é garantia de nada, mas ter uma margem acima de 1s na terceira volta após a largada/relargada é meio caminho andado para uma vitória.

O ano se desenha interessante para Vettel. E sem motivo para pânico

Para os alemães, o termo foi “poste”; para os ingleses, “pepino”. E logo a revolta de Sebastian Vettel em relação ao retardatário Kartikheyan, que na opinião dele – e dos comissários, que puniram o indiano – foi o responsável pelo toque que lhe tirou os 12 pontos de uma quarta posição consolidada na Malásia virou motivo para que, especialmente a imprensa britânica, começasse a especular que o alemão estava perdendo a cabeça ao ver seu reinado desmoronando.

Teve quem achou que o pepino não é bem Karthikeyan. Maldade...

Não é a primeira reação desproporcional de Vettel, que já chamou o companheiro de louco por manobra até parecida no GP da Turquia em 2010 – em ambos os casos, as opiniões se dividiram, mas acredito que o alemão poderia ter se esforçado mais para evitar o contato se não quisesse retomar a trajetória tão cedo. No entanto, que o acesso de raiva causado por uma frustração pós-prova não seja tirado de contexto. Afinal, ninguém melhor que o próprio Vettel, quinto colocado no ano de seu primeiro título até seis etapas do final, para saber que é cedo demais para perder a cabeça.

Que o alemão não reage bem mesmo à menor das derrotas já estamos acostumados a ver. Fechou a cara até um abandono com o campeonato decidido. E poderia ser diferente (o mesmo serve para vários de seus colegas) para alguém tão obcecado com a vitória?

É forçar a barra falar em desespero quando o alemão tem em mãos o carro que se mostrou marginalmente mais rápido em média de ritmo de corrida. É claro que melhorar em classificação ajudaria, principalmente para se livrar do tráfego das Mercedes no início das corridas, mas não há nada indicando que este é um campeonato perdido para a Red Bull. Muito pelo contrário: a expectativa é de que o ritmo de desenvolvimento nas fábricas seja tão importante quanto o de pista.

Mas é claro que Vettel já percebeu que não viverá a campanha sublime de 2011. A estranha supremacia repentina sobre Webber, contra quem lutou de igual para igual em 2009 e 2010 em classificações, se foi junto do escapamento soprado no difusor, cujas particularidades o alemão soube domar com maestria. Junto disso, o bicampeão tem reclamado de falta de aderência com o pneu macio, o que o obrigou a arriscar se classificar com os duros na Malásia. São problemas que ele terá de resolver internamente antes de começar a lutar com os pilotos da McLaren pelo título.

Ao menos nas duas primeiras provas, mesmo tendo se classificado atrás de Webber (sendo superado por 0s095 em média, comprovando o equilíbrio dos “velhos” tempos), Vettel passou 91 das 114 voltas disputadas até agora na frente – o australiano largou mal em Melbourne e foi ultrapassado logo após a relargada em Sepang. Nenhum motivo para pânico, portanto.

O que se desenha é uma condição na qual estávamos curiosos para vê-lo cedo ou tarde: já com todo o peso do bicampeonato e das expectativas externas e internas de sempre brigar por vitórias, terá de mostrar serviço no meio do pelotão, lidando com os pneus que não duram quando se luta por posição, com o carro que não é tão estável, com as dúvidas na estratégia. Enfim, sem os “superpoderes” do EBD e da pole rapidamente e competentemente convertida em sólida liderança. Mais uma das inúmeras e intrigantes questões que a temporada promete responder.

Semana da F-1 via twitter: apresentando Tomita

A partir desta semana, darei um giro pelo que aconteceu na semana na F-1 às sextas-feiras. Mas não nos meios oficiosos de notícias, e sim no mundo um tanto mais relaxado do twitter. Espero que curtam.

Se Alonso está no simulador da Ferrari, é Tomita quem aparece ao lado do volante

Quando se fala em Fernando Alonso, os comentários não costumam fugir do “respeito como piloto, odeio como pessoa”, não é verdade? Difícil é ligar a imagem que se criou do espanhol ao boneco simpático e hiperativo que virou sua personificação nas redes sociais. Tomita apareceu pela primeira vez no InstaProf do piloto há menos de uma semana e já virou celebridade. Tanto, que os fãs pedem que o asturiano o leve para seu cockpit para fazer dele uma espécie de antítese ao dedo de Vettel.

Antes avesso a mostrar sua vida, Alonso se tornou @alo_oficial em 11 de março e já ultrapassou os 300.000 seguidores, sendo alçado à 4ª posição entre os piloros mais seguidos. E está levando a brincadeira a sério, compartilhando fotos interessantes da vida de piloto. Quando cansa de dizer onde está, no entanto, vira Tomita, que ora tem sua foto tirada na praia, no jogo do Real Madrid, ou junto do volante da Ferrari e até da ex(?)-mulher.

O bonequinho se tornou nessa semana o símbolo de uma surpreendente abertura da @InsideFerrari. A equipe sempre teve um twitter pra lá de soturno, com mensagens do tipo “antes tarde do que nunca: estamos fazendo nosso primeiro long run” nos treinos de pré-temporada. Agora, além de Q&As com fãs, tem até espaço para piadinha interna: “Ciao @alo_oficial and @Felipe1Massa, quem deixou o carro no estacionamento errado?” O brasileiro culpou o espanhol, que jogou as suspeitas para o pobre Hamashima, especialista em pneus contratado no início do ano.

Falando em mostrar outra face no twitter, @Felipe1Massa está longe de parecer o piloto prestes a ser demitido em seus tweetes. Bem ao seu estilo, o brasileiro aparece comprando pão, cozinhando (“mas limpar eu tô fora”), deitado no berço do filho (!) e tirando sarro das meias de seu engenheiro, Rob Smedley.

Mas também há os momentos sérios. Na data que marcou o aniversário de um ano da morte de Gustavo Sondermann, Felipe prestou sua homenagem. Não foi o único. Vários brasileiros lembraram do piloto, inclusive @BSenna, que também se divertiu com o ex-companheiro @karunchandhok, twitteiro convicto.

Não tão convicto quando @H_Kovalainen, contudo. O finlandês anda viciado em Angry Birds (até seu capacete sofreu tal influência). “Falei para meu pai jogar o Angry Birds Space e ele me disse que já completou todos os níveis faz tempo”. #Heikkifail.

O twitter também pode lhe dar informações que vão mudar a vida de todos, como saber que, durante o ano, a Red Bull consome 145.000 latas do energético que a intitula. Mas também tem Sebastian Vettel a bordo de um Renault retrô de dois lugares, após visita à fábrica da divisão esportiva da montadora. É o mais perto que conseguirá chegar de Seb, avesso a tecnologias, um dos poucos a não ter conta no twitter.

Outro assunto do lado da Red Bull foi onde Adrian Newey vai colocar a medalha que recebeu como OBE. Houve até quem sugeriu que o projetista guardasse a honraria em seu cabelo (!), mas ele revelou um destino, digamos, mais nobre.

Webber aproveitou sua estadia na Austrália para se encontrar com alguns ídolos no esporte, como o “multi-plataformas” @richussher, especialista em provas de aventura que unem diversas modalidades. Mas também mostrou que não esqueceu dos que se foram, gesto flagrado por um fã twitteiro.

Outro que posou de tiete foi @vitalypetrovrus, em evento promocional ao lado da estrela russa do Arsenal @AndrArshavin23. Alonso também, com Zidane, quando foi ao Bernabéu ver as quartas de final da Champions.

A semana foi menos movimentada na McLaren. Fica o registro de Button passando para dar os cumprimentos ao diretor técnico, Paddy Lowe, que completou 50 anos dia 5.

O MTC, aliás, foi a última parada de uma semana agitada na vida do piloto, sexto no geral e vencedor em sua categoria de idade em prova de triathlon no Havaí.

A Mercedes lançou mão de uma foto pra lá de datada para anunciar a renovação de seu Junior Team. Já a Marussia comemorou os 3s35, seu melhor tempo nos treinos de pit stop da semana. A Williams, nesse meio tempo, pediu a participação dos fãs na comemoração dos 70 anos de Frank Williams, dia 16 de abril, enquanto a Caterham quer saber em quais circuitos a F-1 deveria correr. Até Zandvoort entrou na lista dos internautas.

E é claro que o 1º de abril não passou em branco. @NicoHulkenberg aproveitou a semana para pregar uma peça em seus seguidores, dizendo que não estava conseguindo visto para a China. Já a Lotus foi mais convincente e usou o problema que Raikkonen vem tendo com o volante para dizer que tinha encontrado a solução: um volante para canhotos. Além de brincadeira, a equipe promoveu seus #LunchBreakTeasers, com perguntas sobre a história do time. Aliás, se quiser bater papo de F-1 no twitter e ter suas perguntas respondidas, a Lotus é uma boa pedida.

Outro bem humorado na semana foi @PedrodelaRosa1, que admitiu ter se atrasado para treinar “porque havia muitas bandeiras azuis no caminho”.

Treinos para que te quero

Se tem uma coisa que os pilotos adoram fazer no twitter é mostrar o quanto treinam entre uma corrida e outra. A bike é a amiga predileta: @pauldirestaf1, em um dia comum, fez 92km com sua magrela, e, para @danielricciardo, essa cena acima é só um dia normal de trabalho.

Kovalainen, no entanto, levou o ‘twitter fitness’ a outro nível, propondo um desafio a seus seguidores: faça oito repetições na barra fixa, depois se segure na barra o tempo que conseguir: “com 1min30 passa no teste e se superar 5min está ótimo!” Isso sem contar a corrida, 12km em menos de uma hora no calor (o piloto estava nos Emirados Árabes). E esse foi o segundo treino do dia…

@realTimoGlock, outro twitteiro de primeira, não poderia ficar atrás e fez 120km de bike em 4h10. Entre um treino e outro, o alemão ainda participou de uma competição com internautas por meio deste brinquedinho aqui . Não postou o resultado, então já podemos imaginar o que aconteceu.

Veja quais são os pilotos mais seguidos:
Button 872.707
Hamilton 740.068
Senna 363.623
Alonso 309.123
Webber 295.513
Perez 164.921
Kovalainen 134.898
Maldonado 132.101
Rosberg 127.977
De la Rosa 108.958
Di Resta 94.688
Kathikeyan 93.257
Glock 63.538
Petrov 63.103
Hulkenberg 60.300
Massa 48.115
Kobayashi 44.411
Grosjean 30.364
Ricciardo 18.708
Vergne 14.127
Pic 8.218

Mercedes, Lotus e Williams ainda não mostraram verdadeiro ritmo

O real potencial de algumas equipes ainda está escondido

Pouca corrida para muitas dúvidas. É esse o gostinho que a temporada 2012 deixou até agora. Principalmente para três equipes em especial: a Mercedes, que tanto prometeu ter deixado os problemas com alta degradação de pneus para trás, mas foi a que mais sofreu nas etapas iniciais em ritmo de corrida; a Lotus, que não conseguiu, ou ter uma classificação limpa com Raikkonen, ou uma prova limpa com Grosjean; e a Williams, cujos pilotos tiveram percalços aos domingos, ainda que mostrassem ritmo semelhante ao dos líderes em diversos momentos na Austrália e, principalmente, na Malásia.

Devoradora de pneus, ao menos com Rosberg

A Mercedes aparece como a grande surpresa do campeonato até agora. Aos sábados. Na corrida, ao menos Nico Roberg parece sofrer com um desgaste de pneus ainda mais excessivo do que em 2011, algo que curiosamente não foi diminuído nem pelo asfalto úmido de Sepang. Nico só aguentou 13 voltas com o pneu intermediário na Malásia, algo que só poderia ser explicado por um carro desequilibrado, o que faz com que a borracha se desgaste não por superaquecimento, mas por deslizamento. Mas um carro desequilibrado iria tão bem na classificação?

A situação fica ainda mais indefinida quando olhamos para o ritmo de Schumacher. O alemão teve pouco tempo para mostrar serviço na Austrália antes que uma quebra de câmbio o tirasse da corrida e novamente foi abandonado pela sorte na Malásia, após toque de Grosjean na primeira volta. Contudo, mesmo crescendo no meio do pelotão – situação que os pneus deste ano parecem odiar – não teve grandes sinais de degradação e manteve um ritmo que não fez feio se comparado à McLaren de Hamilton no último stint, com pneus slick.

Mesmo com a incógnita Schumacher, a queda dos alemães em corrida, por enquanto, só dá asas aos rivais, que veem seu sistema de duto passivo, ativado junto da DRS e, portanto, bem mais efetivo em classificação do que em corrida , como ilegal.

Em busca de um sábado perfeito

Na Lotus, um sétimo e um quinto lugares de Kimi Raikkonen levam a um cenário bastante animador. Primeiramente, é impressionante como o finlandês voltou sem dar sinais de estar enferrujado, especialmente nos duelos roda a roda, os quais obviamente não podia “treinar” no rali. Isso, é claro, se considerarmos que ele e Grosjean, que também faz uma espécie de segunda estreia, ainda que com muito menos experiência, estão tirando tudo do carro.

De qualquer maneira, este “tudo” do carro ainda não foi colocado à prova. O francês, apesar das ótimas classificações, não sabe como é passar da quarta volta de um GP, enquanto o finlandês largou em 17º em Melbourne após um mal entendido via rádio e em 10º em Sepang depois de uma troca de câmbio.

Ainda assim, só foi superado em corrida por Red Bull e McLaren em termos de ritmo puro, e Ferrari e Sauber em um misto de boas estratégias, condições de tempo complicadas e grandes atuações individuais. Na Austrália, poderíamos até dizer que os jogos de pneus zerados que o Iceman tinha à disposição o ajudaram a ganhar posições no meio do pelotão, como vimos inúmeras vezes ano passado – especialmente com Alguersuari – com pilotos eliminados no Q1 que terminavam a corrida nos pontos. Porém, os menos de três décimos de desvantagem na classificação e o sólido quinto posto de Sepang confirmam que o carro tem ritmo.

Portanto, não parece exagerada a expectativa da equipe ser ao menos a terceira força no momento. O certo é que o E20 é o melhor carro feito pelo time de Enstone desde 2006.

“We need(ed) this position”

Por fim, a Williams é outra que deve estar rezando para um domingo tranquilo. Maldonado, forte na classificação, aproveitou que Alonso e Raikkonen ficaram pelo caminho para ser oitavo com um carro que parece estar na luta para ser o quinto ou sexto em uma volta lançada. Mas é na corrida que o FW34 mostra seus maiores atributos. Suave com os pneus e equilibrado, o carro vai bem com mais combustível.

O sexto lugar de Bruno Senna, depois de escapar na primeira volta, a exemplo da prova inicial, e estar em 23º após a relargada em Sepang e o quase sexto de Maldonado na Austrália, quando o venezuelano teve o terceiro carro mais rápido do dia antes de bater, mostram o que poderia ter sido. De certa forma, é o preço pela filosofia adotada ao escolher a dupla de pilotos, mas há de se dizer que ela também foi fundamental para os investimentos no departamento técnico que fizeram com que o FW34 representasse o maior salto qualitativo que vimos até agora em 2012.

Má execução nas provas rouba pontos da McLaren

Após fechar a primeira fila nas duas primeiras corridas do campeonato, e por margem considerável na Austrália e ainda respeitável na Malásia em relação aos principais rivais na corrida, a Red Bull (0s729 em Melbourne e 0s242 em um circuito no qual a aerodinâmica conta mais, Sepang), a McLaren não pode dizer que possui todos os pontos que o carro prometia serem possíveis.

Não por acaso, Lewis Hamilton saiu da Malásia reconhecendo que “deveria ter 50 pontos”, mas tem de se contentar com seus 30. Nada mal, é verdade, para o único piloto que subiu ao pódio nestas duas primeiras provas, mas a sensação de ter jogado pontos fora em um campeonato que se desenha apertado a julgar pelo rendimento irregular das equipes em condição de corrida, trata-se de um “desperdício” que o inglês quer resolver logo. E isso se estende ao outro lado da garagem também.

Mas por que a McLaren não estaria conseguindo reproduzir em corrida o ótimo ritmo de classificação? Ficou claro nas duas primeiras provas que a vantagem dos ingleses em classificação não se repete na mesma intensidade aos domingos. Foi assim na Austrália, a partir do momento em que Vettel se livrou das Mercedes e na Malásia, quando a pista secou: a Red Bull mostrou um ritmo ligeiramente superior.

Mas, se olharmos com cuidado ambas as provas, a equipe vem cometendo falhas que explicam os pontos jogados fora. São erros de execução durante o final de semana, estratégicos, os quais, somados a esse equilíbrio aos domingos, fazem com que se pague caro.

Na Austrália, a demora na primeira parada de Hamilton, algo feito para respeitar uma regra interna de que, em condições normais, o piloto que vai à frente tem prioridade nos boxes, acabou deixando o inglês na mira de Vettel. Isso foi especialmente ruim para Lewis porque seus pneus acabaram antes dos de seu companheiro e a volta a mais que deu o fez perder 7s, como vimos na análise estratégica da prova. É claro que o alemão só o superou devido ao Safety Car, mas isso seria evitado com uma tática menos míope no início, lembrando que a liderança de Button jamais esteve ameaçada.

Na Malásia, o inverso ocorreu: Hamilton estava na frente, mas foi Button quem teve prioridade nos boxes. E, quando os dois se encontraram após a segunda parada, era Jenson quem estava na frente. A explicação é que o próprio Lewis pediu para ficar mais na pista – aliás, tomar decisões acertadas em corridas complicadas nunca foi seu forte. Porém, a equipe demorou demais para chamá-lo para a última parada, cometendo o mesmo erro elementar da Sauber e deixando-o novamente na mira de Vettel – que estava se aproximando perigosamente, e com melhor ritmo, antes de bater em Karthikeyan. O indiano, aliás, acabou “salvando” a tarde de Hamilton duas vezes!

Além de um certo conservadorismo nas estratégias, a não ser quando Button tomou as rédeas nas duas primeiras paradas na Malásia – para depois se atrapalhar com o piloto da HRT e com as temperaturas de seus intermediários e acabar com sua corrida –, outro grande empecilho para o potencial da McLaren se transformar em pontos tem sido o trabalho de boxes. A equipe apareceu com o sexto melhor trabalho na Austrália e apenas o 16º na Malásia.

Em Sepang, ambos tiveram paradas desastrosas, principalmente Hamilton, que perdeu quase 28s em seu segundo pit (no qual houve um erro dele, que levou a outro da equipe, além do azar com o tráfego) e 26s3 no terceiro, após outra falha do time. A parada mais rápida do dia foi em 21s6.

O contraste não poderia ser maior com a Ferrari, cujas estratégias e trabalhos de box têm sido irretocáveis. Isso ajuda a explicar como um carro pior pode estar liderando um campeonato. É verdade que é mais fácil ajustar a execução nos finais de semana do que ganhar pontos de aerodinâmica, mas também é verdade que, em um campeonato apertado no qual se espera uma alternância entre as forças, o trabalho de pista vem contando pelo menos tanto quanto o de fábrica.

A queda da Ferrari e as saudades de Fiorano

Schumacher testando no quintal de casa: bons tempos

Ao fazer uma avaliação sobre seus dois primeiros anos na Ferrari no final da temporada 2011, Fernando Alonso foi direto: “quando cheguei aqui, esse não era um time vencedor. Agora evoluímos em diversas áreas, nas estratégias, nos pit stops, na preparação para as corridas. Para o ano que vem, só falta o carro. Assim, teremos condições de lutar pelo título.”

Pois, bem. A Ferrari não fez um bom carro. Novamente. Ainda que a melhoria em toda a execução de corrida somada ao talento de seu líder faça com que a equipe seja atualmente a terceira no Mundial de Construtores e primeira no de pilotos, a posição real do carro não é bem essa. Mas como explicar a decadência de uma equipe que dominou a F-1 na última década, tendo conquistado 8 dos últimos 13 títulos de construtores?

Ainda que muitos se apressem em apontar o fim da era Todt-Brawn-Schumacher (o projetista Rory Byrne continua como consultor da equipe e vem trabalhando ativamente no projeto deste ano) como o principal motivo para a decadência vermelha, muito mudou na F-1 desde o último título da Scuderia, em 2008.

Uma grande revolução nas regras ocorreu em 2009 e mudou o panorama da relação de forças, possibilitando que a Red Bull entrasse na equação das grandes, enquanto a própria Ferrari e a McLaren pagavam pela intensa batalha técnica que haviam travado nos anos anteriores, dedicando menos recursos ao novo projeto.

Ainda que a McLaren, mesmo recuperando terreno tenha igualmente falhado na busca por fazer frente à Red Bull e vencer um Mundial de Construtores, algo que não consegue desde 1998 (ainda que na prática tenha feito pontos mais que suficientes em 2007), é a queda da Ferrari que chama a atenção e que, ano após ano, não dá sinais de ser apenas um hiato de conquistas.

Claro que alguns podem lembrar que Alonso por pouco não foi campeão em 2010, mas o terceiro lugar no Mundial de Construtores daquele ano mostra que aquela foi uma questão mais de oportunismo que fruto de puro desempenho.

O fato é que a queda técnica da Ferrari coincide com o banimento dos testes durante a temporada, algo simples de entender, afinal, o time italiano é o único que possui um circuito particular para colocar o carro na pista quando bem entender.

Ou assim era nos tempos de Schumacher-Todt-Brawn. Com isso, toda a estrutura de R&D da equipe foi montada baseada nessa realidade e obviamente a maior parte do investimento visou aperfeiçoar os testes de pista. Sem essa “mordomia”, os rivais naturalmente voltaram as atenções às simulações, que hoje reinam quando o assunto é desenvolvimento. Isso explica por que a Ferrari parece sempre estar correndo atrás das rivais: seu programa simplesmente não é tão eficaz pela menor importância dada ao túnel de vento e CFD por anos a fio.

Computando apenas os testes coletivos, foram 63 dias de atividades em 2008, último ano dos ensaios durante a temporada e, não coincidentemente, último título ferrarista. Em 2011, a pré-temporada contou com apenas 12 e outros quatro serão realizados no início de maio, em Mugello, na Itália.

A Scuderia vem investindo pesado em simuladores e contratando profissionais que trazem uma nova filosofia de trabalho. Mas até Pat Fry, que chegou como salvador da pátria em meados de 2010 e já está pressionado, logo percebeu que, em se tratando de Ferrari, a paciência é sempre curta. Por isso tanta esperança é depositada nesta primeira chance em quatro anos de se testar após o início do campeonato. De muitas formas, o GP da Espanha, o primeiro após as práticas de Mugello, irá definir o destino da equipe nesta temporada.

Nada de novo no calvário de Massa

Na brincadeira do WTF1, Alonso vence até guiando um ônibus. Já Massa...

A coluna de 14 de janeiro adiantava: “Massa depende da Ferrari para sair de lá com a cabeça erguida.” Em seu último ano de contrato e vindo de duas temporadas abaixo da crítica, o brasileiro precisava de um carro equilibrado para buscar diminuir a diferença em relação ao companheiro Fernando Alonso e voltar a convencer.

A Ferrari não fez um bom carro. Longe disso. E Massa vem pagando por ser um piloto competente, que precisa ter o carro na mão para obter os resultados, ao lado de outro que caminha para colocar o nome na história. Alonso seria o primeiro a admitir que não é o mais rápido do grid, mas tem como especialidade aproveitar as oportunidades e, mesmo se o carro não ajuda, maximiza os resultados como ninguém.

Para piorar a situação, o projeto classificado como “difícil” da Ferrari peca pela inconsistência e a impressão é de que, pelo fato da equipe ter dado um carro praticamente novo para Felipe na Malásia, há certa dificuldade em fazer dois modelos iguais. Em meio à necessidade de usar os treinos livres para desenvolver o F2012, sobra pouco tempo para o brasileiro resolver seus próprios problemas.

Problemas que só aumentaram depois que Sergio Perez, um dos pilotos mais cotados para ocupar seu lugar por fazer parte da Academia de Pilotos da Ferrari, esteve perto de vencer na Malásia.

O discurso, tanto do próprio piloto, quanto da Ferrari, é de que a situação é a mesma de 2008, quando Massa também zerou nas duas primeiras provas, viu o então companheiro Kimi Raikkonen vencer a segunda corrida, e no final do ano perdeu o título por apenas um ponto.

Mas a história não é a mesma. Naquele ano, a Ferrari tinha o melhor carro do grid e a falta de pontos do brasileiro se deveu a circunstâncias, erros pontuais. Além disso, Massa vinha de boas atuações em 2006 e 2007. Aquele piloto que disputou o título até a última volta da última corrida pode até ser o mesmo, ainda que com a moral abalada especialmente pela ordem de equipe na Alemanha em 2010, mas já não conta com um equipamento tão equilibrado.

E a história diz que é na adversidade que os grandes mostram a cara, como Senna desafiando a Williams de Prost em 1993 ou Schumacher ganhando corridas com a péssima Ferrari de 1996. Massa não parece capaz de tanto. Depende de uma melhora dramática do carro para salvar seu ano e pleitear uma vaga decente para 2012. Caso contrário, Alonso seguirá fazendo a diferença e, ao mesmo tempo em que salva a cabeça do chefe Stefano Domenicali, afundará cada vez mais seu companheiro.

Coluna publicada no jornal Correio Popular, em 31.03

GP da Malásia por britânicos, brasileiros e espanhóis: “Seguindo a linha do bom humor”

Com um toque de compaixão, Martin Brundle, da britânica Sky Sports, lembra que as equipes decidiram três minutos antes do início da volta de apresentação que pneus colocar nos carros, enquanto o narrador David Croft observa que apenas as HRT apostaram na chuva forte. A água havia começado a cair, de leve, cerca de 10 minutos antes e pronunciava uma longa jornada para as TVs. “A água vai ser ruim para quem largar nas posições ímpares, que têm muito mais borracha”, observa Antonio Lobato, da espanhola Antena 3, enquanto seu colega Marc Gené se preocupa com os acertos de embreagem, “que agora não servem para mais nada”.

O comentarista é quem vê a ótima largada de Grosjean, já que Lobato só focava em Alonso. Na Globo, Galvão Bueno chega a ver Button pulando na frente de Hamilton, o que não acontece. “Já não se enxerga nada, coitado de quem vem atrás. Massa deve até ter perdido posições. E o Schumi rodando… bora, Schumi!”

Corrida na chuva é tão imprevisível que até as zebras escolhidas a dedo como promessas para surpreender podem ficar pelo caminho logo de cara. Que o digam Marc Gené, da espanhola Antena 3, e Martin Brundle, da britânica Sky Sports, apostando por Michael Schumacher antes do início do GP da Malásia. Quando o alemão roda na primeira volta, o inglês zomba do próprio engano, mas não se rende por completo. “Deve ter sofrido um toque. Imagino que tenha sido o Grosjean.” Os espanhóis não veem o porquê do toque. “Acho que ele tocou a zebra”, diz Gené, enquanto o outro comentarista, Jacobo Vega, acredita que o alemão se estranhou com Raikkonen, “porque Grosjean está muito na frente.”

Croft vê Senna rodando no fundo da imagem, exatamente no momento em que Galvão diz que “Senna tenta ganhar posições e Felipe deve ter perdido porque tomou muito cuidado [o brasileiro ganhou quatro].” Inclusive, quando o piloto da Williams para nos boxes, a opinião geral é de que está apenas mudando de estratégia.

Ninguém quer colocar a mão no fogo pela decisão de Sergio Perez, de colocar os full wets. “Depende do clima, mas não sei”, diz Gené. “Decisão delicada. Está chovendo muito no paddock, mas não tanto na parte de trás”, reporta Ted Kravitz para os britânicos, que logo voltam atrás na desconfiança quando Button, de full wets, passa Schumacher como um foguete. Na Globo, comemoram que Massa foi um dos primeiros a parar. “A Ferrari, que costuma errar na estratégia, acertou e ele se deu bem. A corrida pode começar a caminhar para o Button”, aposta Galvão. “Agora vamos ver quem tem mais garrafa vazia para vender.”

Os replays mostram que foi mesmo Grosjean quem tirou Schumacher da corrida. O incidente normal para espanhóis – que só comentam que o francês não passou da terceira volta em ambas as provas – e britânicos, ganha outras proporções na Globo. “Não sei se foi uma boa decisão para a Lotus. Assim foi a vida dele quando substituiu Nelsinho. É rápido, treina bem, mas não sei se consegue controlar a ansiedade “, diz Galvão, que continua minutos depois. “Se bobear, vai fracassar de novo. Não sei se já não está tomando o caminho da casa.” O narrador ganha o apoio de Reginaldo Leme. “Piloto francês, a equipe vinha procurando um piloto francês.”

Mas nada teria proporções tão díspares quanto o alarme falso da bandeira vermelha, que levou o repórter Carlos Gil aos trend topics nacionais no twitter. “É, Charlie Whiting. Apertou o botão errado ou será que foi o do lado, o Herbie Blash?”, pergunta Galvão em tom de deboche, referindo-se aos principais responsáveis pelo Race Control. O repórter, único na Malásia, intervém. “Muitos rádios e o próprio sistema das equipes caiu. Talvez tenha sido uma falha no sistema que acusou a bandeira vermelha.” O narrador reage. “Claro, Carlos Gil. Foi só uma questão de bom humor. Só uma brincadeira, já que os dois apareceram com cara de assustados. O bom humor cabe sempre”. E seguiu a transmissão respeitando sua “linha do bom humor”. É a mesma de Lobato, que diz “alguém bebeu” na hora que a mensagem some do monitor.

Na Sky Sports, o repórter Ted Kravitz fez intervenção semelhante à de Gil. “O motivo da bandeira vermelha é que caiu um enorme raio no paddock”. E, sem ser interrompido, prosseguiu. “Karthikeyan é décimo e acho que Vergne ainda está com os intermediários.”

Brundle, em Sepang, confirma a informação – “a força caiu na nossa cabine e acredito que no Race Control também” – e é outro que se impressiona com o feito do estreante: “com os outros escapando nos full wets, como o Vergne está conseguindo se segurar na pista?”

A bandeira vermelha é confirmada após algumas voltas atrás do Safety Car. Outro que se deu bem foi Perez, ainda que Galvão frise que “não adianta ter estratégia e escapar”, quando o mexicano sai da pista. “Isso é bom para ele, que estava com dificuldades em se manter na pista”, observa Vega. “Ele é bom em escolher os pneus, esse menino Perez”, vê Brundle.

A diversão das transmissões é ver o “camping” formado pelas barracas que as equipes armaram no grid. Kravitz, inclusive, informa que foram buscar a autorização da FIA para fazê-lo, ideia que surgiu após o dilúvio do Canadá, quando vários computadores foram perdidos no aguaceiro. “Todos colocaram uma tenda e a Ferrari está tão para trás que nem tenda tem. É impressionante como o centro de inteligência dessa equipe foi se desfazendo”, observa Galvão, antes da barraca vermelha aparecer. “A Ferrari está um pouco lenta com sua tenda, assim como o carro, infelizmente”, Brundle também não perdoa. Mas Gené, consultor da Scuderia, explica. “É que queríamos uma vermelha.” E Gil se vinga. “Seguindo a linha do bom humor, agora virou um circo de verdade.”

Os britânicos lamentam que era a primeira vez que viam chuva desde que haviam chegado na Malásia, enquanto Galvão explica que “chove todo final de tarde” e acredita que “tudo isso é uma grande gozação do Bernie Ecclestone. Toda corrida é às 14h e ele colocou essa às 16h porque chove. Vão falar que é pelo horário da Europa, mas sigo na linha do bom humor.” E a Globo segue a linha dos VTs. Dos 40 anos de transmissões da F-1 a quando Schumacher cedeu uma vitória a Irvine.

Enquanto isso, a Sky entrevista a chefe de Perez, Monisha Kaltenborn, que dá uma dica do que viria pela frente. Perguntada se teria algum temor de que seus pilotos se desconcentrassem, a indiana faz uma ressalva. “Com Checo, temos de ter mais cuidado, porque ele é mais temperamental.”

Reginaldo acha que alguns pilotos devem reiniciar a prova com os intermediários, ainda que a regra os impeça. Regras que também confundem os espanhóis, que não sabem – e são salvos por Gené – se Vergne poderá trocar seus pneus.

Na relargada, o comentarista espanhol não conta Perez como adversário pelo pódio. “É factível que ele perca posições”. Os britânicos apostam em Alonso com a pista molhada. Gené acha que a pista está pronta para os intermediários e se irrita com a demora do SC, mas Galvão e Lobato acham que o risco dos ponteiros entrarem é muito grande. Button é o primeiro a pagar para ver. “Arriscou muito”, aponta o narrador brasileiro.

Mas realmente era a decisão certa. E logo o pit ficou engarrafado. Preocupados com a Ferrari errar com Alonso e fazer Massa perder tempo em uma parada dupla, os brasileiros são salvos por Burti, único a ver que o espanhol superara a dupla da McLaren em uma tacada só. Os espanhóis estão em cima, inclusive observando os setores para se certificar de que seu compatriota havia passado Perez na pista. “Fernando liderando com a Ferrari! Quem diria. Mas falta muita corrida. No momento, é impressionante, sempre fazendo mágica para compensar”, Lobato controla a empolgação. “Que parada ruim! Ele passou completamente das suas marcas”, Brundle foca na parada de Hamilton.

A corrida de Button sofreria outro golpe, com um toque com Karthikeyan que surpreende a todos. “Precipitação”, diz Reginaldo. “Do Karthikeyan é que não foi culpa”, ironiza Lobato. “Ele deve ter pensado que a HRT ia sair da frente”, justifica Brundle.

Os espanhóis começam a dança da chuva. “Alonso dando uma aula de velocidade na chuva”, diz Lobato. “Uma mágica a cada curva. Estou ficando sem adjetivos para descrever o que ele está fazendo com este carro”, completa Gené. “Se ele ganhar essa corrida, deviam mudar o nome do circuito.” A empolgação do comentarista é tanta que até Lobato pede calma. “Acabamos de passar a metade da corrida.”

Para Brundle, além da liderança de Alonso, o segundo lugar de Perez mostra que o motor Ferrari “deve usar um mapeamento de motor melhor para a chuva”. Kravitz explica a consolidação da liderança do espanhol “em parte por sua habilidade, mas também porque a Ferrari tende a superaquecer seus pneus, e isso não acontece nessas condições.” E Croft se certifica de que o público está acompanhando o que está acontecendo: “vocês não estão ouvindo coisas, Alonso está liderando a corrida.” Enquanto isso, “Massa está alimentando mais umas semanas de rumores porque não tem como comparar os dois carros”, lembra Lobato.

Os espanhóis continuam desconsiderando Perez ao observar o ritmo dos rivais que podem tirar a vitória de Alonso. “Ainda que a Sauber seja rápido, calculamos que perdemos 0s7/volta para a McLaren em seco”, justifica Gené. Os brasileiros seguem na mesma linha. Quando Galvão diz que Alonso cairá quando a pista secar, Reginaldo lembra que o espanhol “já tem 12s para Hamilton” e ignora o mexicano, que, para Galvão, “parece ser um piloto muito bom, só precisa de mais tempo.”

Quando o mexicano começa a se aproximar, Lobato diz começar “a pensar que precisamos de chuva”. Os espanhóis se impressionam porque só a Sauber é mais rápido, não é Alonso que perde rendimento em relação aos demais, algo que também surpreende os britânicos. E Gené coloca os pingos nos is. “Alonso merece ganhar e Perez merece um pódio.”

Mas o mexicano está impossível e a discussão sobre a provável primeira vitória da Sauber como equipe independente [oficialmente, triunfou como BMW-Sauber em 2008, quando eram controlada pela montadora alemã] começa. Croft diz que seria a primeira vitória, Kravitz corrige, mas Brundle dá razão ao narrador. “Minha teoria é que aquela vitória é da BMW.” Discussão semelhante têm Reginaldo e Galvão, com o narrador seguindo o pensamento de Brundle, que dá mais atenção à diferença entre os pilotos da Sauber do que à ‘polêmica’: “Kobayashi é quase 2s mais lento!” Mas Lucano Burti alerta: “No mundo do automobilismo, dizemos que não pode escorregar na baba.”

Enquanto isso, Croft reescreve as regras ao dizer que eles não precisam colocar slicks “porque já usaram dois compostos de chuva”, o que Brundle sequer comenta.

“Essa corrida vai ser decidida por quem colocar primeiro os slicks”, decreta o comentarista inglês, pouco antes de Daniel Ricciardo ser o primeiro a cansar de esperar a chuva que não vinha e colocar pneus para pista seca. “Valente, porque não está tão seco”, acredita Gené. Após também titubear sobre o momento certo para fazer a troca, Brundle se desespera quando Alonso vai para os boxes e Perez não o segue. “Eles são 5s mais rápidos. A Sauber deu a chance de Hamilton entrar no jogo.”

O inglês não é o único que não se conforma. “Sauber pode ter perdido a chance de ganhar. É a história daquela equipe que não está acostumada a esse tipo de situação”, crê Reginaldo. Os espanhóis só ficam (um pouco mais) aliviados quando veem que a chuva não caiu na volta em que os líderes estavam com pneus diferentes. “Que todos entrem e esqueçam a dança da chuva. E que Alonso se aproveite do tempo que vai ganhar”, espera Gené.

O alívio aumenta quando observam que Perez colocou os pneus duros, algo que também surpreendeu os ingleses e que passou despercebido na Globo. E os britânicos procuram Hamilton à frente do mexicano quando a Sauber sai do box – e o encontram também fazendo sua troca com uma volta de atraso. “É ótimo que Sergio seja segundo porque os rivais pelo título não pontuam muito”, comemora Lobato, para minutos depois se desesperar novamente. “Madre mia, como chega!”

Até Gené se rende. “Acho que em seis voltas ele ultrapassa com facilidade porque tem mais velocidade de reta e seu pneu duro deve estar melhor no final.” E o discurso muda: agora, os dois mereciam a vitória.

Minutos depois de Brundle salientar que o ritmo das Red Bull era muito forte com os slicks, Vettel aparece lento, com traseiro esquerdo destroçado após se encontrar com Karthikeyan. “Nessa temporada as coisas não estão funcionando para ele. Ele não tinha passado completamente e fechou a trajetória”, vê o inglês. É tão devagar que às vezes o piloto não consegue evitar toque. É um absurdo um carro deste na pista”, Galvão segue outra linha. “É, as coisas mudaram para você, amigo”, diz Lobato.

Para Brundle, o GP da Malásia é o nascimento de dois heróis: Perez e Senna. Galvão também se empolga com a atuação do brasileiro, mas acha que o sétimo lugar está de bom tamanho. “Com calma, porque já está bonito. E não vale arriscar porque o Raikkonen não é flor que se cheire.”

A Sauber também parece achar que o segundo lugar está de bom tamanho para Perez e diz ao piloto: “precisamos desta posição.” Algo que Jacobo Vega ri quando ouve e acha que a mensagem é boa para Alonso. Quem questiona é Croft, perguntando a Brundle se a equipe “quer frear seu piloto”, mas o comentarista não se impressiona. “Não, é o mesmo cuidado que o deixou uma volta a mais na pista”, relembra a cautela exagerada na estratégia. “Dezoito pontos são muito valiosos para a Sauber. Por isso pediram para ele ter cuidado.” Para Gené, a mensagem não é o mesmo que pedir para segurar a posição, mas sim “quando for ultrapassar, não arrisque.”

Galvão reclama. “Ah, não fala isso…” Reginaldo também se diz contra, mas entende que “a pontuação vale dinheiro para a equipe. Mas o Sergio Perez, com uma chance dessas, tem de partir para cima!”

Não chegamos a ver a briga entre Alonso e Perez. O mexicano “coloca duas rodas na zebra”, como descreve Brundle, escapa da pista – e vê Alonso escapar de sua mira. “Pagou pela inexperiência e teve sorte de ter voltado. Alonso tira do carro o que ele não tem, mas às vezes dá uma sooorte”, observa Galvão. “Nesse caso, a gente tem de dar razão ao engenheiro, ele tem a leitura de muito mais dados”, Reginaldo volta atrás.

Os espanhóis comemoram o “oxigênio” que Alonso ganhou. “Que longo isso!” Lobato não aguenta mais, mas ainda tem fôlego para prever o futuro. “Fernando é líder e agora chegam as peças novas da Ferrari…”

Brundle também se impressiona com o espanhol. “Temíamos que eles estivessem no meio do pelotão – e estiveram – mas Alonso não desiste. Foi mais a experiência do que o ritmo que lhe deu a vitória. Imagino o que Massa vai pensar, tendo chegado 97s atrás. Imaginávamos uma surpresa hoje, mas que ela viria da Lotus ou da Red Bull.”

“Mágico” para os conterrâneos, para Galvão, o bicampeão é um misto de “iluminado”, que “salvou a pele do Domenicali”, e “marqueteiro” dentro da equipe. Mas impressionante mesmo para a dupla da Globo foi ver Peter Sauber chorar. ”Nunca imaginei que fosse ver isso.”

Perez também ganha as merecidas homenagens. “Ele se estabeleceu com todas as credenciais como uma estrela do futuro. Já sabíamos que era bom, mas agora sabemos que ele pode ganhar corridas”, acredita Brundle.

E Lobato, para encerrar a longa manhã, pede: “por favor, se alguém puder acabar com o campeonato agora, por favor o faça…. Ou não. Temos 18 corridas emocionantes pela frente. Se melhorar o carro, não tememos ninguém.”

Estratégia do GP da Malásia: ousadia do início vira conservadorismo e mina vitória de Perez

O feito que poderia ter sido uma vitória

A pista esteve encharcada, molhada, quase seca e seca, e mesmo assim os potenciais dominadores, os candidatos de sempre às vitórias simplesmente não tiveram ritmo para vencer. Se o GP da Malásia deixou alguma certeza, é de que há muito o que as equipes descobrirem a respeito do comportamento dos pneus, quais as melhores pressões a serem utilizadas e as melhores maneiras de maximizar sua interação com cada carro.

Só isso explica o que vimos em Sepang, com a Sauber sendo a mais rápida – e com diferença – em duas das quatro fases que a corrida teve. Enquanto isso, a equipe que demonstrou ter o melhor carro em condições de seco se perdeu entre o conservadorismo da estratégia – neste tipo de situação equipes que têm menos a perder costumam lucrar justamente na hesitação das demais – e a pura falta de ritmo.

E pelos maus pit stops. Porém, é difícil sustentar que Hamilton tenha perdido a corrida pela lentidão da segunda parada – causada em parte por uma demora em levantar a traseira, em parte por ter de esperar Massa passar. Afinal, a McLaren não demonstrou ritmo suficiente para desafiar os rivais no longo stint de pneus intermediários, seja quando eles eram pneus de chuva de fato, seja quando se tornaram quase slicks. Situação parecida viveu a Red Bull, também atrapalhados por problemas de comunicação, o que atrasou as decisões.

A corrida pode ser dividida em quatro partes. Na primeira, correr riscos pagou dividendos para Perez e Vergne, ainda que eles tenham adotado estratégias diferentes. Enquanto o primeiro logo viu o lucro de colocar os full wets, parando na primeira volta e andando no ritmo dos líderes já na terceira, o segundo se segurou na pista com os intermediários esperando a bandeira vermelha que certamente viria, dado o histórico recente da atuação da direção de prova em dilúvios. Podendo mexer no carro com a corrida interrompida, o francês ganhou uma parada grátis e , com isso, 11 posições!

A segunda parte mostrou como os carros funcionam em condição de chuva e pneu intermediário. Foi nesse momento, também, que a ousadia da Sauber, que tinha levado Perez à segunda posição na corrida, se apequenou. O primeiro erro da equipe seria não parar junto dos líderes na volta 14. Dar uma volta a mais com o pneu errado, e ainda por cima fazer um pit stop lento, fez com que o mexicano, ainda que retornasse à pista em primeiro, estivesse na alça de mira de Alonso que, com uma volta de aquecimento e experiência com o pneu, o ultrapassou, em manobra decisiva para a corrida. Dali em diante, o espanhol se aproveitou com propriedade do benefício de não ter spray na chuva na liderança e do bom rendimento, nessas condições, de sua Ferrari, que agora trabalha bem melhor os pneus desde a primeira volta.

A terceira parte se deu a partir da volta 31, quando Perez começou a tirar a diferença em relação a Alonso, cada vez de forma mais acelerada. Os 7s7 que o piloto da Ferrari tinha construído em 16 voltas viraram 1s3 em oito giros. Isso não ocorreu por coincidência: os engenheiros separam essa fase em que todos estavam com os intermediários em duas, uma quando eles estavam fazendo seu trabalho de escoar a água e outra quando a pista já estava secando e a borracha estava bem gasta, fazendo com que se tornassem uma espécie de slick. Foi a partir desse momento que os Sauber começaram a brilhar, algo provavelmente provocado pelas pressões utilizadas, uma vez que os acertos para pista molhada já haviam sido feitos na bandeira vermelha.

Acompanhar Rosberg foi mau negócio

Essas duas fases também explicam por que os pilotos que decidiram colocar um novo jogo de intermediários durante este período não se deram bem. Afinal, a pista já estava seca demais para um intermediário zerado, e esses pneus acabaram tendo de trabalhar acima de sua temperatura ótima, ou seja, ‘cozinharam’. Button foi o único que deu algumas voltas mais rápidas, mas também foi o primeiro a parar, tendo tempo para desfrutar do intermediário na temperatura correta, mas logo caiu de rendimento, a exemplo de Rosberg, Massa, e Ricciardo. Naquele momento da prova, um intermediário ‘lixado’ era mais negócio que um novo.

Isso, dizemos com o benefício de saber que a prometida chuva não veio. Caso contrário, quem estivesse com o intermediário-slick teria de voltar correndo para os boxes. A ameaça de chuva também explica o porquê da relutância das equipes em trocar dos inters para os ‘verdadeiros’ slicks, a fim de evitar uma nova ida aos boxes caso a água desse o ar da graça.

Foi com a aposta da chuva em mente que a Sauber cometeu o erro capital que fez Perez perder mais tempo em relação a Alonso do que sua própria escapada voltas depois: parar uma volta depois do espanhol para o último stint, com pista seca. Mesmo assim, ainda que o mexicano fosse bem mais rápido, não dá para cravar que ele conseguiria a ultrapassagem, uma vez que a trajetória seca era muito pequena e ele teria de pisar no molhado em algum momento, o que, combinado com sua inexperiência e a importância dos 18 pontos que somaria (quase 41% do que a Sauber fez em todo o ano de 2011), é suficiente para justificar a cautela da equipe.

Em uma tarde de decisões difíceis, a última delas, de colocar pneus médios ou duros não tem uma solução padrão. Na frente, a Ferrari optou por médios usados para as últimas 16 voltas de Alonso, que demonstrou ter degradação nas últimas voltas. Provavelmente não optaram pelo duro para evitar problemas de aquecimento, algo que não foi uma questão para Perez. Vettel, em comparação com Webber, de médios, teve tais dificuldades, demorando 5 voltas para andar no ritmo do companheiro. Schumacher, por outro lado, com sua Mercedes come-pneu, lucrou com os duros, ou seja, foi uma decisão que dependeu muito do carro.

Como Senna foi de 23º para sexto

A estratégia de Bruno Senna foi um tanto peculiar. Tudo começou errado, com um toque com Maldonado na primeira volta, mas ao menos permitiu uma visita aos pits para colocar os full wets, aposta que alçou Perez a terceiro. No entanto, já no fundo do pelotão, Senna voltaria aos pits logo que o SC entrou para colocar um novo jogo de pneus de chuva, esperando provavelmente lucrar na relargada. Contudo, era de se esperar naquele momento que a corrida seria interrompida e a vantagem desaparecesse.

Isso o colocou em último no reinício da prova. Tendo de arriscar, o brasileiro colocou os intermediários logo que o SC saiu. O bom trabalho da Williams já lhe garantiu as primeiras posições e a decisão provou ser a acertada. Com isso, Bruno pulou de 23º para 14º em três voltas.

O brasileiro ganharia mais terreno com um bom ritmo na primeira fase dos pneus intermediários, quando a pista ainda estava bastante molhada e já ocuparia a nona colocação na volta 27, adotando um ritmo condizente com a Lotus de Raikkonen e a Red Bull de Webber, tendência que até se acentuou quando a pista começou a secar e os intermediários estavam mais parecidos com slicks.

O brasileiro colocou os pneus de seco (optou por médios novos) duas voltas depois de Ricciardo ter sido o primeiro a arriscar. Assim, ganhou a posição de Vergne, que permaneceu na pista uma volta a mais. O brasileiro ganharia ainda, na pista, o lugar de Di Resta e lucraria com o furo no pneu de Vettel para cruzar em sexto.

Alonso se coloca ao lado de Moss, Fangio e Prost – e Perez quebra hegemonia de pódios

Perez e Alonso são pratos cheios para as estatísticas na Malásia

A 28ª vitória de Fernando Alonso na carreira o coloca em um grupo especial de pilotos. Além de deixá-lo isolado como quinto maior vencedor da história, a três de igualar o quarto, Nigel Mansell, o espanhol, que deu sua 7000ª volta na liderança durante o GP, tornou-se o quarto piloto na história a vencer no mesmo circuito por pelo menos três equipes diferentes.

Esta é a de 2007, a primeira pela McLaren:

Do atual grid, pelo menos nesta temporada, apenas Schumacher (que soma vitórias por Benetton e Ferrari e hoje está na Mercedes) e Raikkonen (correu por McLaren, Ferrari e agora veste as cores da Lotus) podem alcançar tal feito, enquanto deve estar nos planos de Alonso tornar-se o primeiro da história a vencer em Mônaco por 3 times diferentes.

Pilotos que venceram a mesma prova por ao menos 3 equipes

PilotoProvaEquipes (anos)
Stirling MossMonzaMaserati (1956), Vanwall (1957), Cooper (1959)
Juan Manoel FangioSpaAlfa Romeo (1950), Maserati (1954), Mercedes (1955)
Juan Manoel FangioBuenos AiresMaserati (1954, 1957), Mercedes (1955), Ferrari (1956)
Juan Manoel FangioNurburgringMercedes (1954), Ferrari (1956), Maserati (1957)
Alain ProstSilverstoneRenault (1983), McLaren (1985, 1989), Ferrari (1990), Williams (1993)
Fernando AlonsoSepangRenault (2005), McLaren (2007), Ferrari (2012)

Na prática, o oitavo lugar no grid foi a pior posição de largada que resultou em vitória do espanhol na carreira. Nas estatísticas, perde para Cingapura-2008, quando largou em 15º. Curiosamente, nas duas primeiras corridas do ano, Alonso chegou sete posições à frente do que largou.

Além de um circuito talismã para o bicampeão, que faturou a primeira pole e pódio em 2003 na Malásia, Sepang também traz boas lembranças para a Ferrari, que conquistou a sexta vitória em 14 anos do GP. Três delas foram com Michael Schumacher, que marcou pontos em todas as suas 11 aparições no circuito.

Em uma daquelas estatísticas curiosas, as últimas cinco corridas interrompidas com bandeira vermelha pela chuva têm um certo padrão entre Alonso e Button: eles não apenas dividem as vitórias, como, quando um ganha, o outro não marca pontos. Alguém arrisca um palpite para o desfecho do próximo dilúvio?

– Nurburgring 2007 – Alonso vence, Button fica fora dos pontos
– Malásia 2009 – Button vence, Alonso fica fora dos pontos
– Coreia 2010 – Alonso vence, Button fica fora dos pontos
– Canadá 2011 – Button vence, Alonso fica fora dos pontos
– Malásia 2012 – Alonso vence, Button fica fora dos pontos

Tivemos cinco vencedores diferentes nos últimos cinco GPs (Vettel, Hamilton, Webber, Button e Alonso, pela ordem). E, claro, os mesmos que dividem o primeiro lugar do pódio há 44 GPs. Estão a nove de igualar o recorde histórico de Senna, Prost, Mansell, Piquet e Berger.

Outro prato cheio para as estatísticas foi o segundo lugar de Sergio Perez. O mexicano acabou com a maior sequencia de pódios marcada por um mesmo quinteto da história. A última vez que um intruso estourou o champanhe do lado de Vettel, Webber, Alonso, Button e Hamilton foi exatamente no GP da Malásia, com Nick Heidfeld. Desde então, foram 18 GPs dominados pelo quinteto. Se contarmos apenas os dois primeiros, a sequência dos cinco era ainda maior, desde o GP da Alemanha de 2010.

A estréia de Perez entre os três primeiros ocorreu no mesmo circuito em que seu rival pela vitória, Alonso, estourou o champanhe pela primeira vez na F-1, também em sua segunda temporada como titular na categoria. O espanhol, contudo, era um ano mais novo quando obteve a façanha.

Foi a primeira vez que um mexicano subiu ao pódio desde o segundo lugar de Pedro Rodriguez no GP da Holanda de 1971, quando corria pela BRM. Rodriguez chegou atrás da Ferrari de Jacky Ickx, em uma corrida afetada pela chuva…

Por pouco não tivemos um novo vencedor na F-1, algo que não acontece desde Webber, em Nurburgring, 2009. Ao menos Perez se tornou o 160º piloto a liderar uma corrida e deu o melhor resultado da história para a Sauber como equipe independente, após terem terminado em terceiro em seis ocasiões, sendo que a última foi em 2003, com Heinz-Harald Frenzten, no GP dos Estados Unidos. A equipe chegou a vencer uma prova, com direito a dobradinha – Kubica e Heidfeld, GP do Canadá de 2008 – como BMW Sauber.

A McLaren nunca tinha conquistado a pole na Malásia e agora tem o mesmo número de poles em 2012 que em 2010 e 2011 juntos. O último ano em que a equipe, que tem 149 poles na história, tinha conseguido largar em primeiro por duas corridas consecutivas – na ocasião, foram três – foi 2007.

Mas a volta mais rápida ficou com Kimi Raikkonen, especialista no quesito. Tanto, que, com 36 na carreira, é o terceiro maior da história, atrás de Michael Schumacher (76) e Alain Prost (41).

O GP malaio igualou um recorde do GP da Europa de 2010, quando nove construtores marcaram pontos – está é a terceira temporada em que os pontos são dados até o 10º: em Sepang, apenas a Force India colocou dois pilotos no top 10, junta de Ferrari, Sauber, McLaren, Red Bull, Lotus, Williams, Force India, Toro Rosso e Mercedes.

O sexto lugar de Bruno Senna, além de ser seu melhor resultado na carreira e de representar os primeiros pontos a um Senna na Williams, deu à equipe três pontos a mais que em toda a campanha do ano passado.

Falando em pontos, Jean-Eric Vergne marcou seus primeiros, tornando-se o francês mais novo a fazê-lo. Dos 24 pilotos do grid, só Grosjean – que só completou 4 voltas em corridas até agora – e Pic nunca pontuarams. Sim, até Narain Karthikeyan já marcou os seus, mesmo que tenham sido no GP dos EUA de 2005.

O indiano, inclusive, igualou a melhor posição oficialmente (ou seja, ao final de uma volta) ocupada por um carro da HRT. Ele era nono na volta 13, posição em que ele mesmo havia estado no também caótico GP do Canadá do ano passado. Pic chegou a completar uma volta em oitavo pela Marussia.

Se alguns conquistaram boas colocações, Sebastian Vettel teve seu pior resultado, contabilizando as provas em que viu a bandeirada, desde o GP da Bélgica de 2010. Já Felipe Massa, com a 15ª colocação da Malásia e o abandono da Austrália, é apenas o 19º no Mundial de Pilotos, atrás de Timo Glock (tem um 14º) e Charles Pic (um 15º e um 17º).

Veja quem trabalhou melhor nos pits na Malásia

Cenas não muito usuais marcaram a tarde da McLaren

Não foi exatamente da maneira como todos esperavam, mas as estratégias de box acabaram sendo decisivas para o GP da Malásia. Junto delas, a execução de cada uma das 75 paradas feitas durante a prova decidiu o destino de muitos pilotos, que se seguraram bem na pista mesmo em condições bastante adversas.

Tivemos poucas rodadas ou escapadas, considerando as condições. A mais decisiva, claro, de Perez, a seis voltas do final, obrigando-o a desistir da luta por uma vitória que seria das mais inesperadas da história. Não, é claro, que o triunfo de Alonso fosse dos que pagavam menos nas casas de apostas – para se ter uma ideia, a expectativa da Ferrari antes do início do GP era de perder 0s7 por volta em relação aos líderes.

Uma série de fatores fez com que o ritmo do F2012 fosse semelhante ao da McLaren de Hamilton mesmo no seco, em dados que analisaremos com mais cuidado no post sofre estratégia. Como aperitivo, ficam os dados fornecidos, respectivamente, por FIA e Pirelli a respeito das paradas.

Pit Stops

Os tempos dos pits, desta vez, são menos representativos, já que contabilizam a perda total e, portanto, penalizam pilotos que tiveram de esperar o tráfego passar pelo pit lane, uma vez que em vários momentos da prova houve verdadeiras invasões nos pits. Um desses casos foi Hamilton, preso por quase 28s na parada em que perdeu a liderança da prova, em parte por uma demora com o pneu traseiro direito, completada pelo trânsito de Felipe Massa. Button, que tinha a vantagem de ter parado uma volta antes, também teve um pit lento, o que ajudou o espanhol a voltar na ponta.

Outra variável é que, no molhado, é mais difícil para os pilotos acertarem suas marcas no box e qualquer deslocamento que os mecânicos tenham de fazer é tempo perdido.

Só faltou a lama

O padrão que vimos na Austrália, com a Ferrari sendo absoluta e seguida pelos suspeitos de sempre, Red Bull e Mercedes, ganhou “intrusos”, enquanto a McLaren pode ser o carro mais rápido na pista, mas cometeu uma série de erros em Sepang – ao todo seu piloto mais bem classificado, Hamilton, perdeu 8s5 em relação a Alonso e 4s para Perez. Por outro lado, uma das equipes mais rápidas nos pits acabou sendo a única a colocar seus dois pilotos nos pontos, a Force India, uma mescla de competência e sorte, a marca de corridas caóticas como a da Malásia.

Caos que lembrou outra prova com ingredientes semelhantes, na Coreia: chuva, Safety Car, bandeira vermelha, ameaça de escuridão pelo horário adiantado da largada, Button se perdendo em condições que seriam ideais para ele, Vettel com má sorte e um certo Fernando Alonso escapando de todas adversidades e levando um carro que não era o melhor do grid não apenas à vitória, mas à ponta do campeonato. E o fato de já termos espanhóis – vou entregando um pouco do que vem pela frente no post de transmissões – pedindo o fim do campeonato mostra o quanto dá para confiar na atual situação da tabela.

PilotoEquipeTempoDif.Volta
1Pastor MaldonadoWilliams21.62114
2Michael SchumacherMercedes22.1630.54239
3Paul di RestaForce India22.1750.55439
4Fernando AlonsoFerrari22.5340.91340
5Daniel RicciardoToro Rosso22.6100.98925
6Paul di RestaForce India22.8561.23514
7Fernando AlonsoFerrari22.8641.24314
8Sebastian VettelRed Bull22.9981.37740
9Nico RosbergMercedes23.0501.42926
10Felipe MassaFerrari23.1301.50927
11Mark WebberRed Bull23.1951.57439
12Nico RosbergMercedes23.2311.61039
13Jean-Eric VergneToro Rosso23.3431.72240
14Nico HulkenbergForce India23.3581.73740
15Pastor MaldonadoWilliams23.4091.78839
16Jenson ButtonMcLaren23.4771.85639
17Jenson ButtonMcLaren23.5091.88824
18Nico HulkenbergForce India23.5491.92815
19Daniel RicciardoToro Rosso23.6482.02737
20Kamui KobayashiSauber23.6622.04140
21HeikkiKovalainenCaterham23.7822.16138
22Bruno SennaWilliams23.8242.20339
23Nico HulkenbergForce India23.8562.2354
24Pastor MaldonadoWilliams23.9742.35315
25Paul di RestaForce India23.9882.3672
26Felipe MassaFerrari24.0342.4133
27Sebastian VettelRed Bull24.0572.43615
28Michael SchumacherMercedes24.0942.47314
29Jean-Eric VergneToro Rosso24.2162.59515
30Lewis HamiltonMcLaren24.2712.6505
31Jenson ButtonMcLaren24.3052.6844
32Felipe MassaFerrari24.4202.79914
33Sergio PerezSauber24.5202.89915
34Daniel RicciardoToro Rosso24.5392.91814
35Sergio PerezSauber24.5432.92241
36Mark WebberRed Bull24.5692.9485
37Fernando AlonsoFerrari24.6533.0324
38Vitaly PetrovCaterham24.7183.0974
39Michael SchumacherMercedes24.8313.2105
40Kimi RaikkonenLotus24.9273.30613
41Bruno SennaWilliams24.9803.35913
42Kimi RaikkonenLotus25.0413.42040
43Timo GlockMarussia25.0963.4753
44HeikkiKovalainenCaterham25.1303.50914
45Nico RosbergMercedes25.1993.57813
46Timo GlockMarussia25.3903.76939
47Daniel RicciardoToro Rosso25.4703.8494
48Pastor MaldonadoWilliams25.5353.9145
49Nico RosbergMercedes25.6003.9795
50Sebastian VettelRed Bull25.6584.0375
51Timo GlockMarussia25.6604.03913
52Sergio PerezSauber25.6714.0501
53Sebastian VettelRed Bull25.8844.26347
54Jenson ButtonMcLaren25.9224.30113
55Kamui KobayashiSauber26.2554.63413
56Bruno SennaWilliams26.2694.6487
57Mark WebberRed Bull26.3374.71614
58Lewis HamiltonMcLaren26.3384.71741
59Felipe MassaFerrari26.9345.31338
60Kimi RaikkonenLotus27.6025.9815
61NarainKarthikeyanHRT27.7006.07937
62Lewis HamiltonMcLaren27.9616.34014
63Kamui KobayashiSauber28.1226.5015
64Pedro de la RosaHRT28.4836.86239
65Charles PicMarussia29.3177.6963
66Vitaly PetrovCaterham29.3597.73813
67Vitaly PetrovCaterham30.3358.71439
68Bruno SennaWilliams31.0069.3851
69Charles PicMarussia32.22410.60339
70HeikkiKovalainenCaterham32.67011.0494
71HeikkiKovalainenCaterham34.10912.48823
72Jenson ButtonMcLaren36.51714.89615
73Charles PicMarussia36.54214.92115
74NarainKarthikeyanHRT36.87615.25515
75Pedro de la RosaHRT38.88717.26616

Tipos de compostos

Em geral, a corrida foi decidida mais pelo momento e rapidez das paradas do que pelo tipo de composto utilizado. No entanto, duas apostas de Sergio Perez e da Sauber se mostraram bastante efetivas, sendo a última bastante curiosa: chuva extrema logo ao final da primeira volta e duros no último stint, o que, ao contrário do esperado, não lhe trouxe problemas de aquecimento no início, mesmo com a pista úmida, e ainda lhe garantiu um excelente rendimento até o final da prova. Pena que dois erros, ao não parar para colocar slicks junto de Alonso – esse, o mais custoso em termos de tempo – e a escapada na volta 50, lhe roubaram a vitória.

Stint1Stint2Stint3Stint4Stint5Stint6
HamiltonInterm. (5)Chuva (9)Interm. (27)Médio (15)
ButtonInterm. (4)Chuva (9)Interm. (2)Interm. (9)Interm. (15)Médio (17)
SchumacherInterm. (5)Chuva (9)Interm. (25)Duro (17)
WebberInterm. (5)Chuva (9)Interm. (25)Médio (17)
VettelInterm. (5)Chuva (10)Interm. (25)Duro (7)Médio (9)
GrosjeanInterm. (3)
RosbergInterm. (5)Chuva (8)Interm. (13)Interm. (13)Duro (17)
AlonsoInterm.(4)Chuva (10)Interm.(26)Médio (16)
PerezInterm. (1)Chuva (14)Interm. (26)Duro (15)
RaikkonenInterm. (5)Chuva (8)Interm. (27)Duro (16)
MaldonadoInterm. (5)Chuva (9)Chuva (1)Interm. (24)Médio (15)
MassaInterm. (3)Chuva (11)Interm. (13)Interm. (11)Médio (18)
SennaInterm. (1)Chuva (6)Chuva (6)Interm. (26)Médio (17)
Di RestaInterm. (2)Chuva (12)Interm. (25)Duro (17)
RicciardoInterm. (4)Chuva (10)Interm. (11)Interm. (12)Médio (19)
HulkenbergInterm. (4)Chuva (11)Interm. (25)Duro (16)
KobayashiInterm. (5)Chuva (8)Interm. (27)Médio (6)
VergneInterm. (10)Chuva (5)Interm. (25)Médio (16)
PetrovInterm. (4)Chuva (9)Interm. (26)Médio (16)
GlockInterm. (3)Chuva (10)Interm. (26)Médio (16)
PicInterm. (3)Chuva (12)Interm. (24)Médio (15)
De la RosaChuva (16)Interm. (23)Duro (15)
KarthikeyanChuva (15)Interm. (22)Duro (17)
KovalainenInterm. (4)Chuva (10)Interm. (9)Interm. (15)Médio (17)

Confira o placar entre companheiros após o GP da Malásia

*Apenas são computados placares quando os dois pilotos completaram a prova

Abandonos

Webber 0 x 0 Vettel
Hamilton 0 x 0 Button
Alonso 0 x 1 Massa
Schumacher 1 x 0 Rosberg
Grosjean 2 x 0 Raikkonen
Di Resta 0 x 1 Hulkenberg
Perez 0 x 1 Kobayashi
Ricciardo 0 x 0 Vergne
Maldonado 2 x 1 Senna
Kovalainen 1 x 1 Petrov
Glock 0 x 0 Pic
De la Rosa 0 x 0 Karthikeyan

Como ainda não temos a possibilidade técnica de fazer o placar de corrida contabilizando os abandonos e o critério é apenas contar pontos quando ambos completam a prova, faço em separado por enquanto. O ideal é cruzar estas duas informações.

As menções honrosas hoje vão para Raikkonen, que novamente fez uma grande corrida enquanto o companheiro Grosjean se atrapalhava, e Bruno Senna, que estava em 23º na bandeira vermelha e chegou em sexto, superando o companheiro Maldonado com propriedade até a quebra do motor do venezuelano. Isso sem falar, é claro, na performance de Perez, que não conta pontos na tabela devido ao abandono de Kobayashi, também no final.

Confira o placar entre companheiros na Malásia

 

Como ficaram as diferenças hoje:

Webber x Vettel0s173
Hamilton x Button0s149
Alonso x Massa0s352
Schumacher x Rosberg0s273
Grosjean x Raikkonen0s197
Di Resta x Hulkenberg0s013
Perez x Kobayashi0s592
Ricciardo x Vergne0s654
Maldonado x Senna0s252
Kovalainen x Petrov0s261
Glock x Pic0s347
De la Rosa x Karthikeyan0s741

Sim, as McLaren fecharam a primeira fila novamente, mas este não deve ser o dado que salta aos olhos nessa classificação para o GP da Malásia. Apenas 0s445 separaram os oito melhores tempos – ainda que não sejam os oito primeiros pela punição de Raikkonen – mostrando um grupo coeso de quatro equipes separadas por detalhes.

O pelotão do meio não está menos animado. A briga para entrar no Q3 ficou entre o surpreendente Perez, que passou o final de semana todo reclamando do carro e, na hora do ‘vamo ver’, cravou Kobayashi em quase seis décimos, Alonso e Maldonado, que repetiu a velocidade e os exageros de Melbourne. E os três ficaram separados por 0s210.

O próximo grupo determinou as posições do 12º ao 16º, e foi o mais apertado de todos. Incríveis 0s159 separaram Massa, Senna, Di Resta, Ricciardo e Hulkenberg. As Force India, aliás, têm algo a provar na corrida de amanhã, depois de um início bem aquém do esperado.

Mas o melhor é que o rendimento das equipes que ocupam as melhores posições, ao menos na Austrália, se inverteu na corrida, gerando uma série de dúvidas para amanhã. Em Melbourne, vimos Lotus e Red Bull mais fortes nos long runs do que na classificação, mas será essa uma tendência para o resto da temporada? A alta degradação prevista vai afetar quem tem mais pressão aerodinâmica ou quem deslizar mais nas longas curvas de Sepang? Teriam as Mercedes resolvido o problema de ritmo de corrida? E Raikkonen, depois de sair em 17º e terminar em 7º em Albert Park, o que poderá fazer largando em décimo?

Degradação joga a favor da McLaren na Malásia

Os compostos podem ser teoricamente mais duros em relação ao ano passado – a Pirelli levou à Malásia os médios, ao invés dos macios de 2011, para fazer dupla com os duros – mas a revisão da equação entre os compostos fez com que a degradação se tornasse o grande assunto desta sexta-feira. Com isso, poucos se aventuraram com sequências mais longas de voltas, dificultando a previsão de um cenário para o domingo.

Para se ter uma ideia, de acordo com a Pirelli, o pneu supermacio é 31% mais mole que o duro, contra uma diferença de 70% do ano passado. Assim, a expectativa das equipes, ao menos após a sexta-feira, é de três paradas.

É comum vermos previsões catastróficas após os treinos livres se tornarem corridas normais no domingo, sem tanto desgaste quanto o previsto. Mas a questão na Malásia é a chuva, que pode lavar toda a borracha depositada durante os treinos e classificação e tornar o asfalto mais abrasivo no domingo.

A McLaren segue parecendo mais ‘no chão’, ainda que Hamilton reconheça que tem tido dificuldade em evitar deslizar o carro e, consequentemente, economizar pneu na mesma proporção que Button. A Mercedes, por sua vez, continua rápida com seu duto passivo, mas a degradação acelerada foi a marca das simulações de corrida da Schumacher e Rosberg. Veja a comparação entre as maiores sequências de voltas de Button, Rosberg, Webber e Raikkonen:

Fonte: F1Fanatic
Gráfico mostra tempo em segundos x nº de voltas

Falando em pneus, quem aparece bem é a Williams, especialmente no domingo. A classificação promete ser mais difícil, com as margens ainda menores do que na Austrália, mas o time de Maldonado e Senna parece no caminho certo para chegar nos pontos.

Enquanto a dupla da Red Bull continua reclamando da instabilidade do carro – e perder para a McLaren nas curvas de alta da Malásia já deve acender o sinal vermelho em Milton Keynes – Kimi Raikkonen poderia aparecer como o coringa, mas perderá cinco posições na largada e não se mostrou satisfeito com o acerto de sua Lotus. Vale lembrar que, quando mais o carro ‘dançar’ nas longas curvas de Sepang, mais difícil é economizar os pneus.

Já a Ferrari acabou tendo de dar mais um passo atrás, ao trocar inúmeras peças no carro de Felipe Massa. Com isso, o brasileiro passou o dia trocando partes para se certificar de ter encontrado a chave para os problemas de aderência na Austrália.  Essa falta de consistência dos materiais usados no F2012 vem dificultando as análises dos técnicos de Maranello e inclusive obrigando-os a refazer determinadas partes, como o assoalho, usando a velha e boa fibra de carbono para garantir, ao menos, que o carro tenha sempre o mesmo tipo de comportamento, uma vez que os pilotos relatam mudanças repentinas. Sofrendo com os pneus e com a velocidade de reta, tanto Alonso quanto Massa devem ter um final de semana difícil. O espanhol, inclusive, foi o último no speed trap, nada menos que 13km/h mais lento que o líder Jean-Eric Vergne e pior até que as HRT e Marussia.

GP da Austrália por brasileiros, espanhóis e britânicos: “Se o Button ganha, a cabeça pira”

Novidade: o apresentador Simon Lazenby, Martin Brundle e Damon Hill no pre-show da Sky

O GP da Austrália não marcou apenas a estreia da F-1 em 2012, como também das emissoras Antena 3, na Espanha, e Sky Sports, na Grã-Bretanha. Para os espanhóis, nada de novo, pois Antonio Lobato manteve a mesma equipe mesmo após os direitos de transmissão mudarem de mãos pela terceira vez em cinco anos. Para os britânicos, uma receita curiosa: metade das corridas serão transmitidas ao vivo em TV aberta (BBC) e fechada (Sky), lembrando que os canais a cabo não são tão populares quanto no Brasil. As demais poderão ser vistas na íntegra na Sky e em um compacto de melhores momentos na BBC. Foi o caso desta primeira etapa, que teve um aumento em relação a 2011 de 100 mil espectadores, com pico de 3.2 milhões… na BBC!

A corrida na Sky foi comandada por David Croft, um narrador de verdade, ao contrário da roupagem usada pela BBC ano passado. Vindo das transmissões da rádio da Beeb, deu um tom completamente diferente, ainda que ao lado de Martin Brundle, mais confortável no papel de comentarista.

Uma novidade interessante da Sky foi colocar trechos de entrevistas dos pilotos sobre a expectativa da prova em um quadro junto da volta de apresentação. Nada como deixar os personagens abrirem seu espetáculo.

Os espanhóis destacam as opções de Alonso, largando em 12º. “Ele terá pneus novos, com mais aderência na largada”, se anima Marc Gené, agora mais solto sem a companhia de Pedro de la Rosa. Ao seu lado, Jacobo Vega se preocupa com Jean-Eric Vergne, de pneus médios. “Vai ter de passá-lo logo.”

Os britânicos preveem tensão entre Hamilton e Button na primeira fila. “Eles sabem que esse carro pode ganhar o campeonato”, diz Brundle. E Galvão Bueno explica por que isso aconteceu. “Eles estão na frente porque tiveram de mudar menos o carro”, referindo-se ao bico harmonioso do MP4-17. Luciano Burti fica em cima do muro quando o assunto é a briga interna da McLaren. “Hamilton, na pole, é o favorito, apesar de Button na corrida ser melhor.”

Os brasileiros valorizam o grid mais competitivo que ano passado. “É uma pista que aproxima os carros e vemos a pior posição de largada da Red Bull desde Monza 2010 e a melhor de Schumacher desde o retorno”, resume Reginaldo Leme.

Muita coisa acontece na largada, e cada um segue com seu foco. “Boa largada de Button”, diz Lobato, ajudado por seus comentaristas – Gené destaca Alonso e Vega, o mau começo de Grosjean. E o narrador completa: “Webber muito mal como de costume.”

Croft destaca Schumacher e vê que uma Toro Rosso “se perdeu” com Bruno Senna. Galvão Bueno diz, ao final da primeira volta, que “tinha achado mesmo que era o Bruno” na confusão. Na hora da largada, destacou negativamente as Ferrari – “olha onde eles foram parar” – e Rosberg. “Olha como os carros estão nervosos, uma situação com a qual Vettel não está acostumado.”

Na Antena 3, Lobato não gosta de ver Alonso perto de Maldonado. “Não é uma boa companhia nestas primeiras voltas nervosas”. E pergunta: “Como Massa conseguiu ganhar seis posições?”

As atenções se voltam para as disputadas primeiras voltas. E todos se impressionam com a manobra de Vettel para cima de Rosberg. “Esse alemão não é mole”, diz Galvão. “Esse é o homem que dizem que não sabe correr, que só ganha da pole. Eu não acho”, completa Brundle.

Mais atrapalhados, Grosjean e Maldonado disputam e o francês abandona. “Incidente de corrida”, acredita Gené. “Acho que Grosjean tentou defender uma posição já ganha pelo Maldonado e calculou mal.” Logo de cara, Brundle acredita que o piloto da Lotus não viu o rival da Williams. Depois do replay, volta atrás. “Ele deu espaço e Maldonado, rudemente, bateu.” Já Galvão se mostra um pouco perdido. “Você viu Maldonado para cima do Grosjean? Era o último de que ele esperava sofrer pressão. Agora olha ele para cima do Alonso. Que F-1 é essa?”, pergunta, ainda que o espanhol estivesse ultrapassando o venezuelano, enquanto Burti classifica o abandono do homem que largara em terceiro como “azar”.

Gené se impressiona com o ritmo das McLaren, “de outro mundo, ainda melhor que na classificação”, mas não tanto como com a performance de Alonso. “Ele me disse que, se tudo desse certo, seria sexto, e olha onde está. Que bonito vê-lo lutando com esses carros”, diz o piloto de testes da Ferrari. “Alonso é mais lento, mas nada como temíamos”, define Brundle. “A questão são os pneus, porque em teoria eles vão parar mais vezes”, aposta Croft.

O narrador informa que, quem adotar a estratégia de duas paradas deve fazer o primeiro pit stop próximo da volta 19. Para Gené, na 16/17. “Massa, que geralmente é leve com os pneus, está sofrendo já na volta 10. Vai ter de fazer três”, estranha o espanhol.

Falando em Ferrari, o trio da Globo trata de criticar o F2012. “O único ponto positivo é a confiabilidade. É inadmissível fazer um carro tão ruim”, brada Galvão. “Não tem como consertar, há algo errado com o conceito”, completa Burti. “Quem deve estar rindo a toa é o Aldo Costa”, alfineta Reginaldo, referindo-se ao projetista sacado ano passado pela equipe, hoje na Mercedes.

Falando no time alemão, Schumacher aparece escapando na frente de Vettel. Gené crava na hora. “Acho que é câmbio”. Brundle primeiro aposta em problema hidráulico, mas depois vê que a aceleração continua e muda para transmissão, “problema que ele devia ter antes de sair da pista”. Para Galvão, “Schumacher passeou na grama e acabou mexendo com a estrutura do carro”, ainda que Burti avise: “tive a impressão de que foi antes.” 

O comentarista britânico não se conforma com o ritmo da Mercedes. “Rosberg deve estar muito decepcionado em estar sendo pressionado por uma Ferrari. Acho que eles focaram na classificação com todos os seus apetrechos e apostaram em uma sétima marcha que não funcionou na corrida. Esperavam que fossem controlar da ponta.” Para Burti, o fato da diferença entre Mercedes e Ferrari ter caído tanto entre a classificação e a corrida mostra que “problema do carro é a asa móvel”.

Quando Maldonado passa Massa com facilidade, o venezuelano, que havia sido chamado, minutos antes, de “exagerado” por Galvão, quando foi o brasileiro que o passou, agora tem nas mãos um carro que “está andando, hein!”

Falando sobre a ponta, Brundle imagina se “Lewis não está economizando pneu, ainda que seja um contraponto”, e observa que, “assim que se livrou de Schumacher, o ritmo de Vettel é igual ao das McLaren.”

Não percebe, assim como os brasileiros, que Alonso superou Rosberg nas paradas. Os espanhóis, claro, não falam de outra coisa. E Gené não para de repetir que o ritmo do compatriota é “incrível” e até se empolga com a “perseguição” do piloto da Ferrari a Vettel, “mas não nos enganemos. Seu ritmo não é para lutar com as Red Bull, seus rivais são Maldonado, Kimi e as Sauber”.

Na Sky, Ted Kravitz observa que a opção de Alonso pelos médios e seu bom ritmo fez com que “todos o copiassem”. Voltando da parada, Webber encontra Vergne, em sua primeira corrida pela Toro Rosso, e passa fácil. “Ele decidiu ceder porque o último que não fez isso em uma Toro Rosso não está mais na equipe”, Brundle lembra da demissão de Alguersuari.

Kimi Raikkonen também chama a atenção e causa risos quando reclama das bandeiras azuis, pensando que eram para ele. “No rali não tem disso. Ele ficou bravo”, Lobato se diverte. “Temia que ele estivesse enferrujado, mas está indo bem”, aponta Brundle. “Quem sabe o que ele conseguiria fazer com uma classificação normal?”, imagina Croft. Na Globo, questionam o finlandês. “Ele costuma fazer muitas voltas rápidas. Isso é coisa de piloto rápido, mas emocionalmente instável”, opina Reginaldo, enquanto Galvão, meio em tom de brincadeira, diz que o contrato de Kimi “deveria dar mais dinheiro por cada volta mais rápida.”

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A corrida de Perez impressiona a todos. “Ele está frustrando alguns campeões do mundo hoje”, diz Brundle. Galvão e Reginaldo não se surpreendem. “A Sauber ano passado colocou Kobayashi no pódio”, diz o narrador. “E Perez pontuou também. Depois foram desclassificados”, completou o comentarista. Na verdade, o mexicano foi sétimo e o japonês, oitavo.

Burti acredita que a Ferrari “bobeou” ao colocar pneus macios no carro de Massa, enquanto Gené não se conforma com o desgaste “insólito” dos Pirelli do brasileiro. Já os britânicos observam que a corrida de Hamilton foi prejudicada porque “teve de esperar Button parar e acabou entrando no tráfego, o que foi muito ruim para ele.”

Os brasileiros, por outro lado, elogiam Button, que “prefere preservar seus pneus no início e forçar no final.” Com a câmera focando a namorada de Hamilton, Brundle até se perde. “Lewis só deve estar querendo voltar correndo para os braços dela, que está linda hoje. Do que estava falando? Ah, a corrida!”

O Safety Car entra na pista logo depois que as McLaren e Alonso param. Para Lobato, eles têm vantagem. Brundle prefere não arriscar um palpite. Depois, conclui que, apesar de ter perdido uma posição, o espanhol foi ajudado pois “isso vai o ajudar a não ter de parar mais. E ajudou Mark também.”

Galvão reclama da demora do Safety Car, assim como os britânicos. Brundle, dizendo-se um purista, é contra os retardatários descontarem as voltas. Os espanhóis estão mais preocupados com os pilotos que ameaçam o quinto lugar de Alonso. “Fernando é mais lento que Maldonado, Sauber e Raikkonen. Vai sofrer. Só confio que Nico segure os outros. E teremos luta entre McLaren e Red Bull”, aponta Gené.

Todos destacam a performance da Williams, “o carro surpresa” para Brundle. “Como um bom carro muda a impressão que se tem de um piloto”, reflete Lobato, enquanto Galvão imagina que “Rubinho deve estar pensando: eu podia estar numa Williams agora!”

Gené se assombra com a relargada de Button: “Madre mia!”. Para Brundle, o inglês faz o que Vettel fazia ano passado: “sai da zona de DRS e só fica controlando o ritmo para não desgastar o pneu.”

Lá atrás, Massa e Senna se estranham. “Atrapalhados”, define Croft, que emenda. “Pelo menos não é em Hamilton que ele está batendo.” Brundle completa: “Ele adoraria estar perto do Lewis para ter essa chance”, referindo-se do ritmo do piloto da Ferrari durante a prova. Quando a câmera mostra a lateral batida do F2012, o comentarista brinca. “Não sei se foi da batida ou se o Massa chutou o carro quando saiu.”

Galvão não dá muita importância ao toque. “Olha que estranho, Bruno Senna arrastou a Ferrari do Felipe” e logo o trio começa a falar de como a Ferrari decaiu desde a saída de Jean Todt. “Felipe começa o ano vivendo um drama. É ruim para os dois porque Alonso e Maldonado estão lutando pelo quinto.” Já os espanhóis não veem o lance, pois estavam no comercial.

E nem se importam, estão sofrendo acompanhando a defesa de Alonso contra Maldonado. “O único trunfo que Fernando tem é que, para o venezuelano, um sexto é um grande resultado e ele vai pensar duas vezes antes de arriscar”, é o que Vega espera. “Fernando tratando de tirar petróleo de um carro que não pode fazer mais!”, brada Lobato.

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O narrador espanhol, no entanto, demonstra compaixão quando o piloto da Williams bate sozinho. “Que lástima”, repete por três vezes. “Que corridaça que estava fazendo. Merecia esta sexta posição.” Reginaldo, ao ver o carro do venezuelano batido, pergunta “cadê o Alonso?”, enquanto Brundle estranha a batida. “Ele perdeu o carro de um jeito e em um lugar que nunca vi.”

Mas os britânicos estão mais preocupados com a ponta. “Será um briga direta entre McLaren e Red Bull pelo campeonato. Lewis foi batido em uma luta direta e ele nem foi segundo”, aponta o comentarista. O terceiro lugar do campeão de 2008, inclusive, é o ponto mais comentado ao final da prova. “Quando ele vê o Button ganhando, a cabeça pira”, conclui Galvão. “Ele está com cara de ‘a coisa vai ser feia’. Está vendo que não vale só ter carro mais rápido porque companheiro é forte.”

O narrador insiste que “o fato da McLaren não ter mudado tanto faz diferença”, enquanto Reginaldo lembra que “não dá para esquecer que na Red Bull há Adrian Newey.”

Estratégia do GP da Austrália: por que Hamilton foi 3º, os pneus médios e o duplo fiasco brasileiro

Marcedes à frente de Vettel e Button na ponta: largada foi decisiva

A receita é de 2011, só muda o personagem. Jenson Button conquistou uma vitória a la Vettel em Melbourne, com os mesmos ingredientes que o alemão cansou de usar: voltas voadoras nos dois primeiros giros após a largada e a relargada, fugindo da DRS e, a partir daí, determinando o próprio ritmo para proteger os pneus e gerenciar a diferença. E fazer com que os rivais parecessem iniciantes.

Se a dupla Pirelli + DRS aumentou as chances de disputas na pista, de certa forma facilitou a vida de quem tem o mérito de passar na primeira curva em primeiro. E, se essa liderança está nas mãos de um piloto inteligente como Button, resta aos demais esperar por um erro.

No início da corrida, a impressão era de que os McLaren partiam para um passeio no parque. Na volta 10, a diferença de Button para Vettel ultrapassava os 13s. Porém, o alemão só viria a mostrar o verdadeiro ritmo da Red Bull quando se livrou de Schumacher: logo na primeira volta, andou no ritmo de Hamilton e mais rápido que Button. Nas quatro voltas seguintes, foi diminuindo a diferença em 0s5/volta, dando o primeiro indicativo de que ocorreu uma inversão de valores em relação a 2011: os McLaren são bem mais rápidos em classificação, mas o ritmo de corrida da Red Bull é parecido e, à medida que os pneus se desgastam, melhor.

Ainda assim, a diferença conquistada no início deveria ter sido suficiente para cravar a dobradinha, o que só não aconteceu porque a McLaren decidiu manter sua política de dar prioridade ao piloto que vai à frente nas paradas, ainda que os pneus de Hamilton se deteriorassem primeiro.

Com isso, Lewis perdeu cerca de 4s em sua briga com Vettel apenas por ter de esperar Button fazer sua parada na volta anterior. Pior: esses segundos preciosos fizeram a diferença na hora de voltar à pista. Enquanto Button teve pista livre, seu companheiro encontrou pela frente Perez e Raikkonen. Quando voltou ao segundo posto, a diferença em relação ao líder, que era de 3s5 antes da parada, havia crescido para mais de 11s.

Sem trânsito e com pneus macios, ao contrário dos rivais, Vettel manteve-se a 2s-3s de Hamilton e a 12s de Button – o segundo stint de ambos foi sensivelmente melhor que o do líder, ainda que novamente a tendência dos tempos de Hamilton caírem mais no final tenha se mantido. Talvez tentando corrigir o erro da primeira parada, a McLaren chamou seus dois pilotos para o segundo pit na mesma volta e, sem querer, deu o golpe de misericórdia na corrida de Hamilton. Com Vettel estando próximo dos boxes, parando sob regime de Safety Car e os pilotos tendo de respeitar o tempo delta que recebem no volante, a dupla da McLaren perdeu cerca de 10s – mas Hamilton não tinha 10s para perder e acabou sem a segunda posição.

Por que os pneus médios?

Ritmo de Perez foi chave para estratégias dos rivais

Nas corridas do ano passado, as equipes faziam de tudo, até abdicar da classificação, para guardar pneus macios para a corrida. Afinal, eles eram os melhores tanto para o sábado, quanto para o domingo. Mas o que se viu na Austrália foi a preferência das equipes pelo composto médio na corrida.

Isso não era previsto antes da prova, pelo menos pelos ponteiros, que adotariam o tradicional macio-macio-médio. A Ferrari, preocupada com o desgaste, já havia decidido pelo segundo stint com os médios e um dos pilotos que determinou que a maioria revisse sua estratégia foi Alonso, o primeiro no top 10 a colocar os mais duros, andando no mesmo ritmo de Rosberg, de macios, logo de cara.

Mas havia outra corrida impressionante sendo observada no paddock: Sergio Perez. Logo antes de se iniciarem as paradas, o mexicano era o segundo mais rápido da pista, perdendo apenas para Kimi Raikkonen. Mas o piloto da Sauber tinha largado de pneus médios e não dava sinais de que estava perto de sua parada, que adiou até a volta 24. Combinado com o fato de que o macio havia durado menos do que se esperava – a maioria das paradas ocorreu na volta 16, enquanto a previsão inicial era dos pit stops para quem planejava duas paradas começarem na 19-20 – a longevidade de Perez e o bom rendimento imediato de Alonso facilitaram a decisão dos rivais.

Os brasileiros

Qualquer comparação direta dos tempos de Massa e Senna com seus companheiros é descabida, pois ambos foram obrigados a adotar estratégias diferentes – e não otimizadas – em relação a, respectivamente, Alonso e Maldonado.

Bruno, pela colisão na primeira curva, teve de optar por um stint de 29 voltas no pneu médio, composto que voltaria a usar no terceiro stint para chegar ao final. Ao passo que Maldonado optou por macio-macio-médio. Nas últimas voltas da prova, em que estavam com o mesmo pneu, ainda que o de Bruno fosse 7 voltas mais velho, o ritmo do brasileiro era cerca de 1s3 inferior e nenhum dos dois andava com ar limpo.

A corrida de Senna foi idêntica à de Daniel Ricciardo, que acabou lucrando com a confusão da última volta e chegando em nono. A diferença é que o australiano, piloto com o qual Senna e Massa estavam lutando no momento da batida dos brasileiros, seguiu ileso. Naquele ponto, eles estavam a 2s do que seria o décimo lugar após a batida de Maldonado.

Uma série de circunstâncias fizeram os brasileiros se encontrarem na pista

O tom de voz de Felipe Massa após a prova de Melbourne era de pura indignação. Após ter uma pré-temporada tranquila do ponto de vista dos pneus, foi o piloto que mais sofreu com o desgaste. Sem aderência desde a classificação, o carro ‘dançava’ na pista, causando atrito exagerado e, consequentemente, degradação. O curioso é que o mesmo não aconteceu na mesma proporção com Alonso, cujo estilo é mais agressivo – até por isso o espanhol tinha menos dificuldade em aquecer os pneus ano passado.

Não que o espanhol não tenha sofrido. Mesmo usando macios novos, foi um dos primeiros a parar, praticamente junto de Webber, que usava o mesmo pneu da classificação, também estava na briga da segunda parte do top 10 e não é exatamente um parâmetro de desgaste. É bem provável, inclusive, que o Safety Car tenha mascarado o que deveriam ser últimas voltas difíceis para Alonso, cujo stint final foi de 24 giros.

Mas o que aconteceu com Massa não tem comparações. A partir da volta 8, passou a rodar 1s mais lento que seus rivais mais próximos e teve sua estratégia revertida para três paradas, em um dos circuitos com maior perda de tempo no pit (25s). Sem descobrir a causa, a Ferrari anunciou que o brasileiro usará um novo chassi na Malásia.

Números de Melbourne: McLaren fecha 1ª fila após 44 GPs e quinteto segue dominando

O último 1-2 em classificação da McLaren foi em 2009

Fazia tempo que a McLaren não fechava uma primeira fila na ponta em um treino de classificação: desde o GP da Europa de 2009, há 44 GPs, com o mesmo pole da Austrália, Lewis Hamilton, e Heikki Kovalainen em segundo. Mas aqueles eram os tempos da classificação mascarada pela quantidade de combustível e não revelavam tanto quanto o resultado de Melbourne, que mostrou o bom trabalho do time de Woking neste início da temporada 2012. (Abrindo, literalmente, um parêntese, para quem ficou imaginando qual foi o último 1-2 em classificações na Ferrari, temos de voltar ao GP da França de 2008, há 66 corridas).

Fazia tempo, também, que os sábados não terminavam com ao menos uma Red Bull na primeira fila. São 24 GPs desde a corrida de Monza de 2010, a grande maioria com Vettel, que esteve entre os dois primeiros em nada menos que 23 delas!

E mais uma vez lembramos dos carros mais dominantes da F-1 quando falamos das marcas da Red Bull. Afinal, esta é a quarta sequência da história entre equipes que conseguiram colocar ao menos um piloto na primeira fila.

Equipe            Corridas               Sequência

Williams               35           1992 África do Sul – 1994 San Marino

McLaren              33           1988 Alemanha – 1990 Alemanha

Williams               26           1995 Austrália – 1997 Grã-Bretanha

Red Bull               24           2010 Cingapura – 2011 Brasil

Williams               17           1986 Portugal – 1987 México

A corrida também foi sintomática em relação a Jenson Button. Se tirarmos as vitórias na Brawn, com um carro bastante superior, o inglês nunca venceu saindo da pole. Ainda que a classificação não seja seu forte, o ritmo de corrida tem se mostrado avassalador desde a introdução dos pneus Pirelli: na F-1 desde 2000, o inglês marcou quatro das sete voltas mais rápidas na carreira do início de 2011 para cá, período em que venceu quatro das 13 corridas que tem no currículo. De quebra, o resultado o coloca na liderança do campeonato pela primeira vez desde o GP do Canadá de 2010.

Mas o pole na Austrália foi Hamilton, pela 20ª vez na carreira, número que o iguala a Damon Hill e Fernando Alonso.

Para os pilotos da casa, o dia foi relativamente bom. É claro que Mark Webber gostaria de chegar ao menos no pódio pela primeira vez em terras australianas, mas o quarto lugar foi seu melhor resultado em casa em 10 anos na carreira. Pela primeira vendo dois representantes correndo juntos em casa, os torcedores puderam vibrar com Daniel Ricciardo, que marcou seus primeiros pontos na F-1. Curiosamente, Ricciardo, que teve de fazer reparos em sua Toro Rosso após um enrosco na largada, só ficou por uma volta à frente do companheiro Jean-Eric Vergne durante a prova: a última.

Falando em Vergne, outro país bem representado é a França, que pulou de nenhum para três pilotos no grid em questão de um ano. No entanto, um dado curioso cerca os “três mosqueteiros”: Vergne, Grosjean e Pic são os únicos do grid que nunca marcaram pontos na F-1. À exceção do último, tudo leva a crer que consigam se livrar do placar zerado em pouco tempo.

Por outro lado, a Itália, pela primeira vez desde 1969, começou uma temporada sem um piloto sequer no grid. Curiosamente, os sobrenomes italianos parecem não sair de moda, com Massa, Senna, Di Resta e Ricciardo.

Do lado dos alemães, pode-se dizer ironicamente que um segundo lugar, haja vista a sequência impressionante de Vettel nos últimos 18 meses, beira um mau resultado. Ainda mais se lembrarmos que a Mercedes esteve fora dos pontos pela primeira vez em 13 provas e que Nico Hulkenberg mais uma vez abandonou antes de completar uma volta sequer em Melbourne.

Pode parecer pouco para muitos, mas a recém-renomeada Marussia, ex-Virgin, igualou seu melhor resultado da história, com um 14º lugar. É bem verdade que Glock e Pic foram os últimos a ver a bandeira quadriculada, mas chegar ao final da primeira prova com ambos os carros é um feito para quem não participou da pré-temporada com o carro novo.

Falando em novos nomes, Raikkonen se tornou oficialmente o primeiro piloto desde Nigel Mansell a correr por McLaren, Ferrari e Lotus. Olhando para trás, Jacky Ickx também o fez, mesmo com apenas uma prova pelo time de Woking, assim como John Surtees – que andou de McLaren enquanto o carro de sua equipe, a Surtees, não ficava pronto nos anos 60. No entanto, tendo em vista que a Lotus de hoje não é aquela dos anos 60 a 90, e sim a remanescente da Renault, pode-se dizer que o caminho do finlandês é praticamente inverso ao de Fernando Alonso, que correu pelo time francês antes de ir para a McLaren e a Ferrari.

Por fim, o resultado do GP da Austrália aumenta a vantagem, tanto em relação a pódios, quanto de vitórias, do quinteto Vettel, Webber, Hamilton, Button e Alonso. Há 17 GPs, somente os cinco sobem ao pódio, recorde histórico absoluto (confira os números completos), enquanto a sequência de vitórias divididas pelo quinteto chegou a 43 e está a 10 GPs de igualar o feito de Piquer, Senna, Mansell, Prost e Berger entre 1986 e 1989. Será que já dá para apostar pela queda dessa marca?

Ferrari, quem diria, tem melhores pit stops do dia e pneus médios viram os queridinhos

Um dos calcanhares-de-Aquiles da última temporada, os pit stops da Ferrari foram os mais rápidos do GP da Austrália, na primeira etapa do Mundial. Tendo também resolvidas suas questões de aquecimento de pneus – vimos Fernando Alonso saindo com médios logo à frente de Rosberg que, mesmo de macios, não conseguiu se aproximar, cena impensável para os carros vermelhos ano passado – a equipe de Maranello ganhou outras problemas.

O F2012 sofreu com o alto consumo de pneus – dá para imaginar que, não fosse o Safety Car, os médios de Alonso não teriam suportado, tamanha a degradação ao se defender contra Maldonado (!) – principalmente com Massa, seriamente prejudicado pelo desgaste. A programação da equipe era parar entre as voltas 16 e 17 e o brasileiro já não se aguentava na pista na 10ª. E isso levando em conta que ele usava pneus macios novos, ao contrário dos 10 primeiros!

Os pit stops tiveram mudanças nesta temporada, com a impossibilidade das equipes usarem gás hélio em suas pistolas. O material, devido a sua maior pressão, ajudava na velocidade da troca, mas foi banido pela FIA devido aos altos custos. Como os tempos divulgados contemplam o total de parada, fica difícil precisar o quanto isso afetou as marcas.

Quase um segundo atrás do melhor pit stop da Ferrari, ficaram duas paradas da McLaren, além de Red Bull e Mercedes, as mais rápidas de 2011. Um detalhe curioso no time alemão é que apenas o mecânico responsável por levantar o carro usava um macacão diferente, verde, para que o piloto tivesse mais facilidade em visualizá-lo. Isso porque parar exatamente na marca correta é um grande passo para um pit stop eficiente, além de chegar já em ponto morto, para que as rodas não estejam girando, e rapidamente acionar a primeira marcha, em rotações ótimas para sair do pit.

A McLaren reconhece que Hamilton perdeu o segundo lugar ao parar logo antes do Safety Car. Isso, é claro, não poderia ser previsto pela equipe, mas o pit stop duplo feito pela equipe naquela volta fez o inglês perder tempo: enquanto a parada de Button foi de 22s8, a do companheiro não passou de 23s4.

A Williams fechou no início de 2012 parceria com a Michael Johnson Performance para treinar seus homens do pit stop e cravou a 10ª melhor parada, mas não mostrou consistência. É lógico que o acordo é recente e vários fatores contribuem para um bom pit stop, até o tipo de pistola usado e artimanhas para que os pilotos parem no local certo, mas é algo interessante de se observar ao longo do ano.

Confira os tempos dos pit stops na Austrália (tempo de perda total)

PilotoTempo do pitDiferençaVolta
1Fernando Alonso21.91034
2Fernando Alonso22.0350.12513
3Felipe Massa22.1030.19337
4Felipe Massa22.3130.40311
5Felipe Massa22.5280.61828
6Jenson Button22.8370.92736
7Lewis Hamilton22.8620.95217
8Mark Webber22.9151.00537
9Nico Rosberg23.0171.10731
10Pastor Maldonado23.1661.25637
11Nico Rosberg23.2031.29312
12Jean-Eric Vergne23.2031.29319
13Daniel Ricciardo23.2571.34722
14Jenson Button23.2751.36516
15Mark Webber23.3021.39214
16Kimi Raikkonen23.3101.40037
17Pastor Maldonado23.4271.51716
18Lewis Hamilton23.4641.55436
19Jean-Eric Vergne23.5691.65937
20Bruno Senna23.7771.86730
21Sergio Perez23.8821.97224
22Sebastian Vettel24.1312.22137
23Kamui Kobayashi24.1622.25236
24Sebastian Vettel24.2562.34616
25Daniel Ricciardo24.3482.43838
26Heikki Kovalainen24.3972.48714
27Vitaly Petrov24.5792.66918
28Paul di Resta24.5792.66933
29Heikki Kovalainen24.5802.67034
30Bruno Senna24.5992.6891
31Kimi Raikkonen24.8812.97119
32Paul di Resta24.9333.02313
33Timo Glock25.0463.13636
34Charles Pic25.3033.39321
35Kamui Kobayashi25.3463.43613
36Timo Glock26.3224.41220
37Heikki Kovalainen28.8886.97837
38Bruno Senna30.8888.97847
39Daniel Ricciardo32.31910.4091
40Charles Pic48.98427.07435

Tipos de pneus

Falaremos mais de estratégia em um post em separado, mas a lista de compostos divulgada pela Pirelli traz um panorama diferente em relação ao ano passado. Com a queda da diferença entre os compostos, tornou-se vantagem usar os médios para fazer um pit stop a menos. Isso diminuiu o número de paradas, mas também aumentou a gama de possibilidades, ao menos nesse início do campeonato, quando as equipes não têm tantas informações.

Foi curioso observar que a decisão que acabou com a corrida de vários, como Rosberg e Massa, foi colocar os pneus macios no segundo stint, pois sua diferença de performance em relação aos médios foi quase imperceptível, mas a durabilidade, muito menor.

Isso muda, inclusive, a estratégia de classificação, uma vez que guardar pneus macios já não é uma prioridade absoluta no sábado. Pode ser que vejamos carros fortes saindo com macios para guardar os mais duros, algo impensável ano passado.

Stint 1Stint 2Stint 3Stint 4
HamiltonMacio (17)Médio (19)Médio (22)
ButtonMacio (16)Médio (20)Médio (22)
GrosjeanMacio (1)
SchumacherMacio (10)
WebberMacio (14)Médio (23)Médio (21)
VettelMacio (16)Macio (21)Médio (21)
RosbergMacio (12)Macio (19)Médio (27)
MaldonadoMacio (16)Macio (21)Médio (20)
HulkenbergMacio
RicciardoMacio (1)Médio (21)Macio (16)Macio (20)
VergneMédio (19)Macio (18)Macio (21)
AlonsoMacio (13)Médio (21)Médio (24)
KobayashiMacio (13)Macio (23)Médio (22)
SennaMacio (1)Médio (29)Médio (17)Macio (5)
Di RestaMacio (13)Macio (20)Médio (25)
MassaMacio (11)Macio (17)Médio (9)Médio (9)
RaikkonenMacio (19)Macio (18)Médio (21)
KovalainenMacio (14)Médio (20)Médio (3)Médio (1)
PetrovMédio (18)Médio (16)
GlockMacio (20)Macio (16)Médio (21)
PicMacio (21)Macio (14)Médio (18)Médio
PerezMédio (24)Macio (34)

Placar entre companheiros após o GP da Austrália e a promessa de que teremos um campeonato

*Apenas são computados placares quando os dois pilotos completaram a prova

O Safety Car mascarou algumas diferenças, mas dá para arriscar que as mudanças de regras deram um bom passo para cumprir seu objetivo: parece que teremos um campeonato. Escrevendo quase às 10h da manhã, trabalhando direto desde o início da corrida, fico com um número que chamou a atenção, mais pela curiosidade, claro, uma vez que foi consequência da inconsequência de Maldonado que, talvez fosse mais experiente, se conformaria em somar mais pontos em uma prova do que a Williams conquistou por todo o campeonato de 2011: do sexto ao 11º colocado, apenas 2s8 , sendo que três destes pilotos ficaram separados por dois décimos.

E ainda não vimos tudo. A Mercedes ficou sem saber por que o ritmo de corrida não acompanhou a classificação, algo que não aparecera nos testes, embora fosse uma característica marcante do carro do ano passado. E o sétimo lugar de Kimi Raikkonen – diferentemente de Perez, com a mesma estratégia dos demais – deixou uma pulga atrás da orelha a respeito da real posição da Lotus.

Na Ferrari, como era de se esperar devido aos desequilíbrios do carro, Alonso imprimiu seu ritmo implacável, enquanto Massa não encontrava a aderência. Ainda assim, o espanhol terminou a mais de 20s de Button, mesmo com um Safety Car a 16 voltas do fim. Com as diferenças apertadas no meio do pelotão,  o ritmo de desenvolvimento de cada equipe será ainda mais decisivo do que de costume.

Enquanto as grandes tropeçam, a Sauber triunfa e a Williams renasce. Uma pena que a história mostre que as surpresas ficam mais guardadas para as primeiras provas, antes das gigantes da ponta trazerem peças novas aos montes a cada etapa.

E, para quem duvidava das alternativas que os pneus Pirelli com menor diferença trariam, a corrida foi até mais movimentada do que ano passado – ainda que o GP australiano de 2011 não tenha exatamente ficado na memória. Um campeonato disputado como o de 2010, com as ótimas corridas de 2011? Talvez não seja pedir muito.

O prêmio de não inventar moda e as dúvidas para o GP da Austrália

A suspeita de que a Mercedes estreara o carro depois dos rivais por ter algo novo parece ter se confirmado

A relação de forças em uma primeira classificação após a pré-temporada mais curta da história e uma sexta-feira com treinos livres prejudicados pela chuva sempre estaria relacionada a uma lição de casa bem feita e um programa de desenvolvimento mais estável, levando a uma otimização do que já estava testado e aprovado.

McLaren e Mercedes provaram que entenderam as novas necessidades geradas pelo menor tempo de pista. A primeira, ao não trazer grandes evoluções para a primeira prova do ano, ao contrário de anos anteriores. A segunda, ao priorizar o trabalho de túnel de vento em relação ao tempo de pista, estreando um carro mais sofisticado. Ambas assumiram um risco, uma de ficar para trás, outra de descobrir erros de correlação entre pista e túnel de vento, mas levaram a recompensa.

Agora, resta aos rivais esperar que o resultado de hoje tenha sido influenciado pelas características especiais do circuito de Albert Park, que premia mais a estabilidade de freada do que a pressão aerodinâmica, ao contrário do que veremos semana que vem na Malásia – e poderia apostar que, em Sepang, dirão que o problema é o calor, na China, a abrasividade do asfalto, até que a verdade não mais poderá ser escondida na Espanha, quando chegam os grandes pacotes de mudanças após os testes de Mugello.

Se a primeira classificação do ano deixou mais dúvidas e surpresas – finalmente! – do que certezas, ficam alguns indicativos que apontam para direções diferentes do que foi visto na pré-temporada. A grande surpresa negativa ficou por conta da Force India, ainda que seu ritmo de corrida tenha sido o que mais impressionou. A performance de Hulkenberg e Di Resta é algo a se observar na corrida.

Outro ponto de interrogação foi deixado pela Williams. Será a boa classificação de Maldonado fruto de sua habitual desenvoltura em uma volta rápida, especialmente em circuitos de rua, ou sinal da evolução real do carro?

Aliás, o desempenho do venezuelano foi apenas um dos destaques em uma sessão complicada por carros bem traseiros. Enquanto Schumacher e Alonso iam parar na brita, e Raikkonen, Massa, Vettel e Rosberg erravam em suas voltas cruciais, vimos uma briga competente e apertada na Toro Rosso, além de Grosjean e Hulkenberg brilhando. Até Petrov levou menos tempo de Kovalainen do que Trulli estava acostumado…

Não que ver pilotos jovens se classificando bem seja novidade. Seu desafio atualmente é manter a consistência e domar os Pirelli durante as corridas. Portanto, o que Grosjean fará desde o terceiro lugar? A Mercedes virará abóbora em ritmo de corrida, como no ano passado? E os pilotos da Ferrari, conseguirão segurar o nervoso carro na pista? Depois de termos vistos classificações assombrosas na Austrália em dois dos últimos três anos, com Brawn e Red Bull, como é boa a sensação de ter mais dúvidas que respostas!

Mais sombras do que luzes após primeiros treinos

A pré-temporada mais curta da história, em um circuito completamente diferente de Albert Park, procedida por duas sessões em que pouco se pôde testar realmente – para quem trouxe muitas novidades à Austrália -, pouco se pôde trabalhar no acerto do carro, já que se espera um final de semana de sol e, por fim, pouco se pôde compreender sobre os pneus.

Sem os tradicionais long runs de avaliação de compostos, inclusive, os dados que se pode tirar das sessões de treinos livres perdem muito o valor. A McLaren aposta no fato de não ter revolucionado o carro do último teste para cá, trabalhando na otimização do setup, simplificação bem-vinda em momentos como esse. A Ferrari, quem diria, nas palavras de Alonso, agora que resolveu o problema de aquecimento de pneus (e pode, até, ter arranjado outro, de consumo excessivo) não se incomodaria com um pouco de chuva. A Mercedes parece dar passos sólidos a voos mais altos, enquanto a Red Bull segue em sua silenciosa confiança.

A julgar pela única migalha de dado que dá para tirar: os stints de 9 e 10 voltas que Button e Vettel fizeram juntos, de pneu macio, ao final da segunda sessão, como não sabemos os níveis de combustível, ao menos o padrão de degradação parece equilibrado.

A tabela mostra o tempo em segundos x número de voltas

O que não é exagero esperar são algumas surpresas na classificação. Na corrida, é mais possível que as maiores forças fiquem em seus lugares de direito, mas com tantas incertezas, talvez o acerto saia melhor para uns do que outros. O curioso será amanhã na FP3, quando Vettel sair do box com pneus macios na primeira vez em que todos verão o real potencial do RB8 em uma volta. É difícil lembrar de uma temporada em que chegamos tão próximos da hora da verdade – ou uma meia verdade, pelas características especiais de Albert Park – sabendo de tão pouco.

Webber comanda “azarados” em corridas caseiras

Nem todo mundo no grid é Felipe Massa, dono de três poles e, não fosse a necessidade de fazer jogo de equipe para garantir os pontinhos que faltavam para Raikkonen selar o título de 2007, três vitórias seguidas em sua corrida caseira. Que o diga Mark Webber: após conseguir se salvar na pista em uma prova concluída por apenas oito pilotos para chegar em quinto com sua Minardi no ano de estreia, nunca obteve resultado expressivo em Melbourne.

Em 2010, fez uma corrida toda atrapalhada, de novato, que culminou com o engavetamento de trânsito para cima de Hamilton. Ano passado, envolto com problemas para se entender com os Pirelli, fez outra corrida sem sentido.

Mesmo em 2009, quando o furacão Brawn dominou a prova e a Red Bull pintava como segunda força, andou o tempo todo longe de Vettel. Sem carros competitivos nos seis anos anteriores, Webber teve de amargar nada menos que quatro abandonos em casa.

Mas o australiano não está sozinho em sua sina. O primeiro azarado em provas caseiras que vem à cabeça é Rubens Barrichello, com quem coisas inacreditáveis aconteceram em Interlagos. Em 19 provas, apenas um pódio, em 2004, em uma das três vezes em que foi pole. Entre 1995 e 2003, foram nove abandonos seguidos, com direito a histórias que fazem alguns crerem em maldição, como quando, em 2001, o motor de sua Ferrari falhou antes de chegar no grid, obrigando-o a usar o reserva para, logo nas primeiras voltas, ser atingido por Ralf Schumacher. Ou, pior, quando, dois anos depois, liderava e abandonou com uma improvável pane seca. Além de acidentes, tudo o que poderia acontecer com o carro de Barrichello, aconteceu em Interlagos.

Jenson Button é outro que nunca viveu a glória máxima em Silverstone. Ao contrário de Lewis Hamilton, que fez a pole logo de cara e venceu uma prova épica debaixo de muita água em 2008 – colocando uma volta no quarto colocado – Button nunca esteve perto de vencer.

Na verdade, sequer chegou ao pódio e tem como melhores resultados dois quartos lugares em 12 oportunidades. Uma em 2004, ano mais competitivo da BAR e outro em 2010, quando foi mal na classificação e largou apenas em 15º. Ano passado, tinha chances de chegar ao pódio quando os mecânicos da McLaren não prenderam corretamente sua roda e teve de abandonar.

Mas a derrota provavelmente mais dolorida deve ser a de 2009, quando Button chegou a Silverstone tendo vencido seis das sete primeiras provas. E logo o GP caseiro marcou o início da decadência da Brawn em relação à Red Bull, o que, somado à apatia do inglês naquele final de semana, o levou ao quinto lugar.

A festa dos aussies em 2002

Outro que Webber insiste em colocar em sua lista dos azarados é Sebastian Vettel. O alemão teve três oportunidades reais para subir ao lugar mais alto do pódio, seja em Hockenheim (2010), ou em Nurburgring (2009 e 2011), mas seu melhor resultado é um segundo lugar. E teve de ver o companheiro australiano o superar em duas oportunidades, inclusive para vencer a primeira prova da carreira, em 2009. Em 2010, Vettel perdeu posição para as Ferrari após uma má largada e terminou em terceiro. Ano passado, fez sua pior corrida da incrível temporada que o levou ao bicampeonato. Enquanto Webber, Alonso e Hamilton lutavam pela vitória, foi coadjuvante e chegou em quarto.

Coincidência? Pressão? Falta de foco devido aos compromissos extra-pista? Ou pura falta de sorte? Para mudar de sorte 10 anos daquelas memoráveis cenas junto de Paul Stoddart invadindo o pódio com a bandeira australiana, Webber vai precisar se livrar dos demônios que acumulou nesse tempo todo.

O desafio da segunda temporada na F-1

Quem nunca ouviu dizer que manter-se no topo é mais difícil do que chegar? E manter-se naquele íngreme terreno logo antes do topo então? Passar com louvor pelo segundo ano de F-1, quando os erros deixam de ser perdoáveis e a pressão se desvia, indo da necessidade de manter-se na pista ganhando quilometragem para a cobrança por resultados, é a missão de vários pilotos que vão compor o meio do pelotão neste ano.

É notável a dificuldade em estrear em uma categoria que não tem pares, nem em termos técnicos, nem de status, o que faz com que o piloto novato tenha de lidar ao mesmo tempo com novidades na complexidade do trabalho de pista e, talvez o que mais incomode a todos eles, fora dela, ao se tornar o rosto de patrocinadores e aparecer na mídia.

Mas é de se esperar que tudo isso já esteja incorporado no início da segunda temporada. E o nível de pressão se torna outro. É o que viverão Sergio Perez, Paul di Resta e Pastor Maldonado – e, de certa forma, Hulkenberg, Senna e Grosjean, em 2012.

Cada um deles teve uma história em seu ano de estreia. Maldonado pouco pôde fazer com uma Williams pouco competitiva, mas ainda assim colocou o carro por três vezes entre os 10 mais rápidos em classificação, com destaque para a performance em Mônaco, quando era sexto até ser abalroado por Hamilton a poucas voltas do fim. As corridas de rua, aliás, foram seu ponto alto. No entanto, a velocidade em uma volta lançada não costumava acompanhá-lo aos domingos de forma consistente e Maldonado por várias vezes fez provas que não davam em nada.

É difícil precisar o quanto o venezuelano será cobrado por suas atuações na pista ou se sua permanência na Williams tem mais a ver com os cheques vindos da terra natal. Mas digamos que ninguém em Grove se importaria se ele evoluísse em termos de ritmo de corrida.

A briga entre Hulk e Di Resta promete

Paul di Resta foi considerado por muitos o melhor estreante do ano passado. Enfrentando Adrian Sutil, um companheiro competente em sua melhor temporada na F-1, não fez feio em classificações, mas passou a ser superado sistematicamente nas últimas corridas do ano. No final das contas, apesar da grande classificação de Silverstone, quando foi sexto, e dos GPs de Hungria e Cingapura, a Force India bem que pode culpá-lo por não ter ultrapassado a Renault no Mundial de Construtores (fez 15 pontos a menos que Sutil, sendo que o time ficou a cinco de chegar ao quinto lugar na classificação).

O escocês, que conta com o forte lobby da mídia inglesa e é cotado para substituir Schumacher na Mercedes, terá um osso duro pela frente. Nico Hulkenberg fez uma primeira temporada de forma inversa a Di Resta: começou tropeçando e passou a andar bem nas últimas etapas do ano, culminando com a histórica pole em Interlagos – e uma atuação bastante correta na corrida. Resta saber o quanto o ano longe das competições irá interferir quando chegar a última chance de fazer uma volta voadora para chegar ao Q3 ou disputar uma posição no competitivo meio do pelotão. Esta, inclusive, tem tudo para ser uma das brigas mais equilibradas entre companheiros.

Quem tem trajetória semelhante a Hulkenberg é Sergio Perez. O mexicano se envolveu em confusões e sofreu punições no início do ano. Quando vinha conseguindo colocar a Sauber no top 10 em Mônaco, sofreu forte acidente e demorou para voltar a ser consistente nas corridas. Perdeu, assim, o melhor momento da equipe, o que explica a diferença de pontuação em relação ao companheiro Kobayashi (30 a 14, sendo que 16 pontos do japonês foram conquistados nas duas provas que Perez perdeu).

Além disso, Perez terá de conviver não só com a pressão natural do segundo ano, ainda mais após ter deixado uma boa impressão, mas também com as especulações ligadas ao fim do contrato de Felipe Massa. Membro da Academia de Pilotos da Ferrari que está hierarquicamente mais próximo de tornar-se piloto da Scuderia, ainda que essa não seja – com exceção justamente de Massa – comportamento de praxe do time de Maranello, pode cair como uma luva caso o brasileiro não renove. Afinal, seria rápido o suficiente para ganhar pontos para o Mundial de Construtores sem ameaçar o reinado de Alonso. Mas muito disso depende deste seu segundo ano.

Há outros pilotos que vivem esta situação de mostrarem se estão no lado dos que merecem uma chance em uma equipe grande ou serão engolidos pela próxima nova promessa. Bruno Senna tem um ano e meio de bagagem, mas não é exagero dizer que começa sua primeira temporada de verdade. Aos 28 anos, fez algumas boas classificações com a Renault, mas sofreu com a inconsistência, grande calcanhar-de-Aquiles desta nova geração.

Grosjean quer provar que não é o mesmo de 2009

Acabou substituído por Romain Grosjean, um curioso caso a ser observado de perto neste ano. O francês não poderia ter deixado uma impressão pior em 2009. E seria um milagre ser diferente, chegando naquela Renault destroçada moralmente e financeiramente pelo estouro do escândalo de Cingapura, correndo com um carro difícil e abandonado, e logo contra Alonso.

O companheiro do retorno, dois anos depois, não deixa nada a desejar. Mas Grosjean parece um outro piloto: levou um time que não era de ponta ao título incontestável da GP2, foi bem em todos os testes e pilotará um carro certamente superior ao R29, com o qual pode lutar constantemente por pontos. Dos “quase novatos”, é talvez o que gera mais desconfiança devido aos percalços do passado. Mas será o que terá a maior chance.

 

F-1 começa ano especial com seus seis campeões

O encontro inédito de seis campeões mundiais em uma única temporada diz muito sobre o atual momento da Fórmula 1. Após os anos de domínio absoluto de Schumacher, de 2000 a 2004, os dois títulos seguidos de Alonso, nas temporadas seguintes, deram a impressão de que uma nova dinastia se iniciava. No entanto, a partir daí, tivemos não apenas 4 campeões diferentes, como também vindos de equipes distintas.

Depois do último título do espanhol, de Renault, Raikkonen ganhou pela Ferrari, Hamilton pela McLaren, Button pela Brawn e Vettel de Red Bull. Isso indica que as constantes mudanças de regras pela qual o esporte passou a partir de 2005, se não serviram para aumentar a emoção nas corridas na proporção esperada até o ano passado, ao menos chacoalharam o equilíbrio de forças entre as equipes. Quem imaginaria que Ferrari e McLaren, que haviam dominado os mundiais de 2007 e 2008, estariam tão longe da Brawn, nascida das cinzas da “ex-lanterna” Honda, no ano seguinte?

É claro que, por este mesmo motivo, não se pode esperar uma nova revolução em 2012, já que as regras vêm se mantendo relativamente estáveis. Antes das mudanças acertadas para 2014, é muito provável que a atual relação de forças, com Red Bull à frente após se adaptar melhor às alterações de 2009, se mantenha. E isso abriria um precedente para uma nova dinastia alemã, pelo menos para as próximas duas temporadas.

O material humano também não pode ser menosprezado. Além de um Schumacher já consagrado, dá para imaginar, daqui 20, 30 anos, listas dos grandes pilotos de todos os tempos com alguns dos astros de hoje. E essa boa safra de pilotos também não é coincidência. O período anterior ao domínio de Schumacher marcou, não somente um continuísmo nas regras, como também a decadência de alguns campeonatos de F3 e, principalmente, da F3000.

A partir de 2005, com o nascimento da GP2, além de uma F3 Euroseries forte – hoje superada pela World Series –, começaram a pipocar nomes como Nico Rosberg, Lewis Hamilton, Robert Kubica, Sebastian Vettel, entre outros. Bem preparados e aportados por grandes empresas (Mercedes, McLaren, Renault/BMW, Red Bull), esses pilotos não demoraram para dar conta do recado na categoria máxima do automobilismo.

Com a exceção de Vettel e talvez de Alonso, que há dois anos vem fazendo o que pode a bordo de uma Ferrari apenas com lapsos de competitividade, os demais campeões chegam em 2012 com algo a provar. Schumacher, dois anos após o retorno, já não tem faz tempo a desculpa da readaptação para levar tempo de Rosberg. Raikkonen certamente passará o ano todo respondendo sobre seu comprometimento, colocado em dúvida após o título de 2007. Button, após um 2011 irrepreensível, precisa provar que anda na frente de Hamilton mesmo sem contar com os erros do companheiro que, por sua vez, é o mais pressionado de todos: de gênio a trapalhão, Lewis passou por tudo em seus cinco anos de F-1 e vive o desafio de colocar sua vida profissional e particular nos (mesmos) trilhos para voltar à consistência impressionante de seu ano de estreia.

A boa notícia é que não se trata de um momento de transição entre duas gerações. Excetuando-se Schumacher, que tem, a princípio, mais este ano de contrato, essa é uma turma que deve lutar por campeonatos pelo menos pelos próximos 5 ou 6 anos – no caso de Button, Alonso e Raikkonen – e 10 anos – Vettel e Hamilton.

Mas quem levará a melhor? Como pensar na Mercedes de Schumacher lutando pelo título após ficar longe até dos pódios em 2011 parece um exagero, dá para limitar as apostas a três: ao final do ano, teremos mais um tricampeão, outro bi ou aumentaremos ainda mais o recorde de campeões no grid?

Mais próximos, duráveis e “quadrados”: o que esperar dos pneus Pirelli para 2012

Não é de se esperar uma revolução, mas a Pirelli introduziu algumas sutis e interessantes mudanças em seus pneus. Após estrear praticamente no escuro, apenas com um pedido para “tornar as corridas mais interessantes”, a fabricante lapidou seus compostos para 2012.

A ideia por trás de tornar toda a escala de pneus mais macia é que haja vantagem real em fazer uma parada a menos, a fim de dar uma chacoalhada no perfil que as provas tinham adquirido: as equipes passavam a maior parte possível do tempo com os pneus mais macios e apenas usavam os lentos duros para completar a prova. Agora, com a diferença entre um composto e outro na casa dos 0s6 (para um circuito de 4km) e resolvidos os problemas de aquecimento do médio e duro, será mais provável ver pilotos de carros com desempenho semelhante adotando estratégias diferentes.

Houve mudanças nos pneus dianteiros, para aumentar a distribuição da pressão no contato com o asfalto. Isso diminui o desgaste e melhora a dirigibilidade. Os pneus traseiros são bem mais “quadrados”, fazendo com que mais borracha possa ser usada – quando os pilotos falam que o pneu “acabou” ou usam o termo em inglês “hit the cliff”, ou “chegar no precipício”, isso simplesmente quer dizer que não há mais borracha no pneu. Portanto, isso quer dizer que foi aumentada a durabilidade e reduzido o estresse.

Outra consequência é que, se mais aderência vem dos pneus, carros com menos pressão aerodinâmica tendem a sofrer menos, especialmente com os pneus mais duros, e a tendência é igualar um pouco mais o pelotão.

Mesmo os pneus sendo mais macios, eles não acabarão necessariamente em poucas voltas. Foi uma estratégia usada pela Pirelli para aproximar os compostos sem fazê-los esfarelar, evitando uma corrida mais nos boxes do que na pista.

Seria um passo para a volta dos pneus longa-vida da era Bridgestone? O diretor esportivo da Pirelli, Paul Hembery, admitiu que a degradação vista na pré-temporada era menor do que eles esperavam, mas salientou que as temperaturas mais baixas e o fato dos carros, por estarem em fase inicial de desenvolvimento, gerarem menos pressão aerodinâmica – e, consequentemente, atrito com o asfalto – são esperanças de que essa não seja a tendência na temporada.

A mudança no perfil dos pneus também tem uma importância enorme na simulação das equipes, pois obriga a fabricação de um novo molde para o túnel de vento e, como os túneis não podem ser de escala de 1:1, o desafio é reproduzir as características do pneu na maquete da forma mais perfeita possível. Caso contrário, como qualquer sensível alteração interfere no rendimento, há o risco de errar o caminho no desenvolvimento e nos acertos básicos para cada prova.

Prova da interferência da mudança do perfil dos pneus na performance é o fato das equipes terem revisado a aerodinâmica da área dos pneus traseiros, para evitar a queda de performance decorrente dos pneus mais “quadrados”.

Isso faz também com que as informações colhidas ano passado percam um pouco a importância. Nesse caso, a simulação também é importante para “reinterpretar” as informações obtidas na temporada de retorno da Pirelli.

Como se não bastassem todos os desafios da simulação, fazer um carro que economiza pneus não é uma tarefa nada simples. Afinal, sua degradação depende basicamente de dois fatores: do quanto ele desliza e da fricção entre o carro e o asfalto. Essa fricção é resultado da pressão aerodinâmica, que “empurra” o carro para baixo e o faz ser mais rápido, e parte dela é causada justamente pelo deslizamento. Portanto, ambos os fatores que contribuem para o desgaste são necessários para o carro ser rápido. Isso, além da difícil equação entre gerar temperatura com o tanque cheio e uma volta lançada e evitar ao máximo o desgaste lotado de combustível por uma sequência maior de voltas.

Quer experimentar sair da trajetória?

Os pilotos, por sua vez, reportaram mais aderência na traseira e menos formação dos chamados “marbles”, ou bolinhas de gude, partes que se soltavam em grande quantidade dos pneus do ano passado. Isso promete ter um efeito considerável nas ultrapassagens, que ficavam mais difíceis na parte final da corrida tamanha a sujeira fora da trajetória. Houve também relatos de pilotos, como Bruno Senna, que chegou a perder 10 pontos de aerodinâmica em sua asa dianteira no GP do Japão por ter passado muito tempo atrás de Pastor Maldonado – com as “pelotinhas” de borracha grudadas na asa, perdia performance e gastava mais pneu, o que acabou com sua corrida.

A expectativa é a manutenção das provas com duas a três paradas, o que, somadas à aproximação entre os carros e à diminuição dos marbles, soa como um bom pacote. O que pode atrapalhar é a maior durabilidade, se confirmada. Mas até contra isso Hembery garante ter a receita: “Qualquer coisa, sempre teremos os supermacios para esquentar o show.”

“Fazer número” no grid também é uma arte

Há quem possa pensar que eles são um zero à esquerda. Geralmente aparecem nas transmissões só de relance: batendo ou rodando, ou encostando com um problema técnico, ou praticamente parando para dar espaço aos mais rápidos. A vida de retardatário é cheia de complicações e exige qualidades diferentes em relação àqueles que disputam a vitória.

Tenho uma teoria em formação a respeito de como a qualidade dos carros afeta a briga entre companheiros de equipe: assim como máquinas excelentes tendem a nivelar os resultados entre os pilotos, os bólidos do fundão também o fazem. Afinal, antes de fazer a diferença para andar mais rápido que o vizinho de box, o piloto da nanica tem de se preocupar em manter-se na pista e a pilotagem se torna uma série de correções, ao invés de tentar ser o mais rápido possível. Isso, se o carro não se despedaçar, como descobriu Mark Webber em seus tempos de fundo de pelotão.

Depois de se segurar na classificação, o piloto do fundão vive um segundo desafio – ainda que a dificuldade com o carro não desapareça como um passe de mágica: sim, ser retardatário é uma arte. Lembro-me da estreia de Daniel Ricciardo pela Hispania, no GP da Grã-Bretanha. Piloto acostumado às vitórias nas categorias de base, tendo sido apoiado pela Red Bull desde a adolescência, se impressionou com a dificuldade de dar passagem: em determinados momentos da prova, perdia cerca de 3s a mais que o companheiro Vitantonio Liuzzi. Por volta. No final das contas, acabou levando uma volta até do italiano.

Isso porque, mesmo se tiver a sorte de encontrar os mais rápidos em uma reta, o retardatário perderá tempo – tanto naquele trecho, quanto nas curvas seguintes: ao sair da trajetória e tirar o pé, ganha sujeira e perde temperatura nos pneus, o que demora algumas curvas para se normalizar. E olha que ceder passagem em uma freada após uma reta é o melhor cenário possível. Imagine a vida de retardatário em Mônaco, por exemplo.

Não quer colocar temperatura em um pneu de carro de nanica seja tarefa das mais simples, uma vez que ele possui menor carga aerodinâmica, fator primordial para grudar o carro no chão. Pneus sem seu aquecimento ideal e sujos vão dificultar ainda mais a missão de manter-se na pista – e potencializar as cenas de rodadas e batidas que, tiradas de contexto, podem parecer coisa de “braço duro”. Afinal, acontecer algo do tipo com Vettel é mais raro, não é verdade?

Não é à toa que os times do fundão têm seus macetes, especialmente em relação à estratégia. Afinal, fazer a primeira parada antes de ser pego pelo primeiro pelotão e, principalmente, evitar a qualquer custo ficar na mira do pelotão intermediário, esse sempre unido e envolto em disputas ferrenhas, é uma maneira de minimizar a perda, uma vez que o tempo gasto como retardatário, saindo da frente, certamente superará aquele decorrente da não utilização de uma estratégia otimizada.

Alguersuari foi punido por esta segurada em Hamilton em Abu Dhabi ano passado

Na tentativa de minimizar estas perdas, alguns pilotos passaram dos limites na última temporada. Quem não se lembra do absurdo de Maldonado em Abu Dhabi? Para evitar isso, existem as bandeiras azuis. A regra diz que um piloto deve ceder a posição antes de receber a terceira bandeira. Mas sempre o número de reclamações e mãos para o alto é maior que as punições, ainda que os comissários tenham prometido rigor maior. Afinal, não é porque você só tem condições de lutar contra seu companheiro pelo penúltimo lugar que vai aceitar sair perdendo. Na F-1, não tem ninguém contente em apenas fazer número.

Os tempos dizem pouco, mas não dá para esperar uma revolução em 2012

Que ninguém se engane com a pouca quilometragem de Sebastian Vettel no último dia de testes e a consequente lanterna: ainda que não tenha testado o poderio do RB8 em uma volta lançada e tenha perdido tempo para colocar o novo pacote na pista, o ritmo de corrida da Red Bull continua fazendo inveja aos rivais.

Ainda que os long runs indiquem pouca degradação e as imagens mostrem um carro bastante equilibrado, é prematuro identificar se há ou não uma vantagem nos moldes de 2011. O certo é que a McLaren vive situação bastante diversa em relação ao ano passado, quando teve de rever seu escapamento de última hora. Em 2012, a equipe vem trabalhando com a evolução dos conceitos usados no carro antigo, que nas últimas provas mostrava-se o único capaz de andar junto dos Red Bull, mesmo que em determinadas condições – no Brasil, por exemplo, foi presa fácil. Mas, no momento, falar em McLaren na frente é mais uma esperança do que uma realidade concreta.

Há quem possa perguntar de onde vem tanta preocupação com a Ferrari, tendo em vista que a equipe fechou o último dia de testes em Barcelona com o segundo tempo. No entanto, uma das preocupações é justamente o fato de que, mesmo fazendo uma simulação de classificação, a equipe ainda fica atrás da Lotus – lembrando que as melhores marcas de McLaren, Mercedes e Red Bull foram feitas em sequências mais longas de voltas.

Mas o principal alvo de Maranello nestas semanas – e, como expliquei aqui, não me refiro apenas às duas semanas até o GP da Austrália – é a consistência. Além dos pneus demonstrarem uma degradação maior que os rivais diretos em simulações de corrida, o carro é instável, o que seria relacionado aos materiais diferentes usados na composição de algumas peças – comportando-se de maneira inesperada, esses materiais estariam causando incompatibilidades entre dados de túnel de vento e da pista.

Outro problema estaria na interação com a solução mais convencional adotada para o escapamento, após provavelmente a primeira ideia (mostrada aqui) ter sido rechaçada pela FIA, embora não haja confirmação disso. Há quem aposte que os italianos estejam a 0s8 da Red Bull no momento, desconsiderando possíveis soluções encontradas daqui em diante. Há quem veja isso como uma opinião otimista.

Outro carro que parece mais rápido em uma volta do que consistente em corrida é a Mercedes, ainda que Schumacher, Brawn e companhia jurem de pés juntos que os problemas de degradação de pneus ficaram em 2011. Isso promete ser um fator importante no ano dos alemães, agora que a Lotus, embora não se saiba o quanto os quatro dias perdidos pela falha estrutural na suspensão traseira tenham afetado o desenvolvimento do carro, dá indícios de crescimento.

E por que é a Mercedes que tem de se preocupar com a Lotus e não a Red Bull, por exemplo? Em um ano sem grandes revoluções de regulamento, é de se esperar que as equipes permaneçam mais ou menos onde estavam no ano passado, pois todas vão se desenvolvendo em um ritmo parecido ao das rivais mais próximas (que costumam, não coincidentemente, ter orçamentos próximos também).  A Williams é outro exemplo disso: é difícil que pulem de lutar para escapar do Q1 para habitués do Q3, como o resultado do último treino poderia indicar.

Isso é um ponto de partida essencial para não nos prendermos muito aos tempos, que pouco revelam sobre o real rendimento dos carros. Dia desses li uma frase que diz bastante sobre esse momento da temporada: “o grau de conhecimento de uma pessoa ou meio sobre a F-1 é inversamente proporcional à atenção que esta/e dá para os tempos dos testes.” Fiquemos com as impressões de alguns carros mais equilibrados que outros e aguardemos pela verdade em Melbourne.

Ferrari em marcha lenta

Na base do "faça você mesmo", Alonso até foi à beira da pista dar uma espiada - e filmada - nos rivais

Em condições normais, nem Fernando Alonso, nem Felipe Massa devem lutar pela vitória no GP da Austrália, daqui duas semanas, na abertura do Mundial de F-1 de 2012. Essa é uma previsão que se pode fazer com certa segurança após dez dias de testes de pré-temporada, que acaba amanhã. Mas não quer dizer necessariamente que este será mais um ano de vacas magras para a Ferrari.

O time italiano tinha de arriscar. Atrás nas últimas três temporadas, resolveu radicalizar, procurar um caminho diferente do usado até o ano passado e buscar um atalho para desafiar a Red Bull. Enquanto isso, os atuais campeões do mundo, assim como a McLaren, que se mostrou a rival mais próxima do time de Sebastian Vettel no final do ano passado, apenas trabalharam na continuidade de seus bons carros.

Claro que, neste ano, o regulamento proíbe o que seria uma das principais armas da Red Bull, o difusor soprado, conceito fundamental do carro de 2011. Mas a boa base permite uma adaptação mais rápida em comparação com um projeto iniciado do zero.

E é essa lentidão que foi a marca da pré-temporada da Ferrari. Por trabalhar com uma nova filosofia, o que inclui o reposicionamento de diversos componentes escondidos pela carenagem e a utilização de materiais inovadores na construção das peças, além de uma suspensão dianteira inédita na F-1 desde 2001, Alonso e Massa passaram mais tempo tentando desvendar o novo equipamento do que propriamente avaliando o quão rápido ele pode ser.

A Ferrari teve mais sistemas para checar, foi mais surpreendida por alguns dados/reações do carro que não batiam com o previsto pelas simulações do que os rivais simplesmente porque se viu na necessidade de assumir um risco maior. Com isso, o desenvolvimento inicial do carro, mais lento, está de fato comprometido em relação às equipes com que luta diretamente. Prova disso é que apenas nesta sexta-feira, no antepenúltimo dia de testes, o carro passou por sua primeira simulação de corrida, algo em que os rivais vêm trabalhando desde a semana passada.

Mesmo se tiver acertado no projeto – algo que ainda não dá para saber – faz sentido que a Scuderia comece o campeonato devendo em relação aos rivais. Há quem lembre da McLaren, que parecia perdida na pré-temporada de 2011, e chegou em segundo lugar logo na primeira prova. Mas o problema era localizado nos escapamentos, de mais fácil solução.

Por enquanto, tudo indica que a temporada vai começar antes que o F2012 tome forma. Resta saber se, quando isso acontecer, não será tarde demais.

Coluna publicada no jornal Correio Popular

A Europa afunda, mas o circo segue

A Espanha de Alonso, em crise, quer se livrar de seus dois GPs por ano. A Bélgica de Spa estuda alternância com França. A Alemanha, cujos pilotos são maioria no grid e arrebataram sete dos últimos 12 campeonatos, sofre com problemas em Nurburgring. E a Itália, que chegou a ter 14 pilotos durante o ano de 1989, começará o campeonato de 23 anos depois sem um representante qualquer , algo que não ocorre desde 1970.

Eles ainda são a maioria no grid – 15 dos 24 pilotos – e não fazem feio ao sediar oito das 20 etapas do campeonato, mas é inegável que ver a F-1 como uma categoria essencialmente europeia é algo do passado. O motivo é simples. Hoje, o dinheiro está longe do velho continente, e, em busca dele, o circo segue seu caminho.

A F-1 sempre contou com pilotos de fora da Europa, mas hoje a categoria tem, não apenas profissionais “importados”, mas garotos-propaganda de mercados que significam uma alternativa à crise do modelo europeu. Mercados que ainda têm de sobra para gastar e veem na F-1 uma oportunidade de mostrar que vieram para ficar.

Sinal dos tempos

Quem imaginaria, há 10 anos ou até menos, termos no grid uma equipe baseada em Silverstone, mas com nome e cores indianos? E um proprietário de equipe malaio? Ou a volta do México promovida por meio de uma grande empresa do país? Ou mesmo a Rússia fazendo parte da agenda de Bernie Ecclestone a ponto de passar por cima de um contrato selado?

O grid de 2012 tem seus 15 europeus – sendo curioso o caso da França, que se organizou para voltar com força total à categoria nos últimos anos e vem colhendo os frutos, aumentando seu “exército” de zero a três titulares, graças a uma combinação entre trabalho de base e patrocínio – mas também conta com dois brasileiros, dois australianos, um japonês, um mexicano, um venezuelano, um russo e um indiano.

Destes, apenas o exemplo de Kobayashi é difícil de explicar, tendo em vista o baixo interesse japonês na categoria em comparação há 20 anos e a situação particular da economia do país. De resto, o interesse comercial, associado, na grande maioria dos casos, a talento nas pistas justifica um grid tão diverso.

Os pilotos se tornaram parte da plataforma de negócio para países antes periféricos na F-1. Mais do que um patrocínio, hoje as marcas buscam identificação e encontram seu lugar perfeito em equipes sedentas por dinheiro.

Assim, temos Massa na Ferrari graças em grande parte aos interesses da Fiat e do Santander, que visa expansão em seu maior mercado em potencial. Temos Bruno Senna e seu pool de capital nacional. Temos os australianos, que não coincidentemente vêm de um dos maiores mercados da Red Bull – empresa que também apoia um francês, na tentativa de se reerguer no país após anos de proibição da comercialização de seus produtos. Temos Perez e uma carreira que só pode ser construída graças ao financiamento da Telmex. Temos Maldonado e o dinheiro do petróleo venezuelano. Temos Petrov e Karthikeyan, ambos representantes de gigantescos mercados em expansão ainda praticamente virgens quando o assunto é F-1 e nos quais a categoria tem/terá GPs até 2014.

Dizem que o melhor piloto da história provavelmente é um siberiano que nunca foi descoberto, brincadeira que escancara a dificuldade em garimpar talento em um esporte no qual há muitos fatores além da qualidade do profissional que influem na sua formação. É só fazer um ano em uma equipe com orçamento baixo e uma carreira promissora pode ser jogada no lixo. Por isso a ajuda, seja de um programa de desenvolvimento de pilotos, seja financeira, é fundamental até para os gênios.

Essa espécie de copa das nações da F-1 atual não é necessariamente boa ou ruim. O fato de que hoje um italiano é menos interessante para uma equipe do que um russo só quer dizer que as oportunidades estão focadas em outros lugares. Qualidade não tem nacionalidade, e é fato que agora não basta mais estar no lugar certo, na hora certa. Também é preciso nascer no lugar certo. E se esse não for o caso, que o aspirante a piloto de F-1 siga o exemplo de Grosjean: suíço, mas criado no automobilismo francês, virou a vedete desta nova fase do país na categoria e conquistou sua vaga com um empurrãozinho da Total. Merci.

Coluna publicada no jornal Correio Popular.

A arte de ultrapassar no box

Abrindo um breve parênteses em comentários sobre a pré-temporada e o que nos aguarda em 2012. Dia desses acabei cruzando com este vídeo, em que Fernando Alonso explica os momentos cruciais que lhe deram a vitória em Monza, em 2010. Para alguns, uma corrida decidida no pit stop não tem graça, mas quem acompanha o blog já deve ter percebido meu fascínio por tudo o que envolve uma estratégia perfeita. Afinal, dizer que o que o espanhol descreve no vídeo é uma ultrapassagem de box é simplificar um complicado trabalho de grupo.

Primeiro, é preciso dosar os pneus de forma que seja possível acompanhar o ritmo do piloto que vai à frente, mas guardando um pouco de rendimento que vai ajudar na volta anterior à parada (inlap). Afinal, apenas contando com um erro é possível voltar do pit à frente com mais de 1s, 1s5 de desvantagem – e esse é o primeiro motivo pelo qual isso não é simplesmente uma ultrapassagem de box, e sim uma espécie de xeque-mate preparado com antecedência.

O adversário para e a equipe decide fazer mais uma volta. É geralmente o melhor a fazer – e lembre-se que nesta corrida ainda eram utilizados os Bridgestone, com os quais ficar na pista era mais vantajoso; hoje, se para antes para ultrapassar – mas tem de levar em conta o tráfego.

O piloto também teve de fazer sua parte. Repare na quantidade de vezes que Alonso fala em “sem overdriving”, algo particularmente prejudicial em Monza. Os pneus já não estão 100% e o momento é de precisão, não de tentar frear o mais dentro possível. Frear no limite deve ser guardado para a entrada dos boxes, algo que os pilotos costumam treinar as sextas-feiras – e que acabam sempre gerando alguma multinha por excesso de velocidade nos treinos livres.

A decisão de fazer uma ou mais voltas antes de parar também é complicada e leva em consideração um monitoramento frenético em relação à outlap do adversário, o tempo de seu piloto com os pneus usados e o tráfego. Também é possível estimar se haverá outros carros no pitlane, mas sem tanta precisão. A Ferrari, inclusive, arriscou um pouco nesse quesito, trazendo Alonso junto da Force India. Um trabalho um pouco mais lento e o espanhol ficaria preso.

Alonso chega a perder a traseira, mas consegue pular na frente de Button

Ao piloto, cabe então parar exatamente na marca determinada, onde estarão os mecânicos para trocar o pneu, uma vez que qualquer deslocamento que tenham de fazer representa perda de tempo. Controlar o wheelspin na saída e acelerar assim que sair do pitlane. E, como Alonso descobriu, se tiver de dividir a freada com um carro que vem com mais velocidade e pneus mais aquecidos, confiar no taco – e dar uma torcida para o carro parar, pois é difícil antever qual o limite dos pneus neste momento.

A ultrapassagem no box é, de certa forma, uma forma de expressão das mais preciosas do nível de precisão da F-1. Alguém aí ainda acha sem graça?

E para quem quiser entender um pouco melhor como se desenhou a batalha estratégica daquela corrida, deixo o link da análise que fiz na época.

Era uma vez um campeonato de construtores em que os construtores não podiam criar…

E não adianta reclamar que só a F-1 de hoje é chata com inovações...

A maneira como a F-1 é organizada é cheia de contrapontos. Vivemos um momento em que não se sabe muito bem o limite entre talento e dinheiro – e mesmo se há um limite. Existe, ainda, aquela velha confusão entre os interesses de uma equipe no Mundial de Construtores e os de cada um de seus pilotos, que lutam juntos, ainda que um contra o outro, por seu próprio campeonato – e as intrigas geradas por esse conflito resultaram em algumas das passagens mais memoráveis da história da categoria.

E há também outro fator que deixa os mais pragmáticos com a pulga atrás da orelha: o que diferencia a F-1 das demais categorias do automobilismo é a necessidade de cada equipe ser também um construtor. Então por que esses projetos são tão cerceados?

Há quem diga que, se todos os carros fossem pintados de branco, ninguém saberia identificá-los. É claro que os fanáticos percebem diferenças marcantes, mas é fato que elas não são visíveis a espectadores de ocasião, resultado direto de um regulamento técnico altamente restritivo.

Certamente, se a F-1 fosse respeitar seus princípios adotaria limitações básicas de altura, largura e comprimento e liberaria os engenheiros, mas isso não acontece devido a dois problemas básicos: segurança e dinheiro. Para assegurar sua sobrevivência, a categoria tem de deixar seus princípios em segundo plano: só vai usar tecnologia de ponta se ela não deixar os carros rápidos demais e se ela não for cara demais.

É assim, também, que a F-1 garante sua competitividade. Como os mecanismos de controle de gastos têm falhado, até porque em um mundo capitalista os que ganham sempre irão atrair mais patrocinadores, terão mais gasto com profissionais gabaritados, poderão desenvolver infraestrutura melhor e ganharão mais ainda, restringir o regulamento tornou-se uma maneira mais fácil para assegurar-se de que equipes como Ferrari e Red Bull, com orçamentos quase infinitos, que oficialmente chegam nos 550 milhões de reais – extra oficialmente, talvez mais – estejam na mesma categoria de uma HRT da vida e suas mágicas por menos de 100 milhões.

Tendo isso em vista, apenas um regulamento restritivo pode garantir com que essa mesma HRT se classifique em um circuito longo, como o de Cingapura, por exemplo, a apenas 6s da Red Bull. Se a natureza capitalista prevalecesse sem limites, certamente a categoria não duraria por muito tempo. Pode-se falar em criatividade dos engenheiros, mas os melhores estão nas grandes, assim como as ferramentas mais adequadas para simulação e fabricação das peças. Ou seja, quanto mais livre o regulamento, maior a tendência deles se sobressaírem.

É por isso também que os regulamentos são constantemente ajustados quando algum time consegue uma supremacia que coloca em xeque a competição. Ainda que a F-1 se venda como grande precursora de tecnologia de ponta, isso é sempre colocado em segundo plano em favor do show.

E, por que não, dá para pensar que toda essa censura aos engenheiros existe também para provocar aquela polêmica técnica que é a cara da F-1. Afinal, uma temporada sem uma briguinha política, uma inovação que desafia o regulamento e uma desavença entre companheiros de equipe não é uma temporada que se preze.

A briga dos escapamentos e a “recomendação” da FIA

o escapamento da Sauber chamou a atenção em Jerez

Em teoria, seria só recolocar os escapamentos para seu lugar de costume e ponto final, mas a F-1 não volta atrás assim, tão facilmente, e não demorou para que começassem as acusações de que há quem esteja mais dentro das regras que outros.

A era dos escapamentos soprados no difusor, iniciada em 2010 pela Red Bull, gerou uma pilha de conhecimento aos engenheiros, que estão tentando replicar o efeito aerodinâmico que os gases têm a capacidade de prover mesmo após as mudanças nas regras. Assim, a tendência de usar esses gases para “selar” o ar que passa rente às asas traseiras virou prioridade – a diferença é que, ao invés de fazer isso por baixo, agora é por cima.

O regulamento atual determina uma área na parte de cima da carenagem dentro da qual as equipes podem decidir onde colocar os escapamentos. A regra diz basicamente que, deve haver duas saídas, uma de cada lado dentro dessa área e os últimos 10cm devem apontar para cima, em um ângulo de 10 a 30º.

O problema é um requerimento que a FIA despachou às equipes pedindo que os novos escapamentos não buscassem influenciar na aerodinâmica. E os testes de Jerez mostraram que alguns levaram a tal recomendação mais a cabo que outras.

Os escapamentos de McLaren, Ferrari e Sauber chamaram a atenção pela clara influência aerodinâmica que causavam. A equipe italiana, inclusive, testou algumas configurações diferentes – bastante questionáveis do ponto de vista regulamentar e bem longe da recomendação da FIA.

A McLaren optou por uma espécie de recorte na carenagem, na tentativa de fazer com que a parte final do escapamento esteja o mais baixa possível – ou seja, mais perto do assoalho. Ela aponta para cima no ângulo mínimo, mas logo depois disso os gases descem por uma espécie de canaleta e são direcionados para baixo, em solução semelhante à encontrada pela Sauber.

A Ferrari foi a que mais ousou até o momento. Experimentou uma saída que, embora tivesse os 10cm finais virados para cima, eles eram cobertos pela carenagem em uma espécie de túnel que direcionava os gases para baixo. Depois, com sinais de superaquecimento, essa parte da carenagem foi cortada. Nas laterais da asa traseira, a Ferrari testou uma espécie de canalizador de ar, buscando utilizar ao máximo esse fluxo.

É questionável o quanto se pode ganhar mesmo conseguindo canalizar o ar da melhor maneira possível, pois as novas regras integram o pedal do piloto com a aceleração do motor. Parece uma coisa óbvia, mas ano passado as equipes mantinham o motor “acelerado” o tempo todo para que o fluxo de gases do escapamento não se alterasse, a fim de usar o benefício aerodinâmico do escapamento soprado o tempo todo, evitando que o carro tivesse perdas repentinas de aderência. Agora, isso é proibido, então os engenheiros já estão trabalhando com um ganho menor, que só ocorrerá quando o piloto estiver com o pé no acelerador.

Mas afinal, o quanto vale uma recomendação? Às vezes fica a impressão de que não são as regras da F-1 que permitem interpretações vagas, mas sim a forma como elas são controladas. As asas flexíveis são outro caso parecido: elas não poderiam flexionar, mas o fazem, e de forma visível. No entanto, como os engenheiros descobriram uma maneira disso não transparecer nos testes da FIA, algo fora do regulamento se torna legal.

Dia desses um amigo me perguntou por que a FIA muda tanto as regras. Boa pergunta. Por que proibiram os difusores soprados, por exemplo? Falarão que eles geram muito consumo de combustível e, principalmente, gasto com algo que não será usado pela indústria automobilística. Então por que fazer uma regra que continua permitindo o mesmo tipo de uso do escapamento, apenas trocando-o de lugar?

É difícil deixar de relacionar a política nisso tudo. Historicamente, carros dominantes foram parados assim, na canetada. Mudanças de regras acabaram com domínios como aqueles dos quais Vettel pode se comparar no último ano, como a Williams dos 1990 e a Ferrari dos 2000. Seria essa a verdadeira “recomendação”?

Williams “a muerte” com Chávez

Imagine um país socialista, cuja grande riqueza é o petróleo. Não que o povo veja qualquer reflexo disso, uma vez que passa por uma grave crise financeira. Financeira e política, já que a liberdade não é exatamente o sentimento que um governo autoritário, há 13 anos nas mãos de um ditador que controla com pulso firme a imprensa, promove.

Imagine que esse país resolva fazer propaganda colocando um piloto na F-1 – isso mesmo, em uma das mais capitalistas das modalidades, a qual, como diria Frank Williams, é um esporte apenas por duas horas no domingo; no restante apenas um negócio – e que isso custe aos cofres públicos mais de 80 milhões de reais anuais.

Não é à toa que Pastor Maldonado se tornou o centro de uma briga política na Venezuela. Em ano eleitoral e com Hugo Chávez enfrentando problemas de saúde, o financiamento da vaga do piloto na Williams é um dos argumentos da oposição contra o ditador.

A briga não é de hoje, mas ganhou um novo capítulo com a divulgação de um documento de cobrança da Williams, ainda que sem veracidade confirmada, dirigido à petrolífera estatal venezuelana PDVSA no valor de 29.400 libras, que seriam referentes à “compra” do assento e ao enorme patrocínio estampado no carro.

Uma conta alta demais para uma autopromoção, não da petrolífera, que não tem nenhum acordo técnico com a equipe, ao contrário das rivais diretas que estão na F-1, mas de um regime que dá sinais de estar prestes a ruir.

Em outubro, o congressista Carlos Ramos já havia questionado oficialmente o acordo, que não haveria passado por aprovação no Congresso e seria, portanto, ilegal. Na época, conversei com Maldonado, que preferiu chamar tudo de politicagem.

“O que acontece na Venezuela é que esse é um tema político, não esportivo. Tem eleição e temos um problema político que é próprio nosso, da Venezuela. É algo típico de nosso modo de ser. Há partidos muito extremos e a oposição disse isso na assembleia. Mas não me afeta em nada. Sigo fazendo meu trabalho, que não é fazer política.”

Mas é claro que Maldonado sabe do perigo que sua carreira corre caso a oposição tome o poder ou pelo menos coloque em xeque o patrocínio. Mais do que isso, a Williams deve estar acompanhando a situação de perto. Afinal, com um orçamento anual em cerca de 80 milhões de libras – ou pouco menos de 220 milhões de reais – perder o “talento” de Maldonado, ou melhor, os cerca de 37% do dinheiro gasto pela equipe por temporada trazidos pelo venezuelano, seria um duro golpe para quem já não anda bem das pernas.

Coluna publicada no jornal Correio Popular.

Talento ainda tem lugar no meio do pelotão

Virou moda falar que o grupo de pilotos que alinhará no grid para a temporada 2012 da F-1 é um dos, se não o melhor, da história. Muito disso, claro, tem a ver com a situação nunca antes vivida de termos seis campeões do mundo correndo juntos – e o mais interessante disso é que eles estão reunidos nas cinco melhores equipes, ou seja, o mais perto que temos de um “campeão em fim de carreira patético” é Schumacher, aos 43, lutando constantemente por pontos e sonhando com pódios. O que, convenhamos, pode ser decepcionante tendo em vista sua vitoriosa trajetória, mas não tem nada de patético.

Mas é curioso observar que a qualidade vai além disso, ainda que muitas vezes reclamemos que o dinheiro anda falando alto demais. Logo após as cinco equipes que dominaram as últimas duas temporadas – Red Bull, McLaren, Ferrari, Mercedes e a atualmente conhecida como Lotus – há alguns fortes candidatos a futuros campeões do mundo.

As duplas de Force India, Sauber e Toro Rosso provam que o orçamento não anda privando a categoria de qualidade, sensação alarmista que não enxerga uma safra que chega, ao mesmo tempo, com dinheiro e mostrando serviço – além de um ou outro exemplo que desafia qualquer lógica.

Alguém já viu essa cena antes?

Paul Di Resta, Nico Hulkenberg, Kamui Kobayashi, Sergio Perez, Daniel Ricciardo e Jean Eric Vergne têm, entre si, dois campeonatos europeus e dois britânicos de F-3, um título e um vice de GP2 e dois vices na World Series, para ficar nos mais importantes.

Nos últimos anos, a melhor fórmula para chegar na F-1 por uma porta promissora – o que é fundamental para a continuidade da carreira, tendo em vista que neste mundo a paciência é pouca – é ou fazendo parte de um programa de desenvolvimento de pilotos, ou trazendo muito dinheiro em patrocínio.

É claro que nada disso dá garantias, Buemi e Alguersuari que o digam; D’Ambrosio, que tem ambos, também.

Ok, Ricciardo e Vergne vieram apadrinhados pela Red Bull e, se não vingarem logo, verão a fila andar e perderão uma chance de ouro – e esse é o grande problema, para os pilotos, dos programas de desenvolvimento, que se afunilam demais quando se chega na F-1. Perez tem a soma do dinheiro mexicano com o apoio da Ferrari, e é o clássico exemplo do que Ron Dennis chamaria de “win-win situation”: rentável e rápido. E Di Resta, outro testado e aprovado, tem o suporte da Mercedes e traria um belo desconto no fornecimento de motores para a Force India.

Mas, se a F-1 do meio do pelotão é pautada pelo dinheiro, como explicar exemplos como o de Nico Hulkenberg e Kamui Kobayashi?

Hulkenberg talvez seja o piloto da F-1 atual com melhor currículo nas categorias de base do automobilismo, tanto pela quantidade de títulos, quanto pela maneira arrasadora como os conquistou. Tem patrocínio, mas é bem verdade que não o suficiente para competir de igual para igual com os endinheirados que o cercam. Fez por merecer sua vaga na equipe que vem gerindo da melhor maneira essa questão talento x dinheiro, e que, não coincidentemente, cresce ano após ano e acabou de comemorar seu melhor resultado no Mundial de Construtores em 2011.

Kobayashi tem um caminho inverso: sempre sem dinheiro, não tem grandes resultados na carreira. Porém, deu conta do recado logo de cara quando chegou na F-1, mesmo na fogueira. Virou aposta de Peter Sauber, homem acostumado a farejar talentos.

Há quem não preste muita atenção naquele piloto para o qual uma sexta colocação vale tanto quanto uma vitória, mas tem muito sapo querendo virar príncipe – e com plenas condições de fazê-lo – no meio do pelotão. E, sem alarmismos, tem muita equipe que ainda vê os valores que, se não fecham as contas do mês, pagam dividendos em resultados. E é assim, com campeões e jovens promessas, que se constrói um dos melhores fields de hoje e de amanhã.

Por que dizer que os testes não dão muitas pistas não é conversa para boi dormir

Isso é fato: foi divertido ver Raikkonen se divertindo em Jerez

Muita gente não entende quando se fala que uma equipe está escondendo o jogo durante um teste de pré-temporada ou, ao contrário, jogando para a torcida e, de qualquer forma, mascarando o real potencial do carro. Os ingleses têm até seus curiosos termos para isso, os sandbaggings de um lado e os glory runs do outro. Não seria um tiro no pé pensar apenas no que os rivais acreditam que você pode fazer? Na verdade, a história não é bem essa.

A grande dificuldade em se tirar qualquer conclusão dos testes é o fato de que o cronômetro, ou seja, o que basicamente temos à disposição para tentar entender o que está acontecendo, diz algo que depende de uma série de circunstâncias que não controlamos. Ao contrário das equipes.

Posso dizer que a melhor volta (uma glory run?) de Alonso foi marcada em um stint de seis voltas e com o pneu macio, e mesmo assim foi mais de quatro décimos mais lenta que Romain Grosjean, de médios. Por outro lado, a pista estava bem fria – menos de 2ºC, quando o espanhol fez sua marca. Mas o que isso nos diz? Que, uma vez que a Pirelli espera uma diferença entre 6 e 8 décimos, a Ferrari está a mais de um segundo até da Lotus?

É aí que entram todos os contextos. O primeiro e mais importante neste momento é saber que estes carros que estiveram na pista em Jerez pouco se parecerão com os que alinharão no grid em Melbourne em 18 de março. O momento é de testar se tudo o que foi pensado no CFD e testado no túnel de vento funciona. Depois, entender como funciona. E, em seguida, descobrir qual o caminho para melhorar. “Empacar” em qualquer uma destas fases trará prejuízos, provavelmente, até maio, antes dos grandes updates da fase europeia do campeonato.

Dependendo da complexidade do projeto e da experiência da equipe com o tipo de solução encontrada, é possível ir mais rapidamente para os trabalhos de acerto que, neste momento em que os carros estão “crus”, faz uma boa diferença. Há de se confirmar, a calibração dos dados de túnel de vento, uma vez que os moldes de pneus mudaram após a “amaciada geral” promovida pela Pirelli.

Seguuura, Alonso

Mas é claro que a máxima “não estamos olhando no cronômetro” pode, tanto esconder um carro vencedor, quanto uma bomba. E é aí que entram os tais sandbaggings e glory runs. O primeiro não significa “treinar com o freio de mão puxado”, mas sim tirar o pé em uma reta, fazer um setor ruim, mas em um determinado momento, que seja em uma somatória de setores, todas as equipes terão de ver o quão rápido seus carros podem ir, o quão bem lidam com pneus em stints de todos os jeitos, o quanto de combustível comportam, entre outros testes. São maneiras de não deixar óbvio seu ritmo para o grande público, mas é difícil não se mostrar para os rivais.

Por outro lado, há quem precise, para livrar-se de pressão ou impressionar patrocinadores, comandar a tabela de tempos. Mas uma saída milagrosa pode ter o efeito em quem apenas compara as marcas finais das sessões, mas não em que as acompanha de perto.

Uma boa maneira de entender a ordem do grid é observar o comportamento dos carros. E por isso ninguém que esteve em Jerez duvida que o RB8 nasceu bem, assim como o MP4-27 parece bem no chão. Mas, em se tratando de evoluções de ótimos carros, seria difícil que não fosse esse o caso.

A Ferrari se sentiu na obrigação de reinventar a roda e tem um longo caminho pela frente. Não coincidentemente, quem esteve na Espanha testemunhou que o F2012 foi o que mais evoluiu durante os quatro dias. E, fica a dica, esta evolução no handling é algo para se ficar de olho, mais até do que tempos de volta.

Se alguma coisa realmente fica deste primeiro teste é a confiabilidade dos carros. Talvez Sauber e Williams – que, mesmo andando bastante, causou algumas bandeiras vermelhas – tiveram mais problemas, foram vazamentos, falhas simples e comuns a “recém-nascidos”. E até aqui o contexto é importante: equipes com muito a testar geralmente ficam mais tempo nos boxes, porque ainda não compreendem sequer como efetuar troca de componentes com a rapidez costumeira da temporada – Rubens Barrichello explicou ano passado, inclusive, que um dos problemas da Williams era ter peças tão complicadas que qualquer mudança no carro levava tempo demais. Ou seja, quando vemos um número baixo de voltas de determinado time, isso não quer dizer necessariamente que houve problemas graves.

Agora, se a equipe que ficou nos boxes hoje e/ou o carro difícil de segurar de hoje forem os mesmos de amanhã, podem tirar o combustível todo, colocar o pneu mais macio que existe, ir para a pista quando as condições estiverem perfeitas, que não vão enganar ninguém: é bomba.

Dá-lhe pistas falsas até Melbourne

Jogo de esconde-esconde

Não vou dizer que os testes de pré-temporada não servem para nada. Longe disso. Mas ficar atento a cada detalhe do que está acontecendo nas pistas espanholas neste momento é uma tarefa um tanto inglória para quem não tem acesso aos dados com que as equipes realmente estão se importando. Até porque eles muitas vezes não podem ser traduzidos no cronômetro.

Confesso que já fiz de tudo para tirar conclusões dos testes. Anotei os tempos volta a volta de stints semelhantes entre carros diferentes, li artigos técnicos que só engenheiros conseguiriam decifrar, tentei até julgar um carro pela cara com que o piloto sai dele. E, quando chega em Melbourne, sempre tem alguma(s) peça(s) que não se encaixa(m).

Isso porque cada equipe tem uma filosofia, uma programação seguida à risca para testar e decifrar seus componentes, e sabem que, pelo menos neste momento, não estão concorrendo com os demais na pista. Ao menos não no cronômetro.

Ao contrário de um final de semana normal de GP, são mais compostos disponíveis, é mais tempo para experimentar, nenhuma necessidade de seguir a cartilha de peças novas nos treinos da sexta de manhã, avaliação de compostos, simulação com tanque cheio e vazio na segunda sessão, e acerto fino para classificação e corrida no sábado que vemos a cada evento. É cada um na sua e que a melhor filosofia de desenvolvimento apareça quando as luzes vermelhas se apagarem pra valer, na Austrália.

Mas, falando em filosofia, se os testes até agora apontaram alguma tendência, é de que a onda de migrações de McLaren para Ferrari parece criar um fenômeno curioso. Não precisa seguir a F-1 há muitos anos para saber de uma verdade absoluta dessa época: a Ferrari sempre lidera várias sessões, enquanto a McLaren faz um tipo low profile – e muitos na imprensa começam a questionar se os ingleses perderam a mão. Quando chega a primeira prova as coisas costumam voltar a seu devido lugar.

Pois, bem. O F2012 é comandado por Nikolas Tambozis e Pat Fry, ambos ex-McLaren – o último, claro, com uma história bem mais ligada ao time de Woking. Além da dupla, e não se sabe ao certo quantos, um punhado de engenheiros vem aterrissando em Maranello. E não é que ao menos esse início de pré-temporada dos italianos foi marcado por um entra e sai de sensores e testes aerodinâmicos de velocidade constante? Nada de grandes quilometragens ou simulações de classificação arrasa-quarteirão? Uma Ferrari tão… McLaren!

No primeiro dia, Button faz 1:21.530 após 62 voltas, e Massa, 1:22.815 após 69. No segundo, Massa ligeiramente na frente, com 1:20.454 e 95 giros, enquanto o inglês fez 1:20.688 em 85. Sempre colados na tabela de tempos. E do meio para trás. Hoje, Alonso teve problemas de manhã e talvez não termine o dia como Hamilton. Mas amanhã…

Pode ser só uma coincidência inicial. Porém, depois de infrutíferas análises de tempos, técnicas e até de humor, é a “diversão” que resta até Melbourne.